sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Comportamento Sexual no Carnaval II - Entrevista editada e reproduzida pela Jornalista Rosana Lee

Ouça o áudio completo clicando acima!
 A entrevista que concedemos na Rádio CBN ao Jornalista Valter Sena foi editada e novamente veiculada pela Jornalista Rosana Lee. Acompanhe o vídeo acima!

 Em relação à liberalidade da vivência da sexualidade na época do carnaval, as pessoas podem questionar que pelo fato da origem histórica das festas carnavalescas advirem das festas pagãs da Grécia e da Roma Antiga se configuravam por celebrações que envolviam muita comida, bebida e a busca incessante sexuais, que então seria natural que o carnaval nos dias de hoje seja uma festa de apologia ao sexo e aos prazeres desmedidos em geral.

Mas questiono: na antiguidade as pessoas não tinham acesso ao conhecimento, não tinham liberdade para questionar a moral estabelecida. Não tinham acesso à informações ou orientações sobre a sexualidade. Sequer imaginavam a importância real da sexualidade para sua vida, e muito menos compreendiam como se dava o desenvolvimento psicossexual de uma pessoa e o quanto a sexualidade influencia na nossa identidade humana, em nossos relacionamentos,  e nossos sentimentos. E hoje estamos em pleno século XXI, temos acesso ao conhecimento, temos liberdade ética de escolha, informações e algumas orientações. E ainda não desenvolvemos uma consciência ética sobre a vivência livre da nossa sexualidade.
Como já apontamos inúmeras vezes, faz-se necessário desenvolver um programa contínuo de conscientizacão dos jovens e de toda populacão sobre como viver uma sexualidade saudável e não apenas no aspecto de prevencão de AIDS, DSTs e gravidez não planejada, mas da saúde emocional das pessoas. Pois, sexualidade não se reduz ao ato sexual. Almejamos uma política pública voltada às problemáticas sociais que em sua grande maioria perpassam pelo densenvolvimento psicossexual das pessoas: pedofilia, violência sexual, crimes sexuais, preconceito de gênero, homofobia. Ou seja, todo e qualquer relacionamente humano está inserido na educação afetivo-sexual.

Por isso, REPETIMOS que consideramos emergencial UMA POLÍTICA PÚBLICA DE EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL QUE ALÉM DO ENFOQUE MÉDICO-HIGIENISTA-BIOLÓGICO JÁ EXISTENTE E TAMBÉM IMPORTANTE PASSE A ESCLARECER SOBRE a SEXUALIDADE em sua totalidade. Envolvendo uma equipe multidisciplinar, ou seja, profissionais da área de saúde: médicos, psicólogos, e educadores para juntos construírem um programa que realmente contemple a educação afetivo-sexual em todos os seus aspectos.
 Devemos entender que a história não é estática e sim dialética. História não é fatalidade. E sim, possibilidade. E nós ao mesmo tempo que somos condicionados pela história, também somos sujeitos históricos, o que significa a possibilidade de mudança. E liberdade não é fazer o que se quer sem pensar nas conseqüências. Liberdade implica acima de tudo em ética e responsabilidade. Liberdade não é permissividade, banalidade. Liberdade é escolha consciente e responsável. E não pensar apenas no prazer momentâneo, mas pensar no bem de si mesmo, e da pessoa com a qual você se relaciona.
Em relação ao fato de alguns homens se travestirem de mulheres nas festas carnavalescas, embora para a maioria dos homens  seja apenas uma brincadeira sem fundo de maldade, se analisarmos do ponto de vista que nossa educação sexual é fruto de uma sociedade machista, patriarcal, isto inconscientemente pode se caracterizar  como preconceito. Uma forma de homofobia (com brincadeirinhas imitando homossexuais) e também preconceito de gênero contra a mulher. Um homem ser chamado de mulherzinha (soa para muitos homens desde a infância como humilhação), como se a mulher fosse um ser inferior.   A violência simbólica dói tanto quanto a física. E como educadora sexual somos contra todo e qualquer tipo de discriminação social ou sexual. 

Historicamente a mulher sempre foi inferiorizada e oprimida sexualmente e socialmente. Avançamos muito, mas ainda muito que conquistarmos e lutarmos para que sejamos homens e mulheres respeitados na mesma medida.
 Não me considero feminista, e sim HUMANISTA. Todos merecem respeito! Mas é fato que...
  
 Profa. Dra Cláudia Bonfim

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Entrevista Dra Cláudia Bonfim: Comportamento Sexual no Carnaval ao Jornalista Valter Sena - Rádio CBN Campinas


Socializando o áudio da entrevista concedida ao Jornalista Valter Sena da Rádio CBN de Campinas nesta terça, 22 de fevereiro de 2011.
 Vale a pena conferir!
Veja e ouça o video com o Áudio da Entrevista clicando acima.



