segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Violência Simbólica e Desvalorização Feminina na Sociedade Capitalista Pós-Moderna







Olá amigos, leitores, ouvintes e seguidores do nosso blog Educação e Sexualidade, eu professora doutora Cláudia Bonfim inicio o post de hoje mandando um abraço à Suely Oliveira que carinhosamente tem divulgado e acompanhado nosso trabalho, e um abraço também à Elizângela Freitas da Editora Papirus como prometido pelo respeito e credibilidade para com nosso trabalho.
O post de hoje versará sobre Violência Simbólica e Desvalorização Feminina na Sociedade Capitalista Pós-Moderna.
Acompanhe as reflexões na íntegra pelo vídeo acima...


Na sociedade capitalista mercantil e pós-moderna, embora já tenhamos passado por um processo inicial de emancipação da mulher, ainda há muito que avançar.
As mulheres ainda sofrem preconceitos e são desvalorizadas, sofrendo diversos tipos de violências, desde a simbólica, até físicas, morais, psicológicas, pois somos fruto da sociedade patriarcal machista onde a mulher é especialmente objeto de consumo e usada para estimular o comércio e ser ela mesma comercializada, como ser fosse uma coisa, um mero produto e não sujeito histórico, sua imagem está exposta desde a venda de uma cerveja até a comercialização de produtos eróticos.


É lamentável a imagem da mulher ser reduzida às suas genitálias. E seu corpo, especialmente às nádegas e seios ter sido transformado pelo sociedade e divulgado pelo mídia como o  símbolo da mulher brasileira. A superexposição do corpo feminino, diariamente pela mídia, reforça a violência e a desvalorização sofrida pelas mulheres historicamente, e esta violência simbólica passa muitas vezes, do imaginário para um violência concreta, física, social, psicológica  e contribui para consolidar o discurso social machista enraizado numa sociedade de origem patriarcal.
 A mídia, especialmente a televisão especialmente explora esse caráter sexual contribuindo grandemente para a banalização e reducionismo da sexualidade, estimulando a vivência de uma sexualidade exacerbada, genitalista, meramente instintiva e quantitativa. Onde a mulher, especialmente, torna-se o objeto de desejo a ser consumido. Na era da globalização o Brasil vive uma era desvalorização feminina através de uma imagem depreciativa e coisificada. Mas, lamentavelmente esta  depreciação é ideologicamente camuflada e inconscientemente sofrida e permitida por muitas mulheres e homens, que não possuidores de uma consciência crítica e ética, não conseguem ler as entrelinhas das mensagens e linguagens proferidas pelo discurso midiático.

Se historicamente nós mulheres conquistamos direitos sociais e sexuais, e espaço no mercado de trabalho, avançando no aspecto profissional e intelectual. Por outro lado, há ainda muitas mulheres que sofrem diariamente todo tipo de humilhação, violência e dessvalorização sexual e social. E não conseguimos deixar de pensar nesta problemática como uma questão social que expressa os antagonismos de classe e trazem em relevo, as condições sociais desiguais, duais, das condições de vida a que são submetidas a maioria da população. 

Parafraseando Sartre: Temos que saber o que fizeram de nós e o que fazer com o que fizeram de nós. Portanto, precisamos nos questionar sobre quem somos, o que nos fez ser o que somos e como somo e o que ainda podemos ser! A história é construída e não estática, portanto a possibilidade de superação está em nossas mãos. História é movimento, contradição, possibilidade e não fatalidade. Superamos alguns tabus e precoceitos e conquistamos alguns direitos, mas ainda há muito o que lutar e modificar!
Bem por hoje é só, mas num próximo post vamos continuar esta reflexão sobre a sexualidade feminina retomando  a temática da naturalização e banalização da nudez feminina e outras temáticas necessárias a formação da consciência crítica no tocante à vivência da sexualidade feminina.
 Abraços e até lá!
 Profa. Dra Cláudia Bonfim
 Fonte das Imagens: Internet

domingo, 26 de dezembro de 2010

Fantasias Sexuais são saudáveis? Até que ponto podemos considerá-las normais?

Olá queridos leitores e seguidores do nosso Blog, espero que o natal de vocês tenha sido repleto de paz, amor, alegria e que isto se estenda para o novo ano que está para nascer.
Antes de irmos ao post de hoje quero enviar meus abraços de hoje que vão para a Fabiana Souza da Fazenda Pilar, que me enviou um email muito carinhoso, Fabiana um grande abraço para você e obrigada pelo carinho. E também para o Henrique Levy, ex-professor da Universidade Federal de Pernambuco pelo imenso apreço pelo nosso trabalho. E como sempre um abraço a todos vocês que por aqui passarem.
Continuando nossa reflexão sobre fantasias eróticas, vamos à nossa questão pendente:
Quando podemos dizer que uma fantasia erótica é saudável, normal?
 Vamos ao post.
 Fantasiar é saudável e normal, inclusive estimular a fantasia é uma forma utilizada por alguns terapeutas para aumentar a libido, induzir ou potencializar o desejo sexual e melhorar algumas disfunções. Fantasiar contribui para o reconhecimento de nosso próprio corpo, o que  acontece especialmente na masturbação. Podem aumentar o desejo sexual  e estimular o desejo de nosso parceiro (a).
 Mas, a maioria das fantasias podem e devem ser vivenciadas? E como saber se elas são saudáveis ou normais? E quais são as maneiras mais utilizadas pelas pessoas para estimularem-se sexualmente? 
 Precisamos ressaltar que, quando superamos alguns dogmas, tabus e preconceitos conseguimos ultrapassar alguns limites morais e sociais, e ainda assim, elas podem ser normais e saudáveis. Porém, o que elas não devem é ultrapassar, nossos limites éticos, pois dessa forma poderiam trazer sentimentos negativos, como culpa, medo e colocar em risco não apenas nossa saúde mental como física, exemplo, elas deixam de ser saudáveis, quando tornam-se obsessivas,  ou quando ignoram os limites do parceiro, ou envolvem riscos de saúde, como contrair as DST´s, a AIDS, etc.
 Ouça o áudio e acompanhe os esclarecimentos da Profa. Dra Cláudia Bonfim sobre estas questões, na íntegra.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Desejos e Agradecimentos!



