Já falamos em outros posts no blog sobre a questão da nudez, mas mesmo num mundo onde o corpo e o despir-se anda tão banalizado, ainda consideramos que desnudar-se para alguém é um dos atos mais íntimos e belos, quando ultrapassa o ato de tirar de roupa e ganha um sentido pleno e inesquecível.
Lembre-se do que dizia Platão "Eros esse Deus poderoso diz mais respeito à alma que ao corpo". E Adélia Prado afirmou: "erótica é alma"! Um mero corpo nu é prazer de momento. Mas corpo e alma nus é que torna inesquecível e infinito esse ato tão belo. Desnudar-se agrega prazer e sentimento. Porque Eros não é apenas um corpo nu, mas esse completo desnudamento.Quando nos despimos amorosamente retiramos o peso da hipocrisia, do pseudo moralismo social, que nos segue porta afora.
Acompanhe o post na íntegra clicando no áudio post abaixo.
Nossa luta é pela defesa de uma educação afetivo-sexual crítica e emancipatória. Que para além dos aspectos biológicos leve a compreensão da sexualidade em todas as suas dimensões (corpo, mente, psique). Se as pessoas compreendessem que a sexualidade, que é desenvolvimento e relacionamento humano (afetivo e sexual) seriam mais felizes, teriam uma melhor consciência corporal, teriam autoestima, se relacionariam melhor consigo e com os outros. Teriam maior responsabilidade corporal e afetiva. Há ainda que se entender a importância do erotismo que é plenamente necessário para cultivar o prazer sexual e a diferença de erotismo e pornografia. Precisamos avançar da repressão sexual para uma vivência qualitativa, prazerosa e saudável da sexualidade. Porém, muitos passam da sexualidade reprimida a uma sexualidade exacerbada. Tanto o afeto quanto o ato sexual tem sido banalizado, o sexo consumido como produto, o outro apenas visto como um corpo (objeto sexual). As relações sexuais são entre seres humanos e não animais, portanto, uma sexualidade meramente instintiva, perde seu caráter humano (que é o que faz com o que sexo além de ser sentido ganhe sentido (significado pleno). Vivemos numa sociedade de pessoas depressivas e carentes (não de sexo) porque este está por ai de graça e à venda (quantitativo e instintivo). As pessoas estão carentes de afeto.Se as pessoas se conscientizassem da importância da educação afetivo-sexual desde a infância certamente o mundo seria melhor, e conseguiríamos diminuir esse quadro de violência sexual de todas ordens: pedofilia, violência contra a mulher, discriminação sexual, de preconceitos (e alerto quanto mais se classifica, quanto mais se formam grupos estanques, mais se segrega). Mais do que pensar em diversidade sexual, TEMOS QUE DEFENDER A DIVERSIDADE HUMANA! Nossa luta deve ser por um mundo ONDE TODAS AS PESSOAS SEJAM RESPEITADAS não pela sua cor, sua religião, sua raça, sua etnia, sua orientação sexual, sua condição física, social ou cultural, mas pelo simples fato de serem HUMANAS, de possuírem vida e de necessitarem amar e serem amadas. "
Não é apenas de uma educação sexual médico-biologista que se desenvolve a consciência crítica. A educação sexual precisa ir além da prevenção de DST´s e Aids, abordar esta questão é importante, mas apenas esta abordagem é insuficiente. para a formação de consciência das pessoas sobre a vivência prazerosa, responsável, afetiva e qualitativa da sexualidade. Temos que abordar a sexualidade em seus múltiplos aspectos, neste sentido continuamos na luta por uma educação afetivo-sexual crítica e emancipatória!
Em outubro de 1987, na Assembléia Mundial de Saúde, apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi instituida a data de 1º de dezembro como O Dia Mundial de Luta Contra a Aids . E foi a partir de 1988, que o Ministério da Saúde, decretou a comemoração desse dia no Brasil.
É um dia voltado ao combate da doença com o objetivo de despertar nas pessoas a consciência da necessidade da prevenção, buscando reforçar a compreensão, a tolerância e o respeito às pessoas infectadas.
Segundo o Boletim Epidemiológico da Aids e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), divulgado em novembro de 2009, foram registrados índices alarmantes na faixa etária de 13 a 16 anos de idade.
Nós que atuamos como educadores sexuais nas escolas sabemos que, muito dos jovens raramente usam preservativo na primeira relação sexual e continuam não usando depois. Alguns usam no início dos relacionamentos, mas quando o relacionamento fica estável, o uso da camisinha é deixado de lado. Por isso, sempre digo não basta ensinar a usar preservativo, não basta distribuir camisinhas, não é suficiente apenas a veiculação nas emissoras de televisão e rádio, sobre as formas de contágio da doença e os cuidados para a prevenção. Essas são medidas também necessárias, mas insuficientes e, embora ajudem são paliativas. Novamente alerto: É URGENTE desenvolver um programa de educação sexual contínuo de CONSCIENTIZAÇÃO dos jovens e de toda população sobre como viver uma sexualidade saudável, qualitativa, ética, afetiva e prazerosa e não apenas no aspecto de prevenção de DSTs e AIDS. Precisamos de um programa de educação sexual emancipatória que busque superar essa visão reducionista, quantitativa, genitalista, meramente hedonista e mercantilista da sexualidade. Nesse sentido creio que devemos aqui agradecer ao Ministério de Educação e Cultura (MEC) desde dezembro de 2009 está apoiando integralmente o GEPES – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sexualidade na realização de suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Grupo criado por esta Pesquisadora da UNICAMP, e docente da Faculdade Dom Bosco de Cornélio Procópio, tendo seu projeto avaliado e aprovado pelo MEC, ficando em 2o. lugar no Brasil, ou seja, sendo considerado após avaliação como o 2o. melhor projeto avaliado pelo MEC entre todas as Faculdades e Universidades Particulares do Brasil, projeto que foi elaborado na busca de promover a formação e a conscientização sobre a vivência e compreensão da sexualidade em sua totalidade, fundamentos no esclarecimento crítico da historicidade e cientificidade da sexualidade humana, a partir da leitura e apropriação crítica dos clássicos como Freud, Foucault, Marcuse, Reich, entre outros, através de pesquisas científicas teóricas e de campo e da socialização destes aprendizados com a comunidade acadêmica e com a sociedade, buscando fomentar o debate e a produção do conhecimento científico sobre a sexualidade humana, a diversidade sexual, a saúde sexual, os preconceitos de gênero e os direitos sexuais.