O Carnaval tem suas origens nas festas pagãs da Grécia, ligado ao deleite e aos prazeres. Em Roma, surge como um movimento contrário aos dias de abstenção da carne, no Cristianismo da Idade Média. Uma festa com muita comida, bebida e busca incessante pelo prazer sexual. 
No Brasil, inicialmente trazido pelos portugueses por volta do século XV com o nome de Festa do Entrudo, introzido, com a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, em 1808. Era uma espécie de brincadeira onde se jogavam água, ovos, farinha uns contra os outros, permanecendo assim  até o surgir o confete e a serpentina. Vejam abaixo imagens ilustrativas da chamada inicialmente Festa do Entrudo (Carnaval).




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domingo, 20 de fevereiro de 2011

CARNAVAL = FESTA POPULAR OU APARTHEID E ALIENAÇÃO SOCIAL?


O conhecimento nos traz criticidade, e cada vez se torna mais difícil “engolir” certas coisas que ouvimos ou presenciamos. Nem em pleno carnaval deixo de observar as contradições humanas. Fico indignada com os milhões de reais gastos em todo País, induzindo e estimulando o consumismo de bebida alcóolica, à exacerbação sexuall, ao mercantilismo corporal. Se investissem tudo é foi gasto no carnaval no Brasil em Educação quantos poderiam aprender a ler, a escrever, a se tornar sujeito críticos?  
 
E o quanto se gasta com a distribuição de preservativos, pílulas do Dia Seguinte, e testes de Aids?  Lamentável! Temos que dissociar a ideia que Carnaval com sexo, álcool, drogas, promiscuidade. A verdadeira alegria é consciente!
 
Imagem quantos milhões o governo gasta no carnaval? E que nesta época são disponibilizadas equipes distribuindo preservativos e testes de HIV, policiamento, enfermeiros, ambulâncias, para atender os casos de embriaguez, violência e acidentes causados por alcoolismo e drogas.
 
Enquanto isso, milhares de crianças morrem por desnutrição, vivem em condições desumanas, sem educação, sem dignidade. Importante lembrar a crítica feita ao nosso Ministro da Cultura Gilberto Gil, por Temos que lutar especialmente contra o claro apartheid social, que vivenciamos cotidianamente, em todos os locais, como o que assistimos em pleno carnaval: os camarotes vips, os trios elétricos, sempre destinados a elite, e o povo sempre separado por cordas, se tornando uma massa, sempre inferiorizada.
 
A elite sempre acima do povo, se esquecendo que este povo é quem  paga o salário deles, é quem paga a maior parte da festa, pois milhões e milhões do cofre público são investidos ali. E estes merecem ter o mesmo espaço e respeito. Fiquei pensando que um milésimo desse dinheiro que o governo gasta no carnaval fosse destinado a um projeto educativo como que o que utopicamente visualizo. Desde tempos imemoriais, é possível constatar a distância entre a classe dominante e o povo. Parece contraditório falar de igualdade na sociedade da omissão, do descaso, das políticas assistencialistas, do mascaramento, do aparteid social visível. 
 
Conviver no meio político me fez ver de perto e sentir na pele, que erros humanos, politicamente são desumanos, são mascarados, preparados minuciosamente, estrategicamente planejados,  ideologicamente traçados, para contemplar o poder. O que dói mais, é assistir tudo isso e ter muitas vezes, as mãos atadas, ter que engolir, mesmo sabendo que não será possível digerir, tanta indiferença, tanta injustiça, tanta podridão.
 
A classe política é lamentavelmente, em sua grande maioria, a classe da troca constante de favores, de cargos, de interesses pessoais, de privilégios à elite e aos seus, dos falsos méritos. A sociedade dos apadrinhamentos, onde leva vantagem aquele que tem ou contatos políticos, ou troca favores eleitorais.
 
Competência? Quem dera todos os cargos políticos fossem contemplados por esse mérito. Muitas vezes, assistimos estarrecidos o fascínio humano pelo poder e as mórbidas "necessidades" dele decorrentes. Por hora, meu alento está naqueles que como eu ainda ousam o sonho, a militância, a luta, que conseguem emergir esperanças e forças em meio a toda essa corrupção infindável.
 
Isso me faz crer que precisamos mais do que nunca mesmo ocupar nosso espaço, lutar pelas causas que acreditamos, “doa a quem doer”, e temos sim, que nos envolver politicamente, pleitear cargos políticos, mostrar que não somos só mais um qualquer na multidão. É hora de olhar a fundo, mostrar que não somos mais “bobos da corte”, que o reinado deles está no fim, que eles não são os soberanos, que a sociedade feudal e o absolutismo acabou há muito tempo. Não podemos mais é nos omitirmos, “porque quando os justos se omitem, os corruptos comandam”.
 
É claro, que o povo precisa de lazer, de diversão, de alegria, mas vejamos que falsa essa alegria carnavalesca. Acaba o carnaval e a realidade rompe com toda esta ilusória festa, bruscamente. E pergunto o que mudou socialmente? Nada!!! Nos deram um anestésico momentâneo, que nos fez esquecer a dor por alguns dias, mas depois, quando nos damos conta, a ferida social, se tornou ainda maior.
 
