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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tamanho do Pênis X "Tamanho" do Prazer?


Numa  socialmente falocrática, onde o pênis historicamente foi idealizado, cultuado, esculturado e propagado como símbolo da virilidade, da força, do ser homem. Como se o prazer dependesse apenas de tão somente de uma genitália, só vem de certa forma mostrar um dos porquês, de uma das maiores preocupações masculinas: o tamanho do pênis! Que como muitas outras temáticas da sexualidade advém da construção sócio histórica cultural.


Desde a infância o “falo”, ou seja, o pênis é motivo de grande ansiedade, constituindo-se numa das maiores neuroses masculinas. Nos banheiros masculinos especialmente quando meninos há uma enorme curiosidade sobre a comparação do tamanhos; Hoje quando meninos, alguns inclusive disputam quem consegue gozar mais e mais longe. Parece absurdo. É para se indignar mesmo.  É como se sua masculinidade, como se ser homem se resumisse, ou fosse medida por estes fatores. Ser homem vai muito além de ter um pênis grande. 
Até hoje, ainda são comuns algumas piadinhas e brincadeirinhas sobre esta questão.  
 Desde pequeno seu pênis ganha um caráter exibicionista, é exposto por muitos pais, em fotos, e até mesmo para as visitas em casa, em seus discursos (falas) dizendo: -" olha esse menino é saco roxo, esse é macho", quando chega vsita em casa tem pai diz: “mostra o pipizinho pro tio”, contribuindo para consolidar uma visão machista e genitalista da sexualidade. E depois quando adultos estes são culpabilizados pela forma genitalista com que fazem sexo. 

Nos dias de hoje, o que mais se vê é propaganda de métodos para aumentar o tamanho do pênis. Eu lhes afirmo homens: o tamanho do pênis não é o que determina a intensidade do prazer que a outra pessoa vai sentir e nem que você sente.

Aliás, uma pesquisa divulgada aponta que no ranking da maior média de tamanhos de pênis, o Brasil estaria em 21º lugar (fonte site Manhunt), apontando os brasileiros com pênis em torno de 18,4 cm, sendo os dinamarqueses com maior dote peniano 19,3 cm.  
 Há alguns mitos sobre as relações do tamanho do pênis com os dedos das mãos, até do tamanho do pé. Confesso que eu mesma, há algum tempo atrás, em algum momento  já olhei e pensei sobre esta comparação, rs. Mas enfim, depois de muito senso comum sobre isto uma pesquisadores urologistas de Seul, através de estudo foi publicado no 'Asian Journal of Andrology' defenderam a tese que o tamanho do órgão pênis ereto pode ser comprovado pelos dedos anelar e indicador: quanto mais parecida for a altura entre estes dois dedos, maior será o pênis do homem.
 Segundo o site ABC da Saúde “um pênis flácido mede de 5 cm a 10 cm de comprimento. O tamanho durante a flacidez não determina o tamanho durante a ereção. A medida é feita desde o ponto em que ele se encontra com o corpo (não com a pele) até a extremidade da glande. Se aplicarmos tração manual, o pênis ganhará de 2 a 5 cm. Masters e Johnson (1966) verificaram que o pênis em ereção mede de 12,5 cm a 17,5 cm. Um recém-nascido apresenta um comprimento médio de 3,75 cm.”

A maioria dos homens preocupam-se tanto com isso, porque acreditam que quanto maior o pênis, maior prazer ele proporcionará à outra pessoa, e especialmente no quesito homem/mulher, muitos, com visão senso comum e machista acreditam que do tamanho depende o fato da mulher atingir ou não o orgasmo, ledo engano, como já afirmei em posts anteriores. Aliás, pênis grande demais pode incomodar e até machucar, por mais elástica que seja a vagina e por maior lubrificação que tenhamos.
As carícias, as preliminares, a estimulação das fantasias, ou seja, da Psiquê, a entrega plena durante o sexo é que faz que realmente o prazer se intensifique. Se você despir apenas seu corpo para o outro, mas não despir-se de todos os pudores, medos, preconceitos, sinceramente o pênis pode ser gigantesco ou micro que não fará a mínima diferença.
E sinceridade, o que importa não é o tamanho, mas a FUNCIONALIDADE, assim como já afirmei em relação ao tamanho do clitóris feminino.  FUNCIONALIDADE, significa a capacidade e a disposição mental e corporal em receber e transmitir estímulos nervosos. Por isso, afirmo que orgasmo não se dá apenas pelo estímulo da genitália. Nosso corpo todo é erógeno e sexual, mas volto a afirmar o nosso maior, mais potente e importante órgão sexual é a mente, a psiquê, esse é nosso maior e melhor órgão sexual, sem o qual não se sente tesão, desejo, excitação, prazer, orgasmo. E no mais independente da sua genitália, lembre-se que o corpo todo é erógeno e você possui boca, língua, mãos e todos eles são fontes geradoras de prazer, aliás de prazeres tão ou mais homéricos que as próprias genitálias.
Volto a afirmar, que nosso maior órgão sexual é e mais potente é a mente (psiqué), para que uma pessoa atinja o orgasmo ela precisa despir não apenas seu corpo, mas sua alma, de culpas, problemas, dogmas, medo, tabus e entregar-se plena, inteira e intensamente àquele momento supremo de amor e prazer. E realmente podemos afirmar que o tamanho seja do pênis ou do clitóris não está ligado necessariamente com a possibilidade de se atingir o orgasmo nem com a quantidade de orgasmos que uma pessoa possa ter, assim como tamanho do pênis não tem nada a ver com o prazer que o homem sente ou é capaz de proporcionar. No mais as formas de sentir ou dar prazer vão muito além das genitálias, muito além da penetração, pois nosso corpo todo é erótico. Leiam o post do tantra para ampliarem essa concepção do prazer para além do genital e também leiam o post sobre o tamanho do clitóris.
Tantra Parte I- link http://educacaoesexualidadeprofclaudiabonfim.blogspot.com.br/2010/04/tantra-sexualidade-e-divindade-parte-i.html

