Hoje é comemorado "comercialmente" o dia do Sexo, porém havemos de pensar, que o sexo especialmente nos dias de hoje virou um produto lucrativo, e pior o ser humano virou produto na rede do sexo mercantil. Alguns que dizem conscientizar sobre a sexualidade acabam por difundir e divulgar o sexo mercantil, permissivo, "moderno", instintivo, banal (lamentável). Sexo virou piada, virou notícia (midiatizada), ideologicamente camuflada, para ganhar dinheiro, ou para conseguir mais parceiros. Inúmeros sites da rede, sobrevivem às custas do sexo. O dia do sexo foi criado, em 2008, a partir de uma ação de marketing dos preservativos Olla e da agência Age. Mas, enfim o post de hoje é apenas para ressaltar como fizemos em 2010, que sexo é maravilhoso, porém, a mídia atendendo aos anseios da sociedade tem disseminado discursos que contribuem para a vivência quantitativa da sexualidade e, e assim desumanizando os laços afetivos das relações.
O sexo é parte integrante e fundamental da vivência da ativa da nossa sexualidade, embora as pessoas equivocadamente reduzam a sexualidade ao sexo. E o ato sexual é apenas uma das formas de sentirmos prazer, diga, essencial.
A vivência qualitativa, afetiva, emancipatória, consciente e responsável do sexo é essencial para melhorar nossa disposição física e mental para encararmos as demandas da vida com maior "leveza". Sexo faz bem à pele, à auto-estima, ajuda a rejuvenescer, nos motiva a viver, faz o sangue correr, o coração pulsar, nos deixa mais felizes e conseqüentemente mais saudáveis.
Durante muito tempo o sexo, especialmente para o gênero feminino estava condicionado reducionistamente à reprodução, sem conotação com o prazer. Hoje, avançamos nesse sentido por um lado, conquistando o direito e especialmente se permitindo sentir prazer. Mas, precisamos ressaltar que por outro lado, o Sexo está cada dia mais banalizado, mercantilizado, mecanizado. Ainda hoje, como aponta o autor francês Lepovitsky não encontramos o equilíbrio para a vivência plena e saudável da sexualidade. Ou as pessoas vivem ainda o sexo de uma maneira reprimida ou então exacerbada, instintiva e quantitativa.
Sexo é vida, é prazer, mas consideramos que para ser signiticativo de fato, não deve ser vivido como apenas instintivamente, mas envolto de afetividade (carinho), admiração e erotismo.
Ressaltando que, o sexo pelo sexo é um prazer finito (momentâneo), a busca da satisfação carnal, de uma necessidade de esvaziamento físico, como já apontamos em algum outro momento. E que erotismo não é essa pornografia vulgar. O erotismo é o que mantêm acesa a chama do desejo dentro de um relacionamento afetivo-sexual e que estende o prazer homérico momentâneo para a vida, transformando-o em energia, disposição.
Que possamos nos permitir sentir e dar prazer, sem dogmas, tabus e preconceitos, e que consigamos vivenciar o sexo na sua plenitude, de uma forma que supere a genitalidade e o mero instinto, para que o prazer sexual, se transforme em bem-estar.
Sexo é dialético, tem que ser doce e voraz, humano e selvagem, instinto e afeto, mas sempre de maneira conjunta, dialeticamente ligados e vividos sempre num clima de erotismo e cumplicidade.
Cabe nesse conscientizarmos as pessoas que é fundamental, que o sexo seja seguro, pois temos cada dia mais agravante o índice de pessoas contaminadas pela Aids, entre outras DSTs.
Para finalizar o post de hoje vou deixar um texto de Luiz Fernando Veríssimo, intitulado “DAR NÃO É FAZER AMOR”, onde podemos refletir, que o sexo pelo sexo pode sim ser muito prazeroso, mas que é um prazer momentâneo, que esvazia a necessidade instintiva, biológica, física, que depois pode ir nos tornando vazios também. Já fazer amor, é algo que estende o prazer do sexo para a vida. Há relatos de pessoas que dizem que o sexo pelo sexo foi maravilhoso na hora, mas que quando acabou não via a hora do outro ir embora, que sentia vazio, depois do que o tesão acabava. Agora quando o sexo estava associado de alguma forma ao carinho, à algum afeto, mesmo após o sexo, se sentiam cheios de energia, de vida, de uma sensação de crescimento, de ganho, de bem-estar. Enfim, cabe a cada um refletir...
“Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca…
Te chama de nomes que eu não escreveria…
Não te vira com delicadeza…
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar….
Sem querer apresentar pra mãe…
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral…
Te amolece o gingado…
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
“Que que cê acha amor?”.
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho…
É não ter alguém para ouvir seus dengos…
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar.”
Vou reproduzir abaixo um post que publiquei também no ano passado: AMOR E SEXO: quem disse que tem que ser uma coisa ou outra? Bom, mesmo é quando é tudo junto e misturado.
Olá amigos, leitores, ouvintes e seguidores do nosso blog Educação e Sexualidade, eu professora doutora Cláudia Bonfim inicio o post de hoje mandando um abraço à Suely Oliveira que carinhosamente tem divulgado e acompanhado nosso trabalho, e um abraço também à Elizângela Freitas da Editora Papirus como prometido pelo respeito e credibilidade para com nosso trabalho.
O post de hoje versará sobre Violência Simbólica e Desvalorização Feminina na Sociedade Capitalista Pós-Moderna.
Acompanhe as reflexões na íntegra pelo vídeo acima...
Na sociedade capitalista mercantil e pós-moderna, embora já tenhamos passado por um processo inicial de emancipação da mulher, ainda há muito que avançar.
As mulheres ainda sofrem preconceitos e são desvalorizadas, sofrendo diversos tipos de violências, desde a simbólica, até físicas, morais, psicológicas, pois somos fruto da sociedade patriarcal machista onde a mulher é especialmente objeto de consumo e usada para estimular o comércio e ser ela mesma comercializada, como ser fosse uma coisa, um mero produto e não sujeito histórico, sua imagem está exposta desde a venda de uma cerveja até a comercialização de produtos eróticos.
É lamentável a imagem da mulher ser reduzida às suas genitálias. E seu corpo, especialmente às nádegas e seios ter sido transformado pelo sociedade e divulgado pelo mídia como o símbolo da mulher brasileira. A superexposição do corpo feminino, diariamente pela mídia, reforça a violência e a desvalorização sofrida pelas mulheres historicamente, e esta violência simbólica passa muitas vezes, do imaginário para um violência concreta, física, social, psicológica e contribui para consolidar o discurso social machista enraizado numa sociedade de origem patriarcal.
A mídia, especialmente a televisão especialmente explora esse caráter sexual contribuindo grandemente para a banalização e reducionismo da sexualidade, estimulando a vivência de uma sexualidade exacerbada, genitalista, meramente instintiva e quantitativa. Onde a mulher, especialmente, torna-se o objeto de desejo a ser consumido. Na era da globalização o Brasil vive uma era desvalorização feminina através de uma imagem depreciativa e coisificada. Mas, lamentavelmente esta depreciação é ideologicamente camuflada e inconscientemente sofrida e “permitida“ por muitas mulheres e homens, que não possuidores de uma consciência crítica e ética, não conseguem ler as entrelinhas das mensagens e linguagens proferidas pelo discurso midiático.
Se historicamente nós mulheres conquistamos direitos sociais e sexuais, e espaço no mercado de trabalho, avançando no aspecto profissional e intelectual. Por outro lado, há ainda muitas mulheres que sofrem diariamente todo tipo de humilhação, violência e dessvalorização sexual e social. E não conseguimos deixar de pensar nesta problemática como uma questão social que expressa os antagonismos de classe e trazem em relevo, as condições sociais desiguais, duais, das condições de vida a que são submetidas a maioria da população.
Parafraseando Sartre: Temos que saber o que fizeram de nós e o que fazer com o que fizeram de nós. Portanto, precisamos nos questionar sobre quem somos, o que nos fez ser o que somos e como somo e o que ainda podemos ser! A história é construída e não estática, portanto a possibilidade de superação está em nossas mãos. História é movimento, contradição, possibilidade e não fatalidade. Superamos alguns tabus e precoceitos e conquistamos alguns direitos, mas ainda há muito o que lutar e modificar!
Bem por hoje é só, mas num próximo post vamos continuar esta reflexão sobre a sexualidade feminina retomando a temática da naturalização e banalização da nudez feminina e outras temáticas necessárias a formação da consciência crítica no tocante à vivência da sexualidade feminina.