O Post de hoje, é apenas para agradecer a todos os leitores, ouvintes e seguidores do  nosso Blog Educação e Sexualidade e desejar um natal de muito amor, paz, alegria junto às pessoas que verdadeiramente te amam.  Natal é um momento de agradecer, revigorar os sonhos, alimentar a alma, fazer preces, renovar a fé, pensar o bem, renascer pleno de amor e de vida.
Agrademos a todos que visitam nosso Blog, aqueles que deixam aqui seus comentários e registros, ou mesmo aqueles que nos visitam anonimamente, são vocês que nos motivam a continuar a socializar nossa luta e nossos sonhos!
Convidamos todos que continuem participando sempre deste espaço de reflexão e de partilha de experiências e lutas que alimentam sonhos de uma vivência plena e significativa da sexualidade... Comentando, divulgando este espaço, narrando, questionando, sugerindo e assim, nos ajudando a produzir práticas diferenciadas na construção da vivência de uma sexualidade livre de repressões, dogmas, preconceitos, mas acima de tudo responsável afetiva e corporalmente, buscando uma vivência emancipatória e prazerosa da sexualidade de nossos sonhos aqui (compartilhados)!
Natal é um momento de agradecer, revigorar os sonhos, alimentar a alma, fazer preces, renovar a fé, pensar o bem, renascer pleno de amor e de vida.
Termino com a letra de duas músicas que creio que representam bem o Natal e a Diversidade e que ficam como uma reflexão... (Abre o seu coração - Peninha) e (Então é Natal - Simone)
Vê se tira de uma vez toda mágoa do seu coração
Tá na hora de soltar a criança que existe em você
Pega o barco da alegria sem medo e navega
Deixa o teu amor fluir natural
Porque vale a pena, porque a vida é linda
Porque é natal

Você pode se quiser, dividir pra somar com alguém
Um sorriso, uma palavra de amor não machuca ninguém
Hoje pode ser um tempo melhor do que ontem
Basta cada um fazer seu papel e não tem desculpas
Todo mundo pode ser Papai Noel

Vem me dar de presente o teu perdão
Um abrigo, um abraço, atenção
Um brinquedo, uma luz, abre o coração
Um amigo de fé traz o céu pro chão

Vem se dar sem pensar em receber
Teu carinho no escuro é um clarão
Tem alguém precisando de você
Um feliz natal, vamos dar as mãos


Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Então é Natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, do amor como um todo.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Então é Natal, pro enfermo e pro são.
Pro rico e pro pobre, num só coração.
Então bom Natal, pro branco e pro negro.
Amarelo e vermelho, pra paz afinal.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Então é Natal, o que a gente fez?
O ano termina, e começa outra vez.
E Então é Natal, a festa Cristã.
Do velho e do novo, o amor como um todo.
Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem, souber o que é o bem.

Harehama, Há quem ama.
Harehama, ha...
Então é Natal, e o que você fez?
O ano termina, e nasce outra vez.
Hiroshima, Nagasaki, Mururoa...


É Natal, É Natal, É Natal. 
Um abraço pleno de ternura a todos vocês, Saúde, Amor e Paz!
Que Deus os abençoe e proteja sempre! Amém!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Importância das Fantasias Eróticas


Ouça o post na íntegra através do  áudio acima
Olá meus queridos leitores, ouvintes e seguidores do nosso Blog Educação e Sexualidade eu professora Doutora Cláudia Bonfim,  vou hoje retomar um tema já abordado anteriormente aqui no Blog agora na versão em áudio atendendo a pedidos. O post de hoje terá como tema Fantais Eróticas, antes de iniciarmos o mesmo, quero deixar meus abraços de hoje que vão a dois novos leitores e seguidores do Blog o Solombra e a Mary, sejam bem-vindos ao nosso cantinho de socialização dos nossos estudos e idéias. E claro, como sempre um abraço a todos vocês que estão sempre acompanhando nosso trabalho seja anonimamente ou não.

“Quem não tem uma fantasia erótica secreta? Elas são saudáveis? Qual a importância delas para a relação?

 Quando o assunto é sexualidade, fantasiar é essencial. Por isso, sempre afirmamos que nosso maior órgão sexual é a mente. Através do pensamento, da imaginação  podemos ter as mais ousadas e excitantes fantasias, interagimos corpo e mente, o que nos permite uma entrega maior e consecutivamente um prazer maior.

As fantasias sexuais são uma das formas mais deliciosas para apimentarmos um relacionamento e mantermos acesa a chama do desejo. Ainda exercita nossa criatividade e nos ajuda a superar os limites culturais repressores da sexualidade. Claro que nem todas as fantasias se realizam, seja pela limitação social (cultural), por inibições individuais, ou escolhas éticas.

 Podemos afirmar que todas as pessoas tem fantasias eróticas, elas são inerentes à sexualidade, e independem da idade, são saudáveis e  de certa forma, compensatórias. Porque mentalmente nos levam ao prazer  e são parte da sedução necessária, para que o erotismo estenda o desejo para além do momento do ato sexual.


 As fantasias eróticas são afrodisíacos potencializadores da nossa sexualidade. Num relacionamento mais duradouro as fantasias eróticas nos ajudarão a não cair na rotina ou a sair dela. São estimulantes do desejo, trazem novos temperos e dão novos sabores à relação,  além de nos ajudarem a superar nossos tabus, nos libertando das amarras psicológicas e morais a que fomos condicionados; melhorando a vivência da sexualidade, tornando-a mais livre e prazerosa. Ajudam ainda, a melhorar a auto-estima, a exercitarmos nossa arte de sedução e desenvolver nossa sensualidade nos tornando mais confiantes e mais abertos ao outro e ao prazer, melhorando assim o relacionamento e permitindo contatos mais íntimos e transparentes com quem nos relacionamos.”  

Profa. Dra. Cláudia Bonfim

Veja o vídeo acima e ouça na íntegra o post de hoje.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Entrevista ao Portal IG de Brasília sobre a inserção do tema Homofobia nas escolas

“ Os casos de violência contra homossexuais cada vez mais constantes tornam o tema diversidade sexual ainda mais urgente nos currículos, na avaliação da professora e doutora na área Claudia Bonfim, que é pesquisadora da Unicamp. “As pessoas precisam entender, primeiro, que a homossexualidade não é uma escolha. É fruto da genética, da educação e da cultura que receberam ou resultado das relações que nem elas têm consciência. Só assim passarão a respeitar essas pessoas”, pondera.

