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terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Dia do Sexo?"


Hoje é comemorado "comercialmente" o dia do Sexo, porém havemos de pensar, que o sexo especialmente nos dias de hoje virou um produto lucrativo, e pior o ser humano virou produto na rede do sexo mercantil. Alguns que dizem conscientizar sobre a sexualidade acabam por difundir e divulgar  o sexo mercantil, permissivo, "moderno", instintivo, banal (lamentável). Sexo virou piada,  virou notícia (midiatizada), ideologicamente camuflada, para ganhar dinheiro, ou para conseguir mais parceiros. Inúmeros sites da rede, sobrevivem às custas do sexo. O dia do sexo foi criado, em 2008, a partir de uma ação de marketing dos preservativos Olla e da agência Age. Mas, enfim o post de hoje é apenas para ressaltar como fizemos em 2010, que sexo é maravilhoso, porém, a mídia atendendo aos anseios da sociedade tem disseminado discursos que contribuem para a vivência quantitativa da sexualidade e, e assim desumanizando os laços afetivos das relações.
O sexo é parte integrante e fundamental da vivência da ativa da nossa sexualidade, embora as pessoas equivocadamente reduzam a sexualidade ao sexo. E o ato sexual é apenas uma das formas de sentirmos prazer, diga, essencial.
A vivência qualitativa, afetiva, emancipatória, consciente e responsável do sexo é essencial para melhorar nossa disposição física e mental para encararmos as demandas da vida com maior "leveza". Sexo faz bem à pele, à auto-estima, ajuda a rejuvenescer, nos motiva a viver, faz o sangue correr, o coração pulsar,  nos deixa mais felizes e conseqüentemente mais saudáveis.
Durante muito tempo o sexo, especialmente para o gênero feminino estava condicionado reducionistamente à reprodução, sem conotação com o prazer. Hoje, avançamos nesse sentido por um lado, conquistando o direito e especialmente se permitindo sentir prazer. Mas, precisamos ressaltar que por outro lado, o Sexo está cada dia mais banalizado, mercantilizado, mecanizado. Ainda hoje, como aponta o autor francês Lepovitsky não encontramos o equilíbrio para a vivência plena e saudável da sexualidade. Ou as pessoas vivem ainda o sexo de uma maneira reprimida ou então exacerbada, instintiva e quantitativa.
Sexo é vida, é prazer, mas consideramos que para ser signiticativo de fato, não deve ser vivido como apenas instintivamente, mas envolto de afetividade (carinho), admiração e erotismo.

Ressaltando que, o sexo pelo sexo é  um prazer finito (momentâneo), a busca da satisfação carnal, de uma necessidade de esvaziamento físico, como já apontamos em algum outro momento. E que erotismo não é essa pornografia vulgar. O erotismo é o que mantêm acesa a chama do desejo dentro de um relacionamento afetivo-sexual e que estende o prazer homérico momentâneo para a vida, transformando-o em energia, disposição.

Que possamos nos permitir sentir e dar prazer, sem dogmas, tabus e preconceitos, e que consigamos vivenciar o sexo na sua plenitude, de uma forma que supere a genitalidade e o mero instinto, para que o prazer sexual, se transforme em bem-estar.

Sexo é dialético, tem que ser doce e voraz, humano e selvagem, instinto e afeto, mas sempre de maneira conjunta, dialeticamente ligados e vividos sempre num clima de erotismo e cumplicidade.
 Cabe nesse conscientizarmos as pessoas que é fundamental, que o sexo seja seguro, pois temos cada dia mais agravante o índice de pessoas contaminadas pela Aids, entre outras DSTs.

Para finalizar o post de hoje vou deixar um texto de Luiz Fernando Veríssimo, intitulado “DAR NÃO É FAZER AMOR”, onde podemos refletir, que o sexo pelo sexo pode sim ser muito prazeroso, mas que é um prazer momentâneo, que esvazia a necessidade instintiva, biológica, física, que depois pode ir nos tornando vazios também. Já fazer amor, é algo que estende o prazer do sexo para a vida. Há relatos de pessoas que dizem que o sexo pelo sexo foi maravilhoso na hora, mas que quando acabou não via a hora do outro ir embora, que sentia vazio, depois do que o tesão acabava. Agora quando o sexo estava associado de alguma forma ao carinho, à algum afeto, mesmo após o sexo, se sentiam cheios de energia, de vida, de uma sensação de crescimento, de ganho, de bem-estar. Enfim, cabe a cada um refletir...

“Dar é dar.

Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…

Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.

Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.

Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.

Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.

Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.

É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
“Que que cê acha amor?”.

É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…

Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar.”
Vou reproduzir abaixo um post que publiquei também no ano passado: AMOR E SEXO: quem disse que tem que ser uma coisa ou outra? Bom, mesmo é quando é tudo junto e misturado.  

terça-feira, 15 de março de 2011

A arte do Desejo



Clique no áudio acima e acompanhe na íntegra o post já publicado anteriormente neste Blog na versão textual e agora a versão em áudio.


Abraços!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Carnaval e Sexualidade: uma reflexão sócio-histórica-cultural

Vejam o vídeo acima e tenha acesso na íntegra à nossa reflexão crítica sobre o Carnaval e a Sexualidade Humana a partir de uma leitura sócio-histórica-cultural.

