quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Chegamos em Brasilia!


No dia 04 de outubro de 2009, nossa tese de Doutorado foi citada em uma matéria no Jornal do Brasil de Brasília após ter concedido uma entrevista à Jornalista Luciana Abade, o trabalho realizado pela Profa. Dra. Cláudia Bonfim chegou ao conhecimento das autoridades como ela tanto almejou, pois a responsável pela área temática de Educação Sexual no Ministério de Educação e Cultura (MEC) em Brasília após ser questionada sobre as conclusões e deficiências apontadas pela pesquisadora Cláudia Bonfim sobre a Educação Sexual na Escola, afirmou que a tese da pesquisadora Cláudia Bonfim está correta, é urgente a  a necessidade de se inserir na matriz curricular dos cursos de formação docente, Pedagogia e Licenciaturas,  uma disciplina ou disciplinas que abordem a sexualidade para além da ênfase biológica, que englobe também  ua dimensão sócio-histórica-cultural. Trechos da entrevista estão publicados no site do Jornal Online e no site do Terra. 
Link do Portal Terra com a matéria contendo trechos da entrevista concedida ao Jornal do Brasil de Brasília
http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/10/03/e031011042.asp



XII Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana

E temos tanto a agradecer a Deus pois Ele tem abrido tantos caminhos para que possamos continuar levando o nome de Cornélio Procópio pelo Brasil afora. De 04 a 07 de outubro de 2009 tive o prazer a honra de ser uma das palestrantes do maior congresso de Sexualidade que acontece no País, além de apresentar trabalho e fazer alguns cursos com alguns palestrantes renomados, ensinei e aprendi, realizei a palestra de abertura Educacao Sexual, mas qual? Da Educacao Sexual que temos a Educacao Sexual que queremos, na mesa redonda composta por ilustres renomes do Brasil sobre Educação Sexual no XII Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana realizado em Foz do Iguaçu.




Ezequiel Lopez Peralta (Argentina), Claudia Bonfim e Raquel Varaschim (Brasil)
Claudia Bonfim e Toni Reis (um ser humano incrivel)

Claudia Bonfim, Tereza Fagundes (UFBA), Ricardo Desiderio e Tony Reis (Brasil)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Surpreendente vida!


Hoje passei aqui apenas para indicar aos educadores um filme que nos permite refletir criticamente sobre a historia da sexualidade, "Eu me Lembro". O filme retrata a vida de um jovem desde seu nascimento até à fase adulta, acompanhada em paralelo aos acontecimentos do Brasil nas décadas de 50, 60 e 70. Acompanha o crescimento de Guiga, nascido na cidade de Salvador numa época provinciana. No contato com a mãe, Aurora, descobre a sexualidade e seus limites. Com o pai, Guilherme, temível, austero e puritano exacerbado, viverá muitos conflitos. O garoto cresce movido por culpa católica, marcada pela morte da mãe antes mesmo da adolescência.

E porque do titulo desta postagem?

Porque quem me indicou o filme foi um de seus atores, Ipojucan Dias *na foto abaixo em cena do filme!

Indicado! Vale a pena!

• Informações Técnicas
Título: Eu Me Lembro
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2005
Estréia no Brasil: 2006
Direção: Edgar Navarro
Atores: Lucas Valadares, Fernando Neves, Arly Arnaud, Valderez Freitas Teixeira, Annalu Avares, Ipojucan Dias

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

ESTAR BEM COM A SEXUALIDADE, MELHORA A PRODUTIVIDADE?

São comuns comentários associando a sexualidade quando alguém chega mau humorado no trabalho. Acreditamos que a pressão das empresas e instituições possam afetar a produtividade dos seus colaboradores, vamos entender por que. Entendemos que o stress pode interferir na qualidade de vida sexual das pessoas, e que um dos maiores motivos geradores do stress situa-se no âmbito do trabalho.

Se faz necessário explicitarmos que o stress ou estresse pode ser conceituado como o resultado de uma reação que o nosso organismo tem quando estimulado por fatores externos desfavoráveis, e essa reação pode ser física ou mentais e fazem aumentar a produção de nossa adrenalina, causando males especialmente no aparelho circulatório e respiratório.

