Podemos dizer que as pessoas hoje, têm acesso mais facilmente às informações sobre sexo, mas como já dissemos em outro momento há uma grande diferença entre informar e educar, entre informar e formar, entre informar e conscientizar.
A mulher antes repressiva e reprimida passou hoje a uma liberalidade abusiva condicionadas pelo mercantilismo sexual do mercado capitalista que com uma visão pós-moderna vendeu a idéia de emancipação sexual da mulher, quando na verdade escondeu que essa emancipação foi pautada numa estética sexual e corporal, que do corpo reprimido e oculto, tornou-se escrava de uma beleza sexual corporal e objeto (pois, lamentavelmente ainda hoje, reduzem às qualidades de uma mulher à um corpo belo), ledo engano, pensar que já atingimos a emancipação sexual feminina, estamos longe disso, especialmente porque acredito que nós mulheres só atingiremos essa liberdade e igualdade quando conseguirmos que a sociedade reconheça nossos potenciais intelectuais, culturais e profissionais, que estão muito além do reducionismo corporal feminino.
A nossa luta não é apensa por liberdade, mas por conscientização, por pessoas capazes de refletir criticamente e então viver sua sexualidade de maneira plena, mas responsável, superando a tradição patriarcal repressiva e a mercantilização permissiva.
A Educação Sexual que tanto almejamos objetiva a construção de uma sociedade onde as relações sejam pautadas na igualdade de direitos, deveres e espaços, com respeito, afetividade, sensualidade e não na vulgaridade, no erotismo e não na banalização, onde que homens e mulheres (sejam homossexuais, bissexuais ou heterossexuais) deixem de ter essa classificação que segrega e sejam tratados acima de tudo, como seres humanos que somos, e onde todos possamos ter uma relação social e sexual pautada na igualdade.Por isso, voltamos a dizer que embora a educação sexual (quando acontece na escola, pois nem sempre ocorre) precisa superar apenas a dimensão médica-higienista-biologista que reduz a sexualidade à prevenção de DST´s, preservativos e anticonceptivos; superarmos também a visão meramente procriativa e anatômica da sexualidade, que acaba por reduzir à sexualidade ao sexo (macho e fêmea), às genitálias, como se a sexualidade fosse apenas isso.

