quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MASTURBAÇÃO FEMININA: um olhar histórico e educativo


“Todos temos direito à ter uma vida sexual saudável e prazerosa. A masturbação feminina, assim como a masculina é saudável, desde que não se torne obsessiva.  
Conhecer o próprio corpo é primordial para melhorar a qualidade da vida sexual com seu parceiro, assim como conhecer as zonas erógenas do corpo do outro, pois dessa maneira  você saberá como sentir e proporcionar maior prazer.  importante ressaltarmos que, mesmo a masturbação sendo uma fonte de prazer, não pode, nem deve ser a única. E você não precisa fazer isso sozinha (o), ela pode ser uma das formas de excitar seu/sua parceiro (a). Porém, lembrem-se que sexo não se limita às genitálias, ou seja, a sexualidade engloba a genitalidade, mas não se reduz à ela. A sexualidade está em todo corpo. (Profa. Dra. Cláudia Bonfim) 
Para Monteoliva (1990, p.33), “a genitalidade é a forma cuja função concreta é a produção de prazer e a procriação, é o sexo físico como uma expressão instintiva do desejo humano e acaba, ao ser atingido o orgasmo.”
Por isso, como já apontamos, sexo é momentâneo, já sexo com afetividade e erotismo é que vai estender esse momento de prazer para uma sensação de bem-estar e leveza para a vida.” [...]   (Profa. Dra. Cláudia Bonfim, 2010)
Ouça o post e saiba mais sobre a MASTURBAÇÃO FEMININA...
No próximo post vamos abordar sobre a Sexualidade Feminina e posteriormente sobre Masturbação Masculina, Polução Noturna e sobre os mitos e tabus que envolvem a masturbação. Abraços e te espero aqui no nosso blog sempre.

sábado, 20 de novembro de 2010

SEXUALIDADE E MASTURBAÇÃO



Etimologicamente, Masturbação já surge como um ato feio, sujo. A palavra foi citada pela primeira vez pelo poeta Marcial no século I d.C., já com origem semântica depreciativa derivando-se de “manu” e “stuprarere”, ou seja, “sujar com as mãos”.
A masturbação é uma prática sexual que costuma efetuar-se com as mãos, como também esfregar os genitais contra algum objeto. Nos dias de hoje é comum o uso dos chamados "brinquedos sexuais" ou eróticos, para excitar-se. 
A masturbação é algo saudável  e deve ser encarada com tranquilidade pelos pais, que devem conversar individualmente com seus filhos explicando que a masturbação é um momento extremamente íntimo, que, portanto, diz respeito tão somente ao adolescente, o que significa que há espaços adequados e restritos para que ela ocorra.  Não devemos reprimir, apenas orientar, pois este é um dos fatores culturais que fazem tanto os adolescentes, quanto algumas pessoas adultas ainda sentirem culpa pela masturbação.
Como apontamos com Freud, desde a primeira infância, podemos observar ereções penianas do bebê especialmente quando a mãe vai trocá-lo. Em torno dos três ou quatro anos de idade a criança começa curiosamente a manipular suas genitálias. A brincadeira de cavalinho, entre outras é uma forma da criança inconscientemente buscar o prazer e "masturbar-se". Porém, devemos esclarecer que nesta idade o mais correto é dizer que a criança manipula-se, pois a masturbação é um ato consciente com o objetivo de obter prazer, já a manipulação é um ato natural, de conhecimento de si, de curiosidade e de um prazer sem caráter erótico. Já na puberdade e na adolescência é comum a manipulação direta das genitálias, assim como roçar o pênis ou o clitóris, já com vistas ao prazer, podendo denominar-se masturbação.
Freud foi quem primeiro afirmou ser a masturbação  algo comum na infância e na adolescência, como parte do desenvolvimento sexual, porém temos que discordar pela primeira vez do mesmo teórico que dentro da psicanálise, então apontava ser uma causa de neurose na fase adulta. 
Penso que para entendermos as neuroses, assim como a sexualidade na sua totalidade temos que integrar diversas áreas de estudos desde a Biologia, a psicologia, a antropologia, entre outras. 
Como já apontamos, a criança se "masturba" ou  se manipula, num primeiro momento na busca de um prazer de maneira inconsciente e melhor dizendo acidental, o esbarrar a genitália em algum objeto, nas brincandeiras como já apontamos, ou no esbarrar-se no corpo do outro, assim como segurar o “pipi”, entre outros. Na adolescência, quanto mais eles se isolam do mundo e do contato interpessoal com o outro, a masturbação se intensifica. Não há do ponto de vista científico um número exato que determine o limite entre masturbação normal ou excessiva, obsessiva. Porém, esta deve fluir de maneira natural, transitória e sem culpas.
Havelock Ellis, foi outro teórico que não apenas afirmou ser a masturbação  era comum nos homens, como também se tratava de uma prática habitual nas mulheres de todas as idades.

Historicamente o ato ou a fantasia da Masturbação sempre esteve  ligada à inúmeros tabus e considerada pecaminosa. Interessante apontar que a  masturbação já foi considerada pecamisa pela igreja que considerava um desperdício de sêmen (espermatozóides), pelo fato da religião entender o ato sexual com função reprodutiva, ou seja, gerar filhos.
A masturbação é uma forma de exercitar a fantasia erótica, isso para ambos os sexos, pois, é nosso momento mais íntimo, conosco mesmo, em que podemos e devemos liberar nossas fantasias. Durante a masturbação, grande parte das mulheres costumam fantasiar o seu próprio companheiro como objeto sexual e para nossa alegria ou espanto, os homens também nos envolvem em suas fantasias nesse momento, ainda que, de maneira diferenciada. Porém, sabemos que grande parte (especialmente das mulheres) sentem dificuldade ou não se permitem reconhecer seu próprio corpo, tocar-seç não conhecem a si mesmas, não se aceitam e nem se permitem sentir o prazer em sua plenitude, fruto da sexualidade histórica-cultural e socialmente construída.
Consideramos que  o autoconhecimento não é crime, nem pecado. Precisamos nos conhecer enquanto homens ou mulheres, em todos os sentidos. Inclusive, a nossa sexualidade. Se permitam ter essa experiência, não permitam regras falsamente moralistas que lhes violentem o direito de serem felizes.  Não estou defendendo uma sociedade banal, muito menos uma sexualidade falsamente hedonista, muito pelo contrário, lutamos por um educação afetivo-sexual, por uma humanização da sexualidade, por um vivência ética, saudável e qualitativa, pelo direito que temos de vivenciar o amor em sua forma mais sublime, através da troca de carinho, cumplicidade, comunhão do prazer, do ato que faz com que duas pessoas se sintam uma só, mas,  sem medos, culpas  ou  tabus sufocando, esse momento de celebração da vida.
Muitas pessoas se masturbam apenas para descarregar as tensões do cotidiano, porém embora realmente ela alivie nossas tensões, não deve ser encarada apenas deste ponto de vista, e sim com um momento de auto-erotismo, de auto-conhecimento, de exercício da criatividade erótica, de fonte de prazer.
A masturbacão, tanto a masculina como feminina, é a estimulação dos órgãos genitais com o objetivo de obter prazer sexual, podendo chegar ou não ao orgasmo, e geralmente diz respeito ao ato de tocar-se ou para a estimulação realizada sobre os genitais de outra pessoa.
Bem este post foi apenas para aguçar sua curiosidade  sobre este tema, que é um dos assuntos mais polêmicos e ocultos da sexualidade, no próximo post vamos falar especificamente da masturbação feminina e, posteriormente, masturbação masculina e  sobre os tabus e mitos que envolvem a masturbação desde os tempos mais remotos.
Abraços e até lá!


