sábado, 9 de outubro de 2010

Desenvolvimento Psicossexual da Criança - Fase Anal

Olá queridos leitores, seguidores e ouvintes do nosso Blog Educação e Sexualidade, eu professora doutora Cláudia Bonfim estou aqui para socializar mais uma reflexão necessária à compreensão da Sexualidade Humana.
Hoje meu abraço carinhoso vai para duas leitoras do Blog que são também minhas  aluna na Faculdade Dom Bosco,  a Alessandra Romagnani do 6º. Período de Pedagogia e a minha querida aluna Cíntia Cezário do 2º. Período do Curso de Licenciatura em Educação Física, forte abraço pra vocês, obrigada pelo carinho, respeito e admiração que vocês tem pelo meu trabalho, com certeza sentimentos são mútuos.
Continuando a nossa série de artigos sobre o Desenvolvimento Psicossexual da criança fundamentados na Teoria de Freud hoje abordaremos a Fase Anal que se dá entre 18 meses a 3 anos e meio aproximadamente, vamos ao post de hoje...
 Neste momento, a criança deve retirar parte da libido que estava centralizada na boca e dividir com zona erógena da fase anal; porém como apontamos na fase oral quando a pessoa não conseguiu completar aquela fase, ele pode continuar a investir a energia libidinal na zona oral, o que se denomina de fixação, isto pode ocorrer quando alguma situação traumática ocorre durante a fase a qual a pessoa fica fixada. Além os problemas que já citamos anteriormente pessoas que continuam fixadas na fase oral podem desenvolver diversos transtornos especialmente alimentares, como anorexia e bulimia, comer em demasia, fumar, preferir sexo oral a outras modalidades, na fase adulta e ainda ser verbalmente agressivas, entre outras questões, por isso, a necessidade de orientar a criança e dar a ela o apoio e o carinho necessário para completar suas fases.
Como já apontamos na Fase anterior, à medida que a criança se desenvolve, novas áreas de tensão e prazer são trazidas à consciência.. Na Fase Anal, a criança sente prazer em controlar os esfíncteres anais e a bexiga; e o prazer que antes era oral, agora privilegia o ânus e as excreções, por isso é comum nesta fase a criança manipular as fezes,  gostar de brincar com massinhas e de alimentar-se de coisas cremosas.
É um momento de autodescoberta corporal. É o período em que a criança começa a aprender a controlar a micção e a evacuação, o que significa a percepção de uma nova fonte prazer e gratificação, através inclusive da atenção que lhes é dedicada nesta fase e dos elogios que recebem por dos pais e das demais pessoas que convivem.
Como dissemos nesta fase, a zona de erotização central é o ânus e o modo de relação está intimamente ligado à atividade e passividade, ou seja, ao controle dos esfíncteres (anal e uretral). Que é quando a aprender sobre controle, limites, através dos movimentos de expulsão (doar, eliminar, excluir) e retenção (ter, segurar, controlar, reter, guardar). E começam a desenvolver o Superego, com a internalização do não. "Não coloque o dedo aí. Não pode. Isso é feio. É sujo." Aliás se a criança faz o oposto do que os pais pedem, esta é uma forma de testarem a autoridade e a coerência dos pais, por desconfiarem do amor que eles lhe tem. É uma primeira identificação da coerência e da afinidade que há entre seus pais.
Como aponta Freud esta fase pode marcar o comportamento sexual da criança, dependendo da forma como esta foi vivenciada. Muitos pais fazem dessa fase um sofrimento para a criança, que vive de um lado entre o elogio e a gratificação, mas por outro, a contradição de que as fezes e a urina são sujos. A criança ainda não tem a compreensão de que isso não seja apreciado, porque elas apreciam, observam e até manipulam as fezes e a contradição mental na criança se dá exatamente porque primeiro recebe elogios e gratificações porque produziu adequadamente as fezes e a urina, e, por outro lado, estas são repugnadas pelos pais.
Esta fase se dá em meio a proibições, tabus, por ser um momento higienista, típicos da fase anal. Importante lembrar, que nesta fase a criança ainda não reconhece seus órgãos genitais, especialmente a menina, neste momento apenas o órgão genital masculino começa a ser descoberto. Isto se deve a sensação de alívio que a evacuação e micção proporciona e a curiosidade da criança em relação à sua urina e fezes,  que levam-na a  manipular seus órgãos e a uma conseqüente satisfação. Embora não lhe seja ainda atribuído um significado sexual real.
No final da Fase Anal, a criança já amadurecida, possui uma primeira noção do que é dela e do que é do outro.
Bem, por hoje é só, no próximo post vamos tratar da Fase Fálica. Espero por você aqui. Um grande abraço e até lá!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Desenvolvimento Psicossexual da Criança - Fase Oral


Olá meus queridos leitores, seguidores e ouvintes do nosso Blog Educação e Sexualidade, eu Profa. Dra Cláudia Bonfim estou de volta ao nosso prazeroso espaço de encontro e reflexões. O abraço de hoje para dois leitores assíduos do nosso Blog o Leonardo Pompermayer da Editora Abril de São Paulo que inclusive reivindicou ser lembrado aqui no Blog, Léo um grande abraço para você; e o outro abraço vai para a minha querida aluna Josielli Poliani Ramalho, do 6º. período de Pedagogia da Faculdade Dom Bosco que ontem na aula me declarou que acompanha na íntegra todos os nossos posts e adora o blog, Josi um beijo e obrigada pelo carinho e credibilidade, isso nos motiva a continuar socializando nossos aprendizados e reflexões.
No post de hoje vamos iniciar uma série de artigos que fundamentados em Freud irão explicitar estas fases de desenvolvimento da criança para que possamos compreender  o processo de desenvolvimento psicossexual.
Considerando que as experiências sócio-afetivas-sexuais que visualizamos e vivenciamos desde que nascemos são fundamentais no desenvolvimento e na forma como iremos estabelecer nossas relações afetivo-sexuais na fase adulta, por serem um processo de construção que não se dá separadamente, mas continuamente, faz-se nessário a compreensão de como se dá a sexualidade desde a infância para que possamos enriquecer estas experiências e contribuir para uma vivência saudável e qualitativa da sexualidade.
Em  relação ao desenvolvimento psicossexual da criança, Freud estabeleceu cinco fases diferenciadas pelos órgãos e objetos pelos quais a criança sente prazer.. Sem mais delongas, vamos ao post que hoje ir á abordar mais detalhadamente a Fase Oral (0 a 18 meses)

Nesta fase a criança tem a boca como fonte de prazer, sugar o seio da mãe, os dedos, a chupeta, se alimentar. O seio é o primeiro objeto de ligação afetiva infantil e constitui, inicialmente, parte do objeto de desejo, sendo a mãe o objeto total. Neste momento, a libido está organizada em torno da zona oral. Nesta fase, a necessidade e prazer concentram-se predominantemente em torno dos lábios, língua e, posteriormente, nos dentes. Esta pulsão não é social ou interpessoal, mas é uma necessidade de alimentar-se para satisfazer a fome e sede, reduzindo uma tensão. No entanto, neste momento em que a criança recebe o alimento, recebe também, o afago, o toque, o carinho, o conforto, é aninhada, acalentada no colo da mãe. Mesmo inconscientemente a criança associa prazer e redução da tensão ao processo de alimentação.
 A boca se caracteriza então como a primeira área do corpo onde o bebê concentra sua libido, e que o bebê pode controlar. Conforme a criança vai crescendo, e outras áreas do corpo vão se desenvolvendo, estas também passam a ser importantes regiões de prazer e satisfação. Embora a boca não seja mais o foco de gratificação, os prazeres orais podem normalmente ser mantidos: comer, chupar, morder, lamber ou beijar são expressões físicas prazerosas que as pessoas continuam a manter satisfação.
Importante dizer que, algumas pessoas acabam mantendo o foco de prazer na boca, ou seja, o prazer oral neste caso se estende para a vida toda, em alguns casos isso pode ser considerado patológico, como o caso de pessoas que fumam, que mordem constantemente os lábios, chupam o dedo, que comem em demasia, já que essas são formas que algumas pessoas utilizam-se para aliviar suas tensões, ou seja, continuam a centralizar no prazer oral. Estas pessoas podem trazer consigo uma fixação pelo prazer oral por não terem atingido a maturidade psicológica para a superação desta fase por motivos diversos, como sarcasmo de um adulto, o arrancarem-lhe o alimento da boca, ou de outra pessoa na sua frente, pois esses são fatores que podem impedir que o desenvolvimento da fase oral tenha se completado. E esse processo geralmente se dá junto com o final da amamentação, embora este processo seja inconsciente, o ego começa a se estruturar a partir dessa superação.
 A segunda etapa surge com a dentição, chamada oral canibalística, na qual a criança morde o seio, caracterizando-se pelo surgimento da agressividade. É o momento em que o bebê vivencia frustração, angústia, dor, ansiedade e impotência: sensações e sentimentos necessários para o seu amadurecimento.
Importante esclarecermos que, o fato de nesta fase a sua forma de descoberta do mundo se dar especialmente através do contato oral, é o que torna comum nas escolas de educação infantil, especialmente no maternal, crianças em torno de dois anos de idade, morderem outras.
A fase oral pode se dá através da sucção e da mordida. A fase da mordida é quando a criança tende morder, destruir e até mesmo triturar um objeto antes de incorporá-lo.