Boa noite meus queridos leitores, ouvintes e seguidores do Blog Educação e Sexualidade eu professora Doutora Cláudia Bonfim hoje vou continuar nossas reflexões sobre Carnaval e Sexualidade  a partir de uma leitura sócio-histórica-cultural pautando no conhecimento cientifico e especialmente buscando esclarecer as seguintes questões:
Com a chegada do Carnaval a mídia é tomada por Campanhas  de combate a DST´s e AIDS, mas até que ponte essas campanhas estilo Liberou Geral contribuem positivamente para um educação afetivo-sexual emancipatória?
E será que historicamente o carnaval sempre esteve ligado à liberalidade da sexualidade?
E  o que é de fato poder  viver uma sexualidade livre?

A vivência da sexualidade diz respeito a cada um, mas essa vivência deve ser uma escolha consciente, responsável, e que não coloque em risco sua saúde física e emocional,  nem das  pessoas com as quais você se relaciona. 

                                            

Curta o Carnaval com alegria, com prazer, mas com responsabilidade, com equilíbrio para que essa alegria do carnaval possa se estender como um bem-estar para sua vida.


Ser verdadeiramente livre, não é continuar sendo mais uma ovelha no rebanho, nem  se deixar levar pela maré, mas ousar construir seu caminho. Então eu termino parafraseando Sartre: primeiro temos que saber o que fizeram de nós, mas isso não basta para sermos livres, mais  importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.

Imagem quantos milhões o governo gasta nestas festas? E que nesta época são disponibilizadas ambulâncias, policiamento, enfermeiros para atender os casos de embriaguez, violência e acidentes causados por alcoolismo e drogas. E o quanto se gasta com a distribuição de preservativos, pílulas do Dia Seguinte, e testes de Aids?
Lamentável! Temos que dissociar a ideia que Carnaval com sexo, álcool, drogas, promiscuidade. A verdadeira alegria é consciente! 
Bem, historicamente, o carnaval tem sua origem a partir das festas pagãs da Grécia antiga como um culto a Dioniso, o deus do vinho e da festa, caracterizava-se como um verdadeiro bacanal de orgias, com muita comida e bebidas incluindo a exaltação do corpo (carne) como princípio da alegria.
Segundo estudos o Carnaval deriva-se como uma rebeldia ao Cristianismo da Idade Média. Surgindo em meados do século XI, devido a Semana Santa da Igreja Católica e como rebeldia aos 40 dias de jejum carnal que marcou então o ínicio de festas de carnaval antecedentes à quarta-feira de Cinzas, que é o primeiro dia da quaresma. Marcando um "adeus à carne" dando origem ao termo "Carnaval".   Ou seja, podemos historicamente constatar que não é de hoje que o "carnaval" está, ligado ao deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "carnaval", sendo que "carnis" do grego significa carne e "valles" significa prazeres.
Na antiguidade as festas carnavalescas se configuravam por celebrações que envolviam muita bebida, comida, e a busca incessante dos prazeres. A festa durava cerca de sete dias nas ruas, praças e casas da Antiga Roma. Naquela época eram suspensas todas as atividades comerciais e inclusive até os escravos tinham temporariamente liberdade para festejar; Sempre foi uma época em que a moral era deixada de lado. Constituía-se também numa época onde havia troca de presentes entre as pessoas, e havia a escolha de um rei, numa eleição de brincadeira, o qual passava a comandar o cortejo pelas ruas e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia.
Já no período do Renascimento o Carnaval ganhou um formato mais elitizado, com os bailes de máscaras, caríssimas fantasias e os carros alegóricos. E aos poucos perdendo seu caráter de festa popular chegando ao formato atual.
Nos dias de hoje o Carnaval tem um formato moderno,  fruto da época vitoriana do séxilo XIX, com de desfiles onde se gastam milhões e fantasias caríssimas. Paris foi um dos principais exportadores desse modelo de carnaval para o mundo. Inclusive foi inspiração para a festa carnavalesca do Rio de Janeiro, e posteriormente São Paulo, com desfiles de Escolas de Samba. 
No Brasil a etimologia de Carnaval – carrum navalis(carro naval ou carro alegórico) e carne levare (abstenção de carne)  é de origem latina, mas  a expressão do termo que há muito deixou de se constituir o “abre-alas” das famosas marchinhas, brincadeiras engraçadas, exposição de fantasias e personagens semelhantes ou próximos do inusitado “entrudo”, festa do “entrudo”, assim chamado o nosso carnaval brasileiro quando trazido pelos portugueses.
Considerada a maior festa de rua de mundo, hoje, o Carnaval do Salvador está no Guinness Book. Ainda cidades como Recife, Pernambuco, possuem o maior bloco de carnaval do mundo, o chamado Galo da Madrugada.
Durante a época do Carnaval sempre houve grande concentração de festas populares de acordo com as culturas regionais, assim como até hoje ocorre em algumas cidades do nordeste do Brasil. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes.
Embora o Carnaval de Salvador não pode de fato ser considerado uma festa popular, se pensarmos no sentido de acesso a todos, pois sabemos que os camarotes e as camisetas para participar efetivamente da festa carnavalesca nos blocos são caríssimas e nada acessíveis à maioria da população brasileira. Virou uma festa mercantil em todos os sentidos materiais e sexuais.
Ai as pessoas podem questionar que então é natural que o carnaval nos dias de hoje seja uma festa de apologia ao sexo e aos prazeres desmedidos em geral. Mas ai eu questiono: na antiguidade as pessoas não tinham acesso ao conhecimento, não tinham liberdade ética para questionar a moral estabelecida. Não tinham qualquer acesso à informações ou orientações sobre a sexualidade. Sequer imaginavam a importância real da sexualidade para sua vida, e muito menos compreendiam como se dava o desenvolvimento psicossexual de uma pessoa e o quanto a sexualidade influencia na nossa identidade humana, em nossos relacionamentos, em nossos sentimentos. Não questionavam sobre os costumes sociais. E hoje estamos em pleno século XXI, temos acesso a todo esse conhecimento, temos liberdade de escolha, informações e orientações. E ainda não desenvolvemos uma consciência ética sobre a vivência da nossa sexualidade. E há muito tempo temos acesso a informações biológicas sobre a sexualidade e a maioria das pessoas ainda se relacionam sexualmente sem qualquer responsabilidade ética e afetiva consigo mesmo e com o outro. 