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sexualidade na Adolescência - III Parte da Entrevista



Queridos leitores, ouvintes e seguidores do nosso Educação e Sexualidade eu Professora Dra Cláudia Bonfim hoje, vou  apresentar para vocês a última parte da entrevista ao Jornalista Carlos Bonfim da rádio FM 104 de Cornélio Procópio, que teve como tema a Sexualidade na Adolescência. Antes de irmos à entrevista quero mandar meus abraços como sempre.

 Os abraços de hoje vão para minha ex-aluna da pós-graduação Silvia Carla Pio, para minha aluna do 1º. Período do Curso de Administração da Faculdade Dom Bosco, a Viviane da Pura Mania de Cornélio Procópio e um beijo carinhoso ao meu amigo psicólogo e psicoterapeuta sexual Ale Ezabella, do site: O Sexo Nu. E claro, hoje vai um abraço especial e super carinhoso a todos vocês que acessam, lêem, ouvem, comentam, seguem o blog pelo recorde que batemos no blog hoje, ou seja, MAIS DE 4 MIL VISITAS NO BLOG EM APENAS UM MÊS, ultrapassando a totalidade de mais de 14 mil visitas no blog desde o final de abril de 2010. Eu só posso dizer obrigada de coração e saibam que isto nos motiva a continuar socializando nossos estudos e reflexões, sempre pautados na linguagem científica de maneira educativa e claro sempre com muito carinho para vocês.
Em breve continuaremos nossos posts abordando outros temas ainda inseridos na adolescência como masturbação, gravidez não planejada, a primeira relação sexual, a primeira ejaculação e a primeira menstruação, entre outros. Aguardem!
Abraços,
Profa. Dra Cláudia Bonfim

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA - II parte da entrevista

Breve socializeremos a última parte da entrevista, aguardem!


Olá queridos leitores, ouvintes e seguidores do nosso Educação e Sexualidade, eu professora doutora Cláudia Bonfim, venho hoje socializar a II Parte da Entrevista que concedemos ao Jornalista Carlos Bonfim, do Programa Alô Bom Dia, da Rádio FM 104 de Cornélio Procópio, cujo tema versou sobre a SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA. Antes de irmos ao post quero mandar os meus abraços de hoje que vaão para minha aluna Ana Karina Moraes do curso de administração da Faculdade Dom Bosco que nos declarou que adora o  blog. E um abraço também, à Neilza Franco da UNIP de SP e Mestranda da USP que me enviou um email carinhoso e que muito me alegrou. E claro, sempre meu abraço e meu carinho a todos vocês que passam por aqui, seja no seja anonimato ou vocês que seguem, comentam ou me escrevem no email.
E vamos então, à reprodução da segunda parte da nossa entrevista dando sequência ao tema da sexualidade na adolescência.
 O Programa Alô Bom Dia, vai ar de segunda a sábado das 9 às 13 h, produção e apresentação do Jornalista Carlos Bonfim que inclusive tem um site atualizado diariamente com notícias locais, regionais, nacionais e internacionais, além de uma série de outras dicas e informações. www.cbnoticias.com.br

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sexualidade na Adolescência

 
 Olá queridos leitores, ouvintes e seguidores do nosso Educação e Sexualidade hoje nós vamos reproduzir a primeira parte da entrevista que concedemos ao Jornalista e locutor Carlos Bonfim apresentador do Programa Alô Bom dia da Rádio FM 104 de Cornélio Procópio, que inclusive dá continuidade ao nosso último post do blog que falou sobre a fase genital e a puberdade. Ouçam então a primeira parte da entrevista cujo tema versou sobre a adolescência. O Programa Alô Bom Dia, vai ar de segunda a sábado das 9 às 13 h, produção e apresentação do Jornalista Carlos Bonfim que inclusive tem um site atualizado diariamente com notícias locais, regionais, nacionais e internacionais, além de uma série de outras dicas e informações no site http://www.cbnoticias.com.br/
Acompanhe também a  segunda  parte de nossa entrevista dando continuidade ao tema da sexualidade na adolescência. Clicando na imagem abaixo:

sábado, 6 de novembro de 2010

Palestra UNICAMP Educação Afetivo-Sexual



Olá queridos leitores, seguidores e ouvintes do nosso Blog Educação e Sexualidade, eu, professora doutora Cláudia Bonfim, estou de volta ao nosso post, para com muito prazer relatar sobre a palestra de Educação Afetivo-Sexual Emancipatória e a Oficina de Vivências Corporais que ministramos para o Curso de Pedagogia da Faculdade de Educação, na UNICAMP, onde atuamos como pesquisadora,  no Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia e Educação - Paidéia. O abraço de hoje vai especialmente aos alunos do 2º. Período do Curso de Pedagogia da Unicamp e também para alguns amigos muito queridos de Campinas, Renata e Eduardo Ruas e também para a Tânia que é professora de História em Campinas e que também acessa nosso Blog. Um abraço carinhoso para todos vocês.
E vamos então ao post de hoje, que esclarece um pouco sobre o que abordamos em nossa palestra na Unicamp que ocorreu no dia 04 de novembro de 2010, das 14 às 18h.
Lutamos por uma formação docente para a educação sexual nas escolas, para que possamos elevar a qualidade das intervenções sobre a temática da sexualidade. O que visualizamos hoje são crianças, jovens e adultos com informações pautadas na visão senso-comum, condicionados pela mídia, pela sociedade capitalista que os induzem a uma sexualidade: reducionista, instintiva, genitalista, mercantilista, hedonista, consumista e quantitativa.
Acreditamos que o caminho para mudarmos este cenário só pode se dar pelo viés de um processo de emancipação e humanização da sexualidade. Ou seja, pela superação das visões e comportamentos a que fomos condicionados e somos ainda condicionados pela cultura, pela sociedade, buscando então a da superação de: preconceitos, tabus e valores culturalmente impostos (seja em relação ao gênero ou em relação ao reducionismo corporal da sexualidade).
E para isso fazem-se necessários criar espaços de diálogos e debates como esta palestra que ministramos sobre a temática da sexualidade e educação na academia e na sociedade para que esse processo se efetive. E especialmente por esse motivo aceitei com muito prazer, honra e alegria o convite da Coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação Professora Luciane,  para socializarmos nossos estudos, aprendizados e reflexões e parabenizo-a pela iniciativa. Quero agradecer de coração o convite, o espaço e a credibilidade, espero que nossa humildade fala possa ter alguma forma contribuído para ampliar os horizontes e conhecimentos dos alunos do Curso de Pedagogia que lá estavam presentes. Agradeço também aos alunos pela participação efetiva, pela atenção, pelo carinho, por permanecerem até o final do horário, pelos aplausos, mas  especialmente pelo abraços afetuosos que recebi deles ao final da palestra e da oficina. Espero e acredito que tivemos uma tarde prazerosa de diálogos e aprendizados.
A primeira parte da palestra entitulou-se Educação Afetivo-Sexual Emancipatória: contradições, limites e possibilidades, versou sobre minha tese de Doutorado e sobre estudos posteriores à tese, onde abordamos conceitos e esclarecimentos sobre sexualidade, afetividade, sexo, amor, gênero, identidade de gênero,  homofobia, as fases de desenvolvimento da criança, corpo e consciência corporal, educação sexual na escola, como e quando falar de sexualidade com crianças e adolescentes, a escola e a negação do corpo, a dualidade de corpo e mente na sala de aula e na sociedade, sexualidade na escola: o aluno e  suas manifestações.
Na segunda parte realizamos uma oficina prática de vivência corporal, cujo objetivo foi despertar nos futuros docentes a percepção corporal e importância da consciência corporal e do entendimento do ser humano em sua totalidade, compreendendo que corpo e mente são uma totalidade. Como já apontamos no blog anteriormente, a escola quase sempre separa o corpo da mente, separa, mutila. Apenas a cabeça tem que ficar na sala de aula, o corpo só na aula de educação física. Sempre dual, separado. Não conseguindo entender a totalidade do ser. Somos inteireza e não partes estanques, somos razão e subjetividade, somos seres biológicos e histórico-culturais.
E como já afirmamos também em outros momentos consideramos que tão importante quanto o aprendizado da leitura e da escrita do mundo, é saber ler a si mesmo e escrever sua história, conhecer o seu corpo, suas possibilidade e potencialidades, pois assim como adquirimos conhecimentos para transformar o mundo num lugar melhor, devemos conhecer nossa sexualidade para tornamos melhor o nosso mundo interno, o nosso corpo e nossa mente, que são o berço das significações da vida. Por isso, nossa defesa de que a Educação Sexual escolar supere sua abordagem sobre sexualidade pautada meramente nas noções biológicas, ou seja, no aprendizado da anatomia do corpo humano, seus órgãos e métodos preventivos e DST´s. A visão médica-biologista-higienista-genitalista é importante, mas insuficiente para o entendimento da sexualidade e a conscientização.
Através do corpo que recebemos as informações sobre o que acontece fora e dentro de nós.         Corpo não é instrumento, objeto ou suporte. Você não possui um corpo, você é um corpo!
O nosso corpo é o meio de externalizarmos por meio de ações, os pensamentos, emoções e sentimentos.    É o meio de se entrar em contato com o ambiente e as pessoas que nos rodeiam.
Consideramos que as pessoas se humanizam através da convivência, ou seja, das relações que estabelece com o outro e com o mundo. Sendo a escola espaço de socialização, aprendizagem e interação, deve favorecer o enriquecimento destas relações, ampliando espaços de interação, diálogo e experiências que ofereçam às crianças e adolescentes possibilidades de de descobrir, se expressar, ser, sentir, compreender e vivenciar seu corpo e o corpo do outro, esta unidade humana. Esse aprendizado deve ser acompanhado de autonomia, criatividade, liberdade e prazer. Pois, precisamos entender que a educação não se refere apenas ao desenvolvimento cognitivo mental, mas deve considerar e favorecer e ao desenvolvimento do indivíduo como um todo (Paidéia), ou seja, deve considerar a pessoa na sua totalidade, corpo e mente.
Assim como Freire (1981, p.1) evidenciamos nossa insatisfação com relação ao sistema escolar, educação institucionalizada, traduzindo-a em duas críticas em relação às manifestações corporais da criança:
1) a escola submete a criança à uma imobilidade excessiva, que desrespeita sua "marca característica", qual seja, a intensidade da atividade motora;
2) a escola não deve apenas mobilizar a mente, mas também o corpo, pois "corpo e mente devem ser entendidos como componentes que integram um único organismo. Ambos devem ter assento na escola“.
É esta nossa luta de Educação Sexual Emancipatória na perspectiva de Freire de uma Educação de Corpo Inteiro, buscando a superação do dualismo corpo e mente presente na escola.  Um corpo entendido em sua totalidade, ou seja, o ser humano é o seu corpo, que sente, pensa e age.
Quem dera a humanidade pudesse compreender a beleza e a potencialidade que a sexualidade nos traz e o quanto mais humanos podemos ser, o quanto podemos viver plena, intensa e profundamente este aspecto tão essencial da vida.
Convidamos todos a participarem desta luta por educação sexual emancipatória nos ajudando assim a produzir práticas diferenciadas na construção da vivência de uma sexualidade livre de pudores, repressões, dogmas, preconceitos e tabus, mas acima de tudo ética e responsável afetiva e corporalmente, buscando uma vivência prazerosa e plena da sexualidade.
Abaixo alguns flashes da palestra e da oficina. Por hoje é só, um grande abraço e até o próximo post!















quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fase Genital - PUBERDADE

 
O tema de hoje ainda pautando-se em Freud versará sobre a Fase Genital. E para abordá-la vamos dividi-la em tópicos. Hoje falaremos sobre a Fase Genital e a Puberdade, num próximo post trataremos sobre a Puberdade Precoce e posteriormente sobre a masturbação e adolescência, temas presentes nesta fase e extremamente importantes. Vamos então, ao Post de hoje sobre a Fase Genital e a Puberdade.
A Fase Genital se dá com a chegada da puberdade (que diz respeito às mudanças físicas/biológicas) e da adolescência (maturação psicológica), nesta fase há o retorno do objeto erótico para os órgãos sexuais, mas o objeto de desejo não está mais somente no próprio corpo, e sim também no corpo do outro. Segundo Freud, atingir a fase genital é fundamental para se chegar ao pleno desenvolvimento biopsicossocial e intelectual de um adulto sendo capaz de amar, e no sentido genital se tornando capazes de atingir sua capacidade orgástica e aceitar conscientemente suas identidades sexuais distintas, buscando novas formas de satisfação para suas necessidades eróticas. 
 Na puberdade ocorre a maturação sexual, que nas meninas iniciava-se em média aos 10 anos de   idade, aumento dos seios, pelos pubianos, os pelos axilares acompanhados pelo desenvolvimento das glândulas sudoríparas que trazem o odor característico do adulto. Pode também ocorrer a presença de corrimento vaginal claro, 6 a 12 meses antes da primeira menstruação (menarca).

Já nos meninos  a maturação sexual pode ser percebida inicialmente pelo aumento do volume dos testículos, que ocorre me média aos 10 anos de idade. O crescimento do pênis, geralmente se dá um ano após o crescimento dos testículos. Inicialmente o pênis cresce em comprimento e posteriormente em diâmetro. Aparecem também os pelos pubianos em torno de 11 anos, os pelos axilares por volta dos 12 anos de idade e os pelos faciais e do restante do corpo por volta dos 14 anos em média. A idade da primeira ejaculação (espamarca), ocorre em torno dos 12 anos, em média. A mudança da voz é a maturação que ocorre mais tardiamente.

             È importante orientarmos ainda que nos adolescentes meninos também pode ocorrer o aumento do tecido mamário (ginecomastia puberal). Geralmente é bilateral, às vezes doloroso, com consistência firme e móvel. E o crescimento pode ser variar podendo esse crescimento ser classificado em três casos: Grau I (1 a 2 cm); Grau II (2 a 4 cm) e Grau III (5 cm ou mais). Tem início em torno de 13 a 14 anos e tende a regredir de maneira espontânea após 6 a 8 meses, caso essa diminuição não ocorra em até um ano, deve-se procurar um cirurgião plástico para avaliar se é um caso macroginecomastia (grau III), ou ginecomastia persistente.
É importante que pais e educadores tenham conhecimentos dessas transformações e fases pelas quais passamos desde a infância e na adolescência para podermos tranqüiliza-los e orientá-los adequadamente e amorosamente, estabelecendo um diálogo esclarecedor e sem caráter repressivo. Pois, como já afirmamos os relacionamentos, sentimentos e a superação de cada uma das fases do desenvolvimento psicossexual serão essenciais para nosso equilíbrio emocional na fase adulta.
Devemos ainda ressaltar que puberdade e adolescência não são a mesma coisa, embora algumas pessoas utilizem equivocadamente como sinônimos é necessário distingui-las. A Puberdade é a etapa como já dissemos que ocorrem aquelas mudanças fisiológicas, como o surgimento dos caracteres sexuais secundários, já Adolescência é o período que a pessoa começa a amadurecer. Inicia-se com a puberdade, mas se estende até que se alcance a maturidade física e mental, ou seja, implica não apenas em mudanças fisiológicas, como também mudanças psicológicas, afetivas, emocionais e sociais.
Finalizamos por hoje, mas no próximo post continuamos nossas reflexões ainda sobre a Fase Genital abordando sobre  a Puberdade Precoce e posteriormente daremos sequência as fases do desenvolvimento sexual abordando mais sobre a primeira menstruação e primeira ejaculação, polução noturna, masturbação, adolescência entre outros temas da sexualidade humana. Um abraço carinhoso e até lá!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

LATÊNCIA - Desenvolvimento Psicossexual - Freud





Olá, de volta ao nosso blog Educação e Sexualidade, eu professora Doutora Cláudia Bonfim, quero enviar hoje um abraço para três leitores do nosso Blog. Um abraço ao Valdecir Barbosa meu aluno do Curso de Administração da Faculdade Dom Bosco e à minha aluna do Curso de Licenciatura em Educação Física Josiane Balduíno Bueno de Araújo, obrigada pelo carinho e credibilidade para com nosso trabalho. E também como prometido, segue meu abraço ao meu amigo Hugo Salum do Blog Camaleão.
O post de hoje é sobre o Período de Latência que se dá entre 6  e 10 anos de idade. Vamos às nossas reflexões de hoje.

Latência (6 aos 10 anos de idade)

Após a Fase Fálica, meninos e meninas modificam a forma de se relacionar afetivamente com os pais, e focalizam suas energias nas interações sociais que começam a estabelecer com outras crianças, e nas atividades esportivas e escolares. Com a superação ou suspensão do “Complexo de Édipo e de Electra”.
Etimologicamente, latência significa estado do que se acha encoberto, incógnito, não-manifesto, adormecido. Seria o tempo entre o estímulo e a reação do indivíduo.
Neste período, a libido é impelida de se manifestar e os desejos sexuais não-resolvidos da fase fálica não são atendidos pelo ego e são reprimidos pelo superego. Freud afirma que o período de latência se prolonga até a puberdade:
Durante ele a sexualidade normalmente não avança mais, pelo contrário, os anseios sexuais diminuem de vigor e são abandonadas e esquecidas muitas coisas que a criança fazia e conhecia. Nesse período da vida, depois que a primeira eflorescência da sexualidade feneceu, surgem atitudes do ego como vergonha, repulsa e moralidade, que estão destinadas a fazer frente à tempestade ulterior da puberdade e a alicerçar o caminho dos desejos sexuais que se vão despertando. (FREUD, 1926, livro XXV, p. 128.).