Devemos entender que possuímos três dimensões que precisam estar em harmonia para que tenhamos uma vida de qualidade. A dimensão Biológica que se define através das características físicas herdadas ou adquiridas durante a vida, incluindo o metabolismo, as resistências e as vulnerabilidades dos órgãos ou sistemas; a dimensão Psicológica que envolve os aspectos afetivos, emocionais e de raciocínio, conscientes ou inconscientes. E a dimensão Social que engloba os valores, crenças, o papel na família, no trabalho e nos grupos sociais a que as pessoas pertencem, ou seja, o ambiente social de que faz parte. O trabalho insere-se na dimensão social, mas exige e influencia todas as nossas dimensões.

Vivemos numa sociedade competitiva ao extremo, sofremos diariamente tensões emocionais, tendo que atingir metas diárias nem sempre compatíveis com a realidade social e econômica, executar múltiplas atividades no trabalho. Somos pressionados, cobrados o tempo todo, trabalhamos num ritmo quase insuportável para dar conta das múltiplas atividades diárias, agüentamos o mau humor do chefe e dos colegas de trabalho. Haja controle para suportar essa sobrecarga emocional e manter nossa auto-estima e energia sexual sempre equilibrada. Assim como o trabalho pode ser fonte de grande satisfação, é também gerador de ansiedade e stress, caso o indivíduo não se equilibre, diante das exigências de produtividade e das adaptações às novas condições que surgem em seu cotidiano profissional.

O stress não apenas compromete o desempenho profissional, como as funções orgânicas, contribuindo para que possam surgir inúmeros problemas de saúde. A libido sexual é uma das primeiras funções do ser humano a ser atingida. A diminuição do desejo sexual, a impotência sexual (dificuldade de ereção nos homens e insensibilidade ao prazer nas mulheres). A resposta sexual sofre influência direta do stress causado pelo trabalho e preocupações do cotidiano, a perda da libido está associada a problemas como: desemprego, falência, processos, sobrecarga de atividades, tensões, etc. Uma pessoa que consegue manter seu equilíbrio psicológico vive melhor sua vida social e sexual e consequentemente torna-se mais produtivo que uma pessoa em constante stress. Pessoas com uma vida sexual plenamente ativa e realizada sentem-se mais dispostas para a vida em sua totalidade, são mais bem humoradas, equilibradas, sorridentes, criativas, etc.

Se as empresas conseguissem entender a importância que a sexualidade ativa e prazerosa pode ter na vida das pessoas e na sua produtividade profissional certamente investiriam não apenas em palestras para motivação no trabalho entre seus colaboradores, como também, no âmbito das relações afetivas e sexuais, e buscariam formas de diminuir o stress causado pelo trabalho, pois certamente uma pessoa realizada sexualmente tem mais energia (ao contrario do que se pensa) e pode fazer diferença seja para manter um ambiente de trabalho harmonioso entre os colaboradores, seja no quesito de um melhor atendimento ao publico ou cliente, seja no quesito produtividade profissional.

E para terminar uma dica, deixe as preocupações no trabalho e ao chegar em casa, desligue sua mente do trabalho e relaxe. Permita viver sua sexualidade de maneira prazerosa, pois acreditamos que estar realizado sexualmente é condição primordial para nossa qualidade de vida pessoal, social e profissional, ou seja, para que tenhamos uma vida mais produtiva e feliz.

sábado, 12 de setembro de 2009

Sujeito ou Objeto?

Hoje parei para refletir sobre “Ser Humano”. Vivemos numa sociedade cada dia mais desumanizada. Basta ligar a TV e isso se confirma; são as notícias de corrupção, os infindáveis atos de violência de todo tipo, sexual, social, abandono, descaso... E me pergunto como fica a “Educação” diante dessa barbarie?