Cláudia defende que a educação sexual seja inserida formalmente nos currículos das escolas, tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio, assim como no das licenciaturas e pedagogia. “Não há uma disciplina obrigatória sobre esse tema na formação dos professores. Eles não estão preparados para lidar com ele. E a educação sexual precisa transcender o caráter biológico da sexualidade”, ressalta. Para ela, a produção de materiais para os alunos também é importante. “Não há um material sequer sobre o tema”, critica.”
 Leia a reportagem de Priscilla Borges do Portal IG de Brasília com trechos da entrevista que concedemos através do link abaixo.
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/video+sobre+homofobia+para+adolescentes+levanta+ira+de+deputado/n1237865139161.html
Devo dizer, que não opinei sobre o vídeo a ser distribuído, pois não vi o material e não poderia me manisfestar sobre ele. Falei apenas sobre a importância da superação da homofobia na escola, assim como na sociedade. Porém, reafirmamos: a questão não é inserir uma temática, seja ela qual for no ambiente escolar, mas como será feita essa abordagem? que linguagem será utilizada? Em que estudos serão pautadas os debates? Porque assim como a sexualidade é um tema complexo, a temática da homofobia é ainda mais, pois envolve muitas questões delicadas como a religião, por exemplo, por isso temos que ter respeito e cuidado para não banalizar, nem estimular, e sim combater qualquer forma de discriminação.

RESSALTO, retomando algumas reflexões anteriomente feitas aqui no blog e como defendemos em nossa tese de Doutorado, não basta inserir a temática na escola, sem que os docentes não estejam preparados para debater o tema, se os mesmos ainda não estão capacitados sequer para tratar da sexualidade de maneira geral, muito menos da temática da Homofobia, os professores precisam primeiro ser orientados adequadamente, pois como todos nós, somos fruto de uma educação sexual patriarcal, machista, repressora repleta de preconceitos e tabus. É urgente forrmar continuamente os docentes que estão em sala de aula para que possam superar seus próprios preconceitos, assim como os futuros docente para saber como lidar com as questões da sexualidade. E a questão não é aceitar, é RESPEITAR. Ninguém precisa aceitar isso ou aquilo, mas todos os seres humanos merecem respeito. 

Embora, algumas pessoas considerem a homossexualidade uma escolha, e respeitamos, pois vivemos numa sociedade democrática, onde todos temos a liberdade de expressão, nós pautados em estudos científicos de autores respeitados na história da ciência e da humanidade, e pelos discursos incorporados em nossos estudos, bem como pelas pesquisas de campo que já realizamos e pela observação sensível dentro de nossa  práxis como educadora, consideramos que a homossexualidade não é uma escolha, e segundo estudos de alguns teóricos a homossexualidade pode ser genética (em alguns casos) ou sócio-histórica, afetiva-ambiental, inconscientemente desenvolvida dentro das fases do desenvolvimento psicossexual como explica Freud no Complexo de Édipo e Electra que já apontamos no blog anteriormente. Sendo genética ou não, é uma construção inconsciente a formação da identidade de gênero e, por isso, não pode ser condenada.
A forma como vivemos e entendemos nossa sexualidade é construída historicamente e culturalmente, através de um processo contínuo, através do qual construímos nossa identidade pessoal, social e sexual que emerge nos desdobramentos sócio-históricos e culturais.
Quero ainda dizer que,  a afirmação de que em alguns casos a homossexualidade é genética, provém de estudos científicos de outros cientistas, que afirmam isso. No Congresso Brasileiro de Sexualidade realizado em outubro de 2009, em Foz do Iguaçu, um médico e pesquisador  nos mostrou diversos estudos e pesquisas mundiais que comprovavam que em alguns casos a ressonância magnética do cérebro de uma mulher heterossexual e um homem homossexual seriam idênticas nesta questão, assim como de um homem heterossexual e uma mulher homossexual, no entanto, esses casos são raros, a maioria dos casos como afirma um dos estudiosos mais respeitados da história, Freud, seriam fruto da forma como vivemos e entendemos nossa sexualidade desde que nascemos, leia sobre o Complexo de Édipo e de Electra e poderá entender cientificamente como nossa sexualidade é construída historicamente e culturalmente, através de um processo histórico contínuo, através do qual se forma nossa identidade pessoal e sexual sendo que esta emerge nos desdobramentos históricos, afetivos e culturais.
Se os pais e as pessoas de maneira geral soubessem o quanto a relação afetiva que as crianças vivenciam na infância é importante para a construção de sua identidade pessoal, social e sexual, tratariam de conhecer melhor como se dá esse processo de desenvolvimento, pois quando uma criança cresce dentro de um relacionamento disfuncional, seja, por troca de papéis, seja pelo aspecto afetivo essas fases do desenvolvimento não completam. A forma como exercemos nossos papéis afetivo-sexuais com nossos companheiros e com nossos filhos podem marcá-los positiva ou negativamente para o resto de suas vidas.  Sendo assim, geneticamente ou não, seria inconsciente. O que falta nas matérias é a contextualização, o que muitas vezes distorce o entendimento do que dissemos na totalidade. 

Assim como Louro (1988) e Nunes (2002) afirmamos que gênero não é “sinônimo” de sexualidade. Sexualidade diz respeito a relacionamento humano. Como afirmou Nunes (2002, p.14) “[...] as relações sexuais são relações sociais, construídas historicamente em determinadas estruturas, modelos e valores que dizem respeito a determinados interesses de épocas diferentes”.

Portanto, as distinções de comportamento, valores, e até mesmo a percepção e construção da nossa identidade enquanto sujeitos, da visão que acreditamos que devemos ser enquanto homens e mulheres, da imagem que construímos de nós mesmos se dá nessas interações, nessas relações de gênero, que lamentavelmente demarcam e limitam nossa possibilidade de se reconhecer, de se relacionar e de ser. A visão reducionista social da sexualidade vai conferindo uma forma pré-moldada e limitando nossas possibilidades de sermos sujeitos de nossa própria história e de vivermos a sexualidade de maneira saudável, plena e emancipatória.

Quando a sociedade estabelece representações sociais do que é ser homem e o que é ser mulher (heterossexual, homossexual, bissexual) sustentam preconceitos e desigualdades que precisam, urgentemente, ser superados. Eis aí necessidade fundamental de que cada pessoa possa reconhecer-se como sujeito da própria história e, como sujeito sexual nas relações que se estabelece com o mundo a partir do próprio corpo e da relação com outros corpos. Isso nos leva a entender nos formamos das relações que estabelecemos com o mundo e com o outro.

O que é uma das justificativas que apontam a necessidade de superarmos o conceito reducionista de sexualidade. Se entendemos a sexualidade como a relação humana, precisamos reconhecer que toda relação em si envolve a nossa sexualidade, o que não significa envolvimento sexual (no sentido de sexo, de prática sexual), e sim, de relações afetivas,  de construção de vínculos afetivos e atitudinais. E só podemos compreender isso se concebermos a sexualidade para além do aspecto biológico e reducionista do sexo, no momento em que passamos a compreendê-la como expressão da subjetividade humana.
  