A fase da mordida envolve duas características centrais, uma denominada de oral receptiva, que ocorre quando a criança não passa por privações, seja de atenção, carinho, amamentação, alimento, entre outras questões, o que contribui para a criança se torne ua pessoa afetiva, generosa.
Há crianças que desenvolvem uma fase denominada oral agressiva. Quando a criança tende a ter sentimentos negativos, de raiva, destruição, ciúmes, insatisfação com o que tem e passa a desejar que os outros também  não tenham as mesmas coisas, ainda que não as queira para si. E essas características podem acompanhar uma pessoa para a vida toda, é como se como se a pessoa quisesse se vingar das privações, insatisfações e frustrações que esse período lhe provocou.
Como a libido nesta fase se concentra na boca, a mordida para a criança representa uma maneira prazerosa de interagir com o mundo, de se descobrir parte deste mundo. Ao morder um amigo a criança vai descobrindo outras sensações de prazer, ao observarem o choro do outro, o medo, o susto, o que pode levar a criança a repetir isso, se não forem estabelecidos limites e ela não for orientada adequadamente.
É comum presenciarmos pais, tios que brincam com as crianças, como forma de carinho, através de suaves mordidas. Nestes casos devemos orientar que embora isso não seja uma atitude errônea, pode fazer com a criança reproduza as mordidas em outras, mas como elas ainda não possuem o controle da força da mandíbula acabam por machucar outras crianças.  Por isso, faz-se necessário a conscientização de que muitas vezes, inconscientemente as famílias através de algumas atitudes mesmo com intenções positivas causam comportamentos agressivos nas crianças, que ainda não aprenderam a dominar seus impulsos, nem discernir o certo do errado.
Como educadora e como mãe, sabemos que ter um filho mordido na escola ou ter um filho que morde outra criança, são ambas situações desagradáveis, para ambos os pais, quanto as crianças. A criança que mordeu o amigo, se sente mal, envergonhada,  e depois chora; a criança mordida também chora, os pais da criança agredida se chateiam em ver a criança machucada, o que inclusive pode até gerar um sentimento de culpa por ter que deixar o filho na escola, e ao educador também é uma difícil situação de desconforto, a quem cabe amenizar o acontecimento. Por isso, ressaltamos a necessidade de se estabelecer limites, no sentido de mostrar para a criança que não devemos sentir prazer em machucar alguém, temos que tratar as pessoas com respeito e carinho. Aos poucos, as crianças vão se desenvolvendo e descobrindo outras formas de sentir prazer..
A vida, assim como a sexualidade está intrinsecamente ligada ao prazer. Desde que nascemos necessitamos sentir prazer, senão nos deprimimos, adoecemos e gostar de viver. E a forma como podemos sentir prazer pela e vida é nos descobrindo e utilizando os prazeres que já existem em nosso próprio corpo, além de outros.
Como apontam Nunes e Silva ( 2000, p.52) apontam:
Reprimir a sexualidade da criança é reprimir seu corpo, que se constitui na base real do seu próprio ser, sua relação consigo mesma e sua personalidade. Porque afinal, não existe uma separação entre sexualidade infantil e sexualidade adulta. Existe sim uma ligação única e uma continuidade entre elas, ou seja, são inseparáveis e conseqüentes.
 
Para que possamos orientar e ajudar nossos filhos, alunos e a nós mesmos a lidar com a própria sexualidade é imprescindível compreender como apontou Freud as fases do desenvolvimento psicossexual. Por hoje é só, no próximo post continuaremos esclarecendo as fases de desenvolvimento psicossexual da criança segundo Freud, abordando a Fase Anal.
Abraços e até lá!

sábado, 2 de outubro de 2010

A Educação e Formação Política do Cidadão


Às vésperas das eleições um educador não pode deixar de posicionar. Sendo assim, resolvi publicar aqui hoje um artigo que publiquei em 2004, no Jornal A CIDADE, de Cornélio Procópio, atentem-se que mesmo sendo um artigo de 6 anos atrás ainda nos deparamos com a mesma situação política e social do País. Lamentável. Vale a pena ler e refletir.