Profa. Dra Cláudia Bonfim
Artigo publicado no Jornal Correio Popular de Cornélio Procópio-Paraná na edição de fevereiro de 2006. (Estamos em 2011 e pouca coisa mudou)
 
 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Carnaval e Sexualidade: uma reflexão sócio-histórica-cultural

Vejam o vídeo acima e tenha acesso na íntegra à nossa reflexão crítica sobre o Carnaval e a Sexualidade Humana a partir de uma leitura sócio-histórica-cultural.

Boa noite meus queridos leitores, ouvintes e seguidores do Blog Educação e Sexualidade eu professora Doutora Cláudia Bonfim hoje vou continuar nossas reflexões sobre Carnaval e Sexualidade  a partir de uma leitura sócio-histórica-cultural pautando no conhecimento cientifico e especialmente buscando esclarecer as seguintes questões:
Com a chegada do Carnaval a mídia é tomada por Campanhas  de combate a DST´s e AIDS, mas até que ponte essas campanhas estilo Liberou Geral contribuem positivamente para um educação afetivo-sexual emancipatória?
E será que historicamente o carnaval sempre esteve ligado à liberalidade da sexualidade?
E  o que é de fato poder  viver uma sexualidade livre?

A vivência da sexualidade diz respeito a cada um, mas essa vivência deve ser uma escolha consciente, responsável, e que não coloque em risco sua saúde física e emocional,  nem das  pessoas com as quais você se relaciona. 

                                            

Curta o Carnaval com alegria, com prazer, mas com responsabilidade, com equilíbrio para que essa alegria do carnaval possa se estender como um bem-estar para sua vida.


Ser verdadeiramente livre, não é continuar sendo mais uma ovelha no rebanho, nem  se deixar levar pela maré, mas ousar construir seu caminho. Então eu termino parafraseando Sartre: primeiro temos que saber o que fizeram de nós, mas isso não basta para sermos livres, mais  importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.

Imagem quantos milhões o governo gasta nestas festas? E que nesta época são disponibilizadas ambulâncias, policiamento, enfermeiros para atender os casos de embriaguez, violência e acidentes causados por alcoolismo e drogas. E o quanto se gasta com a distribuição de preservativos, pílulas do Dia Seguinte, e testes de Aids?
Lamentável! Temos que dissociar a ideia que Carnaval com sexo, álcool, drogas, promiscuidade. A verdadeira alegria é consciente! 
Bem, historicamente, o carnaval tem sua origem a partir das festas pagãs da Grécia antiga como um culto a Dioniso, o deus do vinho e da festa, caracterizava-se como um verdadeiro bacanal de orgias, com muita comida e bebidas incluindo a exaltação do corpo (carne) como princípio da alegria.
Segundo estudos o Carnaval deriva-se como uma rebeldia ao Cristianismo da Idade Média. Surgindo em meados do século XI, devido a Semana Santa da Igreja Católica e como rebeldia aos 40 dias de jejum carnal que marcou então o ínicio de festas de carnaval antecedentes à quarta-feira de Cinzas, que é o primeiro dia da quaresma. Marcando um "adeus à carne" dando origem ao termo "Carnaval".   Ou seja, podemos historicamente constatar que não é de hoje que o "carnaval" está, ligado ao deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "carnaval", sendo que "carnis" do grego significa carne e "valles" significa prazeres.
Na antiguidade as festas carnavalescas se configuravam por celebrações que envolviam muita bebida, comida, e a busca incessante dos prazeres. A festa durava cerca de sete dias nas ruas, praças e casas da Antiga Roma. Naquela época eram suspensas todas as atividades comerciais e inclusive até os escravos tinham temporariamente liberdade para festejar; Sempre foi uma época em que a moral era deixada de lado. Constituía-se também numa época onde havia troca de presentes entre as pessoas, e havia a escolha de um rei, numa eleição de brincadeira, o qual passava a comandar o cortejo pelas ruas e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia.
Já no período do Renascimento o Carnaval ganhou um formato mais elitizado, com os bailes de máscaras, caríssimas fantasias e os carros alegóricos. E aos poucos perdendo seu caráter de festa popular chegando ao formato atual.
Nos dias de hoje o Carnaval tem um formato moderno,  fruto da época vitoriana do séxilo XIX, com de desfiles onde se gastam milhões e fantasias caríssimas. Paris foi um dos principais exportadores desse modelo de carnaval para o mundo. Inclusive foi inspiração para a festa carnavalesca do Rio de Janeiro, e posteriormente São Paulo, com desfiles de Escolas de Samba. 
No Brasil a etimologia de Carnaval – carrum navalis(carro naval ou carro alegórico) e carne levare (abstenção de carne)  é de origem latina, mas  a expressão do termo que há muito deixou de se constituir o “abre-alas” das famosas marchinhas, brincadeiras engraçadas, exposição de fantasias e personagens semelhantes ou próximos do inusitado “entrudo”, festa do “entrudo”, assim chamado o nosso carnaval brasileiro quando trazido pelos portugueses.
Considerada a maior festa de rua de mundo, hoje, o Carnaval do Salvador está no Guinness Book. Ainda cidades como Recife, Pernambuco, possuem o maior bloco de carnaval do mundo, o chamado Galo da Madrugada.
Durante a época do Carnaval sempre houve grande concentração de festas populares de acordo com as culturas regionais, assim como até hoje ocorre em algumas cidades do nordeste do Brasil. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes.
Embora o Carnaval de Salvador não pode de fato ser considerado uma festa popular, se pensarmos no sentido de acesso a todos, pois sabemos que os camarotes e as camisetas para participar efetivamente da festa carnavalesca nos blocos são caríssimas e nada acessíveis à maioria da população brasileira. Virou uma festa mercantil em todos os sentidos materiais e sexuais.
Ai as pessoas podem questionar que então é natural que o carnaval nos dias de hoje seja uma festa de apologia ao sexo e aos prazeres desmedidos em geral. Mas ai eu questiono: na antiguidade as pessoas não tinham acesso ao conhecimento, não tinham liberdade ética para questionar a moral estabelecida. Não tinham qualquer acesso à informações ou orientações sobre a sexualidade. Sequer imaginavam a importância real da sexualidade para sua vida, e muito menos compreendiam como se dava o desenvolvimento psicossexual de uma pessoa e o quanto a sexualidade influencia na nossa identidade humana, em nossos relacionamentos, em nossos sentimentos. Não questionavam sobre os costumes sociais. E hoje estamos em pleno século XXI, temos acesso a todo esse conhecimento, temos liberdade de escolha, informações e orientações. E ainda não desenvolvemos uma consciência ética sobre a vivência da nossa sexualidade. E há muito tempo temos acesso a informações biológicas sobre a sexualidade e a maioria das pessoas ainda se relacionam sexualmente sem qualquer responsabilidade ética e afetiva consigo mesmo e com o outro. 