Tamanho Parte II - http://educacaoesexualidadeprofclaudiabonfim.blogspot.com.br/2010/04/tantra-sexualidade-e-divindade-ii-parte_11.html

Se preferir ouça o áudio post



Tamanho do Clitoris X Orgasmo Feminino? - http://educacaoesexualidadeprofclaudiabonfim.blogspot.com.br/2011/01/tamanho-do-clitoris-x-orgasmo-feminino.html

Se preferir ouça o áudio post


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Orgasmo: verdades e mitos do prazer da mulher




Abaixo, na íntegra a entrevista que concedi à  Juliana Rangel e Talita Bristotti.  Você pode também conferir a versão editada da entrevista no Blog 

Dividida em dois posts: 

"Verdades e mitos do prazer da mulher"

- Como funciona o orgasmo da mulher?

O orgasmo feminino é quando a mulher atinge o ápice de prazer e pela contração vaginal, e os mais comuns são os clitorianos (através da estimulação do clitóris) e raras pela penetração. A resposta orgástica se dá após envolvimento na relação sexual, tendo como consequência o desejo e excitação eficaz, e que após persistir o estímulo e a liberação das tensões ocorre como através de contrações  rítmicas no terço inferior da vagina, contrações uterinas, do esfíncter retal  e uretral. Pode ocorrer outras reações como: arrepios na pele,  taquicardia e espasmos musculares voluntários e involuntários (membros e face). Nas mulheres também  pode-se expelir um líquido. É uma sensação quase indescritível de supremo êxtase, uma sensação corporal e subjetiva plena de prazer. Porém, não há um padrão e a intensidade também é variável. Há que se ressaltar porque muitas pessoas confundo, que que existem dois líquidos expelidos pela mulher durante o ato sexual um com função lubrificante que sai quando a mulher fica excitada, fazendo com que a vagina libere essa secreção, que pode aumentar conforme a excitação, e quanto maior o prazer da mulher maior pode ser sua  quantidade, mas esse líquido é ralo e transparente. Já, a denominada o orgasmo é o momento máximo de prazer onde sai uma secreção que tem outra consistência e intensidade, é mais viscosa, consistente, numa coloração clara, mas meio leitosa. O que se pode afirmar é que há diferença entre o líquido da lubrificação e a secreção expelida no momento do orgasmo. Assim como sensação de prazer que a mulher sente na “ejaculação” que ocorre antes ou durante o ato sexual é diferente da que sente no orgasmo. A “ejaculação” lubrificante ocorre através da estimulação das partes sexuais que circundam a uretra, como o ponto G e o ponto U, que ocorre tanto pela estimulação do clítoris como pela penetração. Quando a mulher atinge o orgasmo, a ejaculação sai da uretra empurrada pelos músculos vaginais. É importante dizer que a maioria das mulheres tem orgasmo clitoriano, raras mulheres atingem o orgasmo só com a penetração.  Orgasmo é indescritível, mas poderíamos tentar definir como a experiência única da sensação plena de morte e vida, unificadas. Você pensa que vai morrer de tanto prazer e renasce plena de vida, de paz. Sentir prazer numa relação sexual, ou sentir muito prazer não caracteriza o orgasmo, que só pode ser atingido quando há uma entrega plena, total da mulher. O orgasmo não depende exclusivamente do homem (ou da outra pessa) como muitas pessoas pensam, claro que o clima, as carícias ajudam, mas quem permite ou não o orgasmo é a mente mulher, isso depende da nossa capacidade de fantasiar, de se entregar, da superação dos traumas, medos, culpas, tabus a que foi condicionada em sua sexualidade. Você goza com sua psique, é a mente nosso estímulo mais potente. Para se atingir o orgasmo nosso corpo e nossa mente precisam estar plenamente entregues, sintonizados. Orgasmo é muito mais que prazer e só pode ser vivenciado quando a mulher se permite conhecer seu próprio corpo, tocar-se e viver e descobrir todas as potencialidades de prazer que ela pode sentir e proporcionar


- Todas podem conseguir chegar no orgasmo múltiplo? - Qual o apelo das posições sexuais para o homem? E para as mulheres?

Sim. Sentir orgasmo também é um aprendizado. Para algumas pessoas esse aprendizado se dá de forma natural, para outras se dá pela busca, pela superação de alguma disfunção ou bloqueio mental.  Cada um tem seu chamado ponto “G”, lembrando nosso corpo todo é erótico, mas é fato, que cada pessoa tem pontos do corpo que quando tocados/estimulados provocam uma sensação maior de prazer. Devemos procurar posições sexuais que a mulher que coloque diretamente o clitóris em contato mais direto com a pele do outro, ou que possibilitando de alguma a fricção do mesmo. Uma das posições que podemos exemplificar seria o “cavalgar” de frente que favorece esse estímulo. Senão, durante a penetração a mulher pode também tocar-se ou pedir para o parceiro tocá-la, e obter os dois estímulos juntos de penetração e fricção aumentando a intensidade do estímulo, do prazer. No entanto, é importante lembrar que se a mulher não estiver entregue ao prazer, com mente estimulada, de nada adianta, pois nosso “maior órgão sexual e mais potente é psique, é a mente. Se você leva para a cama todos os problemas do mundo, e não consegue entregar-se plenamente a genitália sozinha não funciona, ai não se consegue nem lubrificação, e muito menos atingir o orgasmo. A intensidade da entrega conduz à intensidade do prazer. Salvo, quando esta não possui problemas fisiológicos, que ai devem ser tratados com o auxílio de um(a) ginecologista. A  ativação da libido e especialmente a estimulação do clitóris provoca sensações de prazer, que podem inclusive levar ao orgasmo Mas esta resposta sensorial não depende de sua constituição; e sim condições psicossomáticas da mulher.  Homens e mulheres precisam entender que embora o papel do parceiro seja importante, ou seja, a forma de acariciar, o beijo, as preliminares, não é o homem diretamente que leva uma mulher ao orgasmo. Volto a afirmar, que nosso maior órgão sexual é a mente (psique), para que uma mulher atinja o orgasmo ela precisa despir não apenas seu corpo, mas sua alma, de culpas, problemas, dogmas, medo, tabus e entregar-se plena, inteira e intensamente àquele momento supremo de amor e prazer. 