Interessantes são as contradições da vida, ainda que tardiamente, aprendi não pela tradição, mas pela contradição, a encantar-me pela Política (Politikós). A paixão surgiu através de meus mestres, da leitura em especial de Aristóteles (Política); releio os textos e livros sobre o tema e admiro a combinação de poder, força e coletividade; à luz da literatura, da filosofia, da história, do berço grego. Mas, essa paixão foi se consolidar mesmo em nossa luta pela educação, na prática educativa, na busca de apoio político pelas causas que acreditamos. Nosso olhar a partir da filosofia (philos) vem contemplar o misterioso desafio dessa arte que seduz e afasta, mas que é plenamente necessária para a convivência social. Ao lermos Maquiavel (O Príncipe), enxergamos muitos de nossos políticos, mascarados de “bons”. Hoje nosso olhar se lança sobre a Política assumindo uma fulguração inquietante, condenando e venerando, como uma trama complexa, uma “guerra”, um jogo de interesses; para alguns um deleite, para outros poder, glória (kléos), para alguns repulsa, indignação, mas felizmente para alguns raros políticos estar na Política significa a possibilidade de mudança, de um sonho que se concretiza, simboliza a vontade de fazer acontecer, de melhorar as condições de vida de nossa população. O “político” é, historicamente, pode-se dizer, um artesão de palavras, “seduzindo” através das mesmas; lamentavelmente, quase sempre, esses discursos não saem do coração, são meras falácias. O palco da atuação discursiva é a sociedade, que confia, espera e projeta sonhos, coloca seu destino nas mãos de poucos, acentuando a força destes. Grande parte da população fica indignada com a atuação dos governantes, mas se conforma, se cala. Há aqueles, como eu, que ousam romper o pensamento e tentam traduzir em palavras o enigma dessa arte que é a Política, que estamos tentando entender, e isto temos que fazer, na luz da história, buscando nas condições objetivas e materiais a ponta do fio que tece essa trama tão necessária. Devemos salientar que todos os cidadãos deviam ser apaixonados por essa arte, pois sem Política não há uma organização social, temos sim que admirá-la, mas sempre com um olhar crítico, e envolver-se, manifestar-se, assumir que somos seres políticos, pois, se não tentarmos mudar esse quadro de descaso, de concentração de poder, de interesses elitistas, para uma política que privilegie a coletividade, o bem comum, estaremos lavando as mãos e entregando a vitória sem luta. Não há como fugir da atividade política, pois viver em sociedade requer uma organização política, ela tem origem e se desenvolve com a dinamicidade da própria história. A política é uma gestão de interesses, estando diretamente relacionada com o poder. Se faz presente em nosso cotidiano, quando emitimos opiniões, defendemos uma causa, seja na escola, no trabalho, em casa, na igreja, ou associação. Votar é um dos maiores atos políticos do cidadão. Em nossa concepção a educação deve ser comprometida especialmente com a formação política.  Tal necessidade aponta para a questão ética, no que se refere a procedimentos, condutas e aos valores embutidos pelos governantes em diferentes momentos históricos. Se retrocedermos na história do Brasil, ao período obscuro da ditadura militar, verificamos a influência da educação na formação política do povo. Com o golpe de 1964 e a ideologia de “Segurança Nacional”, foi criada a disciplina de “Educação Moral e Cívica”, com o intuito de estimular as questões de ordem, civismo e obediência, tentando impedir que as pessoas manifestassem os seus ideais de liberdade e democracia. Em 1970 os setores de propaganda da ditadura lançam os "slogans" "Pra frente Brasil" e "Brasil: Ame-o ou Deixe-o", tentando reproduzir e inculcar os “valores ditatoriais”, através do controle das consciências de massa. Como falar de educação sem falar de política? De acordo com FÁVERO (1991):”A sociedade civil e a sociedade política se confundem numa única dialética, pois, o exercício hegemônico da classe dominante supõe o uso conjugado e combinado do consenso e coerção. A estreiteza dessa relação pode ser evidenciada por vários fatores, como por exemplo, o monopólio estatal dos meios de comunicação, o processo de estatização do ensino, etc. São elementos que constituem fatores de hegemonia, vinculando governantes e governados.” Buscando superar a concepção imposta, consideramos a necessidade de um sistema educativo que proporcione um debate crítico tendo em vista a construção de uma nova ética e uma nova política. Diante das campanhas eleitorais nos defrontamos com a falta de discernimento e de espírito crítico de grande parte da população, o que geralmente, pode-se observar, é que as contribuições dadas pelos governantes são vistas como se estes estivessem realizando uma obra beneficente, cada obra nova realizada é festejada, e os governantes são destacados por isto, mas não é mérito, é obrigação! É claro que, esta visão decorre das ideologias implantadas historicamente, como forma exatamente de que não haja opositores, de camuflar seus reais objetivos políticos. Os atendimentos prestados ao público não são gratuitos, a população paga impostos, produz o crescimento do país, é parte integrante da nação, portanto, os ganhos obtidos devem obrigatoriamente ser revertidos em benefício da melhoria da sociedade e garantir seus direitos primordiais, especialmente, um sistema de saúde eficiente e uma educação de qualidade; setores que infelizmente, foram deixados de lado pelos governantes. Com o aumento do número de atendimentos, a qualidade foi diminuindo. Aliás, uma educação de qualidade é o maior investimento que o país pode fazer, visando uma sociedade participativa e igualitária. O voto deve ser consciente, é uma forma de resistência para ao menos suscitar mudanças. O que não podemos é continuar aceitando favores em troca de votos e entregar o poder para governantes que não lutam pelos interesses do povo, mas privilegiam interesses particulares e partidários. Não podemos mais conviver com descaso e precariedade, nem aceitar remendos sociais, como cestas básicas, salário educação, que apenas mascaram os problemas e não os resolvem. Precisamos de oportunidade de trabalho, para regatarmos nossa dignidade. Não queremos apenas sobreviver, mas viver uma vida de qualidade, com acesso à educação, saúde, ao lazer e à cultura. Espero que a população entenda a importância de votar conscientemente em alguém que ao menos esteja disposto a lutar para transformar esse mundo num lugar melhor, não podemos mais conviver com políticos profissionais que fazem da política uma vaidade pessoal, uma forma de garantir, hierarquizar e perpetuar o poder entre a classe dominante. Viver numa sociedade democrática não implica apenas em eleger os governamentes, apenas o voto não é garantia de cidadania, nem de democracia, para vivermos numa sociedade realmente democrática, o que determina a Constituição Federal deveria ser respeito, democracia é sinônimo de igualdade e garantia de uma educação de qualidade para todos, assim como assistência de saúde e acesso a bens e serviços. Vote consciente! A população precisa urgentemente deixar de ser neutra e ir à luta. O momento atual traz consigo a carência de uma identidade política, a alienação ainda vigora... Precisamos de uma política que contemple a educação e saúde, incluindo um política pública que contemple um projeto de educação sexual emancipatório que vá além da prevenção, mas que de fato, forme consciências críticas e éticas. A população não pode continuar pagando para manter as regalias da elite hegemônica. Almejamos uma ressignificação da política que retome sua etimologia politikós (polis + ética) que vise realmente a busca de melhorias para a comunidade, a defesa dos direitos da população, da igualdade social e de uma nossa sociedade possa realmente privilegiar a promoção humana e o bem-estar social. Enquanto isso, assistimos a um cenário de pobreza e milhões de desempregados que infelizmente se humilham diariamente pelo direito de ter um vida digna, construída com seu trabalho. Precisamos urgentemente de projetos que contemplem a criação de novos empregos. E para mudar essa realidade política concordamos com Paulo Freire quando diz que: “A educação não é a chave única de abertura da porta da transformação social-política da sociedade, mas sem ela nada se faz. Essa complementação do meu discurso é fundamental para mostrar exatamente a relação dialética entre educação e transformação. Se ela sozinha não faz, é porque ela precisa contar com outras dimensões da organização política do Estado e da sociedade. Ela precisa de partidos políticos sérios, fortes, democráticos, respeitosos. Ela precisa, de um lado, de estimular e, de outro, ver crescer a eticidade da política e na política. Ela precisa do desenvolvimento econômico. Sozinha ela não produz esse desenvolvimento, mas, sem ela, ele não se faz.”

 Mesmo assim a gente acredita que a “vida deveria ser bem melhor, e será” precisamos resistir e insistir em proclamar que a vida é “bonita, é bonita e, é bonita!”. É mister que tenhamos consciência de que educação é essencial para a formação política do cidadão.

Autora Profa. Dra. Cláudia Bonfim -  Artigo Publicado no Jornal A CIDADE de Cornélio Procópio em 25/agosto/04

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

AMOR E SEXO: Quem disse que tem que ser uma coisa ou outra?


