domingo, 11 de abril de 2010

TANTRA – SEXUALIDADE E DIVINDADE – II PARTE


 Há muitas interpretações equivocadas sobre o Tantra.Para alguns é uma religião, outros remetem ao sexo livre, outros entendem como uma terapia sexual.
Nós entendemos o Tantra, como uma forma amorosa de atingir a consciência corporal.


O toque demonstra carinho,  estimula, excita e gera e desperta sensações maravilhosas. Temos que deixar livre a alma e as mãos para demonstrar toda nossa sensualidade e a sensibilidade.


Quem não gosta de receber carinho?


Como disse no artigo anterior, todos os seres humanos tem necessidade de sentir amados, e para nos sentirmos amados, as palavras não são suficientes, quase desncessárias. Há inclusive estudos sobre recém-nascidos, que mostram que os bebês que são acariciados quase não choram, são mais sorridentes, quase não adoecem, já o contrário ocorre com aqueles que não foram estimulados pelo toque; assim também ocorre com os adultos, as pessoas que sorriem mais, que se sentem amadas, que tem brilho no olhar, que vivem apaixonadas, exalam vitalidade pelos poros. Eu lembro que uma vez fui com minha vó ao médico e ele disse: sabe o que fez sua vó viver até agora? Esse sorriso estampado no rosto dela! Em cada sorriso que ela dá a vida dela se estende. Eu que já acreditava nisso, não tive mais qualquer dúvida.


Pense no quanto é bom ser tocado por quem amamos, e a sensação inigualável que experimentamos quando tocamos aqueles que amamos. Tocar e ser tocado significa trocar sentimentos, energia, alegria.


No Tantra a sexualidade torna-se uma prática sagrada, e é vivida com profunda consciência. De forma que, o ato de fazer amor rompe julgamentos, preconceitos, supera limitações, liberta os pensamentos, sentimentos e desejos mais intensos e profundos.


Durante o Tantra permita-se usar todos os seus sentidos. Use e abuse do tato (tocar sensual, sedutora e sensivelmente); do olfato (cheirar, o cheiro do sexo, da pele, (os feromônios sobre isso  pretendo falar num próximo post); da visão (enamorar com olhar, venerar, endeusar, seduzir, encantar-se e se permitir ser encantado); o paladar (saborear o outro)


No Tantra os toques são de uma sutileza, sensualidade e suavidade que conseguem ultrapassar os limites da pele.  A massagem tântrica alimenta o erotismo, tão essencial para um vida sexual plena. Nesse momento de comunhão e entrega aprendemos a estimular e ser estimulado, a seduzir e se deixar ser seduzido. Através do toque, do olhar, do cheiro, do paladar conseguimos atingir o orgasmo, não como êxtase momentâneo e passageiro, mas profundo, o orgasmo não apenas como expressão máxima do prazer corporal, mas como expressão e experimentação máxima do amor.


A massagem tântrica nos mostra possibilidades de experimentar temperos e sabores nunca antes permitidos ou imaginados. Nos proporciona novas formas de sentir, olhar, tocar, amar.  Por isso, consideramos o Tantra a maneira mais sensual, sedutora, prazerosa e erótica de fazer sexo,  e de viver a inteireza da nossa sexualidade de forma consciente e amorosa


Vocês já reparam que dois amantes (referindo-se a duas pessoas que se amam  profundamente),  não precisam necessariamente de palavras para expressar-se um ao outro? E sabem por quê? Porque o amor é uma linguagem silenciosa. Os amantes olham-se, tocam-se, entregam-se de maneira tão profunda que não necessitam falar, há uma harmonia intensa do corpo e da alma, que tornam desnecessárias as palavras.


Interessante refletir um pouco mais sobre isso. Nunca acreditamos que  a fala seria  a melhor forma de expressão de um sentimento. O silêncio, o olhar, o toque, o gesto revelam e expressam o que sentimos e o que as pessoas sentem por nós da maneira mais profunda, intensa e verdadeira que podemos experimentar.


Esses momentos em que o corpo, os olhos e as mãos se expressam, falam mais do que milhares de palavras. Porque são expressões sentidas, saboreadas, digeridas, incorporadas.


Pensem no momento de êxtase gritamos, para liberar as tensões,  mas no momento que experimentamos a paz, silenciamos.


Num momento de expressão profunda de amor você precisa de fato, falar? 


Penso que acariciar o rosto, segurar a mão da pessoa amada, um abraço apertado, corpos emaranhados, entrelaçados ou debruçados um sobre o outro, corpos e alma nus. Nenhuma palavra expressaria sentimento maior, basta sentir a presença do outro, nas suas entranhas.


Permita-se entender e viver uma sexualidade verdadeiramente humana, pautada nos sentimentos e não na carência (sentimental ou física), e isso não tem idade, basta permitir florescer sua sensibilidade.


Aprenda a ser inteiro e não fragmento, a compreender a inteireza, a naturalidade divina e a beleza da sexualidade. A viver sua sexualidade com significado e não pelo metade, a ouvir seus sentidos, sem ser meramente instintivo, mas para que a sexualidade tenha de fato sentido! Eu desejo que você consiga um dia sentir e entender que a sexualidade humana na sua plenitude se dá na totalidade das nossas relações afetivas e prazerosas. E que embora, fazer o ato sexual em si,  também é um momento sublime e de uma beleza estonteante, mas igualmente ou até mais belo e prazeroso é a comunhão de amor entre uma mãe e seu filho.
Uma mãe experimentando o ato de amor e a sensação única de amamentar seu filho, de ser alimento para o corpoe sustento para a alma. O Sugar do seio de uma mãe por seu filho é a mais bela, pura e natural prova da grandeza da sexualidade que é a celebração da vida na sua totalidade.
Ou seja, amamentar, amar, saborear um olhar, deliciar-se num sorriso,  sentir  o calor  do abraço de um amigo ou de amor, o prazer de uma deliciosa gargalhada, a sensação inexplicável de chorar de alegria, são algumas das inúmeras formas de manifestação e expressão da totalidade da sexualidade que nós é, essencial e inerente, parte visceral da gente!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tantra - Sexualidade e Divindade - Parte I


Sentir-se amado é uma necessidade essencial aos seres humanos em toda e qualquer idade, pela necessidade básica que todos temos de ter alguém que nos admire, nos dedique atenção, nesse sentido, amor e atenção são umbilicais.O Tantra é uma das formas mais amorosas  de vivermos nossa sexualidade de maneira qualitativa e significativa em qualquer fase da vida .

No Tantra há o que as mulheres tanto reivindicam, e poderíamos chamar de uma preliminar e tanto, a massagem tântrica (que abordaremos em outro momento), mas que resumindo se caracteriza como o conhecimento corporal de si e do outro. No Tantra o foco da relação sexual deixa de ser  a penetração, o aspecto central é o carinho, o encanto e a magia do toque, seja com as mãos, seja com os olhos, seja com a boca.

No Tantra não devemos fazer amor quando estamos excitados, parece loucura dizer isso, não? Por quê? 

Porque acredita-se que se fizermos amor quando estamos excitados ( e é quando geralmente fazemos),  o sexo torna-se uma luta do corpo para aliviar uma necessidade instintiva básica, o que resulta, muitas vezes em: mulheres insatisfeitas que não conseguiram atingir o orgasmo e homens aliviados porque colocaram a tensão para fora, mas também insatisfeitos com seu desempenho pois, na maioria das vezes, essa excitação culmina numa ejaculação precoce.

Por isso, no Tantra o ideal é fazer amor quando o corpo estiver calmo, relaxado, tranqüilo, meditativo para que a relação sexual não seja apenas uma luta para aliviar as ansiedades da necessidade biológica primária. Seguindo essa lógica,  quando a tensão não se faz presente, o prazer pode ser prolongado  por horas e horas, ou seja, a ejaculação pode ser adiada.  

A sexualidade no Tantra é uma relação intensa e profunda, de fusão do corpo e da alma, um  dissolvendo-se no outro, completando-se, uma ligação profunda de senitimentos,  e a relação sexual não significa apenas alívio, e sim revigoramento.

Quando faz-se amor sem pressa, sem agressividade, sem luta, mas em completude, o prazer torna-se duradouro e intenso, mais profundo provocando reações químicas indescritíveis e surpreendentes, descobertas, através da troca de energias físicas e espirituais que fluem nesse momento de plenitude.