Que ícones da música brasileira como Cazuza e Renato Russo, com suas letras críticas, analíticas e poéticas e suas formas de viver a vida e sua sexualidade nos sirva de exemplo e de alerta, podemos sim, viver nossa sexualidade de maneira livre e natural, mas sempre pautados na responsabilidade que devemos ter, antes de mais nada, com a nossa própria vida, com a nossa saúde.
Cuidar do próprio corpo e respeitar seus limites é uma forma amorosa de vivermos a nossa sexualidade, nenhum prazer momentâneo poder ser maior do que o nosso prazer de viver. Amor implica em cuidado e respeito consigo mesmo e com o outro.
A grande questão é que nós não entendemos sobre liberdade, confundimos liberdade com liberalidade exacerbada, saímos da repressão sexual para a exacerbação, para a mercantilização, para a banalização.
Não conseguimos ainda encontrar o equilíbrio da sexualidade. Ou seja, ainda não aprendemos sobre como viver nossa sexualidade de fato de maneira plena, porque liberdade implica em escolha consciente, responsável e amorosa.
Saímos de um extremo ao outro, nos perdemos no caminho, mas o bom é que a vida nos permite sempre recomeçar, porque história não é fatalidade, mas possibilidade. Por isso, minha luta pela educação sexual emancipatória, para que possamos viver nossa sexualidade com naturalidade, de maneira intensa, bonita e com a verdadeira liberdade.
VAMOS JUNTOS NA LUTA POR UMA EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL EMANCIPATÓRIA, PELA FORMAÇÃO DE CONSCIÊNCIAS CRÍTICAS, ÉTICAS E AFETIVA E CORPORALMENTE RESPONSÁVEIS! Quem ama cuida e se cuida! Portanto, preservativo sempre. Preserve a vida, pois nada pode ser maior que o prazer de viver!
Para refletir recomendo que vejam esse vídeo que foi considerado o melhor anúncio governamental europeu da prevenção da SIDA na European AIDS Video Contest 2009.
Carlos Drummond de Andrade, nasceu em Itabira do Mato Dentro - MG, em 31 de outubro de 1902, hoje completaria mais uma no de vida, mas continuará eternamente vivo em seus poemas.
Ele é um dos poetas que mais amo, e que incorpora e dá vida à sexualidade em suas poesias, ora da sexualidade enquanto genitália, do sexo em si, outrora dos afetos, amor, paixão, carinho, admiração. Ainda fala do prazer, do tesão, do querer. Enfim, da sexualidade em sua plenitude. Em sua homenagem vamos hoje socializar e pensar a sexualidade através de alguns de seus poemas...
A sexualidade afetiva...
Amor e seu tempo
"Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa, roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo. Amor é o que se aprende no limite,depois de se arquivar toda a ciênciaherdada, ouvida. Amor começa tarde."
Do corpo...
"No corpo feminino, esse retiro - a doce bunda - é ainda o que prefiro. A ela, meu mais íntimo suspiro, pois tanto mais a apalpo quanto a miro. Que tanto mais a quero, se me firo em unhas protestantes, e respiro a brisa dos planetas, no seu giro lento, violento... Então, se ponho e tiro a mão em concha - a mão, sábio papiro, iluminando o gozo, qual lampiro, ou se, dessedentado, já me estiro, me penso, me restauro, me confiro, o sentimento da morte eis que o adquiro: de rola, a bunda torna-se vampiro." A Nudez... Mulher andando nua pela casa envolve a gente de tamanha paz. Não é nudez datada, provocante. É um andar vestida de nudez, inocência de irmã e copo d’água. O corpo nem sequer é percebido pelo ritmo que o leva. Transitam curvas em estado de pureza, dando este nome à vida: castidade. Pêlos que fascinavam não perturbam. Seios, nádegas (tácito armistício) repousam de guerra. Também eu repouso.
Da sexualidade em todas as idades...
Balada do Amor através das Idades
"Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigámos, morremos. Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois. Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também. Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina. Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos." O sexo...
"A massagem tântrica, pode se configurar como uma possibilidade qualitativa e prazerosa de vivência da sexualidade, em todas as idades, inclusiva na terceira idade. É uma forma de dar e sentir prazer, sem necessidade de penetração, pode ser uma preliminar e tanto, capaz de nos ajudar a qualificar e ampliar o prazer, antes do ato sexual em si. É maneira de superarmos o reducionismo do ato sexual focado nas genitálias,esse sexo performático propagado nas sociedades ocidentais, pois nos oferece possibilidades supremas de prazer através do corpo em sua totalidade (tato, olfato, visão, paladar, audição). A sexualidade torna-se relação intensa e profunda, de fusão do corpo e da alma (um dissolvendo-se no outro, completando-se, uma ligação profunda de sentidos, sensações e sentimentos), onde a relação sexual não significa apenas alívio, mas revigoramento. Quando se faz amor sem pressa, sem agressividade, sem luta, mas em completude, o prazer torna-se duradouro e intenso, mais profundo, provocando reações químicas indescritíveis e surpreendentes, descobertas, através da troca de energias físicas e espirituais que fluem nesse momento de plenitude. Assim, o sexo que para muitos, configura-se tão somente em um prazer homérico momentâneo, apenas antes ou durante a relação, passa a ser um prazer que se estende para a vida e se transforma em bem-estar, após da relação sexual. A massagem tântrica entre duas pessoas que se amam é um contributo à humanização das relações afetiva-sexuais. Lamentável, que em pleno século XXI a sexualidade tem sido vivida de maneira tão banal, meramente pornográfica, virtualizada e nada erótica. Já dizia Platão "erótica é alma". Em tempos de banalidades e prazeres mecânicos e consumistas, estamos precisamos disto. Vivemos numa sociedade de uma sexualidade extremista, genitalista e mercantil, onde a maioria das pessoas ou ainda são reprimidas, ou vivem uma sexualidade exacerbada."