O importante é a FUNCIONALIDADE, que significa a capacidade e a disposição mental e corporal em receber e transmitir estímulos nervosos. É necessário que a mulher se solte, se permita, se entregue! Nosso ponto G principal é a mente, esse é nosso maior e melhor órgão sexual. Ou seja, o orgasmo é o momento de excitação máxima mas antes de ser  uma experiência corporal é também emocional. Diversos são os fatores ou causas que podem impedir que uma mulher consiga atingir o ápice do seu prazer. Muitas trazem consigo traumas, culpas, medos,  especialmente aquelas que foram vítimas de violência e ou abuso sexual na infância, ou tiveram uma educação sexual repressora, o medo de engravidar, experiências de dor durante a relação sexual, a falta de intimidade com o parceiro, assim como a falta de conhecimento do próprio corpo, o estresse e a rotina no relacionamento.  Os homens também podem ter disfunções sexuais. Há também aquelas pessoas que ou exigem muito de si mesma, ou possuem uma baixa auto estima, bloqueando o prazer sexual e causando uma anorgasmia. Ainda hoje, muitas mulheres têm dificuldade ou incapacidade de chegar ao orgasmo. Mas a maioria finge o que não sentiu, ou falsamente acreditam que a relação sexual se resume ao prazer que foram capazes de sentir.  Pesquisas indicam que muitas mulheres fingem ter atingido o orgasmo como forma de provocar excitação em seus parceiros ou algumas por sentirem dificuldade de chegar ao orgasmo dizem ter chegado ao mesmo como forma de  “concluir” o ato sexual, já que lamentavelmente para muitas pessoas a ato sexual se resume em penetração, ejaculação/orgasmo, portanto, ao atingir este o ato se finda e o prazer também. Como se o prazer e o momento do sexo se limitasse a isso. Fruto da imagem histórica negativa do que o sexo representa para a mulher. Esse quadro assustador não retrata um passado distante. Em pleno século XXI, com toda uma revolução e liberação sexual os números mostram que muitas mulheres ainda trazem marcas profundas da educação sexual patriarcal indicando que grande parte das mulheres tem anorgasmia (falta de orgasmo). Certamente. Como afirmei acima, a intensidade do prazer tem que ser primeira estimulada pela psique. A intensidade da entrega conduz à intensidade do prazer. Salvo, quando esta não possui problemas fisiológicos, que ai devem ser tratados com o auxílio de um(a) ginecologista. A  ativação da libido e especialmente a estimulação do clitóris provoca sensações de prazer, que podem inclusive levar ao orgasmo Mas esta resposta sensorial não depende de sua constituição; e sim condições psicossomáticas da mulher.  Homens e mulheres precisam entender que embora o papel do parceiro seja importante, ou seja, a forma de acariciar, o beijo, as preliminares, não é o homem diretamente que leva uma mulher ao orgasmo. Para que a relação sexual seja uma experiência agradável e prazerosa, faz-se necessário algo que é essencial em toda relação: DIÁLOGO! É importante que homens e mulheres digam aos seus parceiros quais são o pontos mais erógenos do seu corpo. Falar o que você sente, como gostaria que fosse, socializar suas fantasias, sobre as formas que mais gosta de ser acariciada. E isso é mútuo. Outra palavra-chave em toda relação, inclusive na sexual é RECIPROCIDADE. Através do diálogo seu parceiro poderá explorar o que mais te proporciona prazer e vice-versa, sentir e proporcionar prazer é algo como ação-reação.

 Mas para fazer isso, você precisa se conhecer e descobrir quais pontos no seu corpo lhe proporcionam maior prazer.


- E o que seria este orgasmo múltiplo?

Orgasmo Múltiplo é quando o pico de prazer (orgasmos) são contínuos, sequenciais, não havendo intervalos entre um orgasmo e outro, ou seja, mantém-se a excitação e o prazer sem interrupções. Mas há também os múltiplos orgasmos, ou seja, assim como podermos ter um único orgasmo na relação de profunda intensidade, também podemos sentir diversos orgasmos de menor intensidade durante a relação. Ou temos a união dos dois, atingindo o máximo do prazer.  Neste momento é comum percebermos  o aumento súbito  de contrações da vagina pressionando o próprio pênis. Pesquisas comprovam que ter um orgasmo durante a relação sexual já é algo que  maioria das mulheres nunca sentiram, imagine então, um orgasmo múltiplo, eles não são muito frequentes mesmo em mulheres com a potencialidade orgástica.


Sobre o orgasmo temos dois áudio-posts no youtube e no blog, vale a pena conferir:


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

ANORGASMIA FEMININA: uma leitura sócio-histórica-cultural – II Parte


Acompanhe o post completo através do áudio acima!


Bom dia queridos amigos, leitores, ouvintes e seguidores do nosso blog educação e sexualidade,os abraços de hoje vão para alguns dos novos seguidores do nosso blog, entre eles a Rhayanne, Luanny, Antonio Emilio Darmaso Eredia e para a Helena e aos demais seguidores do blog nosso carinho e gratidão.


O post de hoje traz a segunda parte da temática da anorgasmia feminina a partir de uma leitura sócio-histórica-cultural.


[...] A anorgasmia é considerada como primária quando uma pessoa que nunca chegou a experimentar um orgasmo, ou então secundária, quando a pessoa perde a capacidade de ter orgasmos.