Carnaval e Sexualidade: Mulheres serão o foco da Campanha de Combate a AIDS e DST´s no Carnaval 2011 - mas até que ponto essas campanhas educam?

Ouça o post na íntegra pelo áudio acima!
Os dados do Ministério da Saúde, apontam que 87% das mulheres que vivem com HIV/AIDS se infectaram através da relação sexual, sendo que, 83% delas têm idade entre 20 e 49 anos. E na faixa etária dos 13 aos 19 anos, há maior infeçção entre as mulheres (10 mulheres para cada seis homens infectados). E acreditam que "até o momento, a informação correta e o uso do preservativo é a melhor forma der infecção pelo HIV."

 VOLTO A DIZER: NÃO BASTA DISTRIBUIR CAMISINHA OU INFORMAR SOBRE COMO USAR O PRESERVATIVO. PRECISAMOS PROMOVER ESPAÇOS DE REFLEXÃO QUE VISEM  CONSCIENTIZAR, ORIENTAR. PRECISAMOS URGENTE DE UMA POLÍTICA PÚBLICA DE EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL!

."Mulheres entre 15 e 24 anos serão o foco da campanha de combate às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Carnaval 2011. "A recomendação do Ministério da Saúde é orientar as mulheres para que, após o ato sexual sem o uso de preservativo, procurem realizar diagnóstico para detectar uma possível contaminação de HIV, sífilis ou hepatite".
Fico indignada como o carnaval tornou-se uma época de sexo quantitativo  em que  o governo distribui milhões de preservativos en todo Brasil, como se as problemáticas da sexualidade se reduzissem apenas à prevenção de Aids, DST´s e gravidez não planejada. Como se a sexualidade se resumisse ao sexo, como se isto fosse o principal da educação sexual . Temos que distribuir preservativos sim! Temos que usar preservativo SEMPRE.  Mas apenas isto não basta para consideramos como educação sexual.
 CONVOCO E INSISTO QUE A EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL É NECESSÁRIA NA FAMÍLIA, NA ESCOLA EM TODOS OS ESPAÇOS, MAS UMA EDUCAÇÃO SEXUAL EMANCIPATÓRIA, NÃO UMA EDUCAÇÃO SEXUAL QUE APENAS DISTRIBUA PRESERVATIVOS, E QUE TRATE DO LADO NEGATIVO DA SEXUALIDADE (doenças).


Será que as pessoas que são responsáveis por essas campanhas conhecem a história da sexualidade humana? Será que sabem de fato definir Sexualidade?  Será que sabem a importância e como se dá o desenvolvimento psicossexual do ser humano?
 Claro, acreditamos que a Educação Sexual, é também uma maneira eficaz para combater doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), gravidez precoce, e este é um dos seus papéis, mas Educação Afetivo-Sexual significa especialmente uma possibilidade de quebra de tabus e preconceitos, de conscientização, de aquisição de uma ética sexual para a vivência de uma sexualidade prazerosa, qualitativa, afetiva, significativa e emancipatória.
E distribui-se preservativos e acredita-se que isto basta para prevenir doenças e DST´s. Me revoltam algumas campanhas reducionistas, que contribuem no âmbito da saúde (o que não deixa de ser importante), mas não dão conta da complexidade e  da amplitude sexualidade. E que não contribuem de fato para reflexões sobre a vivência da sexualidade nos dias de hoje. 
 Ótimo que, de certo modo, pelo menos as pessoas terão acesso aos preservativos, mas nós que atuamos como educadores sexuais nas escolas e na sociedade sabemos pelos relatos que ouvimos que a maioria dos jovens e  adultos não usam preservativo. Não por falta de acesso mas de consciência mesmo! Portanto, falta EDUCAÇÃO, ORIENTAÇÃO, CONSCIENTIZAÇÃO! A distribuição de preservativos é uma medida que pode ajudar mas são paliativas.


Faz-se necessário desenvolver um programa contínuo de conscientizacão dos jovens e de toda populacão sobre como viver uma sexualidade saudável e não apenas no aspecto de prevencão de DSTs, mas da saúde emocional das pessoas.

