terça-feira, 5 de outubro de 2010

Desenvolvimento Psicossexual da Criança - Fase Oral


Olá meus queridos leitores, seguidores e ouvintes do nosso Blog Educação e Sexualidade, eu Profa. Dra Cláudia Bonfim estou de volta ao nosso prazeroso espaço de encontro e reflexões. O abraço de hoje para dois leitores assíduos do nosso Blog o Leonardo Pompermayer da Editora Abril de São Paulo que inclusive reivindicou ser lembrado aqui no Blog, Léo um grande abraço para você; e o outro abraço vai para a minha querida aluna Josielli Poliani Ramalho, do 6º. período de Pedagogia da Faculdade Dom Bosco que ontem na aula me declarou que acompanha na íntegra todos os nossos posts e adora o blog, Josi um beijo e obrigada pelo carinho e credibilidade, isso nos motiva a continuar socializando nossos aprendizados e reflexões.
No post de hoje vamos iniciar uma série de artigos que fundamentados em Freud irão explicitar estas fases de desenvolvimento da criança para que possamos compreender  o processo de desenvolvimento psicossexual.
Considerando que as experiências sócio-afetivas-sexuais que visualizamos e vivenciamos desde que nascemos são fundamentais no desenvolvimento e na forma como iremos estabelecer nossas relações afetivo-sexuais na fase adulta, por serem um processo de construção que não se dá separadamente, mas continuamente, faz-se nessário a compreensão de como se dá a sexualidade desde a infância para que possamos enriquecer estas experiências e contribuir para uma vivência saudável e qualitativa da sexualidade.
Em  relação ao desenvolvimento psicossexual da criança, Freud estabeleceu cinco fases diferenciadas pelos órgãos e objetos pelos quais a criança sente prazer.. Sem mais delongas, vamos ao post que hoje ir á abordar mais detalhadamente a Fase Oral (0 a 18 meses)

Nesta fase a criança tem a boca como fonte de prazer, sugar o seio da mãe, os dedos, a chupeta, se alimentar. O seio é o primeiro objeto de ligação afetiva infantil e constitui, inicialmente, parte do objeto de desejo, sendo a mãe o objeto total. Neste momento, a libido está organizada em torno da zona oral. Nesta fase, a necessidade e prazer concentram-se predominantemente em torno dos lábios, língua e, posteriormente, nos dentes. Esta pulsão não é social ou interpessoal, mas é uma necessidade de alimentar-se para satisfazer a fome e sede, reduzindo uma tensão. No entanto, neste momento em que a criança recebe o alimento, recebe também, o afago, o toque, o carinho, o conforto, é aninhada, acalentada no colo da mãe. Mesmo inconscientemente a criança associa prazer e redução da tensão ao processo de alimentação.
 A boca se caracteriza então como a primeira área do corpo onde o bebê concentra sua libido, e que o bebê pode controlar. Conforme a criança vai crescendo, e outras áreas do corpo vão se desenvolvendo, estas também passam a ser importantes regiões de prazer e satisfação. Embora a boca não seja mais o foco de gratificação, os prazeres orais podem normalmente ser mantidos: comer, chupar, morder, lamber ou beijar são expressões físicas prazerosas que as pessoas continuam a manter satisfação.
Importante dizer que, algumas pessoas acabam mantendo o foco de prazer na boca, ou seja, o prazer oral neste caso se estende para a vida toda, em alguns casos isso pode ser considerado patológico, como o caso de pessoas que fumam, que mordem constantemente os lábios, chupam o dedo, que comem em demasia, já que essas são formas que algumas pessoas utilizam-se para aliviar suas tensões, ou seja, continuam a centralizar no prazer oral. Estas pessoas podem trazer consigo uma fixação pelo prazer oral por não terem atingido a maturidade psicológica para a superação desta fase por motivos diversos, como sarcasmo de um adulto, o arrancarem-lhe o alimento da boca, ou de outra pessoa na sua frente, pois esses são fatores que podem impedir que o desenvolvimento da fase oral tenha se completado. E esse processo geralmente se dá junto com o final da amamentação, embora este processo seja inconsciente, o ego começa a se estruturar a partir dessa superação.
 A segunda etapa surge com a dentição, chamada oral canibalística, na qual a criança morde o seio, caracterizando-se pelo surgimento da agressividade. É o momento em que o bebê vivencia frustração, angústia, dor, ansiedade e impotência: sensações e sentimentos necessários para o seu amadurecimento.
Importante esclarecermos que, o fato de nesta fase a sua forma de descoberta do mundo se dar especialmente através do contato oral, é o que torna comum nas escolas de educação infantil, especialmente no maternal, crianças em torno de dois anos de idade, morderem outras.
A fase oral pode se dá através da sucção e da mordida. A fase da mordida é quando a criança tende morder, destruir e até mesmo triturar um objeto antes de incorporá-lo.