Dentre os fatores que levam a tal quadro (isoladamente ou conjuntos), destaca-se especialmente os aspectos que aqui denominamos de psicossociais. Ou seja, fruto de uma sexualidade culturalmente reprimida, envolta de medos, culpas, muitas mulheres desconhecem seu próprio corpo e não criam maior intimidade com seus parceiros, estas inibições sócio-culturais podem interferir na resposta sexual normal. Falsas crendices, falta de orientação sobre sexo e sexualidade, tabus, dogmas, visão negativa sobre a relação afetivo-sexual dos pais, medo de ser abandonada ou engravidar, urinar; experiências traumáticas como estupro ou abuso, dificuldade de concentração durante a relação sexual, falta de intimidade com o próprio, culpa, ansiedade, depressão, tensão corporal, insatisfação corporal, baixa auto-estima, dificuldades do cotidiano, entre outras estão entre as maiores causas da anorgasmia.
O que nos convoca para a urgente necessidade de dedicarmos atenção à estudos e programas que visem a educação afetivo-sexual para todas as faixas etárias. Educadores, pesquisadores e profissionais da saúde, devem estar unidos, atentos e engajados na busca de uma educação afetivo-sexual emancipatória. Pois, mesmo diante de diversas abordagens sobre as dificuldades sexuais, consideramos de modo particular, que a educação sexual pode ser um método importante tanto na prevenção, como no tratamento das mesmas. Como professora de Biologia, educadora sexual e pesquisadora na área de história e da filosofia, temos condições de abordar mais profundamente os aspectos biológicos e sócio-culturais. Porém, pautando em pesquisas já realizadas e em nossa leitura individual consideramos que aspectos sócio-históricos-culturais  levam aos fatores emocionais e psicológicos, aqui denominados de psicossociais.


Considerando a partir de diversos estudos, que os bloqueios emocionais são as principais causas da anorgasmia. E do pressuposto que, estes bloqueios emocionais podem originar-se da educação repressora a que muitas meninas são submetidas desde a infância, por associarem a sexualidade a uma experiência negativa, pecaminosa, feia ou suja, e não como uma experiência associada à afetividade, ao bem-estar, ao prazer, à boniteza, à vida, a sexualidade torna-se uma vivência que gera vergonha dos genitais, dificuldade de tocar-se, de conhecer seu próprio corpo, e o corpo do outro. Isto ainda soma-se ao medo da  “entrega”, de que ela precisa  “controlar-se”, reprimindo seus desejos. O que nos fundamente a afirmar aqui o imperioso papel dos educadores, pois através da educação sexual, podemos desmitificar tabus e contribuirmos para a formação de uma nova consciência sobre a sexualidade, para que, mesmo há longo prazo possamos amenizar o quadro atual. 
Estamos em 2011, pode parecer absurdo,  mas as marcas da educação sexual repressora, machista patriarcal são tão profundas que a maioria das pessoas ainda não conseguiram superá-las. E não estou falando apenas de teoria não, mas da prática, do chão de sala de aula onde atuo, do chão das ruas onde faço as intervenções sociais, dos relatos que ouço nas palestras das escolas com docentes e alunos (pré-adolescente, adolescentes e jovens), da minha atuação como orientadora educacional.Aliás, na vivência da sexualidade vemos uma dualidade extremista, de um lado ainda pessoas marcadas pela repressão e, de outro fruto visão mercantil e consumista do sexo, a exacerbação, o genitalismo e a banalidade. E assim, continuamos nossa luta, por termos consciência do que vivenciamos e visualizamos na sociedade, que embora para alguns pareça um relato de 1960, é o retrato real da sexualidade de muitas mulheres em pleno século XXI. Temos que lutar juntos por uma educação afetivo-sexual emancipatória, crítica, ética, qualitativa, prazerosa e busque o ponto de equilíbrio entre a repressão e a banalização.


Ainda hoje, muitas mulheres têm dificuldade ou incapacidade de chegar ao orgasmo. Mas a maioria finge o que não sentiu, ou falsamente acredita que a relação sexual se resume ao prazer que foram capazes de sentir. Fruto da imagem histórica negativa do que o sexo representa para a mulher, preconeceito de gênero, homem e do mito do amor romântico que ela aprendeu sobre casamento. E como dissemos e lamentamos, esse quadro assustador não retrata um passado distante. Em pleno século XXI, com toda uma revolução e liberação sexual os números mostram que muitas mulheres ainda trazem marcas profundas da educação sexual patriarcal indicando que grande parte das mulheres tem anorgasmia e inclusive algumas sofrem de vaginismo. Mas sobre o vaginismo tratamos em um outro momento.
 Profa. Dra Cláudia Bonfim
Abraços e até nosso próximo post!


REFERÊNCIAS

BASSON, R; SCHULTZ, W. W. Sexual sequelae of general medical disorders. Lancet. 2007. v.369, p.409-424.

ENGELS, F. A Origem da família, da propriedade privada e do Estado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.

MESTON, C. M. (et al). Women’s orgasm. Annu Rev Sex Res. 2004. v.15, p.173-257.
REDELMAN, M. A general look at Female Orgasm and Anorgasmia – Sexual Health.
2006. v. 3, p.143-153.

REICH, W. A função do orgasmo. 15 ed. São Paulo: Brasiliense; 1975.
Saadeh A. Disfunção sexual feminina – conceito, diagnóstico e tratamento. In: Abdo C. H. N. (org.). Sexualidade humana e seus transtornos. 2 ed. São Paulo: Lemos Editorial, 2000. p. 53-68.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Agradecimentos aos visitantes do Blog Educação e Sexualidade

Esse post é apenas para dizer da nossa alegria com as estatísticas do Blog. E agradecer, agradecer e agradecer... São mais de 32.000 MIL visitas em Blog de maio de 2010 a fevereiro de  2011.
Que alegria, honra e satisfação saber que nosso trabalho tem sido acompanhado e respeitado no Brasil e em mais de 20 países do mundo todo. E a cada dia receber novos visitantes, de novos países e estados do Brasil.