Sendo assim, o que para muitos configura-se tão somente em um prazer homérico momentâneo, apenas antes e durante a relação, no Sexo Tântrico, passa a ser um prazer que estende-se, transforma-se em bem-estar, depois da relação sexual.

Se o sexo profano configura-se como uma luta, no Tantra o sexo configura-se como uma entrega plena e rececptiva que exige uma relação de profunda admiração e confiança mútua. Nesse sentido chega-se ao ápice de um prazer interminável quando você consegue sentir que o desejo e admiração que o outro sente por você não é apenas pelo seu corpo, mas pela inteireza do seu ser.
Dessa forma, considerando a sexualidade como corpo e alma. o Tantra acaba por consolidar a visão que defendemos de a que sexualidade pode e deve ser vivida intensa e plenamente incluive na terceira idade.

No próximo post continuarei divagando sobre o Tantra, que é algo que venho estudando apaixonadamente por considerar que a sexualidade passa a ter um significado profundamente maior e sublime, quando conseguimos atingir essa completude dialética de corpo e alma, que  é voracidade e calma, que é na verdade o equilíbrio que tanto procuramos entre o sagrado e o profano. Entre a necessidade animal e humana, do prazer e do amor.

sábado, 3 de abril de 2010

Encerrando este assunto de proibir o uso de pulseiras coloridas!


Eu já disse e repito: tanta coisa mais importante a se esclarecer... e a mídia, os jornais e revistas noticiando, disseminando  e dando espaço a isto... pulseirinhas coloridas usadas pelos adolescentes tem a ver com um jogo erótico? 

E para ajudar ainda mais algumas escolas estão PROIBINDO o uso de pulseiras coloridas por crianças e adolescentes, meu Deus (estou indignada mesmo!), quanta desinformação, quanta falta de preparo para lidar adequadamente com assuntos relativos à sexualidade.

Primeiro que não concordo nem com o uso dessa palavra PROIBIR, temos que CONSCIENTIZAR!  Proibir o uso de uma pulseira colorida vai por acaso resolver o problema social da sexualidade?

Como eu já disse, sinceramente não consigo imaginar de a quem interessa disseminar essa ideia absurda. Tenho duas  filhas adolescentes que usam pulseiras coloridas e sinceramente, até eu já usei como acessório e tão somente isso, sem qualquer associação com qualquer jogo.

A maldade está na cabeça das pessoas, nos seus olhos e nas suas almas. E se alguns consideram que a inocência não faz mais parte da infância e da adolescência, eu diria: Se é que perderam  a inocência  culpa é de quem, hein? As crianças aprendem com quem? Se espelham em quem e em que? Lembrem-se crianças aprendem por gestos, atitudes e não com palavras vazias.
E mais alguns dizem que as crianças sabem mais de sexo que alguns adultos, eu diria podem até saber sobre sexo, mas não sabem sobre SEXUALIDADE, ai reside a diferença, como aprendem equivocadamente com muitos adultos alienados e influenciados pela visão ou repressiva ou no outro extremo a visão banal, quantitativa e mercantilista da sexualidade, aprendem por visões equivocadas da mídia. Então, a culpa dessa crise social, sexual  e precoce e de uma infância cada vez mais curta é de quem? Coloquem a mente para refletir, coloquem a mão na consciência, POR FAVOR!

Creio que deveríamos usar esses espaços preciosos na mídia para esclarecer, conscientizar, e mostrar aos  pais e educadores sobre a importância tratarmos dessa temática com nossas crianças, jovens e adolescentes.

Precisamos falar sobre a sexualidade, erotização precoce, sobre a pedofilia, sobre a banalização da sexualidade, sobre a forma como a mídia cria mascaradamente modelos de ser e viver a sexualidade e a vida, muitas vezes de maneira banal, vulgar, mercantil. Como se nosso corpo fosse objeto, como se fossemos incapazes de pensar por si mesmos.

A sexualidade é algo natural, bonito, necessário e já disse quanto mais eu proibir o assunto, quando eu velar o tema, mais estarei despertando a curiosidade e possivelmente a vivência de uma sexualidade precoce, meramente instintiva, quantitativa e banal.

 A descoberta e o afloramento da sexualidade na adolescência é absolutamente normal, e sinceramente, não é estar com uma pulseira, ou estar sem ela, que a sexualidade de uma pessoa será anulada.

Ao meu ver a questão não é proibir o uso da pulseira, mas alertar nossas crianças e adolescentes sobre os códigos que estão sendo associados a este jogo absurdo. O diálogo, o carinho a aproximação, é sem dúvida o melhor caminho para entender a cabeça dos adolescentes, alertá-los, conscientizá-los.

Como eu sempre digo para as minhas filhas, a sexualidade é natural, mavilhosa, e fundamental, mas como tudo na vida tem que acontecer tranquilamente, não pode ser antecipada e um dia todos vamos vivê-la ativamente, mas que não seja precoce, que não seja de qualquer jeito, que não seja com qualquer pessoa, que não seja sem previnir-se. Que seja especial, que seja uma idéia amadurecida, que seja com afeto, com doçura, com consciência, com responsabilidade para que possa ser inesquecível, importante, ímpar. Ou será um trauma para o resto da vida e o que era pra ser bom e prazeroso, torna-se uma experiência negativa difícil de ser superada e que pode acarretar traumas para o resto da vida.

Sobre o fato acontecido na cidade de Londrina-PR eu digo faço minha leitura, e  só não faz a leitura correta, quem não quer entender, ou é incapaz de ler as entrelinhas. Eu sempre digo que temos que nos valorizar e conhecer as pessoa com que nos relacionamos.

Eu CONVOCO E INSISTO que a educação sexual é necessária na família, na escola e em todos os espaços, mas uma educação sexual emancipatória, não uma educação sexual que dissemine absurdos, que consolide a visão hegemônica, que compactue com a visão capitalista e mercantilista.

Sou contra esta pseudo-educação sexual dissimulada pela mídia, que em vez conscientizar, manipula! Que em vez de escrever e falar o que as pessoas precisam ler e entender para sair da alienação, falam e escrevem o que as pessoas *querem* ler e ouvir, seja pra vender, seja pra ganhar status, seja para manter o status quo.

Me perdoem, mas é revoltante!  Eu não me denomoria jamais de educadora sexual se eu tivesse que escrever algo só para atender à uma expectativa de mercado ou da classe hegemônica, minha leitura sempre será crítica e emancipatória, educadores sexuais são aqueles que abrem mentes, que estendem horizontes, não aqueles que ajudam a manter  visão alienante e alienada da pessoas com relação à sexualidade.
 E para encerrar de vez esse assunto, em vez de criarem leis para proibir o uso, as autoridades devem urgentemente criar leis que conscientizem! Criem um Lei que para que as escolas e espaços sociais comecem a conscientizar, mas não meramente informar ou falar só de prevenção de doenças, mas concientizar, critica e emancipatoriamente sobre a sexualidade e outros problemas sociais tão urgentes emergentes!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Como e quando falar de SEXUALIDADE com crianças e adolescentes?

Consideramos inadequado utilizar o termo *falar de sexo com as crianças e adolescentes*, especialmente quando tratamos do tema no ambiente escolar, pois isso caracteriza um reducionismo do que de fato é Sexualidade. Aliás, é um equívoco pensar que vou na escola para falar de sexo, vou falar de sexualidade, que envolve nossa forma de ser e estar no mundo, e todos os prazeres da vida, seja o prazer de sorrir, de estar ao lado de alguém, de passear de mãos dadas, da troca de olhares, ou de olhar o mundo, de conversar com alguém, de abraçar, o prazer de um beijo, de um afago, o prazer de viver, aprender e se reconhecer como um ser humano com instintos, desejos, sonhos, expectativas, necessidades, vontades, mas dotado de razão e capacidade de fazer escolhas éticas e estéticas.

A sexualidade não pode ser tratada apenas como sexo. A sexualidade é a totalidade de nossos sentimentos, conhecimentos, interações, ou seja, dos relacionamentos que estabelecemos durante nossa vida desde que nascemos, pois ela é inerente ao nosso ser. E em cada época da vida ela vai se manifestando física e emocionalmente, despertando a curiosidade de conhecer a si próprio, de conhecer o outro. Uma curiosidade natural e saudável, que não deve ser estimulada, mas que jamais pode ser negligenciada.

Eu já disse e vou repetir: com as crianças o assunto deve ser abordado de acordo com as curiosidades individuais de cada uma delas, já a partir da adolescência podemos falar sempre coletivamente, utilizando a linguagem adequada.