Olá querido leitores, seguidores e agora também ouvintes do nosso blog Educação Sexualidade, é um prazer estarmos aqui novamente para levar até você nossas idéias e estudos. E hoje eu quero iniciar enviando um abraço ao Wagner que esteve conosco participando do I Ciclo de Palestras sobre Sexualidade Educação e Saúde Sexual, que mesmo não sendo aluno da Faculdade Dom Bosco, esteve lá nos prestigiando e enriquecendo nosso espaço de diálogo com sua presença e que me disse que entra hoje de férias e durante esse tempo de descanso estará se dedicando a leitora de todos os artigos do nosso blog, o que muito nos alegrou. E o tema de hoje é Amor e Sexo: Quem disse que tem que ser uma coisa ou outra? Vamos ao post...
Quem reduziu a sexualidade ao sexo? Quem separou o amor do sexo?
Sexo por sexo é visão instintiva, biológica, mera necessidade física, animal, visão pós-moderna, quantitativa, falsamente hedonista, mercantilista, onde sexualidade e sexo se tornaram uma coisa só e meros produtos do capital.
Então eu seria apenas um corpo?
Não, sou uma inteireza, exijo respeito à minha totalidade, sou corpo e mente, que pensa e sente, sou razão e emoção.
Meu corpo é subjetivo é a expressão do meu todo, do que penso, sinto, é também subjetividade.
Fazer sexo com afetividade é pensar na sexualidade como a mais fundamental e bela expressão da vida. É qualificar a primária necessidade biológica, é a junção do instinto com a subjetividade, do animal com o humano, é pensar na importância da humanização da sexualidade, especialmente em tempos de uma sexualidade virtualizada, mecanizada, deserotizada e pornográfica.
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É dar significado à vivência da sexualidade e do sexo, pautar-se não apenas do instinto biológico momentâneo, mas na significação, na satisfação corpo e alma, na qualidade das relações afetivo-sexuais que estabeleço e no quanto elas podem ser fundamentais para meu bem- estar físico e psicológico.   
É conseguir ver e sentir prazer além das genitálias, compreendendo que não faço sexo com genitálias, com uma coisa ou um objeto, mas com uma pessoa, que possui corpo e mente, alma. São corpos eróticos que sentem e se sentem, que buscam prazer, mas  precisam de toque, carinho, sentidos, significados, que devem saboreados, mas admirados e respeitados. É conseguir ir além de um prazer momentâneo, que vê o outro apenas como um corpo objeto.
Amor e sexo são sinônimo de sexualidade, inteireza, leveza, bem-estar, relação sexual humanizada, afetiva, prazerosa, significativa.
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E ainda que a sociedade e a cultura tenham mutilado as partes. Lhes afirmo: não tem que ser uma coisa ou outra, para ser pleno tem que a fusão de desejos carnais, com sentimentos humanos,  tem que ser latifúndio e invasão, prosa e poesia, divino e animal, bossa nova e carnaval, escolha e sorte, isso e aquilo, vir de si e do outro e demorar, ultrapassando o tesão de um momento e se tornar um prazer que se incorpora na vida como bem-estar. Para ser pleno tem que ser pensamento e teorema, novela e cinema. Para ser completo tem que ter e ser sentido, com corpo e alma, para ter nexo, tem que ser amor e sexo, animal e humano, selvagem e doce, dialético, explosão e calma, inquietação e paz.
E quando falo de amor, como já apontei em outros artigos estou de falando de gostar, de afeto, de carinho, respeito, admiração. Sexo é sempre melhor com paixão, tesão, entrega, encontro.
Para ser pleno tem que ser fusão não separação e mutilação de partes, ou de sensações e de sentimentos. Por isso, a importância de uma educação sexual emancipatória, que nos ajude a superar a visão banal e reducionista que separa, mutila, divide, reduz, diminui, fragmenta o sexo, por uma visão de sexualidade que une, dá sentido, alimenta, acrescenta, completa, enriquece, humaniza.
Fazer sexo virtual pode ser uma mera fantasia pontual, ou até um complemento, mas apenas num momento em que estamos distantes do ser amado, do parceiro real. Mas o que assistimos hoje é a troca, a inversão de valores e significados, um sexo banal, instintivo e mecanizado. O toque sendo substituído por uma imagem exibida na tela do computador, entendam que nada pode ser mais significativo e prazeroso que o contato humano, real, carnal, que o cheiro, o toque, a sensação, o olho no olho, o calor, a pele, o carinho, o sentir.
Cada um com suas escolhas, sensações e conseqüências. Eu não gosto de limitações sensoriais, gosto de sensações plenas, de intensidades. Por isso, eu não quero sexo sem amor, eu preciso de essência que dê sentido à existência. Quero amor selvagem e doce, como dizem os jovens, tem que ser tudo junto e misturado.
Eu não sou adepta à superficialidades. Eu tenho personalidade. E é assim que as pessoas precisam aprender a ser, sem ficar aderindo à onda de modernidades desenfreadas, só para se sentir parte da tribo, ou moderninho.
Podem me chamar de careta, mas eu gosto de beijo bem dado e sentido. Não de bocas desconhecidas que disputam números de beijos dados.
Gosto de ser tocada com o corpo e alma, com a pele de fora e dentro, com tesão, calor, e sentimento.
Gosto de ser acariciada não apalpada.
Prefiro ser admirada com desejo que simplesmente ser um objeto olhado com tesão animal.
Eu não sou apenas um corpo, nem me reduzo à uma genitália, não sou fragmento, nem metade, sou totalidade.
Não gosto de sentimento fulgazes, gosto de sentir prazer com tamanha intensidade que seja capaz de estender do ato sexual para a vida.
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 Quem faz sexo por sexo, sente muito prazer, goza e o corpo se esvazia. E o prazer é finito.
Quem faz sexo com afeto, sente um prazer infinito, goza e sacia o corpo e energiza a alma. E o prazer permanece e se plenfica, faz a vida parece mais leve.
Ah! O amor! Hum o sexo, para ser pleno e significativo tem que ser do bom e do bem, tem que ter nexo.
Se você procura sexo com uma visão reducionista, pautada no instinto e na genitalidade. Lhes digo, se você quer sentir prazer pleno e felicidade de verdade, com toda sua intensidade, não busque apenas informações sobre sexo, busque compreender a sua sexualidade. Portanto se você veio aqui no meu blog apenas buscar informações sobre sexo, desculpe lhe informar que esta não é minha especialidade, eu sou Doutora em Sexualidade, por direito e com propriedade, por ter defendido uma tese de Doutorado na Unicamp sobre Educação Sexual e ter estudado e continuar estudando a sexualidade desde Darwin, Lamarck, Mendel, ou seja desde a vertente biológica e toda sua historicidade, até a passagem para as Ciências Humanas,com Freud, Reich, Lamarck, Havelock Ellis, Engels, Marcuse, Foucault, entre outros estudiosos.
Não condeno escolhas pautadas na superficialidade, mas como educadora sexual não podemos reforçar uma linguagem senso-comum, nem reforçar uma visão de mero prazer pelo prazer, ainda que usemos uma linguagem que possa ser entendida por todos, nossa forma de expressão será sempre pautada numa visão de superação do senso-comum e da vulgaridade, sempre de maneira ética, responsável e fundamentada na cientificidade.
E para finalizar lhe afirmo: pode até ser uma coisa ou outra, se você não carece de significados, nem de plenitude, o sexo pode ser separado do amor, se você gosta de metades. Sabemos e respeitamos, embora não aderimos à prática do sexo ser separado do amor, mas claro consideramos esta possibilidade de que amor e sexo possam ser  coisas independentes, inclusive conhecemos diversas pessoas que lidam muito bem com esta vivência de sexo. Outras pessoas tem o sexo como centralidade na vida e o amor como secundário.

Porém, em nossa visão amor e sexo são complementares, e somente no amor o sexo atinge sua plenitude e divindade.

 E que amor e sexo não tem que ser uma coisa outra para quem compreende a necessidade de uma vivência saudável, verdadeiramente prazerosa e qualitativa da sexualidade. O sexo sendo parte integrante e fundamental de nossa sexualidade está inserido em nossa afetividade.
  Por hoje é só. Abraços e até o próximo post!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

I Ciclo de Palestras: Sexualidade, Educação e Saúde Sexual




Depois de alguns dias de ausência no nosso cantinho, sentida e declarada pelo nosso querido leitor e seguidor Gilmar, que se deu por dois motivos nobres, primeiro porque nesta semana recebemos uma comissão do MEC na Faculdade Dom Bosco para o reconhecimento do Curso de Administração e segundo porque estávamos envolvidos na organização e coordenação do I Ciclo de Palestras sobre Sexualidade, Educação e Saúde Sexual da Faculdade Dom Bosco que, inclusive é o tema do nosso post de hoje, vamos a ele...

Nossa paixão pela sexualidade nos motiva a lutar pela implementação de uma Educação Sexual Emancipatória pautada numa exigência ética, estética e política almejando a formação de uma vivência autônoma e crítica da sexualidade. Por isso, lutamos por uma formação docente para a educação sexual nas escolas, para que possamos elevar a qualidade das intervenções sobre a temática da sexualidade. O que visualizamos hoje são crianças, jovens e adultos com informações pautadas na visão senso-comum, condicionados pela mídia, pela sociedade capitalista que os induzem a uma sexualidade: reducionista, instintiva, mercantilista, consumista e quantitativa.

As pessoas hoje têm acesso fácil às informações sobre sexo, mas visões limitadas e distorcidas sobre a sexualidade, como já dissemos em outro momento, há uma grande diferença entre informar e formar, informar, educar e conscientizar. Acreditamos que o caminho para mudarmos este cenário de crise social sexual só pode se dar por pelo viés de um processo de emancipação. Ou seja, a superação das visões e comportamentos a que fomos condicionados e somos ainda condicionados pela cultura, pela sociedade, através da superação de: preconceitos, tabus e valores arraigados culturalmente (seja em relação ao gênero ou em relação ao reducionismo corporal da sexualidade) disseminados pela sociedade vigente.

Acreditamos ainda, que para isso, faz-se necessários criar espaços de diálogos e debates sobre a temática da sexualidade na academia e na sociedade para que esse processo se efetive. E especialmente por esse motivo nasce a idéia da realização deste I Ciclo de Palestras sobre Sexualidade, Educação e Saúde Sexual da Faculdade Dom Bosco, com o apoio da Abrades e do PAM-Programa de Ação e Metas – Projeto de combate à DST e AIDS da Prefeitura.

Quero agradecer a direção da Faculdade Dom Bosco que nos incentivou e apoiou na realização deste evento, e a participação de todos os inscritos que atingiram o número que foi limitado nas inscrições devido ao espaço físico disponível.