Carnaval e Sexualidade: Mulheres serão o foco da Campanha de Combate a AIDS e DST´s no Carnaval 2011 - mas até que ponto essas campanhas educam?

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Ouça o post na íntegra pelo áudio acima!
Os dados do Ministério da Saúde, apontam que 87% das mulheres que vivem com HIV/AIDS se infectaram através da relação sexual, sendo que, 83% delas têm idade entre 20 e 49 anos. E na faixa etária dos 13 aos 19 anos, há maior infeçção entre as mulheres (10 mulheres para cada seis homens infectados). E acreditam que "até o momento, a informação correta e o uso do preservativo é a melhor forma der infecção pelo HIV."

 VOLTO A DIZER: NÃO BASTA DISTRIBUIR CAMISINHA OU INFORMAR SOBRE COMO USAR O PRESERVATIVO. PRECISAMOS PROMOVER ESPAÇOS DE REFLEXÃO QUE VISEM  CONSCIENTIZAR, ORIENTAR. PRECISAMOS URGENTE DE UMA POLÍTICA PÚBLICA DE EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL!

."Mulheres entre 15 e 24 anos serão o foco da campanha de combate às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Carnaval 2011. "A recomendação do Ministério da Saúde é orientar as mulheres para que, após o ato sexual sem o uso de preservativo, procurem realizar diagnóstico para detectar uma possível contaminação de HIV, sífilis ou hepatite".
Fico indignada como o carnaval tornou-se uma época de sexo quantitativo  em que  o governo distribui milhões de preservativos en todo Brasil, como se as problemáticas da sexualidade se reduzissem apenas à prevenção de Aids, DST´s e gravidez não planejada. Como se a sexualidade se resumisse ao sexo, como se isto fosse o principal da educação sexual . Temos que distribuir preservativos sim! Temos que usar preservativo SEMPRE.  Mas apenas isto não basta para consideramos como educação sexual.
 CONVOCO E INSISTO QUE A EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL É NECESSÁRIA NA FAMÍLIA, NA ESCOLA EM TODOS OS ESPAÇOS, MAS UMA EDUCAÇÃO SEXUAL EMANCIPATÓRIA, NÃO UMA EDUCAÇÃO SEXUAL QUE APENAS DISTRIBUA PRESERVATIVOS, E QUE TRATE DO LADO NEGATIVO DA SEXUALIDADE (doenças).