A Educação a que me refiro é o ato de Educar em sua totalidade, educação familiar, escolar... Enfim, como vem sendo tratada a Educação, em tempos de globalização, tecnologia, competição exacerbada, individualismo, modernismos e tantos outros “ismos” presentes na sociedade capitalista, mercantilista, consumista e alienante? Partindo do entendimento de que Educar pressupõe relação humana, diálogo, troca, valores e para que esta ocorra necessita-se de respeito e na liberdade (lembrando que liberdade implica em respeitar o limite do outro).

Fico pensando, quais exemplos tem dado a família, a escola e a sociedade para as novas gerações. E não se trata de moralismo, mas de uma carência total de valores que são imprescindíveis a todo ser humano. A relação atual entre pais e filhos, na maioria das vezes é quase inexistente, cada um buscando seus próprios objetivos, a relação entre amigos na maioria das vezes, se reduz somente ao virtual, ou seja, a máquina ultrapassando os limites do contato humano.

Creio que precisamos para refletir sobre o que estamos nos tornando, sobre o que a ideologia vigente, consegue fazer conosco? Até que ponto não estamos, nos desumanizando e se deixando inconscientemente desumanizar-se? Até que ponto não estamos nos tornando “animais” quando aceitamos ainda que, sem perceber que sejamos domesticados pela classe dominante, pela mídia, pela tecnologia, pelas ondas da modernidade, da globalização? Não se trata de vivermos alheios a tudo isto, mas não deixarmos que nos tornemos produtos e não produtores de nossas vidas.

Não podemos perder nossa subjetividade, nossa sensibilidade, nossa capacidade de olhar o próximo, de entender que a vida humana necessita de cooperação, de interação, de calor humano, de que precisamos uns dos outros. Fico pensando, que Educação é essa que nos torna cada dia mais alienados, materialistas e gananciosos por “status”, poder. Não podemos perder o que de belo temos, devemos ser razão e emoção. Precisamos entender que Educar é ensinar a ver a vida com olhos humanos, a conhecer a si mesmo, ao universo, para tornamos nossa existência melhor, e tornar o mundo mais humano e mais digno de se viver, ou continuaremos a ser produto social?

Eu me nego a ser produto, objeto, porque quero e tenho por direito produzir minha própria história, me nego a essa desumanização que impera. É urgente uma educação pautada na humanização em tempos onde “Ser Humano” parece coisa de outro mundo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009


Socializando um alegria e nossos agradecimentos ao Jornalista Rubens Morelli pela publicação no Jornal Correio Popular de Campinas da matéria com a entrevista que concedemos relativa ao nosso trabalho sobre educaçao sexual na escola, na ediçao de 08 de setembro de 2009. Registrado!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pro dia nascer feliz


Bom dia amigos e alunos

Nesta correria do cotiano das aulas nao tenho mais postado com tanta frequencia hoje passei indicar que assistam o documentario Pro Dia Nascer Feliz que aborda as diferentes situações que adolescentes de 14 a 17 anos, ricos e pobres, enfrentam dentro da escola: a precariedade, o preconceito, a violência e a esperança. Foram ouvidos alunos de escolas da periferia de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco e também de dois renomados colégios particulares, um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro.Ou seja, retrara a dualidade educacional de uma mesma sociedade. Vale a pena para refletirmos sobre nossa pratica educacional.
Vale a pena! Esta disponnivel online:
http://video.google.com/videoplay?docid=3379496063337408357&ei=DyKhSsWZEYWyrgKav6nnBA&q=pro+dia+nascer+feliz#

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Educação - Criança e Consumo

Existe infância de fato na sociedade atual? Por que sérá que as crianças hoje têm depressão? O que a gente vê hoje é uma minituara de adulto? Elas entendem de aparelhos tecnológicos, mas muitas não entendem de amor... Andam com roupas de adulto, têm seus corpos erotizados precocemente, o que como já colocamos aqui, o que induzem à vivência de sua sexualidade ativa sem maturidade psicológica e física, as roupas coladas e justas, os saltos, também não permitem os movimentos necessários ao seu desenvolvimento psicomotor. As brincadeiras socializadoras foram substituídas pelo computador, ou pelos games, com jogos violentos. A convivência tornou-se virtual.