Obrigada a todos os meus leitores, ouvintes, seguidores, amigos, alunos, anônimos pelo apreço, carinho e credibilidade para com nosso trabalho. Isso nos motiva cada vez mais a continuar socializando nossas reflexões, ideias, estudos e aprendizados e a continuar buscando cada dia mais o conhecimento científico, a observar sensível e atentamente nossa práxis e a desenvolver nossas palestras, escrever nossos artigos e livros e nossas intervenções sociais.
 Um abraço repleto de carinho e ternura a todos vocês que acompanham esse nosso espaço, que nós é tão precioso, que é minha paixão, e mostra quem sou, meus sonhos, minha luta por uma educação afetivo-sexual emancipatória e minha paixão pela sexualidade humana.
 Com meus agradecimentos de coração,
 Profa. Dra Cláudia Bonfim

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ANORGASMIA FEMININA: uma leitura sócio-histórica-cultural – I Parte

Ouça o post na íntegra através do áudio acima!
Segue abaixo alguns trechos do post.
Boa tarde queridos leitores, seguidores e ouvintes do nosso Blog Educação e Sexualidade, é com muito prazer e alegria que iniciamos o post de hoje mandando um abraço ao nosso amigo Carlos Batista Rodrigues de Campo Largo – PR e a todos vocês que acompanham nosso trabalho. O número de visitas e demonstrações de apreço pela nossa luta por uma educação afetivo-sexual emancipatória tem nos surpreendido e nos motivado cada dia mais a continuar tentando de alguma forma contribuir para que as pessoas possam adquirir consciência ética, qualitativa e crítica da vivência de suas sexualidades, a partir da socialização das leituras e estudos teóricos que fazemos, mas especialmente da nossa observação sensível dos relatos, pesquisas empíricas, da leitura crítica da nossa práxis como docente, pesquisadora e educadora sexual, nas palestras, salas de aula e nas intervenções sociais.
O tema de hoje faz uma abordagem sócio-histórica-cultural da Anorgasmia, e estará dividido em duas parte, vamos ao post...

Estudos científicos demonstram um alto índice de disfunções sexuais, entre as quais está anorgasmia feminina que pode-se definir como a dificuldade em atingir (atraso) ou como a ausência do orgasmo.
E não há como se falar de orgasmo ou de falta dele, sem referirmo-nos a Reich, cuja importante contribuição,  revolucionou a Psicologia e posteriores estudos sobre a sexualidade humana, provando que a neurose é produzida socialmente, instalando-se em todo o corpo e não apenas na mente das pessoas através do conceito de couraça neuro-muscular do caráter, mostrando como a neurose se dá através da estagnação da energia vital. Em seu livro "A Função do Orgasmo", Reich aponta que, o orgasmo sexual pleno e satisfatório é o regulador biológico da harmonia vital. E afirma que, as neuroses são provocadas pelo desvio da originalidade das pessoas, através de bloqueios à sexualidade e à afetividade, associando estas ao indivíduo, seu corpo, mas também, às suas relações sociais, caracterizando-se portanto, como um fenômeno sócio-político.

Acreditamos que mesmo que os estudos de Reich possam divergir em muitas questões de uma leitura marxista da sexualidade, nos ajudam de certa forma, a compreender dialeticamente a mesma, quando Reich aponta o fato de que a família e a procriação obscureceram desde o início a função do prazer biológico.
Importante lembrar que a  idéia da libertação da mulher originou-se no chão fértil do da luta socialista, entre o final do século XIX e início do século XX.  As raízes desta luta estão nos escritos de Marx e Engels mostrando a visão da família, da mulher proletária e da burguesa. Como afirmou Marx: “a opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem”. Consideramos que "A Origem da Família, da Propriedade e do Estado", de Engels, como a base socialista sobre a necessidade da libertação da mulher proletária.
Bem, por hoje é só no próximo post daremos continuidade à esta temática , com a segunda parte deste post, onde abordaremos sobre a resposta orgástica, as causas sócio-histórico-culturais da anorgasmia e a importância da educação sexual para amenizar a problemática.
Abraços, até lá!
REFERÊNCIAS
 BASSON, R; SCHULTZ, W. W. Sexual sequelae of general medical disorders. Lancet. 2007. v.369, p.409-424.
ENGELS, F. A Origem da família, da propriedade privada e do Estado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974.
REDELMAN, M. A general look at Female Orgasm and Anorgasmia – Sexual Health.
2006. v. 3, p.143-153.
          REICH, W. A função do orgasmo. 15 ed. São Paulo: Brasiliense; 1975.
SAADEH, A. Disfunção sexual feminina – conceito, diagnóstico e tratamento. In: ABDO, C. H. N. (org.). Sexualidade humana e seus transtornos. 2 ed. São Paulo: Lemos Editorial, 2000. p. 53-68. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tamanho do Clitóris X Orgasmo Feminino?



Vamos ao post que está aqui e  no youtube também na versão em  áudio, ou se preferir leia abaixo!