A fase da mordida envolve duas características centrais, uma denominada de oral receptiva, que ocorre quando a criança não passa por privações, seja de atenção, carinho, amamentação, alimento, entre outras questões, o que contribui para a criança se torne ua pessoa afetiva, generosa.
Há crianças que desenvolvem uma fase denominada oral agressiva. Quando a criança tende a ter sentimentos negativos, de raiva, destruição, ciúmes, insatisfação com o que tem e passa a desejar que os outros também  não tenham as mesmas coisas, ainda que não as queira para si. E essas características podem acompanhar uma pessoa para a vida toda, é como se como se a pessoa quisesse se vingar das privações, insatisfações e frustrações que esse período lhe provocou.
Como a libido nesta fase se concentra na boca, a mordida para a criança representa uma maneira prazerosa de interagir com o mundo, de se descobrir parte deste mundo. Ao morder um amigo a criança vai descobrindo outras sensações de prazer, ao observarem o choro do outro, o medo, o susto, o que pode levar a criança a repetir isso, se não forem estabelecidos limites e ela não for orientada adequadamente.
É comum presenciarmos pais, tios que brincam com as crianças, como forma de carinho, através de suaves mordidas. Nestes casos devemos orientar que embora isso não seja uma atitude errônea, pode fazer com a criança reproduza as mordidas em outras, mas como elas ainda não possuem o controle da força da mandíbula acabam por machucar outras crianças.  Por isso, faz-se necessário a conscientização de que muitas vezes, inconscientemente as famílias através de algumas atitudes mesmo com intenções positivas causam comportamentos agressivos nas crianças, que ainda não aprenderam a dominar seus impulsos, nem discernir o certo do errado.
Como educadora e como mãe, sabemos que ter um filho mordido na escola ou ter um filho que morde outra criança, são ambas situações desagradáveis, para ambos os pais, quanto as crianças. A criança que mordeu o amigo, se sente mal, envergonhada,  e depois chora; a criança mordida também chora, os pais da criança agredida se chateiam em ver a criança machucada, o que inclusive pode até gerar um sentimento de culpa por ter que deixar o filho na escola, e ao educador também é uma difícil situação de desconforto, a quem cabe amenizar o acontecimento. Por isso, ressaltamos a necessidade de se estabelecer limites, no sentido de mostrar para a criança que não devemos sentir prazer em machucar alguém, temos que tratar as pessoas com respeito e carinho. Aos poucos, as crianças vão se desenvolvendo e descobrindo outras formas de sentir prazer..
A vida, assim como a sexualidade está intrinsecamente ligada ao prazer. Desde que nascemos necessitamos sentir prazer, senão nos deprimimos, adoecemos e gostar de viver. E a forma como podemos sentir prazer pela e vida é nos descobrindo e utilizando os prazeres que já existem em nosso próprio corpo, além de outros.
Como apontam Nunes e Silva ( 2000, p.52) apontam:
Reprimir a sexualidade da criança é reprimir seu corpo, que se constitui na base real do seu próprio ser, sua relação consigo mesma e sua personalidade. Porque afinal, não existe uma separação entre sexualidade infantil e sexualidade adulta. Existe sim uma ligação única e uma continuidade entre elas, ou seja, são inseparáveis e conseqüentes.
 
Para que possamos orientar e ajudar nossos filhos, alunos e a nós mesmos a lidar com a própria sexualidade é imprescindível compreender como apontou Freud as fases do desenvolvimento psicossexual. Por hoje é só, no próximo post continuaremos esclarecendo as fases de desenvolvimento psicossexual da criança segundo Freud, abordando a Fase Anal.
Abraços e até lá!

7 comentários:

  1. Oi professora, muito obrigado pelo carinho, PARABENS seu blog é um sucesso. um beijo

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  2. Caríssima Doutora.
    Esse canal de informações sem dúvida é de suma importância diante das aspirações e anseios de uma sociedade que ainda não tem hábito de leitura. O audio neste blog sem dúvida auxilia na compreensão to tema abordado.
    Eu sou pai recentemente, e muitos hábitos de minha filha eu sempre questionava. Diante da explicação fundamentada neste post, agora entendo reações fisiológicas e o seu sentido amplo. Gostei muito da matéria.
    Parabéns!!!!
    Neilor

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  3. Ola Cláudia, parabéns pela matéria!!! e muito obrigada pelo gesto carinhoso, beijo grande!!!

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  4. Ola!Gostei muito do seu blog, as informações contidas nele e fundamental você esta de parabéns vou visitá-lo sempre. O meu é voltado para educação infantil. Eu estava lendo as questões relacionadas sobre sexualidade em seu blog. Adorei.
    SUCESSO

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  5. Obrigada pelo post
    Explica bem o tema.
    Sucesso
    :)

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  6. Encontrei um paraíso de informações, bem repassadas e explicadas......MEUS PARABÉNS DOUTORA!!! EXCELENTE TRABALHO

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