Importante aqui para sua melhor compreensão conceituarmos a partir de Freud (1940, livro 7, pp. 17-18). o Id, o Ego e o Superego:

 “O Id contém tudo o que é herdado, que se acha presente no nascimento e está presente na constituição, acima de tudo os instintos que se originam da organização somática e encontram expressão psíquica sob formas que nos são desconhecidas. O Id é a estrutura da personalidade original, básica e central do ser humano, exposta tanto às exigências somáticas do corpo às exigências do ego e do superego. O Id seria o reservatório de energia de toda a personalidade.” “O Ego é a parte do aparelho psíquico que está em contato com a realidade externa. O Ego se desenvolve a partir do Id, à medida que a pessoa vai tomando consciência de sua própria identidade, vai aprendendo a aplacar as constantes exigências do Id. Como a casca de uma árvore, o Ego protege o Id, mas extrai dele a energia suficiente para suas realizações. Ele tem a tarefa de garantir a saúde, segurança e sanidade da personalidade. Uma das características principais do Ego é estabelecer a conexão entre a percepção sensorial e a ação muscular, ou seja, comandar o movimento voluntário. Ele tem a tarefa de auto-preservação. o ego é originalmente criado pelo Id na tentativa de melhor enfrentar as necessidades de reduzir a tensão e aumentar o prazer. O Ego tem de controlar ou regular os impulsos do Id, de modo que a pessoa possa buscar soluções mais adequadas, ainda que menos imediatas e mais realistas. Esta última estrutura da personalidade se desenvolve a partir do Ego.
O Superego atua como um juiz ou censor sobre as atividades e pensamentos do Ego, é o depósito dos códigos morais, modelos de conduta e dos parâmetros que constituem as inibições da personalidade. Freud descreve três funções do Superego: consciência, auto-observação e formação de ideais. Enquanto consciência pessoal, o Superego age tanto para restringir, proibir ou julgar a atividade consciente, porém, ele também pode agir inconscientemente. As restrições inconscientes são indiretas e podem aparecer sob a forma de compulsões ou proibições. O id é inteiramente inconsciente, o ego e o superego o são em parte. "Grande parte do ego e do superego pode permanecer inconsciente e é normalmente inconsciente. Isto é, a pessoa nada sabe dos conteúdos dos mesmos e é necessário despender esforços para torná-los conscientes" ( FREUD, 1933, livro 28, p. 88-89

Neste período após as descobertas e aprendizados da fase anterior, após perceber as diferenças biológicas sexuais, a libido sexual adormece. A criança usa então sua energia para o fortalecimento de seu ego, e para desenvolver o superego.  A sexualidade da criança torna-se ora reprimida, ora sublimada, centrando-se em atividades e aprendizagens intelectuais e sociais, como jogos, escola, e estabelecendo vínculos de amizades que irão fortalecer a identidade sexual de ambos, ou seja as características femininas e masculinas. Começam a ter novos referenciais de identidade,  como os professores (que geralmente passam a ser paixão da criança) e também passam a se identificar com os heróis das ficções.

Tendem nesta fase, a formar grupos de iguais, intensificando o relacionamento entre crianças do mesmo sexo. É quando se formam os chamados Clube do “Bolinha” e  da “Luluzinha”. É quando se adquirem os valores e papéis sexuais culturalmente determinados, surgem as brincadeiras de casinha, como “Papai e Mamãe”, entre outras e, é quando, segundo Freud, a criança começa a sentir vergonha e devido à moral imposta.


É importante salientarmos que os preconceitos de gênero e os papéis sociais são uma construção histórica. Culturalmente  fomos condicionados a vestir certas roupas, cores, exercer determinadas profissões, fruto do machismo da sociedade patriarcal. Claro que papéis femininos e masculinos que são oriundos da própria natureza biológica, como gerar filhos. Nesta fase é importante que pais e professores orientem as crianças de forma a conduzir à um processo de superação de alguns preconceitos de gênero a que fomos condicionaldos culturalmente.

Devemos esclarecer que se  a criança não tiver completado as fases anteriores, o período de latência será complexo podendo trazer à tona uma agressividade na criança. Já se os conflitos anteriores foram satisfeitos a criança irá lançar suas energias nas novas atividades e relações. E já com o superego desenvolvido a criança irá adquirir um maior senso de justiça, igualdade, aprendendo a compartilhar e desejar que seus tenham as mesmas coisas que ela.
Um abraço à todos e até o próximo post onde estaremos abordando sobre a Fase Genital e a Puberdade Precoce Precoce.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

COMPLEXO DE ELECTRA - Fases do Desenvolvimento Psicossexual


 
Que prazer estar de volta ao nosso blog Educação e Sexualidade, eu professora doutora Cláudia Bonfim, quero agradecer de coração às milhares de visitas que temos recebido aqui, as demonstrações de carinho dos leitores e seguidores. Hoje meu abraço é para o coordenador do Curso de Pedagogia da Faculdade Dom Bosco, nosso amigo e companheiro de trabalho professor Livaldo Teixeira da Silva que ontem nos declarou que acompanha todos os nossos áudios e elogiou nosso blog, e nossa voz, rs. Obrigada pelos elogios e um abraço para você. E claro um abraço a todos vocês que me escrevem, que mandam email, ou que pessoalmente tem declarado um apreço grande pelo nosso blog.
Dando continuidade as fases do desenvolvimento psicossexual, a partir de Freud, hoje iremos abordar sobre o Complexo de Electra, vamos ao post.