Elas não gostam de comer coisas saudáveis, muitas sofrem de obesidade, escolhem o que comer (nada saudável), escolhem o que vestir, etc. A sociedade capitalista consumista mudou a maneira de ser criança, os prazeres da vida que seria correr, pular, brincar, ter fantasias, sonhar, sorrir, ler contos de fada, essa magia tão necessária à infância e necessário ao seu crescimento afetivo se perderam. Eles se tornaram os maiores alvos do consumismo, uma pena, a infância, uma das fases mais lindas da vida, parece estar sendo engolida, e nós o que estamos fazendo diante disso?

Cabe refletir... Criança tem que ser criança, ser sinônimo de pureza e alegria, uma criança sem brilho no olhar, sem sorriso no rosto e sem sonhos é ao meu ver o visível sintoma de uma sociedade humanamente em crise. Os desejos dela se reduziram a coisas materiais, fruto dos estímulos consumistas bombardeados pela indústria cultural. Uma outra questão é o fato da criança ter o que quer, o contato com a frustração, como o não pode, é também necessário ao seu crescimento, ela precisa ter limites e saber que na vida nem tudo é completamente possível na hora exata que desejamos e que precisamos saber fazer escolhar, e priorizar coisas realmente importantes para nossa vida, compreendendo que a felicidade e o prazer não se reduzem a coisas materiais, e sim afetivas.

Compreender também que a beleza não se reduz ao externo, mas vem de dentro para fora, do seu interior. Um outro absurdo é o adolescente sendo submetido à cirurgias plásticas. As mulheres semi-nuas na TV, a valorização social do corpo belo (em vez das belas idéias e atitudes), culminam também num papel errôneo do que é ser mulher, o exemplo de mulher das meninas estão associados que uma mulher tem que ser sensual, gostosa e seduzir os homens, foram condicionadas a usar roupas que valorizem o corpo, lamentável. O Fim da infância pode ser o fim de uma humanidade feliz, saudável e realmente humana.

Eu adoraria estar bricando agora, correndo pelos campos como eu fazia na infância. Ei tem alguém ai que gosta de brincar?

Hoje indico aos pais, educadores e crianças assistirem o documentário "Criança, a alma do negócio (Brasil)"
Direção Estela Renner
Produção Executiva Marcos Nisti Maria Farinha

"Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que umn adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância."

Esta dispinível para assistir na íntegra
http://video.google.com/videoplay?docid=-5229727692415880368

Neste outro site tem a versão para download
http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=8&pid=40

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cuba - um outro mundo possível vejam o vídeo vale a pena!

Eu, no III Seminário Internacional de Ciência e Tecnologia na América Latina com o Prof. Dr. Edwin Pedro (Ministério da Educação Cuba) e com minha amiga Joelma (UFAL-UNICAMP)
Eu nas comemorações sempre afetuosas, entre amigos da Unicamp, onde se estuda, muito, luta-se muito pelas causas sociais, mas também se celebra também as alegrias da vida. Na foto a presença de meu amigo Cubano Freyre e destacando também a alegria de nossa querida amiga Adelina que embora brasileira, tem o espírito Cubano.

Mais uma homenagem aos meus amigos Cubanos!
Ladeada pelo meu querido amigo Prof. PhD. Eduardo Freyre (Universidad de Habana - Cuba), Adelina, Déia, Luciana e meu orientador querido Silvio Sanchez Gamboa.