Para ver o post na íntegra veja o vídeo acima!
Alguma de vocês leitoras do nosso blog já se preocupou com o tamanho do clitóris?
Bem, inicialmente devemos esclarecer que o clitóris é, na anatomia, o nome que se dá ao órgão alongado e erétil, localizado na parte superior da vulva. Similar ao pênis, mas não possui a divisão distal que este apresenta para a uretra e tem função exclusivamente no prazer sexual. O clitóris é uma zona erógena essencial e parte integrante do aparelho sexual feminino. Sua  ativação, provoca sensações de prazer, que podem inclusive levar ao orgasmo Mas esta resposta sensorial não depende de sua constituição; e sim condições psicossomáticas da mulher.
 Homens e mulheres precisam entender que embora o papel do parceiro seja importante, ou seja, a forma de acariciar, o beijo, as preliminares, não é o homem diretamente que leva uma mulher ao orgasmo.  Bem, para continuarmos a esclarecer sobre isso vamos ao quesito tamanho.
 Primeiro já afirmei e volto a afirmar, que nosso maior órgão sexual é a mente (psiqué), para que uma mulher atinja o orgasmo ela precisa despir não apenas seu corpo, mas sua alma, de culpas, problemas, dogmas, medo, tabus e entregar-se plena, inteira e intensamente àquele momento supremo de amor e prazer. E realmente podemos afirmar que o tamanho seja do pênis ou do clitóris não está ligado necessariamente com a possibilidade de se atingir o orgasmo nem com a quantidade de orgasmos que uma pessoa possa ter, assim como tamanho do pênis não tem nada a ver com o prazer que o homem sente.
 O importante é a FUNCIONALIDADE, que significa a capacidade e a disposição mental e corporal em receber e transmitir estímulos nervosos. No mais temos que esclarecer, que o orgasmo não se dá apenas pela penetração, como muitas pessoas e especialmente homens ainda pensam, na verdade a maioria das mulheres só conseguem atingir o orgasmo pelo estímulo do clitóris, e não pela penetração (vaginal), por isso são denominados de orgasmos clitoriano ou vaginal. Porém, hoje já se sabe que o orgasmo independe da região que o desencadeia, podendo ser provocado pelo estímulo de qualquer zona erógena do corpo, como também através do prazer anal ou oral. Mas conhecer seu corpo é fundamental, por isso, sempre digo às mulheres que olhem não apenas seu corpo no espelho, mas também sua vagina, ainda hoje há mulheres que se dizem esclarecidas sexualmente, mas sequer conhecem sua genitália, e que ainda acreditam até que a urina saia pelo mesmo canal da menstruação. Tocar-se é tão fundamental quanto tocar o outro, conhecer seu corpo é tão fundamental quanto conhecer o corpo do parceiro(a). E chega dessa história que masturbação é coisa de homem, que só a eles é permitido tocar-se e ser fonte geradora do próprio prazer. 
Lhes digo: se solte, se permita, se entregue! Nosso Ponto G principal é a mente, a psiquê, esse é nosso maior e melhor órgão sexual, sem o qual não se sente tesão, desejo, excitação, prazer, orgasmo. Sem essa entrega a fricção não funciona como estímulo, você se contrai, se nega. Depois da mente estimulada, ai sim, o clitoris realmente é importante para o orgasmo feminino, pois pesquisas já apontaram que a maioria das mulheres tem orgasmo clitoriano e não orgasmo vaginal.O orgasmo vaginal é uma raridade. Embora nosso corpo todo seja erótico, se uma mulher não conseguir despir-se inteiramente não apenas corpo, mas alma, entrega plena, despir-se dos dogmas, medos, culpas, nada funciona. Primeiro você precisa se entregar, deixar sua Psiquê completamente livre de qualquer pensamento negativo, fantasias, segundo você precisa se conhecer, se tocar ou permitir que te toquem, ou dificilmente conseguirá entender sobre o que estou tentando explicar. É denominado de Ponto G ou Ponto de Gräfenberg, uma pequena zona genital das mulheres que se localiza atrás do osso púbico, onde se encontram uma série de terminações nervosas, com corpo esponjosos vasos sanguíneos, além de glândulas ligadas clitóris que ao que ao ser estimulado adequamente (depois da estimulação da mente, da psiquê) pode nos proporcionar o orgasmo ou a "ejaculação feminina". Nós mulheres também ter o direito ao Gozo pleno, sozinha ou acompanhada. Permita-se! Garanta seu direito ao prazer!
Isso nos leva a pensar sobre Anorgasmia? Que é o que vamos esclarecer em nosso próximo post.  Abraços e até lá!

domingo, 16 de janeiro de 2011

ORGASMO FEMININO: você se conhece intimamente?

 
Veja o vídeo acima e ouça na íntegra esse post!
Bom dia queridos leitores, ouvintes e seguidores do nosso Blog Educação e Sexualidade eu Prof. Dra. Cláudia Bonfim vou começar enviando com muita alegria meus abraços à Luzia de Belo Horizonte-MG, à Bruna e ao Fábio que me enviaram emails carinhosos e pedindo esclarecimento de algumas dúvidas relacionadas à sexualidade. Obrigada, participem sempre, é muito bom ver que a cada semana novas pessoas tem manifestado seja no blog, seja no email, seja em outras redes sociais seu apreço, credibilidade e carinho para com nossos trabalhos.
 Continuando a série de posts ainda versando sobre a temática da sexualidade feminina, vamos ao tema de hoje que tratará do Orgasmo Feminino e lança à vocês uma pergunta: Você se conhece intimamente? 
 Para que a relação sexual seja uma experiência agradável e prazerosa, faz-se necessário algo que é essencial em toda relação: DIÁLOGO! É importante que homens e mulheres digam aos seus parceiros quais são o pontos mais erógenos do seu corpo. Falar o que você sente, como gostaria que fosse, socializar suas fantasias, sobre as formas que mais gosta de ser acariciada. E isso é mútuo. Outra palavra-chave em toda relação, inclusive na sexual é RECIPROCIDADE. Através dos diálogo seu parceiro poderá explorar o que mais te proporciona prazer e vice-versa, sentir e proporcionar prazer é algo como ação-reação.
 Mas para fazer isso, você precisa se conhecer e descobrir quais pontos no seu corpo lhe proporcionam maior prazer. Já abordamos sobre o tema da masturbação aqui e apontamos que descobrir e entender nosso corpo é algo essencial pode que possamos sentir e proporcionar prazer. Porém, fruto de uma educação sexual repressora muitas mulheres nunca se permitiram ou dizem não sentir vontade ou não gostar  de acariciar-se por que  não se sentem bem.
 Historicamente, a relação sexual tinha como objetivo a satisfação masculina. Ainda hoje, mesmo após muitos tabus sexuais terem sido superados, muitas mulheres ainda não conseguem se entregar de maneira plena. Culturalmente há diversas questões que ainda perduram desde mitos e pré-conceitos equivocados sobre o orgasmo, assim como sobre sexualidade de maneira geral, onde a esposa era a procriadora, e tinha um papel sexual meramente reprodutivo na relação, especialmente dentro do casamento, onde a mesma não poderia demonstrar desejo, tesão, prazer na relação.
 Sentir orgasmo também é um aprendizado. Para alguns esse aprendizado se dá de forma natural, para outros se dá pela busca, pela superação de alguma disfunção.
 Diversos são os fatores ou causas que podem impedir que uma mulher atinja o ápice do seu prazer. Muitas mulheres trazem consigo traumas, culpas, medos,  especialmente aquelas que foram vítimas de violência e ou abuso sexual na infância, ou tiveram uma educação sexual repressora, o medo de engravidar, experiências de dor durante a relação sexual, a falta de intimidade com o parceiro, assim como a falta de conhecimento do próprio corpo, o estresse e a rotina no relacionamento. há também aquelas pessoas que ou exigem muito de si mesma, ou possuem uma baixa auto-estima, bloqueando o prazer sexual e causando uma anorgasmia.
          Anorgasmia? Sim, é esse o nome, mas  isso já é tema para o próximo post. Abraços e até lá!