Profª Dra Cláudia Bonfim]
Para ouvir nossa reflexão sobre a temática na íntegra clique no vídeo abaixo:
A vida sempre é generosa quando atuamos com amor, dedicação, respeito, responsabilidade e ética. E a vida tem sido muito generosa comigo, uma das alegrias nesse ano certamente foi a possibilidade de estar ministrando um mini-curso sobre Educação Afetiva e Ética Sexual: referenciais teóricos e subsídios práticos no 3º Congresso de Educação de Porto Feliz -SP. O evento organizado pela SABERES, a quem parabenizo a toda equipe pelo sucesso do evento e pela oportunidade de fazer parte desse grupo que atua com muito profissionalismo e dedicação.
Meu abraço a todos os docentes que lá estavam pelo carinho, atenção e confiança em nosso trabalho.
VEJA/OUÇA O VÍDEO-ÁUDIO ACIMA E ACOMPANHE NOSSAS REFLEXÕES SOBRE A TEMÁTICA!
As Redes sociais vieram pra ficar e não sou contra elas, participo de “todas”, mas sempre com um caráter crítico-analítico. Elas são ferramentas valiosas inclusive para a socialização do conhecimento. Este blog inclusive é uma forma preciosa que tenho que socializar o conhecimento com o mundo. Porém, queria alertar para o cuidado que temos que ter ao integrar essas redes, especialmente com as pessoas que lhe adicionam ou adicionam seus filhos. Lamentavelmente vivemos numa sociedade individualista, utilitarista e que a cada dia caminha para a desumanização do homem. Minha luta é pela humanização das relações! Assim como podemos opinar e dialogar na redes sociais e eu mesma já fiz amigos preciosos neste espaço, mas também já conheci pessoas que aparentemente são dóceis, mas mascaradamente maquiavélicas, invejosas, maldosas. Se as redes sociais nos permitem crescer e enriquecer, como tudo na vida é um espaço dialético, pois terão pessoas que irão se aproximar de você para tentar te desequilibrar, envolver, seduzir, cominteresses outros.
Preciso alertar especialmente os adolescentes que a tentação de conhecer, fazer parte e querer desbravar esse mundo virtual parece meio mágica, mas pode ser trágica. A onda de crimes de todas as ordens, fakes, pessoas mal intencionadas, etc, me levam a recomendar a todos e, especialmente aos adolescentes, uma coisa que minha avó e minha mãe sempre diziam: não brinque com fogo!Muitos adolescentes resumem suasamizades sentados em frente à um PC, não dialogam, nem estabelecem relações fora de espaço virtual.
Nas redes sociais e na própria sociedade as pessoas não podem ser elas mesmas, são condicionadas a não ser. Não gosto de superficialidade. Penso ser um absurdo não poder ser quem a gente é, eu me nego a isso. Eu sou a Cláudia e ponto!
Nessas redes a maioria das pessoas meio que inventam um personagem social ou virtual, que muitas vezes, está longe de mostrar quem e como eles verdadeiramente são, pensam e sentem. Há que se ter uma imagem. Mas “marketing pessoal não é passarou criar uma melhor imagem de simesmo, e sim ser uma pessoa melhor”, o que passa longe de muita gente que eu vejo nas redes.
Acompanhe nossas reflexões sobre Erotismo no áudio post acima!
"O que a mídia estimula e divulga está longe de ser sensualidade e erotismo. Vulgaridade não é sensualidade e pornografia é bem diferente de erotismo. O erotismo é essencial nos relacionamentos, a sensualidade é uma virtude. Já a vulgaridade e a pornografia são um forma artificial utilizada pela sociedade capitalista mercantil "vender" seus produtos, imagens, ideologias, de coisificar as pessoas, transformando-as em objetos sexuais." (Cláudia Bonfim)
Já dizia Platão "Depois de muito pensar descobri que Eros, esse deus poderoso, diz mais respeito às dimensões da alma do que ao corpo!"
"O erotismo não é sexo bruto, mas sexo transfigurado pela imaginação [...] A derradeira consequência da rebelião erótica será o desaparecimento do erotismo e daquilo que foi a sua mais sublime e revolucionária invenção: a ideia do amor." (HIGHWATER)
Partindo de Freud sobre o desenvolvimento da sexualidade humana e a formação da identidade sexual, há que se pensar que nasceríamos como a identidade sexual aberta, ou seja, a identidade/orientação sexual seria formada insconcientemente a partir das nossas experiências sócio-históricas-culturais. Já Foucault, ainda na segunda metade do século XX, afirmava que a homossexualidade e heterossexualidade foram identidades sexuais socialmente estabelecidas apenas ao final do século XIX; porque na Grécia antiga, o que haviam eram práticas sexuais, a pederastia era uma delas, onde os homens eram iniciados em sua vida sexual através desta prática, ou seja, com outra pessoa do mesmo sexo, o que não se caracteriza como uma identidade sexual. A classificação terminológica da homossexualidade segundo Foucault, aparece pela primeira vez, em 1870, em um artigo do psiquiatra e neurologista alemão Carl Friedrich Otto Westphal. Eu, particularmente, gostaria que não houvesse qualquer classificação, porque elas por si só, já segregam, separam... Não podemos nos esquecer que antes independente da nossa orientação/identidade sexual somos todos seres humanos e sexuados. E cada um tem direito de viver sua sexualidade. Porém, sem esquecer que qualquer relação implica respeito. E que a minha liberdade termina, onde começa a do outro.Mas agora peço licença à ciência para hoje deixar apenas o meu coração humanista falar. Ouça nossas reflexões no áudio abaixo sobre essa conquista histórica e democrática do Amor no Brasil!
Somos contra qualquer forma de preconceito. Mas, "não se pode ensinar nada a um homem. Pode-se apenas ajudá-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo" Então, vejam os vídeos do Programa Conexão Repórter apresentado por Roberto Cabrini e reflitam!