É urgente um programa de educacão afetivo-sexual emancipatória que busque superar essa visão reducionista da sexualidade. Almejamos uma política pública voltada às problemáticas sociais que em sua grande maioria perpassam pelo densenvolvimento psicossexual das pessoas: pedofilia, violência sexual, crimes sexuais, preconceito de gênero, homofobia. Ou seja, todo e qualquer relacionamente humano está inserido na educação afetivo-sexual.
 Se informações sobre métodos anticonceptivos, e uso de preservativos ou sobre saúde sexual reprodutiva fossem suficientes não teríamos como apontam os dados do próprio Ministério da Saúde os altos indíces de DST´s e gravidez não planejada. Informações biológicas e higienistas como estas existem há muito tempo nas escolas e na sociedade, e embora sejam também necessárias, são insuficientes. Será que ainda todos as problemáticas sociais referentes a sexualidade, manchetes diariamente em jornais, Rádios, TV, Internet e revistas, ainda não levou nossos governantes a  entenderem que só questões abordar questões médicas, higienistas, nunca foram suficientes para EDUCAR, CONSCIENTIZAR. São preventivas e informativas no âmbito da saúde e nem disso deram conta. Porque se dessem conta as pessoas já usariam preservativos. Informar é muito diferente de Educar, Orientar e levar a formação de consciências críticas.
 Apesar dos “avanços ideológicos”, faltam atitude. Repito: existe uma grande diferença entre informar e educar (orientar). Creio que a Educação Sexual é um processo educativo que possibilita não apenas o conhecimento biológico, mas a formação de valores e atitudes referentes à forma como vivemos nossa sexualidade. Nesse viés, consideramos que a Educação Sexual pode contribuir, entre outros fatores, para a diminuição dos índices de gravidez na adolescência, a redução da transmissão entre os jovens de DSTs, mas a partir do momento que tornar o jovem conhecedor do que representa a sexualidade humana para si próprio e no contexto da sociedade brasileira.

A Educação Afetivo-Sexual visa esclarecer sobre os tabus e preconceitos existentes na sociedade, promovendo a afetividade, a consciência corporal, o respeito pela liberdade de expressão, de orientação sexual, abrindo espaço para se discutir conceitos e problemas da adolescência, namoro, sexo seguro, gravidez, aborto, orientação sexual, abusos sexuais, violência, responsabilidade, maturidade, e para falar de afetividade, desejo, prazer.
 Mesmo com os “avanços” da liberdade sexual, é possível constatar que a família ainda não privilegia um diálogo sobre sexualidade ou este é pobre ou inexistente,; e mesmo nas escolas, o debate é tímido e ocorre voltado para os aspectos biológicos; a escola ainda continua no foco reprodutivo e preventivo como já constatei na tese os educadores, como também os profissionais da saúde, parecem permanecer com posturas impregnadas de preconceitos e tabus, talvez por também não possuírem um embasamento histórico e teórico aprofundado sobre o tema em questão.


Precisamos gerar inquietações e provocar reflexões dialógicas críticas  que possam contribuir para o alcance da melhor maneira de como lidar com a sexualidade em termos de troca de afeto e prazer. E isto implica numa educação afetivo-sexual de todos nós: educadores, pais, adolescentes. Pois, o desenvolvimento psicossexual se dá nas interações, afetos e desafetos das pessoas com as quais convive, especialmente na infância. Lamentavalmente, a educação sexual que temos está longe da que queremos ter, pois esta deve  conciliar as abordagens biológica, médica, psíquica, política, histórica, social, cultural, conforme se almeja.
 Falar da parte operacional e biológica da sexualidade é um primeiro passo, mas não o único caminho. Temos que ir além, educar e produzir reflexões que levem os jovens formar uma consciência ética sobre sua sexualidade, e isto requer mais que técnicas, métodos, ou posições sexuais. Requer uma educação afetivo-sexual que realmente vise a busca da compreensão de si mesmo, e da beleza e da importância da sexualidade para o desenvolvimento e o relacionamento humano em todas as suas vertentes. Para nossa humanização e respeito consigo mesmo e com o outro.

É emergencial UMA POLÍTICA SEXUAL SOCIAL QUE ALÉM DESSE ENFOQUE MÉDICO-HIGIENISTA-BIOLÓGICO atenda a SEXUALIDADE em sua totalidade.
Pesquisei na internet diversos slogans e folders de carnaval e fica claro que parece que no carnaval sexo com camisinha está liberado e de certa forma é aceito e estimulado socialmente. Me pergunto até que ponto estas campanhas de fato educam? Reflitam! Vejam as imagens abaixo.
















Imagens da Internet 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ANORGASMIA FEMININA: uma leitura sócio-histórica-cultural – II Parte


Acompanhe o post completo através do áudio acima!


Bom dia queridos amigos, leitores, ouvintes e seguidores do nosso blog educação e sexualidade,os abraços de hoje vão para alguns dos novos seguidores do nosso blog, entre eles a Rhayanne, Luanny, Antonio Emilio Darmaso Eredia e para a Helena e aos demais seguidores do blog nosso carinho e gratidão.


O post de hoje traz a segunda parte da temática da anorgasmia feminina a partir de uma leitura sócio-histórica-cultural.


[...] A anorgasmia é considerada como primária quando uma pessoa que nunca chegou a experimentar um orgasmo, ou então secundária, quando a pessoa perde a capacidade de ter orgasmos.