Tivemos uma excelente tarde de aprendizado e trabalhos, onde fomos agraciados com as palestras dos meus colegas da Faculdade Dom Bosco Prof. Dr. João Ricardo Anastácio da Silva, Profa. Esp. Marlene Vitória Bíscaro, com a participação generosa da Enfermeira Cristiane Bressam, que nos brindaram com suas falas neste I Ciclo, a eles meu agradecimento especial, por atenderem prontamente ao nosso convite de maneira voluntária, pela nobreza da ação em pleno sábado, e ainda ressaltar a presença carinhosa do Professores Mestres Élson e Fernanda, da secretária da instituição Michélle e de uma das sócias-diretoras da Faculdade Dom Bosco Regina, que estavam humildemente entre os participantes do curso. Nosso muito obrigado de coração a todos que lá estiveram pela brilhante participação e pelo sucesso do evento que certamente só foi possível com a presença de todos. Faz-se ainda necessário ressaltar e agradecer a todos os participantes entre alunos e comunidade externa que se fizeram presentes em todas as palestras e na oficina que era para terminar às 17h, mas se estendeu até às 18h com a anuência de todo o grupo presente que participou com alegria e satisfação de todas as atividades.

Em tempos de uma sexualidade deserotizada, genitalista, quantitativa, mecânica e instintiva, precisamos superar o exibicionismo dos corpos belos pela afetividade dos belos corpos (ideias), buscando uma sexualidade pautada no respeito por si e pelo outro, pela afetividade, por relações qualitativas e éticas, não moralistas nem repressivas, mas plenas de significações subjetivas, para além de físico-corporais, ou seja, uma sexualidade não apenas constituída de impulsos e instintos do corpo, mas de desejos e afetos da alma. E para isso, educadores, pais, enfim a sociedade precisa compreender a própria sexualidade, superar suas limitações e engendrar suas possibilidades, pois consideramos que “ninguém será plenamente feliz, se não for “eroticamente” realizado”.

Essas possibilidades éticas e idealizações pedagógicas somente serão realizadas, se assumirmos o pressuposto de uma sociedade que supere a dominação, a exploração do homem pelo homem, o afã do lucro e da produção, para dar lugar à isonomia, ao amor e solidariedade, à justiça e ao reconhecimento de nossa natureza dialógica. Essas disposições somente serão possíveis num horizonte para além do capital e seus derivados culturais, seus estigmas e divisões, numa sociedade socialista, emancipatória e eroticamente nova.

Espera-se que a Educação Sexual Emancipatória, na família e nas escolas, possa ser delineada, procurando contribuir para outra perspectiva de Educação capaz de atentar efetivamente para a compreensão da vida em sua totalidade. Tomamos a liberdade de pedir a permissão da ciência e a generosa anuência dos leitores para, nos parágrafos finais deste estudo, deixar o corpo inteiro da pesquisadora falar, pois sexualidade envolve o nosso corpo todo e não seria coerente descurar dessa totalidade. Permitam-me também divagar, poetizar sobre as faces e interfaces da sexualidade, sobre a beleza suprema do amor. Desnudem suas almas nesse momento e sintam cada expressão que a sexualidade pode ter em nossas vidas.

Convidamos todos a participarem desta luta por educação sexual emancipatória nos ajudando assim a produzir práticas diferenciadas na construção da vivência de uma sexualidade livre de pudores, repressões, dogmas, preconceitos e tabus, mas acima de tudo responsável afetiva e corporalmente, buscando uma vivência prazerosa e plena da sexualidade.

E já atendendo ao pedido dos presentes declaramos que em breve estaremos planejando o II ciclo de palestras sobre Sexualidade, Educação e Saúde Sexual aprofundando alguns dos temas do I ciclo e abordando outras temáticas da sexualidade.

Abaixo alguns flashes do evento que contou com os seguintes palestrantes e temas:

Direito Sexual e Prazeres Sexuais Criminosos – Prof. Dr. João Ricardo Anastácio da Silva
          Educação Afetivo-Sexual – Profa. Dra Cláudia Bonfim
Prevenção e Métodos – Enfermeira Cristiane Bressan
                    Corpo e Consciência Corporal – Prof. Esp. Marlene Vitória Bíscaro
          Oficina de Criatividade Erótica – Profa. Dra Cláudia Bonfim










quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Nota e Agradecimentos

Nossos agradecimentos pela quase fiel reprodução do nosso artigo 'Omissão e Permissividade = Puberdade e Erotização Precoce', no site: http://www.acessepiaui.com.br/sexualidade/erotiza-o-precoce/8573.html

Ficamos felizes em saber, que estejamos inspirando e conseguindo socializar nossos aprendizados!

Abraço a todos!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Omissão e permissividade = Puberdade e erotização precoce


Continuando nossa reflexão sobre erotização e puberdade precoce, hoje vamos abordar alguns fatores que induzem a criança à erotização precoce, e à vivência precoce da sexualidade ativa, fruto de uma entrevista que concedemos à jornalista Nathália para o site da Revista Veja no início do mês de setembro.

Acreditamos que muitas vezes, os próprios pais, inconscientemente, condicionados pela mídia, pelo mercado da moda e pela indústria do sexo acabam por contribuir permissivamente, direta ou indiretamente para uma erotização precoce da criança.

Um exemplo visível disto, é forma como as crianças, especialmente as meninas se vestem desde crianças e na adolescência.

O uso de roupas que sensualizam precocemente o corpo da menina, expõe as crianças e adolescentes precocomente à vivência de uma vida sexual ativa, ao abuso moral e à violência sexual. O que traz implicações sociais e especialmente psicológicas graves à menina, que embora esteja vivenciando precocemente a puberdade ainda tem uma mentalidade infantil.

Existem questões sociais e familiares que devem ser ressaltadas para que possamos refletir criticamente sobre como, muitas vezes, somos omissos ou permissivos. Precisamos sair do papel de vítima da sociedade, e atentar para o fato de que ainda que o Estado e a mídia tenham sua parcela de responsabilidade, a mídia como já apontamos em um outro artigo, é apenas reflexo das expectativas da sociedade, é ressonância social.
A família precisa tomar para si a responsabilidade que lhe cabe, seu papel educativo, os pais são os responsáveis diretos pelos filhos e devem orientá-los, esclarecê-los, desenvolver nos filhos valores éticos para que sejam capazes de discernir conscientemente sobre suas escolhas e conseqüências e não se deixam seduzir pelos apelos midiáticos só para se sentir “moderninhos”, para que não cedam às pressões sociais, só para se tornar mais um membro da tribo “maria-vai-com-as-outras”, sem personalidade própria.
As meninas estão se maquiando cada vez mais cedo, este é outro fato que tem se tornado comum, entre as meninas e que devemos analisar criticamente de cinco, sete e até dois anos. Sabemos da necessidade que as meninas tem de referência materna, isto em todos os sentidos por isso cuidado mães, as filhas são nosso espelho. A maquiagem, se torna muitas vezes, o prolongamento do ego da menina. Quando a menina usa maquiagem e mãe e a família declaram: “como ficou linda”, acabam por acentuar e permitir que na criança a idéia de que, se maquiar a torna mais bonita e mais completa.

Ainda precisamos atentar para o fato que, a maquiagem induz ao risco também de uma “erotização precoce”, uma menina maquiada torna-se mais sensual e mais exposta à sedução, imagine então, uma menina que já vive uma puberdade precoce, ao 8 anos, já com o corpo se desenvolvendo precocemente, usando uma roupa sensual (miniatura da roupa da mulher adulta) e sandálias de salto alto, pois como já apontei anteriormente, hoje nas lojas não se acha roupa e sapatos para criança, e sim roupas e sapatos de mulher adulta miniaturizados, e ainda fazendo uso de maquiagem, eis ai uma vítima inconsciente, exposta aos olhares de pedófilos e ao desejo instintivo.

Portanto, os pais devem entender que tudo que se torna socialmente aceitável para a criança está no imaginário dos pais. A criança ainda não adquiriu o discernimento necessário para saber o que de fato pode ser bom ou ruim, e isto ela só vai adquirir se for orientada adequadamente, a criança ainda está construindo sua identidade, e com a omissão ou permissividade dos pais fica exposta aos apelos publicitários e à “onda moderna” da sociedade.

Outra questão difícil de ser lidada é pressão vivido pela garota, que passa a sofrer discriminação. Por ser diferente das amigas, ela pode acabar sendo excluída do grupo. Aquelas que se desenvolvem precocemente tendem a se tornar mais retraídas.