ACOMPANHE O POST NA ÍNTEGRA CLICANDO NO ÁUDIO ACIMA!
“Uma educação autoritária, disciplinadora e de certa forma negando as manifestações corporais da criança, pode provocar um desequilíbrio da sensação somática o que afetará a autoconfiança e a unidade do sentimento do corpo da criança, que para controlar seus afetos, vão desde então, enrijecendo o corpo através de sua educação, assim a criança é impedida de desenvolver seus movimentos naturais das crianças através das inibições impostas à elas, causando distúrbios na pulsação biológica, pois como forma de amenizar os sentimentos de angústia, a criança acaba por interromper o ritmo normal na respiração, tensionando o abdômen.
Como aponta Reich (1992, p.60), “é prendendo a respiração que as crianças costumam lutar contra os estados de angústia, contínuos e torturantes, que sentem no alto do abdômen ou nos genitais e têm medo dessas sensações”, formando desde a infância o que Reich denomina de couraça rígida, que impede o movimento ondulante do peitoral, bloqueando a respiração, como forma de anulação das sensações fortes seja, de prazer ou angústia, o que Reich (l992), aponta como sendo o mecanismo básico da neurose. Pois, ao perder este bloqueio respiratório, deixa seqüelas, que acabam também por causar um bloqueio da criatividade e espontaneidade da criança.
Defendemos uma educação sexual que busque fornecer ao ser humano as ferramentas necessárias para que possa conhecer seu próprio corpo, o corpo do outro e compreender sua sexualidade para que possa por si mesmo ser capaz de realizar escolhas afetivo-sexuais. Precisamos nos reeducar para superar a visão do corpo objeto de aprendizagem, pela visão corpo como sujeito de aprendizagem. Consideramos como Moreira (1995, p. 22), a necessidade do "olhar sensivelmente os corpos [...] até porque o ato de conhecer não é mental como marca; ele é antes de tudo corpóreo.Todo conhecimento inclusive o de si mesmo, passa pelo corpo, como afima Merleau Ponty, "[...]toda consciência é consciência perceptiva, mesmo a consciência de nós mesmos.
Tão importante quanto o aprendizado da leitura e da escrita do mundo, é saber ler a si mesmo e escrever sua história, conhecer o seu corpo, suas possibilidade e potencialidades, pois assim como adquirimos conhecimentos para transformar o mundo num lugar melhor, devemos conhecer nossa sexualidade para tornamos melhor o nosso mundo interno, o nosso corpo e nossa mente, que são o berço das significações da vida.Tão importante quanto o aprendizado da leitura e da escrita do mundo, é saber ler a si mesmo e escrever sua história, conhecer o seu corpo, suas possibilidade e potencialidades, pois assim como adquirimos conhecimentos para transformar o mundo num lugar melhor, devemos conhecer nossa sexualidade para tornamos melhor o nosso mundo interno, o nosso corpo e nossa mente, que são o berço das significações da vida.”
Mas porque tantos professores sentem dificuldade em lidar com as manifestações da sexualidade das crianças? E como a escola pode contribuir para melhorar a consciência corporal e o desenvolvimento da sexualidade?
ACOMPANHE O POST NA ÍNTEGRA CLICANDO NO ÁUDIO ACIMA!
Ouçam acima a I Parte da Entrevista que concedemos ao Programa o Fato em Foco - Rádio CBN de São Paulo. E Clique no link acima deste áudio para ouvir a II Parte da Entrevista disponível no site da Rádio CBN.
Importante acrescentarmos que o surgimento da camisinha em si não é nenhuma novidade, pois há muitos séculos, têm se procurado métodos contraceptivos, inicialmente com o objetivo de Na de evitar a gravidez indesejada e claro as doenças sexualmente transmissíveis. Diversas a fórmulas foram sendo testadas, na Ásia por exemplo, eles utilizavam um envoltório de papel de seda untado com óleo.
No entanto, foi na Idade Média, com a disseminação das então denominadas doenças venéreas (DST´s) na Europa que tornou especialmente necessária a invenção da camisinha. Foi em 1564,que o anatomista e cirurgião Gabrielle Fallopio criou uma camisinha que era um forro de linho do tamanho do pênis e embebido em ervas. Que posteriormente, eram embebidos em soluções químicas (pretensamente espermicidas) e depois secados.
Mas, foi só no século XVII, que o Dr. Quondam, indignado com o número de filhos ilegítimos do rei Carlos II da Inglaterra (1630-1685), inventou um protetor feito com tripa de animais. O ajuste da extremidade aberta era feito com um laço, o que, obviamente, não era muito cômodo, mas o dispositivo fez tanto sucesso que há quem diga que o nome em inglês (condom) seria uma homenagem ao médico. Outros registros indicam que o nome parece vir mesmo do latim "condus" (receptáculo). Esta "camisinha-tripa" foi inclusive utilizada até 1839, quando Charles Goodyear inventou o processo de vulcanização da borracha, tornando-a flexível a temperatura ambiente. Embora nesta época, os preservativos de borracha eram grossos e caros e por isto lavados e reutilizados diversas vezes.
Foi no ano de 1880, que efetivamente surgiram as camisinhas de látex, que foram evoluindo a partir do desenvolvimento de novos materiais.
Mas é importante dizer que o uso da Camisinha no Brasil se deu especialmente a partir de alguns marcos históricos que consolidaram a disseminação do uso da camisinha, inicialmente a revolução sexual da década de 1960, depois o boom da AIDS na década de 1980.
E hoje, verificamos uma geração que está cada dia mais deixando de usa o preservativo, mesmo diante de uma realidade em que o número de DST´s e AIDS cresce cada dia mais. Lamentável!
Há que se ressaltar também que a descoberta a pílula anticoncepcional pode ser considerada um marco da revolução sexual de 1960, e também em termos de saúde pública, planejamento familiar e comportamento sexual no Brasil, e um marco essencial para a liberdade sexual e emancipação das mulheres, ao permitir que pudéssemos dissociar a ideia de sexo apenas como reprodução, e controlar o processo reprodutivo, trazendo um novo olhar e conceito sobre a sexualidade, e propiciando que as relações sexuais pudessem ser mantidas apenas pela busca do prazer. Com o surgimento da pípula surge a efervescência do movimento hippie com o Amor livre, e do avanço dos movimentos feministas.