Dentre os fatores que levam a tal quadro (isoladamente ou conjuntos), destaca-se especialmente os aspectos que aqui denominamos de psicossociais. Ou seja, fruto de uma sexualidade culturalmente reprimida, envolta de medos, culpas, muitas mulheres desconhecem seu próprio corpo e não criam maior intimidade com seus parceiros, estas inibições sócio-culturais podem interferir na resposta sexual normal. Falsas crendices, falta de orientação sobre sexo e sexualidade, tabus, dogmas, visão negativa sobre a relação afetivo-sexual dos pais, medo de ser abandonada ou engravidar, urinar; experiências traumáticas como estupro ou abuso, dificuldade de concentração durante a relação sexual, falta de intimidade com o próprio, culpa, ansiedade, depressão, tensão corporal, insatisfação corporal, baixa auto-estima, dificuldades do cotidiano, entre outras estão entre as maiores causas da anorgasmia.
O que nos convoca para a urgente necessidade de dedicarmos atenção à estudos e programas que visem a educação afetivo-sexual para todas as faixas etárias. Educadores, pesquisadores e profissionais da saúde, devem estar unidos, atentos e engajados na busca de uma educação afetivo-sexual emancipatória. Pois, mesmo diante de diversas abordagens sobre as dificuldades sexuais, consideramos de modo particular, que a educação sexual pode ser um método importante tanto na prevenção, como no tratamento das mesmas. Como professora de Biologia, educadora sexual e pesquisadora na área de história e da filosofia, temos condições de abordar mais profundamente os aspectos biológicos e sócio-culturais. Porém, pautando em pesquisas já realizadas e em nossa leitura individual consideramos que aspectos sócio-históricos-culturais  levam aos fatores emocionais e psicológicos, aqui denominados de psicossociais.


Considerando a partir de diversos estudos, que os bloqueios emocionais são as principais causas da anorgasmia. E do pressuposto que, estes bloqueios emocionais podem originar-se da educação repressora a que muitas meninas são submetidas desde a infância, por associarem a sexualidade a uma experiência negativa, pecaminosa, feia ou suja, e não como uma experiência associada à afetividade, ao bem-estar, ao prazer, à boniteza, à vida, a sexualidade torna-se uma vivência que gera vergonha dos genitais, dificuldade de tocar-se, de conhecer seu próprio corpo, e o corpo do outro. Isto ainda soma-se ao medo da  “entrega”, de que ela precisa  “controlar-se”, reprimindo seus desejos. O que nos fundamente a afirmar aqui o imperioso papel dos educadores, pois através da educação sexual, podemos desmitificar tabus e contribuirmos para a formação de uma nova consciência sobre a sexualidade, para que, mesmo há longo prazo possamos amenizar o quadro atual. 
Estamos em 2011, pode parecer absurdo,  mas as marcas da educação sexual repressora, machista patriarcal são tão profundas que a maioria das pessoas ainda não conseguiram superá-las. E não estou falando apenas de teoria não, mas da prática, do chão de sala de aula onde atuo, do chão das ruas onde faço as intervenções sociais, dos relatos que ouço nas palestras das escolas com docentes e alunos (pré-adolescente, adolescentes e jovens), da minha atuação como orientadora educacional.Aliás, na vivência da sexualidade vemos uma dualidade extremista, de um lado ainda pessoas marcadas pela repressão e, de outro fruto visão mercantil e consumista do sexo, a exacerbação, o genitalismo e a banalidade. E assim, continuamos nossa luta, por termos consciência do que vivenciamos e visualizamos na sociedade, que embora para alguns pareça um relato de 1960, é o retrato real da sexualidade de muitas mulheres em pleno século XXI. Temos que lutar juntos por uma educação afetivo-sexual emancipatória, crítica, ética, qualitativa, prazerosa e busque o ponto de equilíbrio entre a repressão e a banalização.


Ainda hoje, muitas mulheres têm dificuldade ou incapacidade de chegar ao orgasmo. Mas a maioria finge o que não sentiu, ou falsamente acredita que a relação sexual se resume ao prazer que foram capazes de sentir. Fruto da imagem histórica negativa do que o sexo representa para a mulher, preconeceito de gênero, homem e do mito do amor romântico que ela aprendeu sobre casamento. E como dissemos e lamentamos, esse quadro assustador não retrata um passado distante. Em pleno século XXI, com toda uma revolução e liberação sexual os números mostram que muitas mulheres ainda trazem marcas profundas da educação sexual patriarcal indicando que grande parte das mulheres tem anorgasmia e inclusive algumas sofrem de vaginismo. Mas sobre o vaginismo tratamos em um outro momento.
 Profa. Dra Cláudia Bonfim
Abraços e até nosso próximo post!


REFERÊNCIAS

BASSON, R; SCHULTZ, W. W. Sexual sequelae of general medical disorders. Lancet. 2007. v.369, p.409-424.

ENGELS, F. A Origem da família, da propriedade privada e do Estado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.

MESTON, C. M. (et al). Women’s orgasm. Annu Rev Sex Res. 2004. v.15, p.173-257.
REDELMAN, M. A general look at Female Orgasm and Anorgasmia – Sexual Health.
2006. v. 3, p.143-153.