É sempre importante ressaltar que, quanto mais se oculta, quanto mais se vela um assunto, mais curiosidade ele desperta. Por isso, pais e educadores devem sempre falar de sexualidade com a naturalidade que lhe é própria. Todos temos um corpo (feminino ou masculino) com suas características próprias, mas todas comuns aos seres humanos, então porque fazer ficar horrorizado ou envergonhado quando surge uma curiosidade sobre sexualidade.

A masturbação, por exemplo, é algo natural, que deve ser encarada com tranqüilidade pelos pais, conversando individualmente com seus filhos e explicando que a masturbação é um momento extremamente íntimo, que portanto diz respeito tão somente ao adolescente, o que significa que há espaços adequados e restritos para que ela ocorra.

Quanto mais se trata de maneira aberta, afetiva e respeitosa a sexualidade, mais tranquilamente as crianças e jovens vão apreendendo os conceitos as experiências, e estas serão determinantes na forma como, na idade adulta, a vivência da sexualidade será vivida e encarada. Sendo assim, pais e educadores devem lidar com o tema com naturalidade.

Eu sempre digo também que a criança aprende pelo gesto, pelas ações muito mais do que por palavras, portanto, ainda que, pensemos que não estamos tratando do assunto, estamos. Como assim? Como você lida diante dos seus filhos com questões como: Beijar seu companheiro na boca na frente deles? Abraçar? Fazer carinho? E mais você beija e abraça seus filhos? Você se troca na frente deles? Teria problema se ele entrassem no banheiro enquanto você toma banho? E por ai vai... Lembre-se, a forma como você trata o seu corpo, a sexualidade, os seus sentimentos podem ser decisivas na forma como seus filhos vão encarar a sexualidade deles. Se um corpo nu para eles é algo natural, não vão ficar preocupados em desvendar os mistérios do porque as pessoas escondem tanto seus corpos, vão encarar isso tranquilamente e saudavelmente.

Nós que criamos a maldade, quantas vezes já ouvi pessoas dizendo pras criança (não olha que feio estão se beijando você não pode ver). E entenda que uma coisa é um beijo afetivo e outra uma cena vulgar. Portanto, isso não significa deixar seus filhos verem filmes inadequados à faixa etária deles, nem ver as cenas absurdamente vulgares da TV, muito menos deixá-los acessar sites inadequados da internet, isso sim, tem que ser limitado, porque uma coisa é falar de sexualidade saudável e incentivar a sexualidade banal e quantitativa, reducionista dos modeles e estereótipos vinculados pela mídia e pela sociedade mercantilista . Não devemos jamais incentivar, mas não podemos de nenhuma forma negligenciar e deixar de orientar nossos filhos e alunos.

Vai meu alerta: quanto mais reprimimos o desenvolvimento da sexualidade das crianças e adolescentes mais estamos incorrendo num risco duplo e igualmente determinante, ou aguçamos uma curiosidade precoce ou podemos estar matando a possibilidade de uma sexualidade saudável na vida adulta, portanto a repressão é um mal em todos os sentidos. Devemos esclarecer sempre, de maneira adequada a cada idade e respeitando os limites da curiosidade da própria criança.

Lembrem-se ninguém pode entender o mundo, se não conhece a si. Se não entende e encara com naturalidade suas limitações, desejos, necessidades e possibilidades, pois, antes de sermos um ser no mundo, eu sou o mundo do meu próprio ser. Se não compreendemos nossa existência, a origem de nossa vida, o corpo que é nossa morada espiritual não conseguiremos nos desenvolver plenamente, nem compreender o outro e o mundo.

Importante ainda dizermos que, a sexualidade deve ser tratada sem preconceitos de qualquer ordem, sempre com seriedade, mas com naturalidade e responsabilidade. Falar de sexualidade com nossos filhos é também um ato de amor para com eles, especialmente em tempos onde a pedofilia tem se alastrado bruscamente, tornando mais que necessário alertar nossas crianças e adolescentes sobre a questão. É fundamental que crianças e adolescentes saibam como se relacionar com seu próprio corpo, justamente para evitar ou reconhecer uma possível violência sexual.

Portanto, pais e educadores, procurem entender e explorar melhor sua própria sexualidade, para que possam abordar sobre o tema com seus filhos, de maneira que eles se tornem adultos capazes de viver uma sexualidade saudável, afetiva, responsável, consciente e prazerosa.

E afinal: tem algo mais lindo do que ver a mãe e o pai da gente como dois seres que se amam, e tem  pelo outro carinho e cuidado de eternos  namorados, caminhando de mãos dadas ou abraçados?
No amor é natural e essencial gestos de carinho, compreensão e cumplicidade e este prazer e cuidado de amar, é também parte inerente da nossa sexualidade, e são estes gestos de sensibilidade que vão  vão enfeitanto a vida, fortalecendo nossos laços, nos humanizando e nos ensinando a ver que a vida e a sexualidade são intrinsecamente umbilicais, nos origimos porque nos amamos humanamente como os animais.



sábado, 27 de março de 2010

Refletindo sobre educação e sexualidade pela história e pela música eterna de Renato Russo

Hoje Renato Russo faria 50 anos, eu sou suspeita em falar sobre sua arte, e sobre ele, porque amo a música e a ousadia, a coragem dele, de se mostrar inteiramente como ser humano de alma aberta, só lamento que ele não soube usar sua genialidade latente para cuidar melhor de si mesmo e poder estar ainda aqui entre nos cantando e nos encantando ao vivo.

Falar de Renato Russo é falar de poesia, de alma, de amor, de intensidade e sexualidade.

E falando nisso, que a morte dele por Aids nos sirva de alerta, afinal  não precisamos necessariamente errar para aprender, podemos aprender pelo erro dos outros, observando e evitando coisas e sofrimentos desnecessários.

Renato morreu em decorrência de Aids em 11 de outubro de 1996, contraída no inicio dos anos 90. Uma história de sucesso, ousadia e teorias. Nos deixou aos 36 anos de idade, mas sua música é eterna em nossa memória, em nossa história.

Que as letras críticas, analíticas e poéticas de Renato e a forma de viver a vida e sua sexualidade nos sirva de exemplo e de alerta, podemos sim viver nossa sexualidade de maneira livre e natural, mas sempre pautados na responsabilidade que devemos ter, antes de mais nada, com a nossa própria vida, com a nossa saúde.

Cuidar do próprio corpo e respeitar seus limites é uma forma amorosa de vivermos a nossa sexualidade, nenhum prazer momentâneo poder ser maior do que o nosso prazer de viver.

A grande questão é que nós não entendemos sobre liberdade, confundimos liberdade com liberalidade exacerbada, saímos da repressão sexual para a exacerbação, para a mercantilização, para a banalização.

Não conseguimos ainda encontrar o equilíbrio da sexualidade. Ou seja, ainda não aprendemos sobre como viver nossa sexualidade de fato de maneira plena, porque liberdade implica em escolha consciente, responsável e amorosa.

Saímos de um extremo ao outro, nos perdemos no caminho, mas o bom é que a vida nos permite sempre recomeçar, porque história não é fatalidade, mas possibilidade. Por isso, minha luta pela educação sexual emancipatória, para que possamos viver nossa sexualidade com naturalidade, de maneira intensa, bonita e com a verdadeira liberdade.

Salve Renato Russo! Suas letras e sua história como nas músicas Pais e Filhos, Meninos e Meninas e tantas outras memoráveis, podem nos ajudar a falar de valores, de amores, de amor, a ler o mundo criticamente, a cultivar nossa sensibilidade, entender nossos pais, nossos filhos, a nós mesmos.

Nos ajudam falar de amor num mundo vazio desse sentimento hoje tão banalizado, a refletir sobre a humanidade, liberdade,  sociedade, sexualidade, subjetividade, sensibilidade.

Nos ajudam a conscientizar as pessoas nessa luta pela superação de preconceitos homofóbicos, e de outras tantas ordens.


* Renato dia quem inventou o amor? Me explica por favor!

* Realmente Renato eu tb me pergunto *que país é esse?


* É Renato e daí se alguém gosta de Meninos e Meninas?
• Ou só de Meninos, ou só de Meninas.

 
* Com certeza Renato ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, sem amor eu nada seria.


* Realmente Renato... *É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, por que se você parar prá pensar, na verdade não há...

Me diz, por que que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim...

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua
Não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar...