Até então vivíamos ainda o auge de uma geração fruto pleno da sociedade machista patriarcal, para muitos homens a pípula representou o não controle que eles acreditavam ter sob a fidelidade feminina. Mas é preciso pensar que a pípula também abriu espaço de certa forma para o não uso do preservativo, visto que nesta época a maior preocupação em relação ao sexo era o controle reprodutivo.
Ainda hoje, muitas pessoas se esquecem que a pílula anticoncepcional apenas evita uma gravidez não planejada mas não te preserva de contrair AIDS ou outras DST´s. A utilização da pípula por si só não exclui a necessidade e a importância do uso do preservativo.
Abaixo temos também disponível através dos links do Youtube a I e a II Parte da Entrevista na Íntegra:
Clique no vídeo acima e acompanhe o post na íntegra!
“Pais e professores devem entender que a sexualidade está conosco desde que somos gerados. E que ela se desenvolve em todas as fases da vida. E que ainda que não abordemos esse assunto a sexualidade da criança não será anulada.“
Ainda temos muito que lutar!
A sexualidade da mulher, antes
repressiva, numa sociedade capitalista
mercantil pós moderna, ou ainda é vivida de maneia reprimida ou exacerbada,
condicionada pelo mercantilismo sexual do mercado capitalista que com uma visão
pós-moderna vendeu a ideia de emancipação sexual da mulher, quando na verdade
escondeu que essa emancipação foi pautada numa “estética” sexual e corporal,
que do corpo reprimido e oculto, tornou-se escrava de uma beleza sexual
corporal e objeto (pois, lamentavelmente ainda hoje, reduzem às qualidades de
uma mulher à um corpo belo), ledo engano, pensar que já atingimos a emancipação
sexual feminina, estamos longe disso, especialmente porque acredito que nós
mulheres só atingiremos essa liberdade e igualdade quando conseguirmos que a
sociedade reconheça nossos potenciais intelectuais, culturais e profissionais,
que estão muito além do reducionismo corporal feminino. Nossa luta não é apenas
por liberdade, mas por conscientização, por igualdade de direitos e deveres,
por reconhecimento social de nossas potencialidades, em que as diferenças
biológicas sejam respeitadas, mas não sejam motivo para inferiorizar ninguém.
Nossa luta é por uma sociedade onde as pessoas sejam capazes de refletir criticamente
e então, viver sua sexualidade de maneira plena, qualitativa, saudável, responsável
afetiva e corporalmente, superando a tradição patriarcal repressiva e a
mercantilização permissiva, extremista, exacerbada e falsamente hedonista, onde
a liberdade virou libertinagem.
Tolstoi afirma : “Actualmente,
tem-se a pretensão de que a mulher é respeitada. Uns cedem-lhe o lugar,
apanham-lhe o lenço: outros reconhecem-lhe o direito de exercer todas as
funções, de tomar parte na administração, etc.; mas a opinião que têm dela é
sempre a mesma - um instrumento de prazer. E ela sabe-o. Isso em nada difere da
escravatura. A escravatura mais não é do que a exploração por uns do trabalho
forçado da maioria. Assim, para que deixe de haver escravatura é necessário que
os homens cessem de desejar usufruir o trabalho forçado de outrem e considerem
semelhante coisa como um pecado ou vergonha. Entretanto, eles suprimem a forma
exterior da escravatura, depois imaginam, persuadem-se de que a escravatura
está abolida mas não vêem, não querem ver que ela continua a existir porque as
pessoas procedem sempre de maneira idêntica e consideram bom e equitativo
aproveitar o trabalho alheio. E desde que isso é julgado bom, torna-se
inveitável que apareçam homens mais fortes ou mais astutos dispostos a passar à
acção. A escravatura da mulher reside unicamente no facto de os homens
desejarem e julgarem bom utilizá-la como instrumento de prazer. Hoje em dia,
emancipam-na ou concedem-lhe todos os direitos iguais aos do homem, mas
continua-se a considerá-la como um instrumento de prazer, a educá-la nesse
sentido desde a infância e por meio da opinião pública. Por isso ela continua
uma escrava, humilhada, pervertida, e o homem mantém-se um corruptor possuidor
de escravos.” (Leon Tolstoi, in 'Sonata a Kreutzer')
A Educação Sexual que tanto
almejamos objetiva a construção de uma sociedade onde as relações sejam
pautadas na igualdade de direitos, deveres e espaços, com respeito,
afetividade, sensualidade e não na vulgaridade, no erotismo e não na
banalização, onde homens e mulheres (sejam homossexuais, bissexuais ou
heterossexuais) deixem de ter essa classificação que segrega e sejam tratados
acima de tudo, como seres humanos que somos, e onde todos possamos ter uma
relação social e sexual pautada na igualdade, no respeito, na ética.Por isso,
voltamos a dizer ,que embora a educação sexual precisa superar apenas a
dimensão médica-higienista-biologista que reduz a sexualidade à prevenção de
DST´s, preservativos e anticonceptivos; superarmos também a visão meramente
procriativa e anatômica da sexualidade, que acaba por reduzir à sexualidade ao
sexo (macho e fêmea), às genitálias, como se a sexualidade fosse apenas
isso. Precisamos superar a educação do
modelo patriarcal e dual para meninos e meninas. Nesse sentido, já afirmou Simone
de Bevouair que, “ se desde a primeira infância a menina fosse educada com as
mesmas exigências, as mesmas honras, as mesmas severidades e as mesmas licenças
que seus irmãos, participando dos mesmos estudos, dos mesmos jogos, prometida a
um mesmo futuro, cercada de mulheres e de homens que se lhe afigurassem iguais
sem equívoco, o sentido do "complexo de castração" e do
"complexo de Édipo" seria profundamente modificado. Assumindo, ao
mesmo título que o pai, a responsabilidade material e moral do casal, a mãe
gozaria do mesmo prestígio duradouro; a criança sentiria em torno de si um