REICH, W. A função do orgasmo. 15 ed. São Paulo: Brasiliense; 1975.
Saadeh A. Disfunção sexual feminina – conceito, diagnóstico e tratamento. In: Abdo C. H. N. (org.). Sexualidade humana e seus transtornos. 2 ed. São Paulo: Lemos Editorial, 2000. p. 53-68.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ANORGASMIA FEMININA: uma leitura sócio-histórica-cultural – I Parte

Ouça o post na íntegra através do áudio acima!
Segue abaixo alguns trechos do post.
Boa tarde queridos leitores, seguidores e ouvintes do nosso Blog Educação e Sexualidade, é com muito prazer e alegria que iniciamos o post de hoje mandando um abraço ao nosso amigo Carlos Batista Rodrigues de Campo Largo – PR e a todos vocês que acompanham nosso trabalho. O número de visitas e demonstrações de apreço pela nossa luta por uma educação afetivo-sexual emancipatória tem nos surpreendido e nos motivado cada dia mais a continuar tentando de alguma forma contribuir para que as pessoas possam adquirir consciência ética, qualitativa e crítica da vivência de suas sexualidades, a partir da socialização das leituras e estudos teóricos que fazemos, mas especialmente da nossa observação sensível dos relatos, pesquisas empíricas, da leitura crítica da nossa práxis como docente, pesquisadora e educadora sexual, nas palestras, salas de aula e nas intervenções sociais.
O tema de hoje faz uma abordagem sócio-histórica-cultural da Anorgasmia, e estará dividido em duas parte, vamos ao post...

Estudos científicos demonstram um alto índice de disfunções sexuais, entre as quais está anorgasmia feminina que pode-se definir como a dificuldade em atingir (atraso) ou como a ausência do orgasmo.
E não há como se falar de orgasmo ou de falta dele, sem referirmo-nos a Reich, cuja importante contribuição,  revolucionou a Psicologia e posteriores estudos sobre a sexualidade humana, provando que a neurose é produzida socialmente, instalando-se em todo o corpo e não apenas na mente das pessoas através do conceito de couraça neuro-muscular do caráter, mostrando como a neurose se dá através da estagnação da energia vital. Em seu livro "A Função do Orgasmo", Reich aponta que, o orgasmo sexual pleno e satisfatório é o regulador biológico da harmonia vital. E afirma que, as neuroses são provocadas pelo desvio da originalidade das pessoas, através de bloqueios à sexualidade e à afetividade, associando estas ao indivíduo, seu corpo, mas também, às suas relações sociais, caracterizando-se portanto, como um fenômeno sócio-político.

Acreditamos que mesmo que os estudos de Reich possam divergir em muitas questões de uma leitura marxista da sexualidade, nos ajudam de certa forma, a compreender dialeticamente a mesma, quando Reich aponta o fato de que a família e a procriação obscureceram desde o início a função do prazer biológico.
Importante lembrar que a  idéia da libertação da mulher originou-se no chão fértil do da luta socialista, entre o final do século XIX e início do século XX.  As raízes desta luta estão nos escritos de Marx e Engels mostrando a visão da família, da mulher proletária e da burguesa. Como afirmou Marx: “a opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem”. Consideramos que "A Origem da Família, da Propriedade e do Estado", de Engels, como a base socialista sobre a necessidade da libertação da mulher proletária.
Bem, por hoje é só no próximo post daremos continuidade à esta temática , com a segunda parte deste post, onde abordaremos sobre a resposta orgástica, as causas sócio-histórico-culturais da anorgasmia e a importância da educação sexual para amenizar a problemática.
Abraços, até lá!
REFERÊNCIAS
 BASSON, R; SCHULTZ, W. W. Sexual sequelae of general medical disorders. Lancet. 2007. v.369, p.409-424.
ENGELS, F. A Origem da família, da propriedade privada e do Estado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.
REDELMAN, M. A general look at Female Orgasm and Anorgasmia – Sexual Health.
2006. v. 3, p.143-153.
          REICH, W. A função do orgasmo. 15 ed. São Paulo: Brasiliense; 1975.
SAADEH, A. Disfunção sexual feminina – conceito, diagnóstico e tratamento. In: ABDO, C. H. N. (org.). Sexualidade humana e seus transtornos. 2 ed. São Paulo: Lemos Editorial, 2000. p. 53-68. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dia Mundial de Luta Contra a Aids

Em outubro de 1987, na  Assembléia Mundial de Saúde, apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi instituida a data de 1º de dezembro como O Dia Mundial de Luta Contra a Aids . E foi a partir de 1988, que o Ministério da Saúde, decretou a comemoração desse dia no Brasil.

É um dia voltado ao combate da doença com o objetivo de despertar nas pessoas a consciência da necessidade da prevenção, buscando reforçar a compreensão, a tolerância e o respeito às pessoas infectadas.

Segundo o Boletim Epidemiológico da Aids e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), divulgado em novembro de 2009, foram registrados índices alarmantes na faixa etária de 13 a 16 anos de idade.

Nós que atuamos como educadores sexuais nas escolas sabemos que, muito dos jovens raramente usam preservativo na primeira relação sexual e continuam não usando depois. Alguns usam no início dos relacionamentos, mas quando o relacionamento fica estável, o uso da camisinha é deixado de lado. Por isso, sempre digo não basta ensinar a usar preservativo, não basta distribuir camisinhas, não é suficiente apenas a veiculação nas emissoras de televisão e rádio, sobre as formas de contágio da doença e os cuidados para a prevenção. Essas são medidas também necessárias, mas insuficientes e, embora ajudem são paliativas. 
Novamente alerto: É URGENTE desenvolver um programa de educação sexual contínuo de CONSCIENTIZAÇÃO dos jovens e de toda população sobre como viver uma sexualidade saudável, qualitativa, ética, afetiva e prazerosa e não apenas no aspecto de prevenção de DSTs e AIDS. Precisamos de um programa de educação sexual emancipatória que busque superar essa visão reducionista, quantitativa, meramente hedonista e mercantilista da sexualidade.