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais


Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais
Não entendem

Mas você não entende seus pais...
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?*

domingo, 21 de março de 2010

ENTRE A EMANCIPAÇÃO, A NATURALIZAÇÃO E A BANALIZAÇÃO DA NUDEZ FEMININA


A nudez feminina sempre foi alimento ao imaginário masculino, porém interessante pensarmos como em dada época a nudez do corpo feminino representava um fetiche altamente instigador do desejo masculino, não que isso se perdeu totalmente, mas a nudez feminina hoje quase se naturalizou. Porém o que me inquieta não é a naturalização, e sim a banalização. Porque a naturalização ao meu ver implicaria em respeito, assim como ocorre entre naturistas e entre nativos. Eu particularmente, sempre brinco com minhas filhas dizendo que adoraria ter nascido indía, neste sentido, viver naturalmente que está muito longe do conceito de viver de maneira banal. Ou seja, nossa indagação aqui é quando o corpo deixa de ser visto com admiração e encantamento e passa ser visto como mero objeto. Me questiono se houve uma vulgarização do corpo feminino e não uma emancipação feminina. Se a sensualidade deu lugar a vulgaridade, se o olhar que era repleto de desejo e encantamento, passou a ser apenas de um olhar banal sobre um obejto sexual, e pior se este corpo sensual hoje estaria sendo visto como um mero objeto sexual banal.

Lembro da minha adolescência, que um simples decote sensualizando o colo feminino eram sedutoramente erótico e sensual, apreciados por olhares vislumbrados, fixamente fascinado, erotizados, despertando fantasias, paixões e desejos. Hoje, no entanto, o corpos nus e seminus estão por toda parte, das telas da TV e da Internet, Às ruas e casas noturnas, o que se vê quase sempre são mulheres e meninas exibindo vulgarmente seus corpos como se fosses produtos numa vitrine, algumas objetivando a fama, outras como forma de vender seu corpo e outras meramente para viver quantitativamente a sexualidade.

Historicamente podemos dizer que a nudez se origina com Adão e Eva, ligada de certa forma ao pecado original, como aponta o livro do Gênesis “então os seus olhos abriram-se; e, vendo que estavam nus, tomaram folhas de figueira, ligaram-nas e fizeram cinturas para si.”.

Nas sociedades antigas o nu sempre esteve estreitamente ligado à luxúria, a totalidade do corpo sempre foi envolto de mistérios e encantos, considerava-se que os cabelos eram dotados de poder, e nas mulheres este poder era erótico. Ainda hoje, o soltar do cabelos longos e esvoaçantes simboliza sensualidade.

Essas questões nos levam a pensar se tamanha exposição do corpo caracteriza-se como um momento de libertação da sexualidade feminina e a superação da visão dogmática moralista patriarcal ou se, nos dias de hoje, esta simbolizaria tão somente a uma vulgarização e banalização da nudez, e consequentente da ideia do corpo como mero objeto sexual e da consolidação da visão capitalista e mercantilista da sexualidade.

Ainda há que se pensar hoje na apologia ao corpo, do culto ao corpo que para ser belo tem que seguir o estereótipo moldado pela ordem imperativa da estética atual ou seja o corpo considerado belo e ideal tem que ser magro, moldado, manipulado, enfeitado. O corpo naturalmente nu, deixou de ser admirado se não conter os adornos e exigências estéticas culturais. A mulher deixa de apreciada na sua totalidade, assim como corpo deixa de ser apreciado pela maciez da pele, contorno naturais, cheiro. Para ser perfeito tem que ser magro, esguio. Escravas da sexualidade capitalista e mercantil e quantitativa mulheres submetem-se às dietas rigorosas e muitas vezes absurdas, não para ter qualidade de vida, mas para ser consideradas sexualmente belas, das às cirurgias plásticas e silocones, na maioria das vezes sem necessidade, apenas por modismo e pura vaidade, como se a sexualidade e mulher se resumisse apenas isso.

Sendo assim, concluímos nesse sentido que, se por um lado, a mulher conseguiu se libertar das amarras moralistas da sociedade patriarcal, e se permitiu sentir prazer ao invés de apenas procriar, conseguindo se emancipar de antigas escravidões: sexuais, procriadoras ou indumentárias. Por outro lado, muitas mulheres ainda continuam se submetendo a explorações e alienações estéticas, sociais e sexuais. O corpo continua sendo ainda escravizado sexualmente e o pior uma exploração consentida, embora condicionada e alienada.

Sempre digo que aprecio e admiro o corpo nu e arte que retrata o corpo, mas não a arte mercantil e a nudez vulgar e banal. Aprecio a verdadeira arte e a beleza do corpo naturalmente sensual, da entrega afetiva e sexualmente intensa do encontro de corpos nus, e essa beleza só pode ser vista por olhos também despidos, livres de moralismos falsos, de dogmas, despidos de *pré –conceitos*. Olhos que conseguem além da nudez do corpo, enxergar a alma desnuda. Por que não somos apenas corpo, somos uma totalidade, e isso é que torna verdadeiramente significativa a vivência da nossa sexualidade.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher - refletindo sobre Sexualidade, Gênero e Classe! Ainda temos muito que lutar!


Hoje é uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas, mas que elas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.

Essa data se orgina do dia 8 de março de 1857, onde trabalhadoras fabris de uma indústria têxtil de Nova Iorque (EUA), em greve e ocupação pela diminuição da jornada de trabalho, foram trancadas e, a fábrica foi incendiada, provocando-se assim a morte de 129 operárias.
O Dia Internacional da Mulher é referencial para todas as mulheres comemorarem suas lutas e homenagearem suas mártires, mas é acima de tudo de um dia de reflexão.

Veja a força da nossa luta. A ação direta de mulheres operárias, desencadeou a primeira fase da Revolução Russa.Ou seja, a maior revolução social do século XX, pela primeira vez na história da humanidade, tivera início, com jovens mulheres russas à frente de seu primeiro e decisivo passo.
Líderes do movimento comunista como Clara Zetkin e Alexandra Kollontai ou anarquistas como Emma Goldman lutavam pelos direitos das mulheres trabalhadoras, entre as lutas estavam o direito ao voto feminino.

No Brasil só em 1932 é que o Governo de Getúlio Vargas promulgou o Código Eleitoral através de um Decreto, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras; mas apenas o direito ao voto não alteraria a condição feminina se a mulher não modificasse sua própria consciência. Porque a libertação da mulher exige mudanças em âmbitos não apenas políticos, mas econômicos e sociais, a libertação da mulher não pode tão-só representar um problema de gênero mas, sobretudo, é uma questão de classe.
Ainda hoje sofremos preconceitos e exploração. Um exemplo é a exploração e mercantilização do corpo das mulheres crescem na globalização, mas são expressões antigas e atuais da opressão e exploração das mulheres. No Brasil, esta problemática foi vivida, sobretudo, pelas mulheres negras e pobres, desde o período colonial, mantendo-se até os dias de hoje. A imagem do corpo da mulher associada à venda de mercadorias reproduz, no plano simbólico, a idéia de que o corpo das mulheres pode ser mercantilizado.

Em relação a vivência da sexualidade nossa luta ainda é para que toda mulher tem direito à liberdade sexual, à autonomia reprodutiva e autodeterminação sobre seu corpo. As mulheres, de maneira geral ainda são as mais sacrificadas e, por muito tempo, foram castradas em seu desejo sexual, como se este o desejo fosse um exclusivo direito masculino. As mulheres orientais até hoje sofrem castração do hímen quando ainda mocinhas pelos seus pais, sem ter direito a sentir prazer, apenas proporcionar, ou seja tornam-se propriedade e objeto dos maridos. Ainda hoje, as mulheres são inferiorizadas e vistas como objetos, no entanto as mulheres assim como os homens têm desejos, sentimentos, sonhos, vontades, necessidades e direito de dizer sim ou não, mulheres assim como homens não são propriedade privada nem objeto, nem mercadoria, são seres humanos.

Nossa luta dever ser:
Pelo fim da mercantilização do corpo das mulheres
Pelo fim da exploração sobre a sexualidade das mulheres
Pelo direito das mulheres a decidir sobre ter e não ter filhos
Pela defesa dos serviços públicos de qualidade: creches, escolas e serviços de assistência à saúde.
Por serviços especializados no atendimento à mulher.

No Braisil só em 1985 é que surge a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher - DEAM, em São Paulo;
A violência contra as mulheres aumenta a cada dia e a maioria dos municípios ainda não possuem um atendimento especializado para as mulheres.