Com meu amigo Cubano Prof. Dr. Adolfo Lamar, eu, Prof. PhD. Eduardo Freyre, Luciana e um Professor da Universidad de Montevideo.
Recebi esse "presente" de uma amiga da Unicamp e compartilho vale a pena não é um vídeo piegas, de mera apologia a Cuba. O vídeo é um recente documentário de Michael Moore, autor de Tiros em Columbine e Fahrenheit 11/09. Aos que se identificam com Cuba, um reforço às convicções socialistas, aos que preconceituam negativamente o regime Cubano, assistam ao documentário de coração aberto e reflitam... Mostra um pouco do que pude aprender na convivência com dois amigos Cubanos que conheci na Unicamp o Prof. PhD. Eduardo Francisco Freyre Roach que já regressou para seu país após concluir o pós-doutorado na Unicamp e o Prof. Dr. Adolfo Lamar. A solidariedade e o aspecto humano estão acima de qualquer coisa para os cubanos. Tenho o sonho do fundo do meu coração, que o mundo cappitalista não acabe com ela, pois, daí conseguimos renovar as nossas esperanças de que um outro mundo é possível...
Fora a alegria que esse povo traz na alma e nos contagia, a cultura, a música sempre tem que estar presente onde eles estão, como um momento de celebração, de partilha de energias boas. Claro que como tudo na vida, a dialética se faz presente. Também Cuba há contradições, não podemos dizer que Cuba é o modelo perfeito de sociedade, estamos cá, falando de um país onde há somente uma agência de publicidade (a governamental), ou seja, onde não há, de fato, liberdade de expressão, entre outras liberdades. Agora não podemos negar que em termos de saúde e educação, o Brasil fica devendo, fora a questão da desigualdade social. Bom seria se Cuba tivesse a liberdade de expressão brasileira. E dizer que seria possível instaurar aqui o modelo socialista de Cuba, é uma utopia e das maiores. Mas, enfim, sigamos sonhando, lutando e almejando que as desiguais sociais se amenizem, lutando contra a opressão, pela autonomia, pela politização e conscientização social.
Mesmo com as contradições de Cuba (que repito, não é um modelo de sociedade perfeita, mas sim, com muitas questões sociais que eu "invejaria" poder dizer que também tivéssemos no Brasil, como a frase em que Fidel Castro expressa:
“Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana”
Nota:
O vídeo que vão ver foi filmado em Cuba pelo cineasta Michael Moore.
É sobre o sistema nacional de saúde cubano.
Cuba, onde as crianças não têm acesso a Play Stations (pelo menos com facilidade).
Nem se sentem inferiorizadas por não vestirem roupas de marca.
Onde os supermercados não apresentam 60 marcas de manteiga diferentes.
E a TV não mente a publicitar que os Danoninhos ajudam as crianças a crescer.
Os carros de luxo não abundam.
Nem as malinhas Louis Vuitton.
Mas têm talvez o mais avançado sistema de saúde de todo o planeta.
E um sistema de ensino ímpar, em que os professores ensinam e os alunos aprendem, com rigor e disciplina, onde não há lugar para Escolas Novas, estatísticas aldrabadas, pseudo-universidade s e Novas Oportunidades da treta.
E pleno emprego.
Se os cubanos invejam a nossa liberdade.
Invejo-lhes, aos Cubanos, a falta de liberdade em alguns sentidos.
Falta de liberdade para assaltarem idosos e crianças.
Falta de liberdade para agredirem professores dentro das escolas.
Falta de liberdade para dispararem contra polícias.
Falta de liberdade para desrespeitarem o seu semelhante.
Falta de liberdade para os políticos corruptos que enriquecem à sombra do erário público.
Cuba, onde tantas coisas faltam, principalmente as supérfluas, as inventadas pelo capital na sua necessidade de se reproduzir.
Mas onde abundam a solidariedade, a fraternidade e, principalmente, a humanidade.

Vejam o vídeo:
http://video.google.com/videoplay?docid=-8478265773449174245&hl=pt-BR

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sexualidade e Terceira Idade: que história é essa que sexualidade tem idade?

QUE HISTÓRIA É ESSA QUE SEXUALIDADE TEM IDADE?