Será que as pessoas que são responsáveis por essas campanhas conhecem a história da sexualidade humana? Será que sabem de fato definir Sexualidade?  Será que sabem a importância e como se dá o desenvolvimento psicossexual do ser humano?
 Claro, acreditamos que a Educação Sexual, é também uma maneira eficaz para combater doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), gravidez precoce, e este é um dos seus papéis, mas Educação Afetivo-Sexual significa especialmente uma possibilidade de quebra de tabus e preconceitos, de conscientização, de aquisição de uma ética sexual para a vivência de uma sexualidade prazerosa, qualitativa, afetiva, significativa e emancipatória.
E distribui-se preservativos e acredita-se que isto basta para prevenir doenças e DST´s. Me revoltam algumas campanhas reducionistas, que contribuem no âmbito da saúde (o que não deixa de ser importante), mas não dão conta da complexidade e  da amplitude sexualidade. E que não contribuem de fato para reflexões sobre a vivência da sexualidade nos dias de hoje. 
 Ótimo que, de certo modo, pelo menos as pessoas terão acesso aos preservativos, mas nós que atuamos como educadores sexuais nas escolas e na sociedade sabemos pelos relatos que ouvimos que a maioria dos jovens e  adultos não usam preservativo. Não por falta de acesso mas de consciência mesmo! Portanto, falta EDUCAÇÃO, ORIENTAÇÃO, CONSCIENTIZAÇÃO! A distribuição de preservativos é uma medida que pode ajudar mas são paliativas.


Faz-se necessário desenvolver um programa contínuo de conscientizacão dos jovens e de toda populacão sobre como viver uma sexualidade saudável e não apenas no aspecto de prevencão de DSTs, mas da saúde emocional das pessoas.

É urgente um programa de educacão afetivo-sexual emancipatória que busque superar essa visão reducionista da sexualidade. Almejamos uma política pública voltada às problemáticas sociais que em sua grande maioria perpassam pelo densenvolvimento psicossexual das pessoas: pedofilia, violência sexual, crimes sexuais, preconceito de gênero, homofobia. Ou seja, todo e qualquer relacionamente humano está inserido na educação afetivo-sexual.
 Se informações sobre métodos anticonceptivos, e uso de preservativos ou sobre saúde sexual reprodutiva fossem suficientes não teríamos como apontam os dados do próprio Ministério da Saúde os altos indíces de DST´s e gravidez não planejada. Informações biológicas e higienistas como estas existem há muito tempo nas escolas e na sociedade, e embora sejam também necessárias, são insuficientes. Será que ainda todos as problemáticas sociais referentes a sexualidade, manchetes diariamente em jornais, Rádios, TV, Internet e revistas, ainda não levou nossos governantes a  entenderem que só questões abordar questões médicas, higienistas, nunca foram suficientes para EDUCAR, CONSCIENTIZAR. São preventivas e informativas no âmbito da saúde e nem disso deram conta. Porque se dessem conta as pessoas já usariam preservativos. Informar é muito diferente de Educar, Orientar e levar a formação de consciências críticas.
 Apesar dos “avanços ideológicos”, faltam atitude. Repito: existe uma grande diferença entre informar e educar (orientar). Creio que a Educação Sexual é um processo educativo que possibilita não apenas o conhecimento biológico, mas a formação de valores e atitudes referentes à forma como vivemos nossa sexualidade. Nesse viés, consideramos que a Educação Sexual pode contribuir, entre outros fatores, para a diminuição dos índices de gravidez na adolescência, a redução da transmissão entre os jovens de DSTs, mas a partir do momento que tornar o jovem conhecedor do que representa a sexualidade humana para si próprio e no contexto da sociedade brasileira.

A Educação Afetivo-Sexual visa esclarecer sobre os tabus e preconceitos existentes na sociedade, promovendo a afetividade, a consciência corporal, o respeito pela liberdade de expressão, de orientação sexual, abrindo espaço para se discutir conceitos e problemas da adolescência, namoro, sexo seguro, gravidez, aborto, orientação sexual, abusos sexuais, violência, responsabilidade, maturidade, e para falar de afetividade, desejo, prazer.
 Mesmo com os “avanços” da liberdade sexual, é possível constatar que a família ainda não privilegia um diálogo sobre sexualidade ou este é pobre ou inexistente,; e mesmo nas escolas, o debate é tímido e ocorre voltado para os aspectos biológicos; a escola ainda continua no foco reprodutivo e preventivo como já constatei na tese os educadores, como também os profissionais da saúde, parecem permanecer com posturas impregnadas de preconceitos e tabus, talvez por também não possuírem um embasamento histórico e teórico aprofundado sobre o tema em questão.


Precisamos gerar inquietações e provocar reflexões dialógicas críticas  que possam contribuir para o alcance da melhor maneira de como lidar com a sexualidade em termos de troca de afeto e prazer. E isto implica numa educação afetivo-sexual de todos nós: educadores, pais, adolescentes. Pois, o desenvolvimento psicossexual se dá nas interações, afetos e desafetos das pessoas com as quais convive, especialmente na infância. Lamentavalmente, a educação sexual que temos está longe da que queremos ter, pois esta deve  conciliar as abordagens biológica, médica, psíquica, política, histórica, social, cultural, conforme se almeja.
 Falar da parte operacional e biológica da sexualidade é um primeiro passo, mas não o único caminho. Temos que ir além, educar e produzir reflexões que levem os jovens formar uma consciência ética sobre sua sexualidade, e isto requer mais que técnicas, métodos, ou posições sexuais. Requer uma educação afetivo-sexual que realmente vise a busca da compreensão de si mesmo, e da beleza e da importância da sexualidade para o desenvolvimento e o relacionamento humano em todas as suas vertentes. Para nossa humanização e respeito consigo mesmo e com o outro.