Importante dizer que nós mulheres precisamos participar mais e ativamente da vida política do nosso país. A política é uma das atividades mais importante para transformar a vida das mulheres, e da sociedade nós mulheres precisamos ainda aumentar nossa participação política para que possamos influir sobre os rumos da nossa comunidade, do nosso país, da nossa história.
Ainda que os homens tenham maior força bruta, as mulheres têm mais energia, mais sensibilidade, têm uma visão mais geral das coisas e do mundo, têm intuição, percepção, tato, e mais disposição e enfrentamento da vida, da dor, do trabalho elas precisam apenas ter consciência de que se elas quiserem podem mudar sua realidade e o mundo.

Como eu disse este dia não é exatamente de comemoração mas sim de reflexão!

Pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar-nos a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.

A mensagem final que eu deixo para minhas companheiras mulheres nesse dia é de resistência, de luta, de força e coragem, características que já estão em cada mulher e que em muitas delas precisam apenas ser afloradas.

Espero que todas as mulheres, tenham direito ao amor e ao prazer, sejam respeitadas em sua dignidade de mulher, e para isto eu digo estudem, tenham sua autonomia, física, emocional e financeira, só assim nos tornando independentes financeira e intelectualmente seremos capazes de dizer que somos realmente livres, respeitadas e com direitos iguais. Ter renda própria é condição imprescindível para liberdade e autodeterminação das mulheres na vida adulta e na velhice. Estudar, adquirir autonomia de pensamento é sem dúvida também uma condição ímpar para essa libertação.

Enfim, desejo que todas as mulheres assim como todos os seres vivos tenham mais dignidade e respeito.

Lutemos juntas para que as diferências culturais de gênero sejam superadas e tenhamos direito de ser mulheres em nossa totalidade!
Meu abraço, minha admiração e respeito à todas as mulheres sensíveis e guerreiras, em especial à minha Mãe Cleuza, às minhas filhas Caroline e Beatriz e à todas as minhas amigas pessoais e companheiras de trabalho.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Falando um pouco do nosso trabalho como pesquisadora e vice-presidente da ABRADES – Associação Brasileira de Educação Sexual

Gostaria inicialmente de ressaltar que a ABRADES tem como proposta a implementação de uma Educação Sexual Emancipatória pautada numa exigência ética, estética e política almejando a formação de uma vivência autônoma e crítica da sexualidade. Por isso, lutamos por uma formação docente para a educação sexual nas escolas, para que possamos elevar a qualidade das intervenções sobre a temática da sexualidade. O que visualizamos hoje são crianças, jovens e adultos com informações pautadas na visão senso-comum, condicionados pela mídia, pela sociedade capitalista que induz à uma sexualidade mercantilista, consumista, quantitativa.

Podemos dizer que as pessoas hoje, têm acesso mais facilmente às informações sobre sexo, mas como já dissemos em outro momento há uma grande diferença entre informar e educar, entre informar e formar, entre informar e conscientizar.
Acreditamos que o caminho para mudarmos este cenário de crise social sexual só pode se dar por pelo viés de um processo que o prof. César Nunes denomina de emancipação. Ou seja a superação das visões e comportamentos a que fomos condicionados e somos ainda condicionados pela cultura, pela sociedade, através da superação de: preconceitos, tabus e valores arraigados culturamente seja em relação ao gênero, seja em relação ao reducionismo corporal da sexualidade disseminada pela sociedade vigente.

A mulher antes repressiva e reprimida passou hoje a uma liberalidade abusiva condicionadas pelo mercantilismo sexual do mercado capitalista que com uma visão pós-moderna vendeu a idéia de emancipação sexual da mulher, quando na verdade escondeu que essa emancipação foi pautada numa estética sexual e corporal, que do corpo reprimido e oculto, tornou-se escrava de uma beleza sexual corporal e objeto (pois, lamentavelmente ainda hoje, reduzem às qualidades de uma mulher à um corpo belo), ledo engano, pensar que já atingimos a emancipação sexual feminina, estamos longe disso, especialmente porque acredito que nós mulheres só atingiremos essa liberdade e igualdade quando conseguirmos que a sociedade reconheça nossos potenciais intelectuais, culturais e profissionais, que estão muito além do reducionismo corporal feminino.
A nossa luta não é apensa por liberdade, mas por conscientização, por pessoas capazes de refletir criticamente e então viver sua sexualidade de maneira plena, mas responsável, superando a tradição patriarcal repressiva e a mercantilização permissiva.

A Educação Sexual que tanto almejamos objetiva a construção de uma sociedade onde as relações sejam pautadas na igualdade de direitos, deveres e espaços, com respeito, afetividade, sensualidade e não na vulgaridade, no erotismo e não na banalização, onde que homens e mulheres (sejam homossexuais, bissexuais ou heterossexuais) deixem de ter essa classificação que segrega e sejam tratados acima de tudo, como seres humanos que somos, e onde todos possamos ter uma relação social e sexual pautada na igualdade.Por isso, voltamos a dizer que embora a educação sexual (quando acontece na escola, pois nem sempre ocorre) precisa superar apenas a dimensão médica-higienista-biologista que reduz a sexualidade à prevenção de DST´s, preservativos e anticonceptivos; superarmos também a visão meramente procriativa e anatômica da sexualidade, que acaba por reduzir à sexualidade ao sexo (macho e fêmea), às genitálias, como se a sexualidade fosse apenas isso.
A Educação Sexual que almejamos tem que ser oferecida não apenas por voluntarismo e boa vontade mas por pesquisadores da área da sexualidade, educadores sexuais que na sua formação estudam a sexualidade em todas as suas vertentes: históricas, filosóficas, políticas, psícológicas...
Por isso, nossa luta por uma Educação Sexual Emancipatória.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Materia com trechos da entrevista que concedi para a Jornalista Priscilla Borges do Portal IG

Quero agradecer a Jornalista Priscilla Borges, do IG de Brasilia pela publicacao da trechos de nossa entrevista na matéria intitulada "Educação sexual ainda é tabu".


http://educacao.ig.com.br/us/2010/02/16/educacao+sexual+ainda+e+tabu+9399359.html



A matéria também foi divulgada no site Gazetaweb


http://gazetaweb.globo.com/v2/educacao/texto_completo.php?c=6519

Ainda outros sites reproduziram a matéria:

Grupo de Trabalho e Pesquisas em Orientacao Sexual




GTPOS - Grupo de Trabalhos e Pesquisa em Orientacão Sexual
http://www.gtpos.org.br/index.asp?Fuseaction=Informacoes&ParentId=512&pub=1009


TV canal 13 internet

http://www.tvcanal13.com.br/noticias/educacao-sexual-ainda-e-tabu-nas-escolas-do-pais-92631.asp

Alagoas Notícias

http://www.alagoasnoticias.com.br/maceio/example/index.php/2010/02/16/educa-o-sexual-ainda-tabu.html

Educação a Distância - Polo de Águas de Lindóia

http://www.polouab.com/2010/02/educacao-sexual-ainda-e-tabu-nas.html

Jornal O Norte. net de Minas Gerais

http://www.onorte.net/noticias.php?id=26155

Rádio Clube Fm de Natal - RN
http://www.clubenatal.fm/noticias/?id=11994,EDUCACAO-SEXUAL-AINDA-E-TABU

Mais Brasília
http://www.maisbrasilia.com/principal.asp?UN=26060&Cod=U

Radialista News
http://www.radialistanews.com.br/index.php?pg=noticia&id=10589

RedeTV local
http://www.redetvlocal.com.br/ver_noticia.php?id=3549
A semana agora

Sobre a tal máquina de camisinha nas escolas

Eu fico indignada com quem inventou isso, como se o problema da sexualidade fosse apenas prevenção de DST´s e gravidez. Meu Deus (me perdoem vou usar uma linguagem nada acadêmica), mas é para mostrar minha indignação mesmo!

Será que as pessoas que são responsáveis por essas campanhas conhecem a história da sexualidade humana? Será que sabem de fato definir Sexualidade?

É claro que acreditamos que a Educação Sexual, é uma maneira eficaz para combater doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), gravidez precoce, mas a Educação Sexual especialmente significa uma possibilidade de quebra de tabus e preconceitos, de conscientização, de aquisição de uma ética sexual, de valores.