A Sexualidade é inerente ao ser humano. Porém, somos seres diferentes, cada um com suas experiências e vivências ímpares. Ninguém vive as mesmas sensações e emoções em momentos igualmente determinados da vida. O florescer da sexualidade se dá dentro da vivência única de cada um. O importante é descobrirmos e entendermos o que é necessário para que vivermos melhor e com mais prazer, com respeito ao seu corpo e ao outro, buscando romper a visão genitalista, quantitativa que a mídia e a cultura buscam consolidar. Quando falamos em prazer as pessoas logo associam esta sensação ao sexo, como se os prazeres da vida se reduzissem a isto. A sexualidade não se limita ao prazer na cama, embora esse momento seja uma celebração, não podemos reduzir, nem renunciar viver com plenitude nossa sexualidade, pois estaríamos abrindo mão de uma parte essencial de nós mesmos.

A sexualidade bem resolvida é essencial para uma pessoa ser feliz, porém, estamos condicionados a viver nossa sexualidade de maneira limitada, o meio cultural que vivemos embrutece nossos sentidos e sentimentos, ditando o que “se pode ou não fazer”, nos deixando presos a preconceitos que não nos permitem compreender, ver e viver plenamente nossos prazeres. Sexualidade traz vida, disposição e alegria, devemos vivê-la da maneira mais intensa possível, nos despindo de normas e regras falsamente moralistas, que castram nossos desejos e potencialidades como se fossemos animais. Somos seres humanos, nascemos sujeitos sexuados e através do afeto, desse encontro de comunhão com o outro, entrega, convívio, partilha de sensações, emoções, aprendemos a respeitar além de nossa individualidade, o outro. A sexualidade nasce e morre conosco, não há idade para vivê-la, sendo assim, que história é essa que sexualidade tem idade? Ainda que, a forma como desfrutamos do sexo/sexualidade seja diferente em cada etapa da vida, e para cada um.

Os tabus e preconceitos enraizados na sociedade e nas pessoas de maneira individual, leva-nos a pensar que a sexualidade pertence à juventude, reduzindo sua vivência na terceira idade ao amor platônico ou à abstinência sexual, relegando e ignorando que podemos viver uma sexualidade ativa, ainda que, de forma diferente, porém, não menos prazerosa. Somos capazes de proporcionar e sentir prazer durante toda vida. O ato sexual em si, pode ter uma freqüência menor, o que não diminuiu nossa da capacidade de amar, dar e receber carinhos e viver outras emoções igualmente prazerosas. A sexualidade na terceira idade é, freqüentemente, vista e baseada em velhos estereótipos privado de significados, associada à disfunção ou insatisfação. A sexualidade mercantilista consolida a visão genitalista e equivocada que a sexualidade está ligada aos corpos belos. Nessa vertente os estereótipos que as pessoas da terceira idade não seriam mais atraentes fisicamente, nem teriam interesse por sexo ou seriam incapazes de sentir algum estímulo sexual, são equívocos e preconceitos que, unidos à falta de informação, induzem muitas pessoas da terceira idade à uma atitude pessimista referente à sua sexualidade.

A sexualidade não é sinônimo de ato sexual, ela envolve todo nosso ser, corpo, mente, subjetividade, capacidade de dar e receber afeto, carinho, envolve troca, pressupõe amor, sensualidade, fantasia e inteligência. Será que a velhice nos rouba tudo isto? Não. Devemos entender que cada fase da vida tem belezas, encantos e devemos viver plenamente cada uma deles. Não podemos aceitar essa visão reducionista da sexualidade ao contato de genitálias, o próprio sexo pode ser o resultado de vários outros estímulos e toques afetivos, sensuais e carinhosos como a auto-estimulação, fantasia, erotismo, coito, entre outros. Não há idade para amar, desejar alguém e ser feliz. Vivam profundamente suas sexualidades, com ereção, sem ereção, atingindo ou não o orgasmo do corpo; busquem a satisfação da alma.