mundo andrógino e não um mundo masculino; ainda que mais efetivamente atraída
pelo pai — o que não é seguro — seu amor por ele seria matizado por uma vontade
de emulação e não por um sentimento de impotência: ela não se orientaria para a
passividade. Autorizada a provar seu valor no trabalho e no esporte,
rivalizando ativamente com os meninos, a ausência do pênis — compensada pela
promessa do filho — não bastaria para engendrar um "complexo de
inferioridade"; correlativamente, o menino não teria um "complexo de
superioridade" se não lho insuflassem e se estimasse as mulheres tanto
quanto os homens. A menina não procuraria portanto compensações estéreis no
narcisismo e no sonho, não se tomaria por dado, interessar-se-ia pelo que faz,
empenhar-se-ia sem reticência em suas empresas. Disse quanto a puberdade seria
mais fácil se ela a superasse como o menino, em direção a um futuro livre de
adulto; a menstruação só lhe inspira tamanho horror porque constitui uma queda
brutal na feminilidade; ela assumiria também muito mais tranqüilamente seu
jovem erotismo se não sentisse um desgosto apavorado pelo conjunto de seu
destino; uma educação sexual coerente a ajudaria a sobrepujar a crise. E graças
à educação mista, o mistério augusto do Homem não teria oportunidade de surgir:
seria destruído pela familiaridade quotidiana e as competições francas. As
objeções que se opõem a este sistema implicam sempre o respeito aos tabus sexuais;
mas vão pretender inibir na criança a curiosidade e o prazer; chega-se assim
tão somente a criar recalques, obsessões, neuroses; o sentimentalismo exaltado,
os fervores homossexuais, as paixões platônicas das adolescentes, com todo o
seu cortejo de tolice e de dissipação, são muito mais nefastos do que alguns
jogos infantis e algumas experiências precisas. O que seria principalmente
proveitoso à jovem é o fato de que, não buscando um semideus no macho — mas
apenas um colega, um amigo, um parceiro — não se veria instalada a não assumir
ela própria sua existência; o erotismo, o amor teriam o caráter de uma livre
superação e não o de uma demissão; ela poderia vivê-los como uma relação de
igual para igual. “ Hoje é uma data que simboliza a
busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças
biológicas sejam respeitadas, mas que elas não sirvam de pretexto para
subordinar e inferiorizar a mulher.
Essa data se orgina do dia 8 de
março de 1857, onde trabalhadoras fabris de uma indústria têxtil de Nova Iorque
(EUA), em greve e ocupação pela diminuição da jornada de trabalho, foram
trancadas e, a fábrica foi incendiada, provocando-se assim a morte de 129
operárias.
O Dia Internacional da Mulher é
referencial para todas as mulheres comemorarem suas lutas e homenagearem suas
mártires, mas é acima de tudo de um dia de reflexão.
Veja a força da nossa luta. A
ação direta de mulheres operárias, desencadeou a primeira fase da Revolução
Russa.Ou seja, a maior revolução social do século XX, pela primeira vez na
história da humanidade, tivera início, com jovens mulheres russas à frente de
seu primeiro e decisivo passo.
Líderes do movimento comunista
como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai ou anarquistas como Emma Goldman
lutavam pelos direitos das mulheres trabalhadoras, entre as lutas estavam o
direito ao voto feminino.
No Brasil só em 1932, é que o
Governo de Getúlio Vargas promulgou o Código Eleitoral através de um Decreto,
garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras; mas apenas o
direito ao voto não alteraria a condição feminina se a mulher não modificasse
sua própria consciência. Porque a libertação da mulher exige mudanças em
âmbitos não apenas políticos, mas econômicos e sociais, a libertação da mulher
não pode tão-só representar um problema de gênero mas, sobretudo, é uma questão
de classe.
Ainda hoje sofremos preconceitos
e exploração. Um exemplo é a exploração e mercantilização do corpo das mulheres
crescem na globalização, mas são expressões antigas e atuais da opressão e
exploração das mulheres. No Brasil, esta problemática foi vivida, sobretudo,
pelas mulheres negras e pobres, desde o período colonial, mantendo-se até os
dias de hoje. A imagem do corpo da mulher associada à venda de mercadorias
reproduz, no plano simbólico, a idéia de que o corpo das mulheres pode ser
mercantilizado.
Em relação a vivência da
sexualidade nossa luta ainda é para que toda mulher tem direito à liberdade
sexual, à autonomia reprodutiva e autodeterminação sobre seu corpo. As
mulheres, de maneira geral ainda são as mais sacrificadas e, por muito tempo,
foram castradas em seu desejo sexual, como se este o desejo fosse um exclusivo
direito masculino. As mulheres orientais até hoje sofrem castração do hímen
quando ainda mocinhas pelos seus pais, sem ter direito a sentir prazer, apenas
proporcionar, ou seja tornam-se propriedade e objeto dos maridos. Ainda hoje,
as mulheres são inferiorizadas e vistas como objetos, no entanto as mulheres
assim como os homens têm desejos, sentimentos, sonhos, vontades, necessidades e
direito de dizer sim ou não, mulheres assim como homens não são propriedade
privada nem objeto, nem mercadoria, são seres humanos. Nossa luta dever ser:
Pelo fim da mercantilização do
corpo das mulheres
Pelo fim da exploração sobre a
sexualidade das mulheres
Pelo direito das mulheres a
decidir sobre ter e não ter filhos
Pela defesa dos serviços públicos
de qualidade: creches, escolas e serviços de assistência à saúde.
Por serviços especializados no
atendimento à mulher.
No Braisil só em 1985 é que surge
a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM, em São
Paulo;
A violência contra as mulheres
aumenta a cada dia e a maioria dos municípios ainda não possuem um atendimento
especializado para as mulheres.