sábado, 11 de dezembro de 2010

POLUÇÃO NOTURNA



 A Polução Noturna é uma ejaculação involuntária que acontece durante o sono, resultando de uma excitação física genital. Se os homens tiverem sonhos eróticos no período do sono, normalmente isso pode acontecer. É importante dizermos, que a polução noturna é saudável e que ocorre em todas as idades, sendo mais comum dos 12 aos 20 anos, exatamente por ser uma fase onde ainda o adolescente ou jovem ainda é inexperiente sexualmente e com sua energia sexual reprimida ou até mesmo insatisfatoriamente resolvida. Por ser mais comum na puberdade e adolescência, pode-se dizer que esta possa significar o início da maturação e do exercício da sexualidade. Sendo que após o início da vida sexualmente ativa, a tendência é que a polução noturna diminua, até cessar. Porém, devemos ressaltar que isto pode ocorrer também com adultos que possuem uma vida sexual saudável e regular.
E por que ela ocorre?
Bem, a polução noturna é simplesmente uma forma do organismo eliminar o excesso de sêmen produzido que vai se acumulando, por isso a menor freqüência naqueles que se masturbam ou mantêm relações sexuais.
Alguns a denominam de sonho erótico, exatamente pelo fato da excitação que provoca a polução noturna, advir de sonhos eróticos, sendo parte natural da sexualidade, pois durante os sonhos o corpo se excita, o pênis fica ereto sendo então normal que possa ocorrer a ejaculação e orgasmo, também é comum a pessoa acordar logo após a ejaculação ou, antes dela,  nesse caso, a pessoa acorda excitada.
Quem nunca teve um sonho erótico? 
Além de saudáveis, eles são uma experiência sexualmente prazerosa e podem inclusive em alguns casos, estimular nossas fantasias. 
Talvez a maior dificuldade que adolescentes e adultos seja responder caso alguém pergunte, o que ou com quem se sonhou, os adolescentes dependendo da forma como os pais lidam com a sexualidade sentem-se especialmente envergonhados com a mancha de sêmen na roupa ou lençóis. Quantas vezes já ouvi amigas minhas dizendo indignadas que o filho delas ejaculava na cama, por pura falta de esclarecimento reprimiam e deixavam os filhos constrangidos.
Ai vocês podem me perguntar se a polução noturna seria uma ocorrência apenas masculina?
Como já explicamos, a  polução noturna é a excitação durante o sono geralmente acompanhada de ejaculação, não temos teoricamente a denominada polução feminina, mas por outro lado, os sintomas femininos são os mesmos de uma polução noturna masculina, ou seja, nós mulheres, também temos sonhos eróticos e devido à excitação sexual há uma lubrificação vaginal e inclusive pode-se chegar a sensação do orgasmo. E são experimentações mais freqüentes na adolescência, porém normais em qualquer período da vida, pois, são a manifestação natural da nossa sexualidade.
Para finalizar, é importante dizer que, tanto a ocorrência, como a não ocorrência da polução noturna são normais, ou seja, ter ou não ter polução noturna, é natural e vai depender de cada pessoa. A polução noturna assim como masturbação, especialmente no início da puberdade onde surge uma curiosidade perfeitamente natural a respeito do sexo. Onde após uma ereção do pênis, o adolescente manipula-o, não é incorreto, nem pecaminoso. Se dá pela curiosidade, e claro, também pela própria satisfação, à partir do desenvolvimento natural da sexualidade.Trata-se da necessidade do conhecimento do seu próprio corpo, da busca da compreensão do desenvolvimento físico normal a todo ser humano, que, de vez em quando, repete a experiência, por ser prazerosa. O que deveria ser considerado anormal é uma desconhecer seu próprio corpo e as manifestações do desenvolvimento da sua sexualidade, sejam estas subjetivas (emocionais, afetivas, psicológicas) ou físicas (desenvolvimento corporal, excitação, ereção, ejaculação, lubrificação, orgasmo). Portanto, não há motivo para sentimentos negativos, de culpa ou auto-condenação.
Finalizamos por hoje, no próximo post vamos retomar um  tema  já abordado aqui no blog: quando podemos dizer que uma fantasia erótica é saudável, normal? Abraços e até lá! Te espero sempre aqui nosso Blog Educação e Sexualidade.