Precisamos superar essa visão da heteronormatividade: de que homens e mulheres têm que agir de maneira socialmente e, subjetivamente distintas. É urgente entendermos que a sexualidade deve ser vivida naturalmente não dentro de padrões normativos, mas de uma forma que nos torne mais humanos e mais felizes, porém conscientes de nossas responsabilidades éticas e afetivas.

Essa classificação e heteronormatização da sexualidade, dá-se, inclusive, pela visão reducionista e meramente procriativa e anatômica da sexualidade, que acaba por reduzir à sexualidade ao sexo (macho e fêmea), às genitálias, como se a sexualidade fosse apenas isso e para reproduzir. E como se o amor entre os seres se desse apenas pela necessidade de reprodução e as pessoas só se aproximassem umas das outras apenas pelo desejo sexual. Não se ama alguém pelo gênero ao qual pertence, nem pela orientação sexual que possui. Aliás, por isso eu sempre digo: eu não falo de sexo, eu falo de SEXUALIDADE.Quando a gente ama alguém de verdade, no sentido pleno e sublime da palavra, ama-se pelo que o outro tem do lado de dentro! E pelas sensações internas que o outro provoca dentro de nós. E no final é isso que realmente importa.

Não podemos deixar de ressaltar que a superação Homofobia é um a priori para a sexualidade emancipatória. Todos os seres humanos merecem ser respeitados.

Consideramos que, essas classificações sexuais criadas pela sociedade (hetero, homo, bi) segregam, dividem. Somos todos seres humanos: independente da orientação sexual ou do gênero.  Temos, sim, que respeitar à diversidade sexual e o direito ao Amor acima de tudo, amor entre todos os seres, independente do gênero, classe, etnia, orientação sexual.  Amor é assexuado, não possui limitações, nem classificações.  Que sejamos capazes de amar o ser humano, de sentir o amor na sua essência mais pura como bem traduz esse poema de Layse Moraes:

A minha vida toda eu amei pessoas.
Pessoa, para quem não sabe,
é um substantivo e significa criatura humana.
O amor pra mim se dá pelo cuidado.
Pela delicadeza que se tem com o outro.
Depois pelo toque.
Pelo cheiro.
Pela disposição do sorriso.
Pelo jeito de olhar, piscar.
Pelas batidas do coração.
Pelo encaixe das mãos e dos corpos.
Pelo esticar dos dedos do pé no orgasmo.
O amor pra mim é atemporal no tempo em que durar.
É infinito na sua finitude.
É assexuado na sua existência.
É amor puro. Assim, sem complicações.
E de repente, penso que essas coisas de amor,
de se dividir com alguém e em alguém, são simples demais.
A gente é que complica tudo.
O amor pra mim se encontra na primeira pessoa no plural.
O amor pra mim independe do que se carrega no meio das pernas.
 E sem querer ser piegas, mas já sendo há tempos,
o amor pra mim depende apenas do que se carrega do lado dentro.
Átrio, ventrículo, miocárdio.
E se tem um órgão que deveria ser levado em conta
na hora de julgar a verossimilhança do amor, é este.
E enquanto o mundo grita estupidez e pequenez,
eu gozo de um amor tão grande que extrapola a matéria.
E vivo de um amor tão doce que – tenho certeza –
pouquíssimas pessoas já experimentaram.  (Layse Moraes, adaptado)

 Entendemos que omitir, ocultar ou ignorar a existência de um preconceito é contribuir para que ele aumente e se perpetue. Em relação à homoafetividade sabemos que, muitos docentes preferem “fazer de conta que não ouviram”, “não viram”, algum tipo de discriminação, a enfrentar o problema que muitas vezes, começa como se fossem “piadas” e “brincadeirinhas” ditas inofensivas, mas carregadas de preconceito. Importante apontar que os livros didáticos ao abordar o conteúdo de sexualidade também omitem a questão apresentando sempre o padrão biológico reprodutivo da heterossexualidade.

Apontamos  a necessidade de superarmos em primeira instância dentro do espaço escolar a intolerância às diferentes orientações sexuais buscando garantir o direito à liberdade sexual que tem provocado sofrimento e exclusão social dos homossexuais e que de certa forma também é prejudicial ao bem-estar e à formação de todos os seres humanos, independente de suas orientações sexuais.

Uma das maiores reclamações femininas sobre seus relacionamentos implica sobre a falta de sensibilidade do sexo masculino. Porém, acreditamos que a dificuldade do gênero masculino em demonstrar sua afetividade, seus sentimentos e desejos, está inserida no contexto de uma sociedade homofóbica, patriarcal e machista, a qual se condicionou a caracterizar que o homem tem que ser forte, macho, não pode demonstrar seus sentimentos, não pode chorar, deve ter uma expressão fechada, ou seja, deve exorcizar de si qualquer traço de feminilidade para consolidar a hegemonia masculina arraigada nos padrões morais da sociedade.