Usem a mente, nosso maior órgão sexual, para que a vida seja prazerosa enquanto seu coração bater. Nada pode ser maior que o prazer de viver! Há prazeres tão incomensuráveis como o sexo em si, o prazer de um abraço, da carícia nas mãos, o toque no rosto, no corpo, olhares intermináveis de ternura, um beijo carregado de amor, carinho, paixão, respeito, encantamento, admiração, de sorrir juntos até a barriga doer, compartilhar sonhos, planos, anos, histórias, de estar junto, de simplesmente, poder amar e ser amado. Esqueça o fator idade, viva sua sexualidade com criatividade e cumplicidade!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Descentralização e "Autonomia" na Escola: é preciso ler as entrelinhas

A Educação sempre foi uma das instituições essenciais dentro das estratégias políticas para o desenvolvimento da sociedade, seja em âmbito político, econômico, social, etc. Especialmente após a década de 1980, a educação tornou-se central dentro das políticas públicas, tanto em países desenvolvidos, como subdesenvolvidos como o Brasil. Isto ocorreu, especialmente devido aos avanços tecnológicos que provocaram mudanças profundas nas demandas na sociedade, como a globalização, a mundialização da economia, a organização do trabalho, etc.

A Educação, conseqüentemente, passa a ocupar ainda mais papel estratégico nas políticas governamentais na promoção do desempenho social e econômico da população, condição indispensável para obter sucesso na nova ordem internacional, marcada por grande competitividade entre os países. Com isso iniciou-se um processo de responsabilidade ainda maior da instituição escolar para atender às demandas do mercado e da sociedade em si. Com isso, surge uma “certa autonomia” na escola através de um novo modelo de gestão, a “gestão democrática”, aumentando a responsabilidade da escola em relação a decisão dos recursos e poder alocados no nível da escola e à prestação de contas, etc. Por outro lado, há uma cobrança maior através do mecanismos de avaliação governamentais no sentido de garantir e controlar a qualidade do ensino produzido, o que traz para a escola uma exigência maior e nem tão democrática como aparenta ser, são os fios políticos que se laçam e entrelaçam para garantir a qualidade esperada pelo mercado.

Se por um lado dá-se autonomia, por outro, pressiona-se para garantir os resultados sociais esperados (lembrando que estes resultados esperados, nem sempre são os socialmente necessários para a emancipação social do cidadão). As políticas educacionais, em diferentes países, e, inclusive, no Brasil, trazem em si as ideologia produzidas pela hegemonia, estratégias que visam legitimar os pressupostos dominantes. De outra parte, a legislação educacional apresenta forjadamente conteúdo desprovido de crítica e formação política, mascarando o viés regulador e controlador social das políticas públicas. Fabricam-se planos, referenciais, programas e medidas de toda a ordem, como as propostas de descentralização da gestão, financiamento, bem como, currículo e formação docente, entre outros.

Com efeito, a descentralização, a municipalização entre outras, em vez de possibilitar a ampliação da democratrização educacacional reduziu ainda mais a aplicação de recursos do governo central em educação. Da forma como tem sido efetivada a descentralização da educação, sem o suporte técnico e financeiro, não possibilita avançar na qualidade da oferta educativa, podendo inclusive, aumentar a desigualdade social e a exclusão, especialmente em algumas regiões do País. Ou seja, a descentralização, isoladamente, como qualquer outra reforma educacional, não é capaz de promover a melhoria educacional e social desejada .

Entrevista ao Jornal EM PAUTA - Bandeirantes-PR

Mais uma vez nossos agradecimentos à comunidade de Bandeirantes-PR, professores e gestores das escolas estaduais deste município pela oportunidade de estarmos socializando o pouco que aprendemos nessa trajetória acadêmica. Hoje, um agradecimento especial ao Jornalista Tiago Dedoné, pela entrevista que realizamos e que foi publicada no Jornal EM PAUTA. Profissionalismo em Destaque, Competência, Carisma, Paixão pelo que faz e Ousadia são as palavras que eu usaria para descrever o trabalho deste Jornalista, obrigada pelo espaço concedido!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Agradecimento aos Professores da Rede Estadual de Bandeirantes, Paraná