É emergencial UMA POLÍTICA SEXUAL SOCIAL QUE ALÉM DESSE ENFOQUE MÉDICO-HIGIENISTA-BIOLÓGICO atenda a SEXUALIDADE em sua totalidade.
Pesquisei na internet diversos slogans e folders de carnaval e fica claro que parece que no carnaval sexo com camisinha está liberado e de certa forma é aceito e estimulado socialmente. Me pergunto até que ponto estas campanhas de fato educam? Reflitam! Vejam as imagens abaixo.
















Imagens da Internet 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ANORGASMIA FEMININA: uma leitura sócio-histórica-cultural – II Parte

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Acompanhe o post completo através do áudio acima!


Bom dia queridos amigos, leitores, ouvintes e seguidores do nosso blog educação e sexualidade,os abraços de hoje vão para alguns dos novos seguidores do nosso blog, entre eles a Rhayanne, Luanny, Antonio Emilio Darmaso Eredia e para a Helena e aos demais seguidores do blog nosso carinho e gratidão.


O post de hoje traz a segunda parte da temática da anorgasmia feminina a partir de uma leitura sócio-histórica-cultural.


[...] A anorgasmia é considerada como primária quando uma pessoa que nunca chegou a experimentar um orgasmo, ou então secundária, quando a pessoa perde a capacidade de ter orgasmos.


Dentre os fatores que levam a tal quadro (isoladamente ou conjuntos), destaca-se especialmente os aspectos que aqui denominamos de psicossociais. Ou seja, fruto de uma sexualidade culturalmente reprimida, envolta de medos, culpas, muitas mulheres desconhecem seu próprio corpo e não criam maior intimidade com seus parceiros, estas inibições sócio-culturais podem interferir na resposta sexual normal. Falsas crendices, falta de orientação sobre sexo e sexualidade, tabus, dogmas, visão negativa sobre a relação afetivo-sexual dos pais, medo de ser abandonada ou engravidar, urinar; experiências traumáticas como estupro ou abuso, dificuldade de concentração durante a relação sexual, falta de intimidade com o próprio, culpa, ansiedade, depressão, tensão corporal, insatisfação corporal, baixa auto-estima, dificuldades do cotidiano, entre outras estão entre as maiores causas da anorgasmia.
O que nos convoca para a urgente necessidade de dedicarmos atenção à estudos e programas que visem a educação afetivo-sexual para todas as faixas etárias. Educadores, pesquisadores e profissionais da saúde, devem estar unidos, atentos e engajados na busca de uma educação afetivo-sexual emancipatória. Pois, mesmo diante de diversas abordagens sobre as dificuldades sexuais, consideramos de modo particular, que a educação sexual pode ser um método importante tanto na prevenção, como no tratamento das mesmas. Como professora de Biologia, educadora sexual e pesquisadora na área de história e da filosofia, temos condições de abordar mais profundamente os aspectos biológicos e sócio-culturais. Porém, pautando em pesquisas já realizadas e em nossa leitura individual consideramos que aspectos sócio-históricos-culturais  levam aos fatores emocionais e psicológicos, aqui denominados de psicossociais.


Considerando a partir de diversos estudos, que os bloqueios emocionais são as principais causas da anorgasmia. E do pressuposto que, estes bloqueios emocionais podem originar-se da educação repressora a que muitas meninas são submetidas desde a infância, por associarem a sexualidade a uma experiência negativa, pecaminosa, feia ou suja, e não como uma experiência associada à afetividade, ao bem-estar, ao prazer, à boniteza, à vida, a sexualidade torna-se uma vivência que gera vergonha dos genitais, dificuldade de tocar-se, de conhecer seu próprio corpo, e o corpo do outro. Isto ainda soma-se ao medo da  “entrega”, de que ela precisa  “controlar-se”, reprimindo seus desejos. O que nos fundamente a afirmar aqui o imperioso papel dos educadores, pois através da educação sexual, podemos desmitificar tabus e contribuirmos para a formação de uma nova consciência sobre a sexualidade, para que, mesmo há longo prazo possamos amenizar o quadro atual. 
Estamos em 2011, pode parecer absurdo,  mas as marcas da educação sexual repressora, machista patriarcal são tão profundas que a maioria das pessoas ainda não conseguiram superá-las. E não estou falando apenas de teoria não, mas da prática, do chão de sala de aula onde atuo, do chão das ruas onde faço as intervenções sociais, dos relatos que ouço nas palestras das escolas com docentes e alunos (pré-adolescente, adolescentes e jovens), da minha atuação como orientadora educacional.Aliás, na vivência da sexualidade vemos uma dualidade extremista, de um lado ainda pessoas marcadas pela repressão e, de outro fruto visão mercantil e consumista do sexo, a exacerbação, o genitalismo e a banalidade. E assim, continuamos nossa luta, por termos consciência do que vivenciamos e visualizamos na sociedade, que embora para alguns pareça um relato de 1960, é o retrato real da sexualidade de muitas mulheres em pleno século XXI. Temos que lutar juntos por uma educação afetivo-sexual emancipatória, crítica, ética, qualitativa, prazerosa e busque o ponto de equilíbrio entre a repressão e a banalização.