Como afirma Souza (s/d., Online, p.60): “[...] tradicionalmente a construção do que é ser homem, contraposta ao que é ser mulher, tem sido hegemonicamente associada a um conjunto de idéias e práticas que identificam essa identidade à virilidade, à força e ao poder advindos da própria constituição biológica sexual.”
Quando algumas pessoas do gênero masculino se diferenciam dessas características socialmente estabelecidas, são muitas vezes, consideradas homossexuais apenas por escolherem atuar profissionalmente em carreiras predominantemente femininas, pelo fato de não se encaixarem do padrão profissional “masculino” considerado ideal na sociedade. Por demonstrarem algum tipo de afeto seja pela mulher, seja por seus filhos (consolida a agressividade masculina condicionada na regra social). Ou seja, quando tratamos de violência contra a mulher, o problema também perpassa pela homofobia. Condiciona-se socialmente que o gênero masculino tem que ser racional e sufocar sua subjetividade. Poderíamos concluir que, o preconceito afeta o bem-estar social e subjetivo. Portanto acabar com o preconceito é uma tentativa de melhor a qualidade da convivência de todos os seres humanos.
A sexualidade não se reduz a instintos, impulsos, genes, hormônios, genitálias, ato sexual, nem se resume somente à subjetividade ou às possibilidades corporais de vivenciar prazer e afeto. O fato de nascermos com um determinado sexo biológico (masculino e/ou feminino), não é suficiente para determinar a maneira como iremos sentir, expressar e viver nossa sexualidade, ou construir nossa identidade de gênero, nossa orientação sexual não pode ser determinada pela visão hegemônica de heterossexualidade como único padrão “normal”.  E orientação sexual de uma pessoa não diminui em nada o seu caráter e sua potencialidade humana e profissional. 
 Concluímos esta reflexão, parafraseando Santos (2001),  que diz que devemos lutar pela igualdade sempre que a diferença nos inferiorizar, nos discriminar, nos excluir e devemos lutar pelo respeito a diferença quando a igualdade hegemônica nos descaracterizar, nos padronizar.  Ele afirma “tudo o que é homogêneo tende a transformar-se em violência excludente. ” 
Repito, creio que ou há um equívoco na leitura que algumas pessoas  fizeram da entrevista referente à minha fala. Eu não critiquei o material até porque não tive ainda acesso à ele. Creio que faltou uma contextualização. Sou professora efetiva no Ensino Fundamental,  e sei que realmente não há nenhum material didático oficial nas escolas até o momento que aborde a temática da Homofobia. Como pesquisadora, já apontei em minha tese de Doutorado que a abordagem escolar da sexualidade ainda se pauta na abordagem biológica-higienista-genitalista focando a reprodução, métodos contraceptivos e a prevenção de DSTs e Aids. E mais, como conforme constatei em pesquisa com os próprios docentes estes não estão preparados ainda para abordar algumas questões básicas da sexualidade e muito menos para tratar de um tema ainda socialmente polêmico e lamentavelmente envolto de preconceito. Precisamos antes de qualquer coisa, da formação docente. Ninguém convence o outro sobre aquilo que nem a própria pessoa respeita. 
 Somos contra qualquer tipo de violência e preconceito. E exatamente por ser cristã, acredito que todo ser humano merece respeito. Repito ninguém é obrigado a aceitar, nem concordar comigo, agora respeitar sim! Seja uma pessoa ou uma idéia, uma crença ou mesmo a ciência.
 Com meu respeito, atenciosamente,
Profa. Dra Cláudia Bonfim 

sábado, 11 de dezembro de 2010

POLUÇÃO NOTURNA

video


 A Polução Noturna é uma ejaculação involuntária que acontece durante o sono, resultando de uma excitação física genital. Se os homens tiverem sonhos eróticos no período do sono, normalmente isso pode acontecer. É importante dizermos, que a polução noturna é saudável e que ocorre em todas as idades, sendo mais comum dos 12 aos 20 anos, exatamente por ser uma fase onde ainda o adolescente ou jovem ainda é inexperiente sexualmente e com sua energia sexual reprimida ou até mesmo insatisfatoriamente resolvida. Por ser mais comum na puberdade e adolescência, pode-se dizer que esta possa significar o início da maturação e do exercício da sexualidade. Sendo que após o início da vida sexualmente ativa, a tendência é que a polução noturna diminua, até cessar. Porém, devemos ressaltar que isto pode ocorrer também com adultos que possuem uma vida sexual saudável e regular.
E por que ela ocorre?
Bem, a polução noturna é simplesmente uma forma do organismo eliminar o excesso de sêmen produzido que vai se acumulando, por isso a menor freqüência naqueles que se masturbam ou mantêm relações sexuais.
Alguns a denominam de sonho erótico, exatamente pelo fato da excitação que provoca a polução noturna, advir de sonhos eróticos, sendo parte natural da sexualidade, pois durante os sonhos o corpo se excita, o pênis fica ereto sendo então normal que possa ocorrer a ejaculação e orgasmo, também é comum a pessoa acordar logo após a ejaculação ou, antes dela,  nesse caso, a pessoa acorda excitada.
Quem nunca teve um sonho erótico? 
Além de saudáveis, eles são uma experiência sexualmente prazerosa e podem inclusive em alguns casos, estimular nossas fantasias. 
Talvez a maior dificuldade que adolescentes e adultos seja responder caso alguém pergunte, o que ou com quem se sonhou, os adolescentes dependendo da forma como os pais lidam com a sexualidade sentem-se especialmente envergonhados com a mancha de sêmen na roupa ou lençóis. Quantas vezes já ouvi amigas minhas dizendo indignadas que o filho delas ejaculava na cama, por pura falta de esclarecimento reprimiam e deixavam os filhos constrangidos.
Ai vocês podem me perguntar se a polução noturna seria uma ocorrência apenas masculina?
Como já explicamos, a  polução noturna é a excitação durante o sono geralmente acompanhada de ejaculação, não temos teoricamente a denominada polução feminina, mas por outro lado, os sintomas femininos são os mesmos de uma polução noturna masculina, ou seja, nós mulheres, também temos sonhos eróticos e devido à excitação sexual há uma lubrificação vaginal e inclusive pode-se chegar a sensação do orgasmo. E são experimentações mais freqüentes na adolescência, porém normais em qualquer período da vida, pois, são a manifestação natural da nossa sexualidade.
Para finalizar, é importante dizer que, tanto a ocorrência, como a não ocorrência da polução noturna são normais, ou seja, ter ou não ter polução noturna, é natural e vai depender de cada pessoa. A polução noturna assim como masturbação, especialmente no início da puberdade onde surge uma curiosidade perfeitamente natural a respeito do sexo. Onde após uma ereção do pênis, o adolescente manipula-o, não é incorreto, nem pecaminoso. Se dá pela curiosidade, e claro, também pela própria satisfação, à partir do desenvolvimento natural da sexualidade.Trata-se da necessidade do conhecimento do seu próprio corpo, da busca da compreensão do desenvolvimento físico normal a todo ser humano, que, de vez em quando, repete a experiência, por ser prazerosa. O que deveria ser considerado anormal é uma desconhecer seu próprio corpo e as manifestações do desenvolvimento da sua sexualidade, sejam estas subjetivas (emocionais, afetivas, psicológicas) ou físicas (desenvolvimento corporal, excitação, ereção, ejaculação, lubrificação, orgasmo). Portanto, não há motivo para sentimentos negativos, de culpa ou auto-condenação.
Finalizamos por hoje, no próximo post vamos retomar um  tema  já abordado aqui no blog: quando podemos dizer que uma fantasia erótica é saudável, normal? Abraços e até lá! Te espero sempre aqui nosso Blog Educação e Sexualidade.