Importante dizer que, nós mulheres precisamos participar mais e
ativamente da vida política do nosso país. A política é uma das atividades mais
importante para transformar a vida das mulheres, e da sociedade nós mulheres
precisamos ainda aumentar nossa participação política para que possamos influir
sobre os rumos da nossa comunidade, do nosso país, da nossa história.
Ainda que os homens tenham maior
força bruta, as mulheres têm mais energia, mais sensibilidade, têm uma visão
mais geral das coisas e do mundo, têm intuição, percepção, tato, e mais
disposição e enfrentamento da vida, da dor, do trabalho elas precisam apenas
ter consciência de que se elas quiserem podem mudar sua realidade e o mundo.
Como eu disse este dia não é
exatamente de comemoração mas sim de reflexão!
Pretende-se chamar a atenção para
o papel e a dignidade da mulher e levar-nos a uma tomada de consciência do
valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever
preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.
A mensagem final que eu deixo
para minhas companheiras mulheres nesse dia é de resistência, de luta, de força
e coragem, características que já estão em cada mulher e que em muitas delas
precisam apenas ser afloradas.
Espero que todas as mulheres,
tenham direito ao amor e ao prazer, mas acima de tudo, sejam respeitadas em sua
dignidade de mulher, e para isto eu digo estudem, tenham sua autonomia, física,
emocional e financeira, só assim nos tornando independentes financeira e
intelectualmente seremos capazes de dizer que somos realmente livres,
respeitadas e com direitos iguais. Ter renda própria é condição imprescindível
para liberdade e autodeterminação das mulheres na vida adulta e na velhice.
Estudar, adquirir autonomia de pensamento é sem dúvida também uma condição
ímpar para essa libertação. Enfim, desejo que todas as
mulheres assim como todos os seres vivos tenham mais dignidade e respeito.
Lutemos juntas para que as
diferenças culturais de gênero sejam superadas e tenhamos direito de ser
mulheres em nossa totalidade!
Meu abraço, minha admiração e
respeito à todas as mulheres sensíveis e guerreiras, em especial à minha Mãe
Cleuza, às minhas filhas Caroline e Beatriz, Às minhas irmãs Valdete e Márcia,
às minhas queridas amiga Célia Ott, Luciana Gerbasi, à todas as minhas amigas pessoais e companheiras
de trabalho e à todas vocês mulheres guerreiras que acompanham nosso trabalho.
Profª Dra Cláudia Bonfim
Clique nos vídeos e confira na íntegra essa reflexão histórica sobre o Dia Internacional da Mulher, ligados à temática sobre a emancipação, a violência simbólica e a desvalorização feminina interpretada pela Profa. Dra Cláudia Bonfim. Vale a pena conferir!
A entrevista que concedemos na Rádio CBN ao Jornalista Valter Sena foi editada e novamente veiculada pela Jornalista Rosana Lee. Acompanhe o vídeo acima!
Em relação à liberalidade da vivência da sexualidade na época do carnaval, as pessoas podem questionar que pelo fato da origem histórica das festas carnavalescas advirem das festas pagãs da Grécia e da Roma Antiga se configuravam por celebrações que envolviam muita comida, bebida e a busca incessante sexuais, que então seria natural que o carnaval nos dias de hoje seja uma festa de apologia ao sexo e aos prazeres desmedidos em geral.
Mas questiono: na antiguidade as pessoas não tinham acesso ao conhecimento, não tinham liberdade para questionar a moral estabelecida. Não tinham acesso à informações ou orientações sobre a sexualidade. Sequer imaginavam a importância real da sexualidade para sua vida, e muito menos compreendiam como se dava o desenvolvimento psicossexual de uma pessoa e o quanto a sexualidade influencia na nossa identidade humana, em nossos relacionamentos, e nossos sentimentos. E hoje estamos em pleno século XXI, temos acesso ao conhecimento, temos liberdade ética de escolha, informações e algumas orientações. E ainda não desenvolvemos uma consciência ética sobre a vivência livre da nossa sexualidade.
Como já apontamos inúmeras vezes, faz-se necessário desenvolver um programa contínuo de conscientizacão dos jovens e de toda populacão sobre como viver uma sexualidade saudável e não apenas no aspecto de prevencão de AIDS, DSTs e gravidez não planejada, mas da saúde emocional das pessoas. Pois, sexualidade não se reduz ao ato sexual. Almejamos uma política pública voltada às problemáticas sociais que em sua grande maioria perpassam pelo densenvolvimento psicossexual das pessoas: pedofilia, violência sexual, crimes sexuais, preconceito de gênero, homofobia. Ou seja, todo e qualquer relacionamente humano está inserido na educação afetivo-sexual.
Por isso, REPETIMOS que consideramos emergencial UMA POLÍTICA PÚBLICA DE EDUCAÇÃO AFETIVO-SEXUAL QUE ALÉM DO ENFOQUE MÉDICO-HIGIENISTA-BIOLÓGICO JÁ EXISTENTE E TAMBÉM IMPORTANTE PASSE A ESCLARECER SOBRE a SEXUALIDADE em sua totalidade. Envolvendo uma equipe multidisciplinar, ou seja, profissionais da área de saúde: médicos, psicólogos, e educadores para juntos construírem um programa que realmente contemple a educação afetivo-sexual em todos os seus aspectos.
Devemos entender que a história não é estática e sim dialética. História não é fatalidade. E sim, possibilidade. E nós ao mesmo tempo que somos condicionados pela história, também somos sujeitos históricos, o que significa a possibilidade de mudança. E liberdade não é fazer o que se quer sem pensar nas conseqüências. Liberdade implica acima de tudo em ética e responsabilidade. Liberdade não é permissividade, banalidade. Liberdade é escolha consciente e responsável. E não pensar apenas no prazer momentâneo, mas pensar no bem de si mesmo, e da pessoa com a qual você se relaciona.
Em relação ao fato de alguns homens se travestirem de mulheres nas festas carnavalescas, embora para a maioria dos homens seja apenas uma brincadeira sem fundo de maldade, se analisarmos do ponto de vista que nossa educação sexual é fruto de uma sociedade machista, patriarcal, isto inconscientemente pode se caracterizar como preconceito. Uma forma de homofobia (com brincadeirinhas imitando homossexuais) e também preconceito de gênero contra a mulher. Um homem ser chamado de mulherzinha (soa para muitos homens desde a infância como humilhação), como se a mulher fosse um ser inferior. A violência simbólica dói tanto quanto a física. E como educadora sexual somos contra todo e qualquer tipo de discriminação social ou sexual.