Abraços,

Profa. Dra Cláudia Bonfim

sábado, 20 de novembro de 2010

SEXUALIDADE E MASTURBAÇÃO



Etimologicamente, Masturbação já surge como um ato feio, sujo. A palavra foi citada pela primeira vez pelo poeta Marcial no século I d.C., já com origem semântica depreciativa derivando-se de “manu” e “stuprarere”, ou seja, “sujar com as mãos”.
A masturbação é uma prática sexual que costuma efetuar-se com as mãos, como também esfregar os genitais contra algum objeto. Nos dias de hoje é comum o uso dos chamados "brinquedos sexuais" ou eróticos, para excitar-se. 
A masturbação é algo saudável  e deve ser encarada com tranquilidade pelos pais, que devem conversar individualmente com seus filhos explicando que a masturbação é um momento extremamente íntimo, que, portanto, diz respeito tão somente ao adolescente, o que significa que há espaços adequados e restritos para que ela ocorra.  Não devemos reprimir, apenas orientar, pois este é um dos fatores culturais que fazem tanto os adolescentes, quanto algumas pessoas adultas ainda sentirem culpa pela masturbação.
Como apontamos com Freud, desde a primeira infância, podemos observar ereções penianas do bebê especialmente quando a mãe vai trocá-lo. Em torno dos três ou quatro anos de idade a criança começa curiosamente a manipular suas genitálias. A brincadeira de cavalinho, entre outras é uma forma da criança inconscientemente buscar o prazer e "masturbar-se". Porém, devemos esclarecer que nesta idade o mais correto é dizer que a criança manipula-se, pois a masturbação é um ato consciente com o objetivo de obter prazer, já a manipulação é um ato natural, de conhecimento de si, de curiosidade e de um prazer sem caráter erótico. Já na puberdade e na adolescência é comum a manipulação direta das genitálias, assim como roçar o pênis ou o clitóris, já com vistas ao prazer, podendo denominar-se masturbação.
Freud foi quem primeiro afirmou ser a masturbação  algo comum na infância e na adolescência, como parte do desenvolvimento sexual, porém temos que discordar pela primeira vez do mesmo teórico que dentro da psicanálise, então apontava ser uma causa de neurose na fase adulta. 
Penso que para entendermos as neuroses, assim como a sexualidade na sua totalidade temos que integrar diversas áreas de estudos desde a Biologia, a psicologia, a antropologia, entre outras. 
Como já apontamos, a criança se "masturba" ou  se manipula, num primeiro momento na busca de um prazer de maneira inconsciente e melhor dizendo acidental, o esbarrar a genitália em algum objeto, nas brincandeiras como já apontamos, ou no esbarrar-se no corpo do outro, assim como segurar o “pipi”, entre outros. Na adolescência, quanto mais eles se isolam do mundo e do contato interpessoal com o outro, a masturbação se intensifica. Não há do ponto de vista científico um número exato que determine o limite entre masturbação normal ou excessiva, obsessiva. Porém, esta deve fluir de maneira natural, transitória e sem culpas.
Havelock Ellis, foi outro teórico que não apenas afirmou ser a masturbação  era comum nos homens, como também se tratava de uma prática habitual nas mulheres de todas as idades.

Historicamente o ato ou a fantasia da Masturbação sempre esteve  ligada à inúmeros tabus e considerada pecaminosa. Interessante apontar que a  masturbação já foi considerada pecamisa pela igreja que considerava um desperdício de sêmen (espermatozóides), pelo fato da religião entender o ato sexual com função reprodutiva, ou seja, gerar filhos.
A masturbação é uma forma de exercitar a fantasia erótica, isso para ambos os sexos, pois, é nosso momento mais íntimo, conosco mesmo, em que podemos e devemos liberar nossas fantasias. Durante a masturbação, grande parte das mulheres costumam fantasiar o seu próprio companheiro como objeto sexual e para nossa alegria ou espanto, os homens também nos envolvem em suas fantasias nesse momento, ainda que, de maneira diferenciada. Porém, sabemos que grande parte (especialmente das mulheres) sentem dificuldade ou não se permitem reconhecer seu próprio corpo, tocar-seç não conhecem a si mesmas, não se aceitam e nem se permitem sentir o prazer em sua plenitude, fruto da sexualidade histórica-cultural e socialmente construída.
Consideramos que  o autoconhecimento não é crime, nem pecado. Precisamos nos conhecer enquanto homens ou mulheres, em todos os sentidos. Inclusive, a nossa sexualidade. Se permitam ter essa experiência, não permitam regras falsamente moralistas que lhes violentem o direito de serem felizes.  Não estou defendendo uma sociedade banal, muito menos uma sexualidade falsamente hedonista, muito pelo contrário, lutamos por um educação afetivo-sexual, por uma humanização da sexualidade, por um vivência ética, saudável e qualitativa, pelo direito que temos de vivenciar o amor em sua forma mais sublime, através da troca de carinho, cumplicidade, comunhão do prazer, do ato que faz com que duas pessoas se sintam uma só, mas,  sem medos, culpas  ou  tabus sufocando, esse momento de celebração da vida.
Muitas pessoas se masturbam apenas para descarregar as tensões do cotidiano, porém embora realmente ela alivie nossas tensões, não deve ser encarada apenas deste ponto de vista, e sim com um momento de auto-erotismo, de auto-conhecimento, de exercício da criatividade erótica, de fonte de prazer.
A masturbacão, tanto a masculina como feminina, é a estimulação dos órgãos genitais com o objetivo de obter prazer sexual, podendo chegar ou não ao orgasmo, e geralmente diz respeito ao ato de tocar-se ou para a estimulação realizada sobre os genitais de outra pessoa.
Bem este post foi apenas para aguçar sua curiosidade  sobre este tema, que é um dos assuntos mais polêmicos e ocultos da sexualidade, no próximo post vamos falar especificamente da masturbação feminina e, posteriormente, masturbação masculina e  sobre os tabus e mitos que envolvem a masturbação desde os tempos mais remotos.
Abraços e até lá!


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