 O complexo de Electra é baseado no um mito grego segundo o qual Electra, para vingar o pai, Agamêmnon, incita seu irmão Orestes a matar a mãe, Clitemnestra, e seu amante Egisto, que haviam assassinado Agamêmnon.
Como vimos, no complexo de Édipo o menino sente um amor intenso pela mãe, identificando-se com o pai, sente desejo em ocupar seu lugar sentindo então raiva, medo e culpa. Imagina então que o pai pode cortar seu pênis (complexo de castração). A menina também vive este complexo, mas neste caso sente inveja do pênis, originando o denominado complexo de Electra.
A menina, nesta fase, sente uma espécie de frustração e ressentimento para com a mãe, culpabilizando-a por não possuir o pênis, este é um momento crítico no desenvolvimento feminino. Segundo Freud: "A descoberta de que é castrada representa um marco decisivo no crescimento da menina. Daí partem três linhas de desenvolvimento possíveis: uma conduz à inibição sexual ou à neurose, outra à modificação do caráter no sentido de um complexo de masculinidade e a terceira, finalmente, à feminilidade normal"(1933, livro XXIX, p.31).
Inicialmente, tal como os meninos é para a mãe que são dirigidos os impulsos eróticos da menina, mas por considerar-se castrada pela mãe, ela busca nas excitações clitorianas a resposta para o que a diferencia anatomicamente do menino, mas a  expectativa de que  o clitóris cresça e se transforme num pênis é logo descartada. O que gera um sentido de frustração para a com a mãe, quando ela sente que precisa abandonar o foco do clitóris para a vagina e canalizar o amor que sentia pela mãe no amor paterno.

Para as meninas, o problema do Complexo de Édipo é similar, inverso. A menina deseja possuir seu pai e vê sua mãe como a maior rival. A menina tenta seduzir o pai e, se o casal for funcional, quem vai faz o rompimento é a mãe, esclarecendo para a filha que ele é seu pai e marido da mãe. É num primeiro momento um choque entre mãe e filha, mas através de um bom relacionamento de troca e identificação com a mãe (colocar os cremes da mãe, o batom, os sapatos, as roupas) termina aqui o complexo de Electra.
Importante salientar que, no complexo de Édipo, o primeiro amor do filho é heterossexual (a mãe) e ele disputa com o pai. Já na questão feminina (Electra), o primeiro amor é homossexual (a mãe), por volta dos três anos instintivamente, a menina se apaixona pelo pai, e se sente traindo a mãe que foi seu primeiro amor, o que provoca um sentimento de culpa que pode marcar a menina pelo resto da vida; essa culpa pode acarretar numa relação disfuncional ou difícil como foi a relação com a mãe.
Porém, quando um casal tem uma relação desequilibrada afetivamente, pode ocorrer um Complexo de Electra Disfuncional, ou seja, a filha vai seduzir o pai e a mãe não faz rompimento, porque ela não se importa com o pai. A mãe inclusive, projeta na filha que ela seja a filha/esposa que o pai idealiza. Nesse caso, a filha deixa de ter um referencial no papel de pai, podendo ocorrer um envolvimento sexual que pode chegar a acontecer realmente. Ela é que pode não querer se casar, porque inconsciente se sente casada com o pai. Ou poderá buscar relacionar-se afetiva e sexualmente com homens mais velhos (que representam a figura do pai). Pode ainda acontecer dela não conseguir se relacionar afetivamente com a mãe (e vice-versa), por se sentirem rivais de fato, o que culmina na falta de referencia de pai e mãe. A filha pode ainda, criar uma aversão à mãe,  ela vai se identificar com o pai, porque a mãe não fez rompimento, porém ela pode criar uma identidade masculinizada e caso ela tenha uma irmã pode tratar a irmã como filha. Neste caso pode ocorrer uma homossexualidade latente ou emergente e esta poderá buscar na relação com outra mulher a mãe que não teve.  Há ainda aquelas mulheres homossexuais que amam o pai e odeiam a mãe, como o inverso, aquelas  que odeiam o pai e defendem a mãe que é anulada e submissa a esse pai.
Já quando o pai exerce o papel feminino, mas tem um relacionamento afetivo-sexual harmonioso com a mãe, quando a filha o seduz, a mãe faz o rompimento e a filha passa a se identificar com a mãe, que exerce o papel masculino no relacionamento do casal. Nesse caso, a filha irá ao relacionar-se afetiva e sexualmente procurar um homem que tenha a sensibilidade do pai.
Porém, quando essa inversão de papéis não é aceita pela mãe, e o casal tem um relacionamento em desarmonia, a mãe cria frente à filha uma imagem negativa do pai, o que pode ocorrer pelo fato do pai ser afetivo com a filha e a mãe sentir-se enciumada, o que pode dificultar o relacionamento da filha com outros homens, por ela não ter um referencial positivo do pai, por não valorizá-lo enquanto homem, sendo assim, a filha irá buscar uma relação homoafetiva com uma mulher que seja passiva como o pai.
A superação do complexo de Electra se dá quando a menina passa a se identificar novamente com a mãe, assumindo uma identidade feminina e buscando em outros homens referências como a do seu pai.
Importante apontarmos que, numa relação disfuncional entre um casal, ou seja, quando ambos não exercem nem seus papéis sociais masculinos e femininos nem suas funções pais, os filhos ficam órfãos de referenciais afetivo-sexuais, e com uma carência afetiva e emocional sobre como é ter e exercer o papel de pai e mãe. Muitas vezes, na relação é a criança que acaba exercendo o papel de seus cuidadores, tendo que tomar decisões que caberiam aos adultos. Esta criança, futuramente, poderá ter dificuldades emocionais e buscar na fase adulta de um relacionamento afetivo com uma pessoa que exerça não apenas o papel afetivo-sexual do relacionamento marido-mulher, mas também de forma compensatória, alguém que possa suprir a carência que a criança teve na infância de atenção, cuidado e amor paternal e maternal. Assim como, esta pessoa também irá exercer com o companheiro(a) diversos papéis. O tratamento que dispensará ao seu companheiro(a) irá se diversificar podendo tratar a outra pessoa ora como filho(a), ora como pai, ora como mãe.  
Importante lembrarmos que as atitudes, comportamentos e relações afetivo-sexuais dos pais serão base sobre a qual a criança formará sua identidade. Muitas vezes, neste período quer dormir entre os pais, dizendo que se sente amedrontada. Porém, devemos lembrar que embora seja que as crianças sintam-se protegidas também precisa aprender sobre limites.