Nesse sentido creio que devemos aqui agradecer ao Ministério de Educação e Cultura (MEC) que estará no próximo ano apoiando integralmente o GEPES – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sexualidade na realização de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Grupo criado por esta Pesquisadora da UNICAMP, e docente da Faculdade Dom Bosco de Cornélio Procópio, tendo seu projeto avaliado e aprovado pelo MEC, ficando em 2o. lugar no Brasil, ou seja, sendo considerado após avaliação como o 2o. melhor projeto avaliado pelo MEC entre todas as Faculdades e Universidades Particulares do Brasil, projeto que foi elaborado na busca de promover a formação e a conscientização sobre a vivência e compreensão da sexualidade em sua totalidade, fundamentos no esclarecimento crítico da historicidade e cientificidade da sexualidade humana, a partir da leitura e apropriação crítica dos clássicos como Freud, Foucault, Marcuse, Reich, entre outros, através de pesquisas científicas teóricas e de campo e da socialização destes aprendizados com a comunidade acadêmica e com a sociedade, buscando fomentar o debate e a produção do conhecimento científico sobre a sexualidade humana, a diversidade sexual, a saúde sexual, os preconceitos de gênero e os direitos sexuais.

Que ícones da música brasileira como Cazuza e Renato Russo, com suas letras críticas, analíticas e poéticas e suas formas de viver a vida e sua sexualidade nos sirva de exemplo e de alerta, podemos sim, viver nossa sexualidade de maneira livre e natural, mas sempre pautados na responsabilidade que devemos ter, antes de mais nada, com a nossa própria vida, com a nossa saúde.

Cuidar do próprio corpo e respeitar seus limites é uma forma amorosa de vivermos a nossa sexualidade, nenhum prazer momentâneo poder ser maior do que o nosso prazer de viver. Amor implica em cuidado e respeito consigo mesmo e com o outro.

A grande questão é que nós não entendemos sobre liberdade, confundimos liberdade com liberalidade exacerbada, saímos da repressão sexual para a exacerbação, para a mercantilização, para a banalização.

Não conseguimos ainda encontrar o equilíbrio da sexualidade. Ou seja, ainda não aprendemos sobre como viver nossa sexualidade de fato de maneira plena, porque liberdade implica em escolha consciente, responsável e amorosa.

Saímos de um extremo ao outro, nos perdemos no caminho, mas o bom é que a vida nos permite sempre recomeçar, porque história não é fatalidade, mas possibilidade. Por isso, minha luta pela educação sexual emancipatória, para que possamos viver nossa sexualidade com naturalidade, de maneira intensa, bonita e com a verdadeira liberdade.

VAMOS JUNTOS NA LUTA POR UMA EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL EMANCIPATÓRIA, PELA FORMAÇÃO DE COSNCIÊNCIAS CRÍTICAS E ÉTICAS!


sábado, 20 de novembro de 2010

SEXUALIDADE E MASTURBAÇÃO



Etimologicamente, Masturbação já surge como um ato feio, sujo. A palavra foi citada pela primeira vez pelo poeta Marcial no século I d.C., já com origem semântica depreciativa derivando-se de “manu” e “stuprarere”, ou seja, “sujar com as mãos”.
A masturbação é uma prática sexual que costuma efetuar-se com as mãos, como também esfregar os genitais contra algum objeto. Nos dias de hoje é comum o uso dos chamados "brinquedos sexuais" ou eróticos, para excitar-se. 
A masturbação é algo saudável  e deve ser encarada com tranquilidade pelos pais, que devem conversar individualmente com seus filhos explicando que a masturbação é um momento extremamente íntimo, que, portanto, diz respeito tão somente ao adolescente, o que significa que há espaços adequados e restritos para que ela ocorra.  Não devemos reprimir, apenas orientar, pois este é um dos fatores culturais que fazem tanto os adolescentes, quanto algumas pessoas adultas ainda sentirem culpa pela masturbação.
Como apontamos com Freud, desde a primeira infância, podemos observar ereções penianas do bebê especialmente quando a mãe vai trocá-lo. Em torno dos três ou quatro anos de idade a criança começa curiosamente a manipular suas genitálias. A brincadeira de cavalinho, entre outras é uma forma da criança inconscientemente buscar o prazer e "masturbar-se". Porém, devemos esclarecer que nesta idade o mais correto é dizer que a criança manipula-se, pois a masturbação é um ato consciente com o objetivo de obter prazer, já a manipulação é um ato natural, de conhecimento de si, de curiosidade e de um prazer sem caráter erótico. Já na puberdade e na adolescência é comum a manipulação direta das genitálias, assim como roçar o pênis ou o clitóris, já com vistas ao prazer, podendo denominar-se masturbação.
Freud foi quem primeiro afirmou ser a masturbação  algo comum na infância e na adolescência, como parte do desenvolvimento sexual, porém temos que discordar pela primeira vez do mesmo teórico que dentro da psicanálise, então apontava ser uma causa de neurose na fase adulta. 
Penso que para entendermos as neuroses, assim como a sexualidade na sua totalidade temos que integrar diversas áreas de estudos desde a Biologia, a psicologia, a antropologia, entre outras. 
Como já apontamos, a criança se "masturba" ou  se manipula, num primeiro momento na busca de um prazer de maneira inconsciente e melhor dizendo acidental, o esbarrar a genitália em algum objeto, nas brincandeiras como já apontamos, ou no esbarrar-se no corpo do outro, assim como segurar o “pipi”, entre outros. Na adolescência, quanto mais eles se isolam do mundo e do contato interpessoal com o outro, a masturbação se intensifica. Não há do ponto de vista científico um número exato que determine o limite entre masturbação normal ou excessiva, obsessiva. Porém, esta deve fluir de maneira natural, transitória e sem culpas.
Havelock Ellis, foi outro teórico que não apenas afirmou ser a masturbação  era comum nos homens, como também se tratava de uma prática habitual nas mulheres de todas as idades.