Ainda hoje, muitas mulheres têm dificuldade ou incapacidade de chegar ao orgasmo. Mas a maioria finge o que não sentiu, ou falsamente acredita que a relação sexual se resume ao prazer que foram capazes de sentir. Fruto da imagem histórica negativa do que o sexo representa para a mulher, preconeceito de gênero, homem e do mito do amor romântico que ela aprendeu sobre casamento. E como dissemos e lamentamos, esse quadro assustador não retrata um passado distante. Em pleno século XXI, com toda uma revolução e liberação sexual os números mostram que muitas mulheres ainda trazem marcas profundas da educação sexual patriarcal indicando que grande parte das mulheres tem anorgasmia e inclusive algumas sofrem de vaginismo. Mas sobre o vaginismo tratamos em um outro momento.
 Profa. Dra Cláudia Bonfim
Abraços e até nosso próximo post!


REFERÊNCIAS

BASSON, R; SCHULTZ, W. W. Sexual sequelae of general medical disorders. Lancet. 2007. v.369, p.409-424.

ENGELS, F. A Origem da família, da propriedade privada e do Estado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.

MESTON, C. M. (et al). Women’s orgasm. Annu Rev Sex Res. 2004. v.15, p.173-257.
REDELMAN, M. A general look at Female Orgasm and Anorgasmia – Sexual Health.
2006. v. 3, p.143-153.

REICH, W. A função do orgasmo. 15 ed. São Paulo: Brasiliense; 1975.
Saadeh A. Disfunção sexual feminina – conceito, diagnóstico e tratamento. In: Abdo C. H. N. (org.). Sexualidade humana e seus transtornos. 2 ed. São Paulo: Lemos Editorial, 2000. p. 53-68.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Agradecimentos aos visitantes do Blog Educação e Sexualidade

Esse post é apenas para dizer da nossa alegria com as estatísticas do Blog. E agradecer, agradecer e agradecer... São mais de 32.000 MIL visitas em Blog de maio de 2010 a fevereiro de  2011.
Que alegria, honra e satisfação saber que nosso trabalho tem sido acompanhado e respeitado no Brasil e em mais de 20 países do mundo todo. E a cada dia receber novos visitantes, de novos países e estados do Brasil.

Obrigada a todos os meus leitores, ouvintes, seguidores, amigos, alunos, anônimos pelo apreço, carinho e credibilidade para com nosso trabalho. Isso nos motiva cada vez mais a continuar socializando nossas reflexões, ideias, estudos e aprendizados e a continuar buscando cada dia mais o conhecimento científico, a observar sensível e atentamente nossa práxis e a desenvolver nossas palestras, escrever nossos artigos e livros e nossas intervenções sociais.
 Um abraço repleto de carinho e ternura a todos vocês que acompanham esse nosso espaço, que nós é tão precioso, que é minha paixão, e mostra quem sou, meus sonhos, minha luta por uma educação afetivo-sexual emancipatória e minha paixão pela sexualidade humana.
 Com meus agradecimentos de coração,
 Profa. Dra Cláudia Bonfim

Dia Mundial da Tolerância Zero contra a Mutilação Genital Feminina - 06 de fevereiro

sábado, 5 de fevereiro de 2011

MASTURBAÇÃO: quebrando alguns mitos e tabus sexuais

Boa noite meus queridos leitores, ouvintes e seguidores do nosso Blog Educação e Sexualidade, eu, Professora Doutora Cláudia Bonfim, venho primeiramente agradecer o imenso carinho que temos recebido e as manifestações de apreço ao nosso trabalho de pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo. Pode parecer falácia mas não é. Aliás, foi uma grande surpresa para mim constatar não só através da estatística do Goolge como através dos e-mails que temos recebido de todo Brasil e outros países, entre os quais se destaca Portugal. Aliás os abraços de hoje vão para o Nuno Gomes de Portugal, e para Carlos JorgeTavares de Rio Maior, Portugal, e também ao Luiz Roberto Alves do Mato Grosso pela credibilidade em nosso trabalho, e claro a todos vocês que anonimamente ou não acompanham carinhosamente nosso blog, e especialmente aos novos vários seguidores do nosso Blog.



O Post de hoje surge de uma das respostas que enviei aos inúmeros e-mails que tenho recebido. A orientação aqui reproduzida pode servir para adolescentes e adultos que possam viver situações semelhantes.