E ai você coloca a máquina de camisinha na escola e o jovens acham o que? Me perdoem, mas tenho duas filhas adolescentes, ministro palestras em diversas escolas para crianças e adolescentes e ainda que não fosse assim, sabemos que eles não tem maturidade para assimilar isso. Então, ai pegam a camisinha e vão achar que assim, estão protegidos e pronto, podem sair por ai fazendo sexo. Nossa me revolta algumas campanhas reducionistas assim, que contribuem no âmbito da saúde ( o que não deixa de ser importante), mas não dão conta da complexidade do tema, nem de longe.

Claro que de certo modo, pelo menos eles terão acesso aos preservativos agora, pois nós que atuamos como educadores sexuais na escolas sabemos que muito dos jovens não tinham dinheiro para comprar e não buscavam o preservativo nos Postos de Saúde como já disse anteriormente, primeiro porque era exigência nos Centros de Saúde era que se tivesse 18 anos e que se apresentasse identidade, e segundo porque se sentiam constrangidos. E claro basta conversar com os jovens como eu converso pra saber que estes não usam preservativo na primeira relação sexual e continuam não usando depois (aliás não só os jovens, adultos também), portanto falta CONSCIENTIZAÇÃO! Alguns usam no início dos relacionamentos, mas quando o relacionamento fica estável, o uso da camisinha é deixado de lado, outros simplesmente não usam. Porém,a distribuição de preservativos é como já disse uma medida que pode ajudar mas são paliativas, precisamos desenvolver um programa contínuo de conscientizacão dos jovens e de toda populacão sobre como viver uma sexualidade saudável e não apenas no aspecto de prevencão de DSTs mas da saúde psicológica e emocional das pessoas. Precisamos de um programa de educacão sexual emancipatória que trate supere essa visão reducionista da sexualidade. Precisamos de uma política voltada à questão sexual, que é uma problema social, e urgente! Basta vermos os altos indíces de DST´s e gravidez não planejada. E informações biológicas e preventivas como estas existem há um bommm tempo nas escolas, e não são suficientes, será que ainda não deu para entender isso, nunca foram suficientes para EDUCAR, são preventivas e informativas no âmbito da saúde e nem disso deram conta.

Apesar dos “avanços ideológicos”, faltam atitudes, pois existe uma grande diferença entre informar e educar. Creio que a Educação Sexual é um processo educativo que possibilita não apenas o conhecimento biológico, mas a formação de valores e atitudes referentes à forma como vivemos nossa sexualidade. Nesse viés, consideramos que a Educação Sexual pode contribuir, entre outros fatores, para a diminuição dos índices de gravidez na adolescência, a redução da transmissão entre os jovens de DSTs, mas a partir do momento que tornar o jovem conhecedor do que representa a sexualidade humana para si próprio e no contexto da sociedade brasileira.

A Educação Sexual visa esclarecer sobre os tabus e preconceitos existentes na sociedade, promovendo o respeito pela liberdade de expressão, de orientação sexual, abrindo espaço para se discutir conceitos e problemas da adolescência, namoro, sexo seguro, gravidez, aborto, orientação sexual, abusos sexuais, violência, responsabilidade, maturidade, afetividade. Mesmo com os “avanços” da liberdade sexual, é possível constatar que a família ainda não privilegia um diálogo sobre sexualidade, ou este é pobre ou inexistente; e mesmo nas escolas, o debate é tímido e ocorre voltado para os aspectos biológicos; os educadores, como também os profissionais da saúde, parecem permanecer com posturas impregnadas de preconceitos e tabus, talvez por também não possuírem um embasamento histórico e teórico aprofundado sobre o tema em questão. É um desafio que coloca em campo suas possibilidades individuais, interagindo com o meio e a cultura ao seu redor. São períodos de vivência com pessoas diferentes, expressando valores diferentes abrindo momentos de conflitos e confrontos que, evidentemente, podem ser decisivos e contribuir para o alcance da melhor maneira de como lidar com a sexualidade em termos de troca de afeto e prazer. Dependerá das informações e comportamento das pessoas com as quais convive, como amigos, professores e família. Mas nem sempre as informações e aprendizagens a que o jovem estará submetido conciliam as abordagens biológica, psíquica e a sociocultural, conforme se almeja.

EU ME COLOCO À DISPOSIÇÃO VOLUNTARIAMENTE PARA CRIAR UMA POLÍTICA SEXUAL SOCIAL QUE ALÉM DESSE ENFOQUE MÉDICO-HIGIENISTA-BIOLÓGICO atenda a SEXUALIDADE em sua totalidade.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Schopenhauer - a filosofia do corpo e o Amor sexuall

Passei aqui dizer que meu próximo post aqui no Blog, versara brevemente sobre o filósofo alemão Arthur Schopenhauer que nos brinda com um tema muito pouco abordado pela Filosofia o " AMOR”. Que ele definiu como a manifestação de um desejo de perpetuação da espécie....

Schopenhauer foi um dos primeiros a superar os estudos centrados no racionalismo, apontando a Vontade como elemento fundamental para a compreensão do sentido das coisas, vontade esta que se manifesta segundo ele na natureza de todos os corpos, independente ou não da faculdade da razão. O corpo, humano e animal, instintivo, passa a partir de Schopenhauer a ter importancia epistemologica na filosofia ocidental, corpo este que impulsivamente e inconscientemente, seria um corpo de instinto e impulsos, dentre os quais um essencial, o impulso sexual.

Aguardem!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Só compartilhando... e refletindo...

Penso que sempre é bom refletir sobre a vida, hoje eu não vou escrever nem sobre a sexualidade em si, nem sobre a educação em si, mas compartilhar uma das mensagens que gosto muito de ouvir para refletir sobre a vida, se vocês prestaram atenção ela fala também em metáforas sobre a nossa sexualidade, entre outras coisas...


Filtro Solar

Pedro Bial

Brother and sister
Together we'll make it through
Someday your spirit will take you
And Guide you there
I know you've been hurtin'
But I'll be waiting to be there for you
And I'll be there just helping you out
Whenever I can
Everybody's free...


Nunca deixem de usar filtro solar!
Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro,seria esta: use filtro solar.
Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar
estão provados e comprovados pela ciência;
já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.

Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.

Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder
e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar as suas fotos e
perceber de um jeito - que você nem desconfia hoje em dia
quantas tantas alternativas se lhe escancaravam à sua frente,
e como você realmente tava com tudo em cima.
Você não é tão gordo(a) quanto pensa!

Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação
é tão eficaz quanto mascar chiclete
para tentar resolver uma equação de álgebra.
As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nunca
passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatro
da tarde de uma terça-feira modorrenta.
Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.

Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.

Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam,
aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você.
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo.
É assim pra todo mundo.

Desfrute de seu corpo.
Use-o de toda maneira que puder. Mesmo.
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele.
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio.

Dedique-se a conhecer os seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado
e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas
e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,
mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem.

More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.

Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear.
Você, também, vai envelhecer.
E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem,
os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,
e as crianças, respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos.
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez case com um bom partido.
Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar.

Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos quarenta
vai aparentar oitenta e cinco.
Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas no filtro solar, acredite!

http://videolog.uol.com.br/video.php?id=229650

domingo, 3 de janeiro de 2010

SOBRE AS PULSEIRINHAS COLORIDAS: em vez de disseminar, temos que conscientizar!



Tanta coisa mais importante a se esclarecer... e os jornais e revistas noticiando e disseminando isto... pulseirinhas coloridas usadas pelos adolescentes tem a ver com um jogo erótico?

Sinceramente não tenho idéia de a quem interessa disseminar essa ideia absurda. Tenho uma filha adolescente que usa pulseiras coloridas e sinceramente, até eu já usei, sem qualquer associação com qualquer jogo. Não sei até que ponto, interessa dar
importância à isso, porém creio que o que devemos é esclarecer sobre a importância de nós, pais e educadores conscientizarmos nossas crianças, jovens e adolescentes sobre a sexualidade, da maneira mais tranqüila e natural possível. Quanto mais velado for o assunto, mais despertará a curiosidade e possivelmente uma vivência precoce da sexualidade ativa.

A descoberta e o afloramento da sexualidade na adolescência é absolutamente normal, e sinceramente, não é estar com uma pulseira, ou estar sem ela, que a sexualidade de uma pessoa será anulada. Devemos é mostrar que a sexualidade é fundamental e foi através dela que nascemos, mas que cada momento da vida tem seus encantos e prazeres que não estão necessariamente ligados ao ato sexual.