 Faz-se necessário ainda alertamos que mesmo que a maquiagem seja vista pelas pessoas éticas como algo inofensivo, inocente, por parte da criança e assim deveria ser, devemos lembrar que, muitos pais vêem as crianças e especialmente os próprios filhos como seres assexuados. Porém, os pedófilos não enxergam apenas uma criança de batom e blush e com uma roupinha da moda. Enxergam um corpo erótico e não se importam se este corpo erótico é de uma criança, ou seja, isso não é condição “sine qua non”, a sensualização do corpo da criança vai despertar ainda mais o desejo do pedófilo, pois para aqueles que possuem uma personalidade pervertida, isso significa apenas mais um estímulo.

Cada vez mais cedo as meninas cada criam a fantasia de ser uma mulher madura, por não conseguirem entender que cada fase tem suas belezas e potencialidades. Devemos entender que ainda por mais que tenham desenvolvido precocemente um “corpo de mulher adulta”, não têm maturidade para não ceder e se defender dos assédios e abusos sexuais. E a erotização precoce oferece um estímulo à esses assédios.

E lembrando Freud, outro fator fundamental a ser lembrado é que faz-se necessário que completemos cada fase de nossa vida, portant antecipar a puberdade, a erotização e a vida sexual ativa, acarreta prejuízos psicológicos graves, pois não conseguimos atingir a maturidade psicológica necessária para vivermos a fase seguinte, por queimarmos etapas essenciais para o desenvolvimento saudável da criança, bem como não estabelecendo que cada fase da vida tem suas possibilidades e limites que devem ser respeitados e vividos plenamente. Estimular a vaidade excessiva e precoce da criança pode nos custar muito caro, pois a maior vítima dessa permissividade ou omissão são nossos próprios filhos.

E quando a professora diz que não é saudável a criança se maquiar, muitos pais permissivos criticam-na. E algumas mães que não deixam as filhas se maquiarem são denominadas de chatas pelas filhas, que induzidas pelo grupo social e pela publicidade acreditam que podem fazer o que querem e que isso é moderno e aceitável.

Não podemos esquecer que vivemos numa sociedade capitalista, mercantil que incita ao consumismo no qual as crianças, são as maiores vítimas, por ser o clientes mais fáceis de seduzir.

Outro fator de erotização precoce são as “músicas” que nada tem de sensuais, que são extremamente vulgares como o funk, o ritmo pode ser alucinante, mas a maioria deles com letras que depreciam a imagem feminina, que vulgarizam o corpo, que induzem á uma erotização precoce e à vivência de uma sexualidade ativa e contribuem para uma visão reducionista, banal, genitalista e quantitativa da sexualidade. Porém, muitas crianças crescem ouvindo e vendo os próprios pais condicionados por esses sons. E reproduzem o que ouvem e visualizam, sem o discernimento necessário, muitas vezes, sem ter idéia real do que representam.

Proibir nunca deve ser a palavra de ordem em nenhuma fase da vida, a ordem é CONSCIENTIZAÇÃO, ORIENTAÇÃO. Não é proibindo que se educa, é esclarecendo, dialogando, e lembrem-se o convencimento se dá não por palavras, mas por atitudes, exemplos práticos, atos. Não adianta pensar que a criança que não sabe distinguir aquela frase: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Temos que ser coerentes, e coerência parafraseando o educador Paulo Freire “é a menor distância possível entre aquilo que eu penso, aquilo que eu falo e aquilo que eu faço.”

Como já apontamos em outros artigos e falas, há que se ter autoridade perante os filhos e não poder. Autoridade implica em respeito e imposição em medo. Autoridade se conquista pelo diálogo e pelo exemplo. lei, proibição e coerção são quase inúteis, em todos os sentidos sociais, a conscientização crítica se dá a partir do estabelecimento de um diálogo aberto e respeitoso, por isso, mais do autoritarismo, leis e códigos, precisamos formar valores éticos.

Quem respeita a autoridade dos pais, age da mesma forma perto e longe deles. Quem tem medo dos pais age de uma forma na frente deles e longe deles age completamente diferente. Autoritarismo gera medo, autoridade gera respeito. Autoritarismo pode gerar o fim precoce da infância, a omissão e a permissividade podem ter como efeitos colaterais a puberdade e a erotização precoce, ou seja um amadurecimento precoce físico, mas não psicológico.

Crianças e adolescentes precisamos aprender a dialogar, a ouvir e serem ouvidas, tem que ter direito a explicações e a explicarem, devem ser respeitadas e compreendidas. Respeito é uma via de mão dupla, tem quer ser mútuo, recíproco. O amadurecimento se dá pelo diálogo e por uma relação pautada na confiança e no respeito. Dessa forma, seus filhos se sentirão à vontade para esclarecer qualquer dúvida e aflições e contarem o que se passa com eles.

Não é fácil atingir o equilíbrio e saber dosar entre o que pode ser lúdico e saudável e o que acentua uma erotização precoce e estimula a vaidade exacerbada. Por isso, a necessidade dos pais e educadores conhecerem como se desenvolve a sexualidade humana e especialmente as fases do desenvolvimento infantil. Mas sobre isso abordaremos num próximo post. Abraços!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

EROTIZAÇÃO E PUBERDADE PRECOCE

Há algumas décadas, a primeira menstruação (menarca), ocorria entre 13 e 15 anos. Hoje, varia entre 10 e 12 anos de idade, decorrente da puberdade precoce, que é bem comum em meninas.

Os caracteres sexuais secundários como o aumento dos seios e o aparecimento dos pelos pubianos e axilares costumam ocorrer dois anos antes da primeira menstruação. Portanto, em média, partir dos 8 anos de idade a menina já começa a ter seu corpo modificado, porém, ainda sem o discernimento necessário para a vivência da sexualidade ativa, mas já com um corpo com formas sensualmente precoce.

Ao menstruar ocorrem mudanças corporais visíveis no corpo da menina, que ganha contornos mais femininos. Além do despontar dos seios e dos pelos, a região dos quadris e das coxas, adquirem um formato arrendondado e afina a cintura. A chegada da menstruação indica que a garota já produz óvulos e pode engravidar.

Essas mudanças físicas precoces podem contribuir negativamente no sentido de tornar a menina mais vulnerável à pedofilia, a sofrer um abuso sexual e moral, à uma gravidez não planejada, que pode se tornar indesejada.

Os dados do Ministério da Saúde apontam que, no Brasil, cerca de 25% dos partos, são de adolescentes. E mais alarmante ainda, que 15% destes partos ocorrem com meninas na faixa etária de 10 a 14 anos.

O desenvolvimento prematuro do corpo aumenta o poder de atração sexual, e eis o maior agravante: uma criança, com um corpo erótico de mulher adulta, ainda sem o discernimento necessário, para se defender ou identificar esses abusos e assédios, e menos ainda prevenir-se de uma gestação.

Os conflitos psicossociais que geralmente ocorrem na adolescência com essa precocidade aumentam ainda mais. Precisamos alertar ainda que, as mudanças físicas prematuras, e a menstruação antecipada, a maturação dos ossos é acelerada e, consequentemente, a menina crescerá menos. O crescimento da menina, dependendo dos fatores genéticos, após a menarca, é em média, de 6 centímetros.

Biologicamente explicando, a puberdade precoce ocorre quando a hipófise começa precocemente a liberar os hormônios sexuais, que afetam os órgãos sexuais, o que pode ser decorrente de uma anomalia na hipófise ou de uma anomalia no hipotálamo, a região do cérebro que controla a hipófise. Embora seja mais comum em meninas, também afetam os meninos. Pesquisas apontam que cerca de 60 % dos meninos que apresentam puberdade precoce possuem uma anomalia identificável. Já aproximadamente 80 % das meninas de 6 a 8 anos, ou mais com este problema não se consegue identificar nenhuma anomalia. Na puberdade precoce, os testículos ou os ovários aumentam até alcançarem o tamanho de adulto.

Importante destacar que, em alguns casos, ocorre a denominada puberdade pseudoprecoce quando são liberadas acentuadas quantidades de hormônios sexuais masculinos (androgênios) ou femininos (estrogênios) mas esses hormônios não provocam a maturação das glândulas sexuais, apenas provocam mudanças corporais visíveis, ou seja, que fazem com que a criança se assemelhe fisicamente a um adulto.