Abraços,

Profa. Dra Cláudia Bonfim

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

MASTURBAÇÃO E SEXUALIDADE MASCULINA


            Olá meus queridos leitores, seguidores e ouvintes do nosso Blog Educação e Sexualidade, eu professora Doutora Cláudia Bonfim,  quero hoje enviar um abraço especial ao João Marcos Vitorino do Quinzópolis, que me escreveu um email carinhoso e emocionado, que muito nos alegrou. É isso ai menino, sonhe, dedique-se e persista que você ainda chegará a fazer um mestrado ou doutorado na Unicamp. E claro, um abraço sempre carinhoso a todos vocês que fazem do nosso Blog um cantinho especial e conhecido em todo país.
            O tema de hoje será Masturbação Masculina, vamos ao post de hoje que pode ser acompanhado na íntegra  através do áudio acima
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            Abaixo alguns trechos do post...
“ Freud afirma que quem se esquece ou nega a sexualidade infantil é porque foi reprimido na infância. Pois, quando há repressão inevitavelmente algumas frustrações, conflitos trauma ou bloqueio mesmo inconsciente, ainda permanecem.             Por outro lado, se há pais muito repressivos, há muitos pais que são omissos ou permissivos demais. Em se tratando de sexualidade e masturbação feminina, lamentavelmente há pais que estimulam ou até incitam os meninos à iniciarem precocemente sua vida sexual, pois pelo fato dos pais serem frutos de uma sociedade patriarcal, machista, genitalista, acreditam que isso representaria um forma de garantir a virilidade do menino, como se o pênis, o sexo, o iniciar precocemente a própria masturbação e sentir desejos, fossem certificar aos pais que estes sejam de fato machos, como se isso simbolizasse o ser homem, e garantisse por si só, o poder masculino, o poder de sedução, de conquista, a maioria dos pais temem que seus filhos tenham problemas sexuais, seja no sentido da orientação sexual ou da virilidade em si. Precisamos superar essa visão equivocada e machista.
 [...]  Eu já disse em outro post e repito, educação sexual não é  ensinar o indivíduo conhecer a parte operacional da sexualidade, como se tem uma relação sexual, quais posições, como faz para se masturbar..., mas a saber lidar com suas emoções, sentimentos, a se relacionar corporal e afetivamente consigo mesmo e com as demais pessoas. De forma que este aprenda relacionar-se afetivamente e sexualmente de maneira ética, sendo capaz de formar seus próprios conceitos, sensações, sua própria identidade, pois estas irão contribuir para a formação de sua auto-estima, da sua percepção corporal, do respeito consigo mesmo e com o outro, sem frustrações e sentimentos negativos sobre a forma de viver a sexualidade, para na fase adulta vivê-la saudavelmente  e prazerosamente.”
  
Profª Dra Cláudia Bonfim

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dia Mundial de Luta Contra a Aids

Em outubro de 1987, na  Assembléia Mundial de Saúde, apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi instituida a data de 1º de dezembro como O Dia Mundial de Luta Contra a Aids . E foi a partir de 1988, que o Ministério da Saúde, decretou a comemoração desse dia no Brasil.

É um dia voltado ao combate da doença com o objetivo de despertar nas pessoas a consciência da necessidade da prevenção, buscando reforçar a compreensão, a tolerância e o respeito às pessoas infectadas.

Segundo o Boletim Epidemiológico da Aids e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), divulgado em novembro de 2009, foram registrados índices alarmantes na faixa etária de 13 a 16 anos de idade.

Nós que atuamos como educadores sexuais nas escolas sabemos que, muito dos jovens raramente usam preservativo na primeira relação sexual e continuam não usando depois. Alguns usam no início dos relacionamentos, mas quando o relacionamento fica estável, o uso da camisinha é deixado de lado. Por isso, sempre digo não basta ensinar a usar preservativo, não basta distribuir camisinhas, não é suficiente apenas a veiculação nas emissoras de televisão e rádio, sobre as formas de contágio da doença e os cuidados para a prevenção. Essas são medidas também necessárias, mas insuficientes e, embora ajudem são paliativas. 
Novamente alerto: É URGENTE desenvolver um programa de educação sexual contínuo de CONSCIENTIZAÇÃO dos jovens e de toda população sobre como viver uma sexualidade saudável, qualitativa, ética, afetiva e prazerosa e não apenas no aspecto de prevenção de DSTs e AIDS. Precisamos de um programa de educação sexual emancipatória que busque superar essa visão reducionista, quantitativa, meramente hedonista e mercantilista da sexualidade.

Nesse sentido creio que devemos aqui agradecer ao Ministério de Educação e Cultura (MEC) que estará no próximo ano apoiando integralmente o GEPES – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sexualidade na realização de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Grupo criado por esta Pesquisadora da UNICAMP, e docente da Faculdade Dom Bosco de Cornélio Procópio, tendo seu projeto avaliado e aprovado pelo MEC, ficando em 2o. lugar no Brasil, ou seja, sendo considerado após avaliação como o 2o. melhor projeto avaliado pelo MEC entre todas as Faculdades e Universidades Particulares do Brasil, projeto que foi elaborado na busca de promover a formação e a conscientização sobre a vivência e compreensão da sexualidade em sua totalidade, fundamentos no esclarecimento crítico da historicidade e cientificidade da sexualidade humana, a partir da leitura e apropriação crítica dos clássicos como Freud, Foucault, Marcuse, Reich, entre outros, através de pesquisas científicas teóricas e de campo e da socialização destes aprendizados com a comunidade acadêmica e com a sociedade, buscando fomentar o debate e a produção do conhecimento científico sobre a sexualidade humana, a diversidade sexual, a saúde sexual, os preconceitos de gênero e os direitos sexuais.

Que ícones da música brasileira como Cazuza e Renato Russo, com suas letras críticas, analíticas e poéticas e suas formas de viver a vida e sua sexualidade nos sirva de exemplo e de alerta, podemos sim, viver nossa sexualidade de maneira livre e natural, mas sempre pautados na responsabilidade que devemos ter, antes de mais nada, com a nossa própria vida, com a nossa saúde.

Cuidar do próprio corpo e respeitar seus limites é uma forma amorosa de vivermos a nossa sexualidade, nenhum prazer momentâneo poder ser maior do que o nosso prazer de viver. Amor implica em cuidado e respeito consigo mesmo e com o outro.

A grande questão é que nós não entendemos sobre liberdade, confundimos liberdade com liberalidade exacerbada, saímos da repressão sexual para a exacerbação, para a mercantilização, para a banalização.

Não conseguimos ainda encontrar o equilíbrio da sexualidade. Ou seja, ainda não aprendemos sobre como viver nossa sexualidade de fato de maneira plena, porque liberdade implica em escolha consciente, responsável e amorosa.

Saímos de um extremo ao outro, nos perdemos no caminho, mas o bom é que a vida nos permite sempre recomeçar, porque história não é fatalidade, mas possibilidade. Por isso, minha luta pela educação sexual emancipatória, para que possamos viver nossa sexualidade com naturalidade, de maneira intensa, bonita e com a verdadeira liberdade.