Ao meu ver a questão não é proibir o uso da pulseira, mas alertar nossas crianças e adolescentes sobre os códigos que estão sendo associados a este jogo absurdo. Odiálogo, o carinho a aproximação, é sem dúvida o melhor caminho para entender a cabeça dos adolescentes, alertá-los, conscientizá-los.

Como eu sempre digo pra minha filha, a sexualidade é maravilhosa e fundamental, e um dia todos vamos vivê-la ativamente, mas que não seja precoce, que não seja de qualquer jeito, que não seja com qualquer pessoa, que não seja sem previnir-se. Que seja especial, que seja uma idéia amadurecida, que seja com afeto, com doçura, com consciência, com responsabilidade para que possa ser inesquecível, importante, ímpar. Ou será um trauma para o resto da vida e o que era pra ser bom e prazeroso, torna-se uma experiência negativa difícil de ser superada.


EU CONVOVO E INSISTO QUE A EDUCAÇÃO SEXUAL É NECESSÁRIA NA FAMÍLIA, NA ESCOLA EM TODOS OS ESPAÇOS, MAS UMA EDUCAÇÃO SEXUAL EMANCIPATÓRIA, NÃO UMA EDUCAÇÃO SEXUAL QUE DISSEMINE ABSURDOS, MAS QUE CONSCIENTIZE DE FATO!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

"Barebacking" no Brasil

Creio que diante do crescente número de pessoas contaminadas pelo HIV em nosso país traz a necessidade dessa reflexão. Tanto de se falar da prática do Bareback em si, como também abordarmos sobre a necessidade do uso do preservativo em qualquer tipo de relação sexual.

O termo “Bareback” ou “Barebacking” tem origem nos Unidos, a expressão significa –se montar a cavalo sem sela ou à pelo. Inicialmente referia-se apenas à relação sexual anal praticada entre homens sem preservativo. Mas atualmente a definição mais coerente para o Barebacking seria pratica sexual sem camisinha, ou qualquer pratica sexual desprotegida, independente da orientacao sexual de seus praticantes, pois nos dias de hoje essa prática não é realizada apenas entre homossexuais, se estendendo também entre heterossexuais e Bissexuais, o que se confirma através de dados do Ministério da Saúde e UnAids que apontam o índice crescente de contaminação entre os heterossexuais.

Estatísticas divulgadas pelo Ministério da Saúde mostra que em 1996, no Brasil, o índice de heterossexuais, com mais de 13 anos, contaminados pelo HIV se configurava em torno de 22,4% do total de 16.938 infectados. Em junho de 2008 esse percentual praticamente dobrou atingindo 45,7%.

As motivações entre os praticantes da “Roleta Russa”, como também é conhecida revelam que esta prática, se configura entre o sadismo e o masoquismo numa numa espécie de fronteira entre tensão e o prazer do contato sensorial e o risco de infecção ou apenas entre duas pessoas ou nas chamadas “Baryparty”. Ainda, os praticantes sentem prazer em transgredir a ordem sexual vigente do sexo seguro, o prazer esta ligada ao fato de não haver limites no ato sexual.

Um discurso comum entre os praticantes tanto do Barebacking é que vivem uma forma de prazer intensamente livre. Interessante ainda observar que, os praticantes do sexo grupal (não apenas do Barebacking) de maneira geral, considerados entre muitos uma forma de relação sexual moderna e liberal são em sua maioria pessoas com um certo status social, poder aquisitivo e com formação universitária, ou seja, pessoas que podemos dizer “esclarecidas” sobre os riscos que correm.

Nas “Baryparty” o fetiche é praticar sexo com vários pessoas e muitos com pessoas desconhecidas, nestas festas o “Barebacking” já se configura em crime no Brasil, pelo agravante é que em muitos casos a este fetiche agrega-se o fato de que essas pessoas possam ser soropositivas. Embora tenhamos que esclarecer que nem todas os praticantes querem adquirir o virus, na verdade eles nem pensam em nada, sao totalmente indiferentes as consequencias que possam advir desta pratica.

E não se trata aqui, de condenar o que cada um faz com seu corpo e sua sexualidade, trata-se apenas convocar as pessoas à um reflexão sobre a necessidade da prevenção, cuidado e respeito com seu próprio corpo e com o outro. Lembrando que o prazer maior que podemos dispor está em viver saudavelmente.


Importante ressaltar que as mulheres devem se previnir sempre, pois muitos homens embora não assumam, vivem uma relação bissexual e contaminam suas parceiras.

Nossa luta maior é por uma sexualidade livre, porém, consciente e saudável. Lembrem-se as escolhas são de cada um, e as conseqüências também. Sera que o prazer momentâneo pode ser maior que o prazer viver?

Viva uma sexualidade prazerosa, mas acima de tudo pautada na responsabilidade com a sua vida e a vida do outro. Use preservativo!

*Para quem quiser aprofundar-se sobre o tema, que ainda possui poucos estudos eu recomendo a leitura da tese de doutorado abaixo que foi uma das minhas referencias.

SILVA, L.A.V. Desejo à flor da tel@: a relação entre risco e prazer nas práticas de barebacking. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Universidade Federal da Bahia. Salvador, 2008.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Voce usa presertativo nas suas relacoes sexuais? Devia!


Amanha vou postar um trecho do artigo que estou escrevendo sobre a pratica do *Bareback*, que cresce no Brasil nao apenas entre homossexuais, mas tambem entre heterossexuais, creio que seja importante fazer uma reflexao sobre essa problematica que ja se torna um caso de saude publica no Pais.




sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Desejos de Natal

Nesse Natal eu tive mais a agradecer do que há pedir ao Papai
Noel, afinal ele foi generoso comigo o ano inteiro, na vida profissional e
acadêmica foi melhor do que esperei, em fevereiro o Doutorado, o coroamento da
Tese, o reconhecimento nacional do meu trabalho sobre sexualidade, foi bem mais
do que sonhei, entrevistas, reportagens, a CBN, o SBT, a rádio Jovem Pan, o
Jornal do Brasil, o Correio Brasiliense, o reconhecimento da validade da minha
tese pela fala da coordenadora de sexualidade no MEC.
E na vida pessoal inúmeras realizações e alegrias
incontáveis.
Então, o que eu pediria?
Só que essas alegrias se mantenham e que eu possa ter sáude
para continuar, sonhando, desejando, amando, sorrindo, trabalhando, escrevendo,
sentindo...
Hoje só passei aqui pra dizer que o meu desejo maior era que
em todos os dias do ano, as pessoas tivessem esse espírito de amor, esperança e
paz que se irradia no natal.
Beijos à todos, com Deus no coração, sempre!

domingo, 20 de dezembro de 2009

A Sexualidade em Poesia com Vinicius de Moraes

Soneto do amor total

Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente

Hei
de morrer de amar mais do que pude.

A SEXUALIDADE EM MUSICA

Baby
A emoção me trouxe aqui
Pra tudo que o seu desejo
For capaz
Eu quero a sensação
Suprema dos mortais
O gozo insano e soberano
Dos animais

Baby
Você me inflama quando diz
Eu tenho o amor
Que você sempre quis
E aperte o corpo mais
Eu já to por um triz
Dá impressão de enlouquecer
De ser feliz...



|...| O que você quiser de mim
Não peça por favor
Possua enquanto eu tenho
Eu quanto eu vou
Deixe o espelho refletir
Meu desejo por ti
Num entra e sai de amor

"ENTRA E SAI DE AMOR - ALTAY VELOSO"


A sexualidade em poesia com Manuel Bandeira

A ARTE DE AMAR

"Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não."

*MANUEL BANDEIRA*


"CONTRADICOES?

NAO. ACREDITAMOS QUE SEXUALIDADE, ASSIM COMO O AMOR, E ENTENDIMENTO DE CORPOS, E NAO ENTENDIMENTO DE ALMAS.
VEJA QUE EU DISSE ANTERIORMENTE, "ENCONTRO", E CONTINUO ACREDITANDO, OS CORPOS SE ENTENDEM, AS ALMAS SE ENCONTRAM. EIS A PLENITUDE, QUANDO PERMITIMOS QUE OS CORPOS SE ENTENDAM PARA QUE AS ALMAS SE ENCONTREM...
QUANDO DESNUDAMOS OS CORPOS E DESPIMOS AS ALMAS DE CONCEITOS, PRE-CONCEITOS, TABUS, MEDOS, CULPAS! PELA ENTREGA SUPREMA!"