Historicamente a mulher sempre foi inferiorizada e oprimida sexualmente e socialmente. Avançamos muito, mas ainda muito que conquistarmos e lutarmos para que sejamos homens e mulheres respeitados na mesma medida.
Não me considero feminista, e sim HUMANISTA. Todos merecem respeito! Mas é fato que...
Socializando o áudio da entrevista concedida ao Jornalista Valter Sena da Rádio CBN de Campinas nesta terça, 22 de fevereiro de 2011.
Vale a pena conferir!
Veja e ouça o video com o Áudio da Entrevista clicando acima.
O Carnaval tem suas origens nas festas pagãs da Grécia, ligado ao deleite e aos prazeres. Em Roma, surge como um movimento contrário aos dias de abstenção da carne, no Cristianismo da Idade Média. Uma festa com muita comida, bebida e busca incessante pelo prazer sexual.
No Brasil, inicialmente trazido pelos portugueses por volta do século XV com o nome de Festa do Entrudo, introzido, com a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, em 1808. Era uma espécie de brincadeira onde se jogavam água, ovos, farinha uns contra os outros, permanecendo assim até o surgir o confete e a serpentina. Vejam abaixo imagens ilustrativas da chamada inicialmente Festa do Entrudo (Carnaval).
O conhecimento nos traz criticidade, e cada vez se torna mais difícil “engolir” certas coisas que ouvimos ou presenciamos. Nem em pleno carnaval deixo de observar as contradições humanas. Fico indignada com os milhões de reais gastos em todo País, induzindo e estimulando o consumismo de bebida alcóolica, à exacerbação sexuall, ao mercantilismo corporal. Se investissem tudo é foi gasto no carnaval no Brasil em Educação quantos poderiam aprender a ler, a escrever, a se tornar sujeito críticos?
E o quanto se gasta com a distribuição de preservativos, pílulas do Dia Seguinte, e testes de Aids? Lamentável! Temos que dissociar a ideia que Carnaval com sexo, álcool, drogas, promiscuidade. A verdadeira alegria é consciente!
Imagem quantos milhões o governo gasta no carnaval? E que nesta época são disponibilizadas equipes distribuindo preservativos e testes de HIV, policiamento, enfermeiros, ambulâncias, para atender os casos de embriaguez, violência e acidentes causados por alcoolismo e drogas.
Enquanto isso, milhares de crianças morrem por desnutrição, vivem em condições desumanas, sem educação, sem dignidade. Importante lembrar a crítica feita ao nosso Ministro da Cultura Gilberto Gil, por Temos que lutar especialmente contra o claro apartheid social, que vivenciamos cotidianamente, em todos os locais, como o que assistimos em pleno carnaval: os camarotes vips, os trios elétricos, sempre destinados a elite, e o povo sempre separado por cordas, se tornando uma massa, sempre inferiorizada.
A elite sempre acima do povo, se esquecendo que este povo é quem paga o salário deles, é quem paga a maior parte da festa, pois milhões e milhões do cofre público são investidos ali. E estes merecem ter o mesmo espaço e respeito. Fiquei pensando que um milésimo desse dinheiro que o governo gasta no carnaval fosse destinado a um projeto educativo como que o que utopicamente visualizo. Desde tempos imemoriais, é possível constatar a distância entre a classe dominante e o povo. Parece contraditório falar de igualdade na sociedade da omissão, do descaso, das políticas assistencialistas, do mascaramento, do aparteid social visível.
Conviver no meio político me fez ver de perto e sentir na pele, que erros humanos, politicamente são desumanos, são mascarados, preparados minuciosamente, estrategicamente planejados, ideologicamente traçados, para contemplar o poder. O que dói mais, é assistir tudo isso e ter muitas vezes, as mãos atadas, ter que engolir, mesmo sabendo que não será possível digerir, tanta indiferença, tanta injustiça, tanta podridão.
A classe política é lamentavelmente, em sua grande maioria, a classe da troca constante de favores, de cargos, de interesses pessoais, de privilégios à elite e aos seus, dos falsos méritos. A sociedade dos apadrinhamentos, onde leva vantagem aquele que tem ou contatos políticos, ou troca favores eleitorais.
Competência? Quem dera todos os cargos políticos fossem contemplados por esse mérito. Muitas vezes, assistimos estarrecidos o fascínio humano pelo poder e as mórbidas "necessidades" dele decorrentes. Por hora, meu alento está naqueles que como eu ainda ousam o sonho, a militância, a luta, que conseguem emergir esperanças e forças em meio a toda essa corrupção infindável.
Isso me faz crer que precisamos mais do que nunca mesmo ocupar nosso espaço, lutar pelas causas que acreditamos, “doa a quem doer”, e temos sim, que nos envolver politicamente, pleitear cargos políticos, mostrar que não somos só mais um qualquer na multidão. É hora de olhar a fundo, mostrar que não somos mais “bobos da corte”, que o reinado deles está no fim, que eles não são os soberanos, que a sociedade feudal e o absolutismo acabou há muito tempo. Não podemos mais é nos omitirmos, “porque quando os justos se omitem, os corruptos comandam”.
É claro, que o povo precisa de lazer, de diversão, de alegria, mas vejamos que falsa essa alegria carnavalesca. Acaba o carnaval e a realidade rompe com toda esta ilusória festa, bruscamente. E pergunto o que mudou socialmente? Nada!!! Nos deram um anestésico momentâneo, que nos fez esquecer a dor por alguns dias, mas depois, quando nos damos conta, a ferida social, se tornou ainda maior.
Profa. Dra Cláudia Bonfim
Artigo publicado no Jornal Correio Popular de Cornélio Procópio-Paraná na edição de fevereiro de 2006. (Estamos em 2011 e pouca coisa mudou)