VAMOS JUNTOS NA LUTA POR UMA EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL EMANCIPATÓRIA, PELA FORMAÇÃO DE COSNCIÊNCIAS CRÍTICAS E ÉTICAS!


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sexualidade e Masturbação Feminina: um olhar histórico-crítico e de repúdio contra a Mutilação Genital Feminina


Ouça o vídeo acima na íntegra e saiba mais sobre a temática!

Olá queridos leitores, seguidores e ouvintes do nosso Blog Educação e Sexualidade, eu professora Doutora Cláudia Bonfim, resolvi hoje aprofundar um pouco mais a temática da sexualidade feminina, dando continuidade ao tema da masturbação feminina, abordando inclusive uma das origens históricas e nosso repúdio à Mutilação Genital Feminina. 

Antes quero hoje parabenizar e deixar meu abraço e meu cumprimento a todos os alunos que tiveram seus nomes contemplados, após o processo seletivo e a entrevista que eu e o Prof. Livaldo Teixeira da Silva,  como membros da comissão do processo seletivo dos bolsistas, foram ai escolhidas para integrarem o GEPES – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sexualidade, sob minha orientação e com bolsa e apoio integral do MEC que em breve dará início aos seus estudos e pesquisas teóricas e de campo, além de atividades de ensino e extensão  na Faculdade Dom Bosco, formando a tríade da indissolubilidade da universidade brasileira. E meu abraço a todos vocês que me surpreendem a cada dia com o elevado número de visitas no blog e com suas manisfestações de carinho, credibilidade e respeito para com meu trabalho, meu muito obrigada sempre. Inclusive registro aqui meu abraço ao Bruno do Blog Brain Express (http://brain-express.blogspot.com) pelo carinho para com nosso Blog.

Segue abaixo trechos da nossa  fala sobre o post de hoje que versará sobre Sexualidade e Masturbação Feminina  – um olhar histórico-crítico e de repúdio contra a Mutilação Genital Feminina que você pode conferir na íntegra pelo áudio acima.

 “Uma das formas mais desumanas de reprimir e controlar a sexualidade feminina surgiu da visão patriarcal, machista e equivocada da sociedade, como inclusive também uma tentativa de impedir que a mulher sentisse prazer e não se masturbasse.  Mesmo que os dias de hoje a  medicina reconheça que a masturbação não produza danos físicos ou emocionais desde que claro, não seja obssessiva,  sabemos que alguns países continuam cruelmente expondo especialmente o sexo feminino às mutilações especialmente clitorianas. 

A prática a mutilação genital feminina (MGF) conhecida como excisão ou circuncisão feminina, se caracteriza como total desrespeito aos Direitos Humanos, sem e deveria ser motivo de protesto e combatida por todas as sociedades. A circuncisão feminina é um ritual considerado comum em alguns países africanos, como a Costa do Marfim. É  uma espécie de ritual onde alguns grupos étnicos realizam a remoção da parte maior ou menor dos lábios vaginais e o clitóris, o que corresponderia à circuncisão do pênis.

[...] Entre as razões alegadas para a  MGF seria a garantia que a mulher fosse fiel ao seu marido, o que se constitui num ritual ainda mais desumano, toda vez que o homem sai para viajar este faz a infibulação e quando regressa ele ‘rasga’ os pontos da circuncisão. A mesma nega a possibilidade do prazer sexual feminino em sua totalidade, tendo assim  uma  vida sexual de completa resignação. Outro motivo que alegam para este ato inadimissível, completamente absurdo, mas culturalmente aceito  e praticado por alguns grupos,  objetiva a manutenção social da submissão feminina ao homem.

 Além dos inúmeros riscos de saúde a que são expostas, a dor dessas mulheres é física, emocional, sexual. São tolhidas do prazer e o pior inconscientemente, são violentada na sua dignidade humana. È lamentável e revoltante saber que parte da humanidade ainda está sujeita às violências que vão  deixar marcas profundas visíveis e invisíveis, no corpo, na mente, na alma.

Os obstáculos que ainda impedem a exclusão dessa prática, assim como contribuem,por exemplo, com todos casos de violência contra a mulher, inclusive no Brasil, se refere ao medo, à ignorância, à dependência financeira, à submissão, aos preconceitos de gênero, enfim são inúmeros entre os quais poderíamos afirmar que seja o silêncio das próprias mulheres; que culturalmente condicionados e passivas, sem consciência e conhecimento, ainda concordam com prática, permitindo inclusive, que suas filhas sejam também mutiladas.

 Segundo dados a luta contra essa prática foi uma bandeira levantada por mulheres intelectuais islâmicas que levantaram o véu contra a MGF. Portanto, mais uma vez, vemos o quão importante é a aquisição do conhecimento e da compreensão crítica da história da sexualidade e da humanidade em todas as suas dimensões; pois esta prática só será proibida a partir da superação das crenças dessas grupos étnicos, o que só se dará pela aquisição de uma mente crítica e conhecedora, da formação ética das mulheres afetadas, o que ainda irá demandar tempo, mas que deve ser uma luta contínua, todas nós mulheres e homens esclarecidos devemos de alguma forma manifestar nosso protesto, indignação e repúdio à práticas como essas.

Felizmente há grupos mais conscientes, e contrários à essa crueldade que tentam lutar para acabar com estes rituais, embora lamentavelmente isso ainda ocorra. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), anualmente cerca de três milhões de meninas são vítimas de mutilação genital.
Sigamos lutando... afinal como diz Geraldo Vandré [...] ainda “temos a história na mão...”
Sobre essa temática da mutilação genital feminina também indico o filme e também livro livro “ Flor do Deserto”, baseado na autobiografia da modelo somali Waris Dirie que no ápice de sua carreira, chocou a opinião pública revelando que quando menina  fora circuncidada, iniciando uma luta contra a circuncisão feminina.”

Profª Dra Cláudia Bonfim
  

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25 DE NOVEMBRO DIA INTERNACIONAL DE COMBATE Á VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


 


Em 25 de Novembro de 1981,  em Bogotaá, Colômbia , ocorreu o Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe realizado em homenagem às irmãs Mirabal, conhecidas como Las Mariposas, que  foram brutalmente assassinadas pelo ditador Trujillo em 25 de novembro de 1960 na República Dominicana, quando estas retornavam de Puerto Plata, onde seus maridos estavam presos. As irmãs foram detidas na estrada e assassinadas por agentes militares, que simularam um acidente.