CLAUDIA BONFIM


A sexualidade em Poesia com Gregorio de Mattos

"O Amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias.

Uma confusão de bocas,
Uma batalha de veias, um rebuliço de ancas;
Quem diz outra coisa, é besta.”

'Gregório de Mattos'

"A sexualidade... um misto de selvagem e doce, de corpo e alma, de necessidade e querer, de vontade e desejo, de voracidade e ternura. Sexualidade é sempre dialética. Mas penso que a sociedade que banalizou a sexualidade, tirou dela o encanto da alma, esvaziou os sentidos, engessou nosso sentir, deturpou nossos conceitos, sendo assim, faz-se necessário provocar um alargamento da nossa percepção de que a sexualidade se esgota no orgasmo do corpo, nos permitindo sentir e entender que ela se torna sublime e atinge sua plenitude, no encontro do orgasmo do corpo com o orgasmo da alma. Sentir com todos os nossos sentidos plenos de afeto, encantamento, entrega, paixão, erotismo, sedução...
Se atreva a fugir da sexualidade vigente, experimente SENTIR!
Se atreva a provar da sexualidade plena de sentidos e supere a sexualidade que apenas esvazia o corpo."

*Claudia Bonfim*

De Volta ao nosso deleite!

  • Primeiro queria me desculpar pela demora em retornar às postagens, porém esse segundo semestre foi atípico em todos os setores, além das demandas da profissão docente, da coordenacão de TC, dos meus escritos e pesquisas, e das participacões em congressos e simpósios, final de semestre e sempre uma correria, ainda mais com centenas de provas, trabalhos, resenhas e projetos para corrigir. Mas enfim, sobrevivemos! Agora de férias, vou poder dedicar um tempo aos meus escritos e poesias e sonhos mais subjetivos. Quero postar hoje algo que já havia prometido, eu diria que não é uma resenha, uma espécie de degustação, para que vocês sintam o gosto, e sintam vontade de saborear o livro no todo, seria um convite à leitura de "Eros e Civilizacao" de Herbert Marcuse. Apresentaremos na verdade, dois conceitos (categorias) necessários na compreensão dessa obra, a conceituação de Repressão Sexual e Trabalho.

    Marcuse se utiliza de conceitos psicanalíticos buscando uma melhor compreensão da Repressão Sexual, utilizada por nossa sociedade para sua auto-conservação. Ele denomina essa sociedade unidimensional ou seja, sem dimensões e/ou diferenciações de valores. Tudo equivale a tudo, todos a todos (como se, basicamente, tudo fosse mercadoria), numa condição de objetos de consumo.


    Apresenta ainda, o que ele chama de sociedade administrada, isto é, não há real (pura) liberdade de expressão. Tudo o que dizemos, fazemos, pensamos, gostamos e não. Ele coloca que tudo é controlado por uma força maior, inapontável e incombatível.

    Marcuse fala sobre o que ele conceitua como Super-Repressão, que afirma ser um conjunto de restrições e imposições que auxiliam a domesticação do Homem para o convívio em sociedade, indo além do Recalque e da Contenção do Princípio de Prazer por exigências do Princípio de Realidade de Freud. Quando Freud expõe a Contenção do Princípio de Prazer, ele traz uma explicação que o homem vive em constantes angústia e penúria, assim devendo trabalhar para sobreviver a esse desgosto. Com isso, não só a Libido é sublimada e convertida num melhor rendimento, mas também o prazer é ensinado a se protelar para suportar frustrações e angústias longas (às vezes definitivas). Ou seja, nessa vertente o trabalho (de certa forma deveria ser convertido “em prazer”, ou melhor, em momento de anestesia para nossas ângústias, com a mente ocupada com o trabalho, nosso corpo não “sofreria”, ou melhor nossa Libido torna-se oculta. Na Super-repressão não é o bem-estar individual que importa e sim a existência e bem estar na sociedade. Considera-se que a Super-Repressão, assim como fragmenta as condições existenciais desses indivíduos sociais quase que absolutamente, fragmenta também a sexualidade.


    Ou seja, o trabalho torna-se o aspecto central e fundamental de nossa existência, e para que este seja aceito como valor e virtude central, ocorre a dessexualização e deserotização do corpo destruindo as múltiplas zonas erógenas que possui afirmando que qualquer estímulo a elas é imoral, perverso e criminoso, reduzindo a sexualidade então a mera cópula com fins procriativos, limitando-a à genitalidade (ainda assim “controlada” e reprimida).

    E aqueles que buscam superar essa Super-repressão, buscando a satisfação de suas necessidades, desejos e vontades, se for conservada, serão considerados socialmente pervertidos, imorais ou criminosos. Porém, a Super-Repressão não visa à dominação por si só, mas sim à funcionalização do Homem transforma o trabalho que era virtude em trabalho alienado, privador de satisfação, prazer, alegria e compensações (sendo essas últimas adiadas, mas nunca alcançadas), assim destornando-o fonte de criação e sublimação. Acaba por matar o prazer. A sociedade racionalizada é uma sociedade funcional, isto é, nela tudo o que existe, só tem direito à existência se for definido por um função útil, adequada e aceita: a sexualidade será, então, a função especializada em procriar e função especializada de alguns órgãos do corpo.

    Para que a Super-Repressão ocorra devidamente é necessário, contudo, que ela esteja internalizada; e, para que possa ser internalizada, recorre à divisão do tempo e espaço, limitando-os e suas possibilidades de propiciarem um momento para a sexualidade. E, para piorar, essa limitação de tempo-espaço não ocorre só com o sexo, mas também com o lazer. Essa problemática implica num terrível dilema: o tempo possível de ser dedicado ao lazer é o mesmo da sexualidade. Diante dessa limitação temporal e espacial de possibilidade de satisfação o indivíduo encontra a opção mercantilista de sexualidade como uma “válvulva” ilusória de escape a pornografia, motel, sauna, casa de massagem, casas de swing, trazendo uma ilusão de liberdade sexual. E é por esse caminho que a Super-Repressão se articula com o Princípio de Rendimento.


    A super-repressão não se contenta com a dominação e a funcionalização. O trabalho que ela valoriza e transforma em virtude é o trabalho alienado, isto é, aquele que não traz satisfação, nem alegria, nem compensações, que não é fonte de criação, nem possibilidade de sublimação. Trabalho ascético da vida ascética, o trabalho super-reprimido não protela nem substitui o prazer: apenas o mata.


    Marcuse o determina como forma contemporânea do princípio de realidade: consumir para produzir e produzir para consumir. Com isso, o indivíduo sente-se humilhado se não atinge às demandas de consumo e produção impostas pela sociedade. Com isso, a identidade do indivíduo não depende mais da relação [corpo-psique-ics-consciência Natureza-cultura], mas dos critérios de avaliação social. Deixamos de ser autônomos quanto à sexualidade e nossas próprias vidas para sermos heterônomos ou seja, deixamos de seguir nossas próprias leis e passamos a ser determinados por leis alheias. Super-Repressão e Princípio de Rendimento, dessa forma, reduzem o Eros a quase zero e alimentam Thanatos em seu cruel e perverso desejo de morte, vazio e fim.


    Acontece que, assim como o recalcado retorna, retorna a Libido reprimida igualmente, que assume três modalidades de manifestação: Princípio de destruição; numa outra, ela reduz os autômatos humanos à infantilização, ao conformismo, à dessublimação repressiva (como, por exemplo, a exibição dos corpos nus pela propaganda como profanação); numa terceira, enfim, ela torna possível a rebeldia de Eros, a transgressão que não é afirmação do existente, mas sua negação (por exemplo, as "perversões" sexuais como fonte de saúde e de vida). Nesta terceira via, a sexualidade rebelde parte em busca da unidade perdida, da recomposição do corpo e do espírito, e recusa funções.


    Vale a pena ler e reler! Nos leva a compreender a partir dos conceitos da psicanálise a repressão sexual obtida através da racionalização exercida sobre o trabalho e sobre toda a nossa vida pela sociedade contemporânea, que tenta e na maioria das vezes consegue, transformar tudo e todos em mercadoria, objeto de consumo, mercantilizando inclusive, a sexualidade. ele chama de sociedade unidimensional (isto é, uma sociedade sem dimensões e diferenciações, onde tudo eqüivale a tudo, se troca.

    Indico, para uma complementar compreensão da temática, a leitura do livro "Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida" da brilhante professora Marilena Chauí, publicado pela

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