Devemos esclarecer que temos espaços conjuntos e espaços individuais, que devem ser respeitados, por isso, vocês pais não devem permitir às crianças invadir sua privacidade. Temos que apoiar nos filhos, estar sempre presentes em suas vidas, protegê-los, fazer com se sintam amados, mas isso não significa anular nossa vida em função deles, quando nos anulamos seja por qual motivo for, nos tornamos pessoas frustradas e por isso incapazes de amar e ser feliz plenamente, e se não estamos bem não conseguimos proporcionar isso a outrem.
Não deixem de viver sua vida de casal em prol de manhas, choros que normalmente ocorrem quando os pais resolvem sair juntos, entendam que esse limite também é um aprendizado necessário para a maturidade da criança. Expliquem que assim como temos a hora de comer, de dormir, de brincar, de ir à escola, de fazer a lição de casa, de jogar com o papai, etc. Temos também a hora do papai da mamãe estarem juntos, namorar.
Ainda pautando na psicanálise se a criança não desenvolver adequadamente essa fase, ou tenha exemplos de identificação negativos, pai ou mãe  agressivos, repressores, alcoólatras, a criança cria uma aversão ao seu progenitor do mesmo sexo, e passa a se identificar com o outro, o que Freud aponta como uma polêmica causa para a homossexualidade. Ainda em relação a personalidade crianças que não superaram esta fase e tiveram pais muito rudes, podem tornar-se pessoas que querem sempre ditar as regras, esbanjar dinheiro, estar sempre na liderança, como forma inconsciente e compensatória de acreditar e mostrar que não sofreu a castração.
Crianças que superam amorosamente as fases do desenvolvimento psicossexual, serão adultos mais afetivos e  equilibrados, sensíveis, capazes de que expressar seus sentimentos, de cultivar amizades, enfim serão mais felizes.
Por hoje é só, no próximo post abordaremos sobre o Período de Latência. Forte abraço e até lá!