Historicamente o ato ou a fantasia da Masturbação sempre esteve  ligada à inúmeros tabus e considerada pecaminosa. Interessante apontar que a  masturbação já foi considerada pecamisa pela igreja que considerava um desperdício de sêmen (espermatozóides), pelo fato da religião entender o ato sexual com função reprodutiva, ou seja, gerar filhos.
A masturbação é uma forma de exercitar a fantasia erótica, isso para ambos os sexos, pois, é nosso momento mais íntimo, conosco mesmo, em que podemos e devemos liberar nossas fantasias. Durante a masturbação, grande parte das mulheres costumam fantasiar o seu próprio companheiro como objeto sexual e para nossa alegria ou espanto, os homens também nos envolvem em suas fantasias nesse momento, ainda que, de maneira diferenciada. Porém, sabemos que grande parte (especialmente das mulheres) sentem dificuldade ou não se permitem reconhecer seu próprio corpo, tocar-seç não conhecem a si mesmas, não se aceitam e nem se permitem sentir o prazer em sua plenitude, fruto da sexualidade histórica-cultural e socialmente construída.
Consideramos que  o autoconhecimento não é crime, nem pecado. Precisamos nos conhecer enquanto homens ou mulheres, em todos os sentidos. Inclusive, a nossa sexualidade. Se permitam ter essa experiência, não permitam regras falsamente moralistas que lhes violentem o direito de serem felizes.  Não estou defendendo uma sociedade banal, muito menos uma sexualidade falsamente hedonista, muito pelo contrário, lutamos por um educação afetivo-sexual, por uma humanização da sexualidade, por um vivência ética, saudável e qualitativa, pelo direito que temos de vivenciar o amor em sua forma mais sublime, através da troca de carinho, cumplicidade, comunhão do prazer, do ato que faz com que duas pessoas se sintam uma só, mas,  sem medos, culpas  ou  tabus sufocando, esse momento de celebração da vida.
Muitas pessoas se masturbam apenas para descarregar as tensões do cotidiano, porém embora realmente ela alivie nossas tensões, não deve ser encarada apenas deste ponto de vista, e sim com um momento de auto-erotismo, de auto-conhecimento, de exercício da criatividade erótica, de fonte de prazer.
A masturbacão, tanto a masculina como feminina, é a estimulação dos órgãos genitais com o objetivo de obter prazer sexual, podendo chegar ou não ao orgasmo, e geralmente diz respeito ao ato de tocar-se ou para a estimulação realizada sobre os genitais de outra pessoa.
Bem este post foi apenas para aguçar sua curiosidade  sobre este tema, que é um dos assuntos mais polêmicos e ocultos da sexualidade, no próximo post vamos falar especificamente da masturbação feminina e, posteriormente, masturbação masculina e  sobre os tabus e mitos que envolvem a masturbação desde os tempos mais remotos.
Abraços e até lá!


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA - II parte da entrevista

Breve socializeremos a última parte da entrevista, aguardem!


Olá queridos leitores, ouvintes e seguidores do nosso Educação e Sexualidade, eu professora doutora Cláudia Bonfim, venho hoje socializar a II Parte da Entrevista que concedemos ao Jornalista Carlos Bonfim, do Programa Alô Bom Dia, da Rádio FM 104 de Cornélio Procópio, cujo tema versou sobre a SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA. Antes de irmos ao post quero mandar os meus abraços de hoje que vaão para minha aluna Ana Karina Moraes do curso de administração da Faculdade Dom Bosco que nos declarou que adora o  blog. E um abraço também, à Neilza Franco da UNIP de SP e Mestranda da USP que me enviou um email carinhoso e que muito me alegrou. E claro, sempre meu abraço e meu carinho a todos vocês que passam por aqui, seja no seja anonimato ou vocês que seguem, comentam ou me escrevem no email.
E vamos então, à reprodução da segunda parte da nossa entrevista dando sequência ao tema da sexualidade na adolescência.
 O Programa Alô Bom Dia, vai ar de segunda a sábado das 9 às 13 h, produção e apresentação do Jornalista Carlos Bonfim que inclusive tem um site atualizado diariamente com notícias locais, regionais, nacionais e internacionais, além de uma série de outras dicas e informações. www.cbnoticias.com.br

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