Nos meninos, tanto na puberdade precoce como a pseudoprecoce, ocorre o nascimento dos pelos púbicos, axilares e da barba, aumento do pênis, e estes adquirem uma aparência mais masculinizada. Importante dizer que nesta fase os meninos também podem ter um pequeno aumentos das mamas. E tanto nos meninos, como nas meninas, pode ocorrer o aparecimento de acnes e mudança no odor corporal. A altura aumenta rapidamente, mas param de crescer com pouca idade. Em consequência, a altura final é menor do que seria normal.

Alguns estudos apontam que não há causa única para a puberdade precoce, esta decorre de diversos fatores que podem ser genéticos aliados conjuntamente à uma alimentação inadequada, ao sedentarismo, à obesidade, da estimulação precoce da sexualidade ativa especialmente através da mídia, especialmente a Internet e a TV; da influência negativa da forma como a própria família vivencia a sexualidade, da pressão social que sofrem, com cobranças excessivas por parte dos pais e da escola; das poucas e mal dormidas horas de sono...

A adolescência por si só, já é um período complexo, de muitas mudanças: físicas, emocionais e sociais, que se complica ainda mais quando esse processo é precoce.

É importante que os pais fiquem atentos aos sinais de uma puberdade precoce para que possam orientem seus filhos e também para que possam levar a menina ao médico para que a mesma faça um tratamento que busque interromper a produção dos hormônios sexuais que ocorram antes da idade considerada adequada antes da ocorrência da menarca, evitando assim, que a criança não sofra as conseqüências físicas, sociais e psicológicas da puberdade precoce.

Faz-se necessário que pais e educadores compreendam que os paradigmas da sexualidade mudaram, e em muitos aspectos se tornaram precoces e exacerbados nas últimas décadas. Como apontamos, as crianças e adolescenteshoje tem livre acesso a informações (ou desinformações) sobre sexo na maioria das vezes de maneira banal, vulgar, que induzem à um visão reducionista, distorcida, genitalista e quantitativa da sexualidade, sendo estimulados a iniciar precocemente a vivência da sexualidade ativa.

O que nos convoca pais e educadores a dialogar com nossos filhos e alunos de maneira aberta, tranqüila, crítica e emancipatória sobre o desenvolvimento da sexualidade. Se você negar a sexualidade da criança e do adolescente e não orientá-los, só estará contribuindo para que ele inicie precocemente a vida sexual ativa e corra riscos de uma gravidez não planejada, de contrair DST-s e Aids, e a viver uma sexualidade banal.

Portanto Pais: orientem seus filhos, desenvolva neles valores e auto-estima, expliquem como sobre a utilização dos métodos anticonceptivos e após o início da vida sexual ativa deles, leve a menina ao ginecologista, e o menino ao urologista. Esclareçam sobre os prazeres da vivência da sexualidade ativa, e sobre a responsabilidade e conseqüências, ressaltando que deve ser sempre praticada de maneira segura.

Uma educação sexual emancipatória deve esclarecer que a sexualidade consciente é um ato de prazer e afetividade. É para ser significativa deve ser muito mais que um simples momento de prazer e necessidade física. Mesmo o ato sexual em si, é uma maneira de se relacionar com outra pessoa, que deve ser respeitada, admirada, é um momento de carícias e carinhos, e isto é que torna ainda mais prazerosos um relacionamento. Fazer sexo apenas para “afirmar-se” homem ou mulher e exibir-se perante o grupo que convive, é tratar o outro como objeto, e não como ser humano, e não ter ética nem consigo mesmo.

E esta educação sexual deve estar presente também na escola, de maneira emancipatória, crítica, metodologicamente correta, num espaço de diálogo, orientação e debate que aborde a prevenção e o prazer. Por isso, a necessidade como já defendemo,s da urgente capacitação docente, para a formação da consciência crítica das crianças e adolescentes.

Não basta, como já dissemos, programas de educação sexual como os da vertente governamental que se pautam na distribuição de preservativos visando combater as DST´s, a Aids e dimunuir o número de gravidez na adolescência, estes são importantes, mas não suficientes. Precisamos de formação adequada, e não apenas de boa vontade para falar sobre sexualidade. Precisamos superar a falsa moral da sociedade e entender a sexualidade como um aspecto central do desenvolvimento humano e da sua qualidade de vida. È urgente a criação e o investimento em políticas públicas de educação sexual e saúde sexual.

A infância tem sido cada dia mais curta. Rompida negativamente por uma erotização precoce da criança, que inconscientemente passa a ser vítima de uma sociedade que reduz a sexualidade ao ato sexual, de maneira banal, meramente instintiva e quantitativa.

Há inúmeros fatores que induzem a criança à erotização precoce, e à vivência precoce da sexualidade ativa. Mas, sobre esses fatores continuaremos a abordar no próximo post. Até lá!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A escola e formação da consciência corporal crítica da criança e do adolescente frente à visão reducionista do corpo na sociedade capitalista mercantil


Continuando nosso post sobre a escola e a negação do corpo e da sexualidade da criança.. Consideramos necessário e urgente analisar e refletir criticamente sobre a percepção que permeia o conceito e a visão de corpo na sociedade atual abordando desde o conceito padronizado de beleza (mito de corpo perfeito), corpo como objeto (coisificado), corpo como mão-de-obra explorada (visão capitalista), o corpo como produto (visão mercantil - prostituído) e a dificuldade de reconhecimento do próprio corpo (corpo sexual controlado, reprimido), fruto de uma visão social reducionista da sexualidade, sendo um dos fatores que levam à vivência reducionista da sexualidade, focando-a nas genitálias (no ato sexual), deixando de reconhecer, compreender, explorar e vivenciar o corpo em sua totalidade e potencialidade.
Como afirma Foucault (2006), desde o século XVIII a sociedade passou a viver sob repressão sexual. E que, a ascensão da burguesia, reduziu o sexo à sua função reprodutora, onde o casal procriador passou a ser o arquétipo. E O que não se enquadra dentro desta “normalidade“- é excluído, negado, silenciado. Mas, a sociedade burguesa permite algumas exceções, restringindo as sexualidades negadas a lugares onde possam gerar lucros, como por exemplo, as casas de prostituição.
Louro (2007), afirma que a sexualidade, os corpos e os gêneros vêm sendo descritos, compreendidos, explicados, regulados, saneados e educados pelas instâncias sociais. Bonfim (2009) entendendo a sexualidade como todas as nossas manifestações e interações biológicas, psicológicas e sociais também aponta que o corpo funciona como lugar de categorização social, como superfície de inscrição de marcas distintivas como as vestimentas, o comportamento corporal constituindo-se inclusive, em tipificações de classes sociais, culturas, gênero, entre outros.  Embora, a  sexualidade seja  a dimensão das interações humanas ligando-se diretamente ao corpo como dispositivo de prazer (inclusive de reprodução e produção), o entendimento que se tem do corpo constrói-se, a partir das representações sociais do corpo e com as fantasias individuais.
Consideramos que a escola como um todo é um campo privilegiado para desenvolver a consciência corporal, e a disciplina de Educação Física em especial, que apresenta um campo privilegiado para trabalhar as manifestações da sexualidade das crianças por ser uma área que está, constantemente, voltada para o domínio do corpo, contribuindo assim, para a problematização e desconstrução dos conceitos de corpo, gênero e sexualidade hegemônicos no contexto escolar especialmente no que diz respeito a valores éticos e estéticos. Pode trabalhar o sentimento, a auto estima e o prazer que estão diretamente ligados à sexualidade. As atividades físicas de maneira geral, apresentam-se também como uma forma de aprender a expressar, respeitar e lidar com os afetos, sentimentos, desejos, de si mesmo e do outro. Outro trabalho importante onde a educação física se apresenta como um campo capaz de propiciar reflexões ricas diz respeito à cultura corporal. Podendo contribuir para a superação dos modelos e estereótipos idealizados de corpo belo, a percepção que permeia o conceito de corpo na sociedade atual abordando desde o conceito padronizado de beleza (mito de corpo perfeito), especialmente na adolescência, onde estes conceitos esteriotipados, levam os jovens a uma construção negativa da sua auto-imagem, prejudicando sua auto-estima, e através de reflexões críticas, pode-se reverter estes hábitos nada saudáveis que muitos adolescente adotam para incluir-se na ditadura de beleza imposta pela sociedade. Conhecer seu corpo, aprender a cuidar e valorizar a saúde; é um dos caminhos que levam a formação da consciência crítica que torna uma pessoa capaz de fazer escolhas conscientes responsáveis inclusive, a respeito da vivência de sua sexualidade. 