Uma pessoa jovem se declara virgem, e diz se masturbar várias vezes por dia, mais para aliviar tensões do que para buscar de fato o prazer. Claro, nesta idade sua libido está em alta o que vem apontar um dos motivos de uma pessoa que não tenha um parceiro sentir necessidade  de se masturbar. Claro que, como já apontei anteriormente aqui no blog, tudo naa deve ser em equilíbrio, e se masturbar apenas para aliviar tensões (embora independente disto, relaxamos após se masturbar), não deve ser o objetivo. A masturbação deve ser pelo auto-conhecimento e pelo prazer. 

Importante ressaltar que a idade não importa no que se refere à masturbação. Isto não apenas coisa de adolescente.   Tanto adolescentes quanto adultos podem e devem se masturbar. O caso é que o adolescente tem maior curiosidade e o sexo, muitas vezes, ainda é uma novidade pra ele. Por este motivo, a masturbação nos jovens é um ato mais freqüente. Outra razão que leva os adolescentes a se masturbar é que, em geral, eles ainda não se têm um parceiro sexual definido e, toda vez que tiver vontade, eles têm que se resolver sozinho, o que pode ser seu caso se não tiver uma parceira definida. 
Outra ressalva quanto ao fato de uma pessoa ser virgem ou não, não é o fato central que leva uma pessoa a se masturbar. Pois, saiba que muitos casais com anos de relação ainda sentem prazer com a masturbação e com outras formas de preliminares também. Quem ainda não iniciou a vida sexual com um parceiro só tem a masturbação como fonte de prazer, mas isso não quer dizer que apenas eles chegam ao êxtase com a masturbação.
Deixe-me esclarecer que mesmo em excesso a masturbação não faz mal à saúde.   Pois,  a masturbação é uma atividade sexual igual ao sexo em si, e as reações que provocam no organismo quase as mesmas bem parecidas. Portanto, não existem malefícios para o corpo. Porém, quando uma pessoa deixa de fazer outras coisas apenas para se masturbar, aí a questão pode se complicar. Não há um número definido de quantas vezes uma pessoa possa se masturbar . Há dias em que a libido está mais forte e outros em que você pode nem pensar nisto. O limite é o seu próprio corpo e o seu desejo. O que não deve é deixar de fazer coisas importantes para passar o dia fazendo isso. Mesmo assim não é um vício, o que pode ocorrer é que a pessoa cria um desejo compulsivo e, muitas vezes, deixa de fazer coisas importantes e abre mão de compromissos para ficar se masturbando. Nesses casos, a pessoa precisa procurar ajuda terapêutica. Ainda assim, não chega a ser vício. Apenas sinal que a pessoa não consegue lidar corretamente com algo, ou encarar um problema e passa a canalizar na masturbação. Como uma espécie de fuga que passa a funcionar como busca de uma nova forma de prazer pra não lidar a questão  que lhe incomoda. Por isso, os problemas da vida devem ser encarados e superados.Masturbar-se pode aliviar uma pessoa momentaneamente, mas não resolve problemas, nem de fato ameniza-o, entende?
Para finalizar faz necessário dizer que pensar em masturbação diariamente não se caracteriza como um vício ou patologia, doença. O que pode ser problemático é pensar em masturbar-se o tempo todo. Porque assim a pessoa deixa de se relacionar com as demais. Masturbação é apenas e tão somente uma das formas de experimentarmos o prazer sexual. E  este, é apenas um dos prazeres que podemos experimentar na vida.
 Eu já apontei aqui várias vezes e repito, a sexualidade não está relacionada apenas ao ato sexual, mas a tudo que nos proporciona sensações e sentimentos prazerosos. Sorrir, comer, estar com alguém, se relacionar com a família, com os amigos, trabalhar, se divertir, namorar... tudo que melhora nossa qualidade de vida, que nos proporciona bem-estar são outros prazeres tão gratificantes e importantes na vida. E a questão não é dimensionar a importância, pois são prazeres distintos, mas todos fundamentais para nosso bem-estar, e nosso desenvolvimento psicossexual, para nossa humanização. Portanto, um não pode anular o outro. Não se esqueçam desses outros prazeres. Uma das formas de tentar aliviar as tensões é através do diálogo, dialogando com alguém que confia, ouvindo músicas que levantem seu astral podem ajudar.  E que a masturbação seja algo prazeroso, um momento de usar sua imaginação para buscar sua satisfação e manisfestar para si mesmo seus desejos mais ocultos.
Busque entender e resolver o que está lhe angustiando, gerando frustração. Parar de se masturbar ou continuar se masturbando, não é a questão. Você deve é  buscar refletir sobre o que o que está lhe afetando e tentar resolver o problema.

 No próximo post estaremos finalizando a II parte do tema da anorgasmia a partir de uma abordagem sócio-histórica-cultural. Abraços e até lá!

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