domingo, 17 de outubro de 2010

COMPLEXO DE ÉDIPO - Fases do Desenvolvimento Psicossexual


Olá, meus queridos leitores, seguidores e ouvintes, estamos de volta ao nosso Blog Educação e Sexualidade, eu professora doutora Cláudia Bonfim, com muita alegria e satisfação quero hoje mandar um abraço especial ao seguidor do nosso blog o Gilmar Morais de Belo Horizonte, MG.
Dando continuidade às nossas reflexões sobre as fases do Desenvolvimento Psicossexual, ainda na Fase Fálica, abordaremos sobre o Complexo de Édipo. Vamos recordar  o ponto de partida  da lenda grega, na qual Freud se baseou. O oráculo profetiza a Laio que seu próprio filho o matará, e tomará por esposa a mãe.Depois de escutar isto Laio ordena que perfurem os pés de seu filho recém-nascido – uma castração simbólica – e que o abandonem nas montanhas.De tal modo o pai, ao abandonar o filho nas montanhas o impede acesso a sua mãe. A viagem ulterior de Édipo a Tebas é uma segunda representação de seu nascimento. Uma vez mais seu pai o destrói no caminho, mas desta vez o filho o mata, não o conhecendo como tal, assim como um filho recém-nascido não conhece ainda seus pais. Vamos ao post de hoje...
A Fase fálica, como apontamos anteriormente, é quando a criança começa manifestar o interesse pelo conhecimento corporal, perceber as diferenças sexuais corporais e manipular seus órgãos genitais.
A descoberta do órgão genital dá início ao Complexo de Édipo. O menino ao descobrir o pênis  cria a necessidade de buscar o objeto que permitirá a obtenção de prazer, ou seja, segundo Freud, um elemento do sexo oposto, neste caso, a Mãe.Porém, se tudo ocorre de maneira funcional, a criança "entende" que a mãe tem um outro "objeto de desejo" que é o seu pai. É quando acontece a "triangulação" ou a questão "edipiana".
Partindo da psicanálise, podemos afirmar que, esse é um período essencial para a estruturação da personalidade e a base da identidade das pessoas..
É uma fase complexa, confusa para a criança, embora o menino veja o pai como rival, pelo desejo que ele sente e a necessidade da atenção e proximidade com a mãe, ao mesmo tempo, precisa e quer o amor do pai, com quem se identifica. É nesse sentido que a mãe também passa a ser vista com rivalidade.
Nesta fase, acontece o primeiro choque entre Pai e Filho, pois é o Pai que faz e deve fazer esse rompimento acontecer, segundo Freud. O menino se vê em conflito, entre a internalização do pai e o desejo de ser como o pai, para ter uma mulher como a mãe.
Freud aponta que, neste momento, acontece a primeira identificação masculina, o que torna fundamental a presença de um pai amoroso, consciente do seu papel masculino e da vivência de um relacionamento equilibrado e afetivo entre o casal. É um momento de construção da identidade masculina do menino, na formação da sua personalidade.
Segundo Freud, mesmo na impossibilidade da presença do Pai, este corte deve feito  por outro homem, um referencial masculino como tio ou avô.
Outra situação ocorre quando o pai (sexo masculino) ocupa um papel feminino na relação do casal e a mãe (sexo feminino), ocupa um papel masculino, e nesse caso ela faz o corte, diante da inversão cultural de papéis, nos casos em que o casal aceita esta inversão e vive em harmonia, a própria mãe ao fazer o rompimento, por ser ela a que ocupa o papel masculino no relacionamento, acaba explicando ao filho que ela tem o seu namorado (que é o pai), não impedindo que o filho faça a identificação com o pai, devido a relação harmoniosa e afetiva que o filho vivencia. Mas, ao mesmo tempo, que o filho se identifica com o pai, ele busca na mãe, referenciais para a formação de sua identidade e personalidade, podendo se  tornar um homem com maior sensibilidade como o pai e buscará uma mulher para se relacionar que tenha características fortes como as da mãe. Ainda assim, é possível haver um equilíbrio no seu desenvolvimento afetivo-sexual.
No entanto, pode haver um Complexo de Édipo disfuncional, quando um casal vive uma relação na qual há a troca da função de papéis, mas esta não se dá de forma harmoniosa. Em casos assim, a mãe se sente visivelmente desconfortável na relação. A existência de conflitos entre o casal impede que o filho se identifique com o pai, ou seja, a própria mãe cria barreiras verbais ou não verbais que fazem com que o filho não queira ser como o pai. E então, o filho (sexo masculino) acaba por criar uma referência masculina a partir do papel exercido pela mãe, podendo buscar encontrar um outro homem (gênero masculino, mas com figura feminina), o papel feminino (como o pai), o que caracterizaria um complexo de Édipo disfuncional e truncado.
Quando o pai e a mãe não têm uma boa relação, pode ocorrer o Complexo de Édipo Disfuncional, ou seja, como o pai não tem desejo, afetividade ou satisfação dentro da sua relação afetiva ele não se importa com a atenção que a mãe dedica ao filho, ou seja, não faz o corte. Pois neste caso, não há um relacionamento homem/mulher, entre o pai e a mãe. O pai age como pai, irmão, e não como marido. E a mãe também não faz o corte, elegendo o filho ao papel de  parceiro  , como forma de  substituir a carência marital.
Essa ausência de afetividade entre o casal ou da ausência do papel de pai, pode gerar consequências na personalidade do menino, que futuramente poderá ter dificuldade de se relacionar com outra mulher, elegendo a mãe como foco na sua afetividade, e muitas vezes não se casar para cuidar da mãe. Ou apenas se relacionar com mulheres mais velhas, ou que tenham o perfil da mãe, ou que seja aprovada pela mãe. Uma mulher que não roube ele de sua mãe. Nem a mãe dele. E na ausência da mãe cuide dele como a mãe cuidava. Ou que seja para ele a mãe que ele não teve, e gostaria de ter. E pode inclusive, não ter um bom relacionamento sexual com a esposa por inconscientemente acreditar que estaria traindo sua mãe.
Quando a figura do pai é completamente ausente na relação, a tendência é a mãe deixar o filho ocupar o papel do masculino. E ela acaba por assumir dois papéis, o papel de mãe, mulher, e de pai do seu filho, querendo ensiná-lo a como ser homem.
Aqui entra uma polêmica sobre o homoerotismo, quando o filho seduz a mãe e não há a presença de outro homem para fazer o rompimento, segundo Freud, ele passa a se identificar com mãe, ou seja, a ter uma referência feminina na construção de sua identidade, criando uma barreira no relacionamento com mulheres, pelo fato de ter sido a mãe quem lhe ensinou a ser homem, ou conseguir se relacionar sexualmente com mulheres, mas não conseguir criar laços afetivos porque seu amor está centralizado na mãe.
Lacan sobre o Complexo de Édipo afirma também que a [...] a homossexualidade masculina seria então um disfuncionamento do segundo tempo do Édipo, que é essencialmente a inversão da metáfora paterna: é a màe que dita a lei ao pai. O pai como privador da mãe fracassa. O que tem como resultado: "é mamãe que o tem" (recusa da castração).
Ainda segundo Lacan, a formação do inconsciente, no Complexo de Édipo, se dá em 3 tempos. Num primeiro momento, a instância paterna se introduz de maneira velada. A criança busca, como desejo de desejo, poder satisfazer o desejo da mãe, o objeto de desejo da mãe.
Já num segundo momento, no plano imaginário, o pai intervém como privador da mãe, se afirmando em sua presença privadora de forma mediada pela mãe, que é quem o instaura como aquele que lhe faz a lei. O caráter decisivo do Édipo deve ser isolado com a palavra do pai.
 E no terceiro momento, o menino entende que o pai pode dar a mãe o que ela deseja, porque o possui. Aqui intervém a potência no sentido genital da palavra. É a saída do Édipo, onde se faz a identificação com o pai.
Um dos motivos que contribui para a superação do complexo de Édipo é o medo da castração. Assim, o menino pensa que a menina não possui o falo porque fora mutilada pelo pai que se torna temido e admirado pelo filho por seu poder e força, o que culmina na identificação com o pai que permite a superação deste conflito superando o complexo de Édipo.
Se no menino é o temor da castração que permite a superação do complexo de Édipo, na menina é pela ideia de castração que inicia o complexo de Electra. Mas sobre o complexo de Electra abordaremos num próximo post.
Finalizando Se os pais e as pessoas de maneira geral soubessem o quanto a relação afetiva que as crianças vivenciam na infância é importante para a construção de sua identidade pessoal, social e sexual, tratariam de conhecer melhor como se dá esse processo de desenvolvimento, pois quando uma criança cresce dentro de um relacionamento disfuncional, seja, por troca de papéis, seja pelo aspecto afetivo esse processo não completa. Como afirma Chauí (2000, p.170):
A vida psíquica dá sentido e coloração afetivo -sexual a todos os objetos e todas  as pessoas que nos rodeiam e entre os quais vivemos. Por isso, sem que saibamos por que, desejamos e amamos certas coisas e pessoas, odiamos e tememos outras. As coisas e os outros são investidos por nosso inconsciente com cargas afetivas de libido. É por esse motivo que certas coisas, certos sons, certas cores, certos animais, certas situações nos enchem de pavor, enquanto outras nos enchem de bem-estar, sem que o possamos explicar. A origem das simpatias e antipatias, amores e ódios, medos e prazeres está em nossa mais tenra infância, em geral nos primeiros meses e anos de nossa vida, quando se formam as relações afetivas fundamentais e o complexo de Édipo.
A forma como exercemos nossos papéis afetivo-sexuais com nossos companheiros e com nossos filhos podem marcá-los positiva ou negativamente para o resto de suas vidas. Lamentavelmente, os pais por não compreenderem o desenvolvimento da sexualidade e nem mesmo o que é sexualidade, acabam por transmitir aos filhos preconceitos, tabus, dogmas, angústias, frustrações e neuroses enraizadas em sua formação para os próprios filhos.
Como pais, temos que ter com nossos filhos um relacionamento pautado na afetividade, confiança, respeito e buscar compreender e esclarecer sempre as curiosidades  das crianças para que esta possa viver sua sexualidade de maneira saudável, prazerosa, tranqüila, prazerosa, equilibrada, responsável e afetiva.
E para finalizar lhes digo: se faltarem palavras quando seus filhos fizerem uma pergunta sobre sexualidade ou sexo, ou sobre qualquer outro tema, respirem fundo, e busquem estas em seus corações, e respondam de maneira simples e amorosa, com naturalidade e sinceridade, pois lembrem-se que, as crianças são os seres mais sensitivos e perceptivos, e vão sentir como e o que você lhes disser.
Por hoje é só, um abraço e até o próximo post.

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