Consideramos como Altamann e Souza que no campo específico do gênero a Educação Física pode contribuir para a superação dos preconceitos especialmente relativos à prática esportiva.  Porém, a  formação docente não tem oferecido os subsídios pedagógicos necessários para que os docentes possam realizar um trabalho que contribua para quebrar os preconceitos de gênero no ambiente escolar.  

É importante lembrar que o preconceito de gênero não é apenas relacionado ao sexo feminino, os meninos também sofrem diversos preconceitos como bem coloca Altmann e Souza (1999, p. 56):
Não se pode concluir que as meninas são excluídas de jogos apenas por questões de gênero, pois o critério de exclusão não é exatamente o fatode elas serem mulheres, mas por serem consideradas mais fracas e menos habilidosas que seus colegas ou mesmo que outras colegas. Ademais, meninas não são as únicas excluídas, pois os meninos mais novos e os considerados fracos ou maus jogadores frequentam bancos de reserva durante aulas e recreios, e em quadra recebem a bola com menor freqüência até mesmo do que algumas meninas. Tais constatações mostram-nos que a separação de meninos e meninas nas aulas de educação física desconsidera a articulação do gênero com outras categorias, a existência de conflitos, exclusões e diferenças entre pessoas do mesmo sexo, além de impossibilitar qualquer forma de relação entre meninos e meninas.” Altmann e Souza (1999, p.5)

Louro (2004, p. 72) também afirma que:
[...] nas aulas de educação física esse processo é, geralmente, mais explícito e evidente. Ainda que várias escolas e professores/as venham trabalhando em regime de co-educação, a educação física parece ser a área onde as resistências ao trabalho integrado persistem, ou melhor, onde as resistências provavelmente se renovam, a partir de outras argumentações ou de novas teorizações.

Essas resistências que segundo Altmann e Souza (1999, p. 57) afirmam estão historicamente relacionadas com  o forte vínculo da Educação Física com a concepção biologista e positivista.
Essa história mostra que na aparência das diferenças biológicas entre os sexos ocultaram-se relações de poder – marcadas pela dominação masculina – que mantiveram a separação e a hierarquização entre homens e mulheres, mesmo após a criação da escola mista, nas primeiras décadas deste século. Buscou-se manter a simbologia da mulher como um ser dotado de fragilidade e emoções, e do homem como força e razão, por meio das normas, dos objetos, do espaço físico e das técnicas do corpo e dos conteúdos de ensino, fossem eles a ginástica, os jogos ou – e sobretudo – os esportes.

 Retomando Altmman e Souza (1999, p. 58)
Com a introdução do esporte moderno como conteúdo da educação física escolar no Brasil, principalmente a partir dos anos 30, a mulher manteve-se perdedora porque era um corpo frágil diante do homem. Todavia, era por “natureza” a vencedora nas danças e nas artes. O corpo da mulher estava, pois, dotado de docilidade e sentimento, qualidades negadas ao homem pela “natureza”. Aos homens era permitido jogar futebol, basquete e judô, esportes que exigiam maior esforço, confronto corpo a corpo e movimentos violentos; às mulheres, a suavidade de movimentos e a distância de outros corpos, garantidas pela ginástica rítmica e pelo voleibol. O homem que praticasse esses esportes correria o risco de ser visto pela sociedade como efeminado. O futebol, esporte violento, tornaria o homem viril e, se fosse praticado pela mulher, poderia masculinizá-la, além da possibilidade de lhe provocar lesões, especialmente nos órgãos reprodutores. À medida que os anos transcorreram, as perspectivas sob as quais se adjetivava o esporte foram se alterando e, nas últimas décadas, presenciamos algumas mudanças: aos homens é dado o direito de praticar o voleibol, sem riscos para sua masculinidade, e o futebol passa a ser praticado por mulheres, tanto nos clubes quanto em algumas escolas. Entretanto, não se pode considerar que, pelo fato de homens e mulheres praticarem os mesmos esportes, estes tenham deixado de ser genereficados. Basta uma análise mais cuidadosa do noticiário divulgado  para verificarmos que eles continuam, de maneira geral, estreitamente ligados à imagem masculina: destacam-se a beleza das atletas, suas qualidades  femininas, sempre frisando que são atletas, mas continuam mulheres.

Aproveitamos o tema  para divulgar que estivemos no mês de agosto apresentando um trabalho no I Simpósio Internacional de Imagem Corporal e I Congresso Brasileiro de Imagem Corporal entitulado: A VISÃO REDUCIONISTA DO CONCEITO DE CORPO NA SOCIEDADE CAPITALISTA MERCANTIL. Onde apontamos que a sociedade capitalista vê o corpo como mera força de trabalho e com a mercantilização do sexo, o corpo produtor de bens, passa a ser “ele próprio” objeto, fonte de produção capital.


A visão de corpo vigente é condicionada pela sociedade capitalista mercantil midiática, conduzindo a visões esteriotipadas, limitadas e reducionistas do corpo, ora como mão-de-obra, ora como objeto,  ora como um produto, desumanizando as relações sociais e afetivo-sexuais. As crianças e adolescentes induzidas pela mídia, em especial a televisão acaba por incorporar como corpo e comportamento ideal os estereótipos de modelos e artistas, que lamentavelmente em muitos casos, não são nada éticos. Especialmente no âmbito da sexualidade feminina onde os corpos das mulheres são usados para atrair audiência e parecem produtos expostos numa vitrine, chamada televisão. As mulheres semi-nuas vulgarmente exibindo seus corpos padronizados acabam por ser o modelo de corpo e comportamento a que os adolescentes por falta de discernimento e senso crítico são condicionados a ter como referência.
A conscientização deve ser bilateral, ou seja, de ambos os lados: escola e família. A visão natural acerca do termo sexualidade deve acontecer não só dentro do ambiente escolar, mais dentro do seio familiar.
A escola não é mera preparação de mão de obra para atender as demandas e interesses da sociedade capitalista. A educação é processo de hominização do homem. Entendemos que, a escola é um dos ambientes mais adequados para a formação valores capazes levar os educandos a romperem esse círculo vicioso da cultura e com os padrões corporais esteriotipados que alicerçam a sociedade capitalista mercantil. Aos educadores diríamos que, conhecer o corpo, suas possibilidades e potencialidades, é tão importante, quanto o aprendizado da leitura e da escrita do mundo, é saber ler a si mesmo e escrever sua história. Assim como adquirimos conhecimentos para transformar o mundo num lugar melhor, devemos conhecer nosso corpo e nossa sexualidade para tornamos melhor nosso mundo interno: corpo e mente, que são o berço das significações da vida.
 No mais sabemos que a cada a erotização e a puberdade estão cada dia mais precoces o que aponta a necessidade emergencial de se abordar esse assunto dentro do ambiente escolar para orientar nossas crianças e adolescentes para que desenvolvam de maneira saúdavel, natural e tranquila, e para que não deixem de viver plenamente a infância que é uma fase essencial, assim como todas as outras fases da vida, mas que se não for desenvolvida plenamente poderá marcar uma pessoa profundamente pelo resto da vida, mas sobre isso trataremos melhor num próximo post. Até lá!
 Referências:
 ALTMANN, Helena; SOUZA,  Eustáquia Salvadora de. Meninos  Meninas: Expectativas Corporais e Implicações na Educação Física Escolar. Cadernos Cedes, ano XIX, nº 48, Agosto/99, p. 52-68.
BONFIM, Cláudia Ramos de Souza. Educação Sexual e Formação de Professores de Ciências Biológicas: contradições, limites e possibilidades. (Tese de Doutorado). Campinas, SP: FE/UNICAMP, 2009.
 FOUCAULT, Michel. História da sexualidade: a vontade de saber. (V. I.). Rio de Janeiro: Graal, 2006.
 ______. Microfísica do Poder. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
LOURO, Guacira Lopes. (2007). Pedagogias da Sexualidade. In: O corpo educado. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
______. Gênero, sexualidade e educação; uma perspectiva pós estruturalista. Petrópolis: Vozes, 2004.

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