Como já apontamos, num artigo comemorativo ao Dia Internacional da mulher, datas como estas,  simbolizam a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas, mas que elas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.

No Brasil só em 1932 é que o Governo de Getúlio Vargas promulgou o Código Eleitoral através de um Decreto, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras; mas apenas o direito ao voto não alteraria a condição feminina se a mulher não modificasse sua própria consciência. Porque a libertação da mulher exige mudanças em âmbitos não apenas políticos, mas econômicos e sociais, a libertação da mulher não pode tão-só representar um problema de gênero mas, sobretudo, é uma questão de classe.  

 Ainda hoje, sofremos preconceitos e exploração, sofremos todo tipo de violêcia: físicas, emocionais, simbólicas. Um exemplo é a exploração e mercantilização do corpo das mulheres crescem na globalização, mas são expressões antigas e atuais da opressão e exploração das mulheres. No Brasil, esta problemática foi vivida, sobretudo, pelas mulheres negras e pobres, desde o período colonial, mantendo-se até os dias de hoje. A imagem do corpo da mulher associada à venda de mercadorias reproduz, no plano simbólico, a idéia de que o corpo das mulheres pode ser mercantilizado.



Em relação a vivência da sexualidade,nossa luta ainda é para que toda mulher tem direito à liberdade sexual, à autonomia reprodutiva e autodeterminação sobre seu corpo. As mulheres, de maneira geral ainda são as mais sacrificadas e, por muito tempo, foram castradas em seu desejo sexual, como se este o desejo fosse um exclusivo direito masculino. As mulheres orientais até hoje sofrem castração do hímen quando ainda mocinhas pelos seus pais, sem ter direito a sentir prazer, apenas proporcionar, ou seja tornam-se propriedade e objeto dos maridos. Ainda hoje, as mulheres são inferiorizadas e vistas como objetos, no entanto as mulheres assim como os homens têm desejos, sentimentos, sonhos, vontades, necessidades e direito de dizer sim ou não, mulheres assim como homens não são propriedade privada nem objeto, nem mercadoria, são seres humanos.

Nossa luta dever ser: pelo fim da mercantilização do corpo das mulheres; pelo fim da exploração sobre a sexualidade das mulheres; pela defesa dos serviços públicos de qualidade: creches, escolas e serviços de assistência à saúde; por serviços especializados no atendimento à mulher. 
No Brasil, só em 1985, é que surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM, em São Paulo. A violência contra as mulheres aumenta a cada dia e a maioria dos municípios ainda não possuem um atendimento especializado para as mulheres.



 

A Lei denominada Maria da Penha, Lei nº 11.340/06, simbolizou inicialmente, uma  importante conquista para a as mulheres brasileiras. Lei que criou e estabeleceu mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra as mulheres, a sua criação cumpre também a determinação da convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres e da convenção Interamericana para prevenir , punir e erredicar a violência contra a mulher. Mas lamentavelmente os dados no Brasil os dados continuam alarmantes, uma em cada cinco brasileiras declara que já sofreu já algum tipo de violência. A cada 15 segundos uma mulher sofre espancamento por um homem, totalizando cerca de 2 milhões/ano.

O que vem mostrar, lamentavelmente, a não eficácia da  Lei Maria da Penha. Pois,como sempre dizemos não basta que se aprove uma Lei, o que é necessário é a conscientização social, o respeito aos direitos, à igualdade, e no mais é preciso um apoio de atendimento psicológico e jurídico às mulheres que denunciam suas agressões, assim  como construção de abrigos que possam por um tempo servir de proteção às vítimas de violência.
 Uma violência brutal que tem atingido mulheres de maneira geral, porém as mulheres das classes mais desfavorecidas, são as que mais sofrem agressões, especialmente as mulheres negras. O Dossiê Mulher 2010, do Rio de Janeiro, revelou uma  pesquisa que aponta  que as mulheres negras, são as maiores vítimas de violência no Brasil,  (55,2%) são vítimas de homicídio doloso (com intenção de matar,  (51%), sofrem tentativa de homicídio, e (52,1%) são vítimas de lesão corporal (52,1%), além do estupro e atentado violento ao pudor (54%). As mulheres brancas são as maiores vítimas apenas nos crimes de ameaça (50,2%). E o pior somente 2% dos agressores são penalizados por seus atos.
            Importante dizer, que nós mulheres precisamos participar mais e ativamente da vida política do nosso país. A política é uma das atividades mais importante para transformar a vida das mulheres, e da sociedade nós mulheres precisamos ainda aumentar nossa participação política para que possamos influir sobre os rumos da nossa comunidade, do nosso país, da nossa história.
 Ainda que os homens tenham maior força bruta, as mulheres têm mais energia, mais sensibilidade, têm uma visão mais geral das coisas e do mundo, têm intuição, percepção, tato, e mais disposição e enfrentamento da vida, da dor, do trabalho elas precisam apenas ter consciência de que se elas quiserem podem mudar sua realidade e o mundo.
 Como eu disse datas como estas não são exatamente de comemoração e sim, de reflexão!
 Pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar-nos a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.
 A mensagem final que eu deixo para minhas companheiras mulheres nesse dia é de resistência, de luta, de força e coragem, características que já estão em cada mulher e que em muitas delas precisam apenas ser afloradas.
 Espero que todas as mulheres tenham direito ao amor e ao prazer, sejam respeitadas em sua dignidade de mulher, e para isto eu digo: estudem, tenham sua autonomia, física, emocional e financeira. Só assim nos tornando independentes financeira e intelectualmente seremos capazes de dizer que somos realmente livres, respeitadas e com direitos iguais.
Ter renda própria é condição imprescindível para liberdade e autodeterminação das mulheres na vida adulta e na velhice. Estudar, adquirir autonomia de pensamento é sem dúvida também uma condição ímpar para essa libertação.
Enfim, desejo que todas as mulheres assim como todos os seres vivos tenham mais dignidade e respeito.
            Lutemos juntas pela igualdade de direitos, para que as diferenças culturais de gênero sejam superadas e tenhamos direito de ser mulher em nossa totalidade!

Meu abraço, minha admiração e respeito à todas as mulheres sensíveis e guerreiras, à todas as Marias trabalhadoras, mulheres resilientes deste Brasil, em especial à minha Mãe Cleuza, às minhas filhas Caroline e Beatriz e à todas as minhas amigas pessoais, alunas e companheiras de trabalho que são exemplos de luta e merecem ser respeitadas em sua totalidade, assim como todas as mulheres.
Profa. Dra. Cláudia Bonfim

 

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