Hoje vou apenas postar aqui meu agradecimento aos Professores da Rede Estadual do município de Bandeirantes-PR pela oportunidade de lá estar nos dias 20 e 21 de julho de 2009 ministrando palestras e aprendendo com eles. Voltei engrandecida principalmente pelo carinho e alegria das pessoas que lá estiveram, podem ter certeza que mtas delas eu trouxe comigo no coração para sempre! À todos os educadores e gestores presentes meu profundo respeito e carinho!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Contra qualquer tipo de violência e pela garantia da diversidade de gênero e os direitos da mulher

A mulher sempre foi discriminada na história, reprimida, taxada como inferior, por muito tempo excluída da vida social, de sua condição como sujeito; considerada um ser frágil, inferior, passivo e que deveria ser educada apenas para exercer seu papel de mãe e esposa, atuando no seio familiar. muitos foram os movimentos e lutas e ainda são muito recente as conquistas por seus direitos e esta ainda sofre muito preconceito e é tratada com desigualdade seja no trabalho, em casa ou na sociedade. em relação à sexualidade essa repressão ainda é grande.

Consideramos que a criação da secretaria especial de políticas para as mulheres, status de ministério; “para desenvolver ações conjuntas com todos os ministérios e secretarias especiais, tendo como desafio a incorporação das especificidades das mulheres nas políticas públicas e o estabelecimento das condições necessárias para a sua plena cidadania” criada pelo governo lula (1/01/2003) foi um avanço importante nesta luta. que culminou na criação também de setores institucionais encarregados de políticas públicas para mulheres nos estados e em muitos municípios. e na elaboração de planos nacionais: i plano nacional de políticas para as mulheres (2005, 2006); ii plano nacional de políticas para as mulheres (março de 2008) - atualizando o anterior e introduzindo novas áreas estratégicas de políticas públicas para as mulheres.

Em relação à violência contra a mulher a Lei Maria da Penha (lei nº 11.340) criou “mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8 o do art. 226 da constituição federal, da convenção sobre formas de discriminação contra as mulheres e da convenção interamericana para a eliminação de todas as formas de prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher; dispõe sobre a criação dos juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher; altera o código de processo penal, o código penal e a lei de execução penal; e dá outras providências.” Porém, apenas criar Leis não basta para coibir a violência, precisamos criar consciências. Podemos que avançamos na luta pelos direitos da mulher, especialmente nas últimas três décadas diante de conquistas como o acesso a educação, direito de voto, criação da secretarias especial de políticas para as mulheres e de vários centros de referência ou atendimento a mulheres em situação de violência, como delegacias especializadas de atendimento à mulher (DEAMs), defensorias públicas da mulher, casas abrigo. mas ainda há muito por fazer, muito para conscientizar as mulheres para que não permitam ser violentadas, nem discriminadas em qualquer instância de suas vidas, pois só assim vamos conseguir efetivar os direitos das mulheres na sociedade.

Como já dissemos num artigo anterior a sociedade homofóbica, ao nosso ver, contribui para os atos de violência e discriminação contra a mulher devido à arraigada mentalidade patriarcal e machista, apesar das transformações socioculturais (formas de sexualidade, relações afetivas, estruturas e convivências familiares); pela permanência de padrões masculinizantes de interpretar o mundo e exercer as práticas sociais; pela naturalização das diferenças entre sexos como algo dado, imutável. o que culina na enorme dificuldade em quebrar certos padrões sexistas de relacionamentos sociais entre homens e mulheres.

Então questionamos qual seria nosso papel de educadores frente à esta problemática? Reflita: sileciar-se, omitir-se, é também uma forma de continuar permitindo que essas situações de discriminação e violência se reproduzam na sociedade. Devemos desenvolver uma cultura crítica-reflexiva que contribua para pela efetivação dos direitos das mulheres e dos direitos humanos de maneira geral.

Nós mulheres não somos objetos, somos seres humanos com sonhos, desejos, com igual capacidade, potencialidade, sexualidade e afetividade! Não queremos ser mais chamadas de Amélia, nem ser como as mulheres de atenas, queremos respeito, dignidade e igualdade sexual e social!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pílula do Dia Seguinte: dados alarmantes

A pílula do dia seguinte foi criada para emergências, especialmente para ser usada em casos em que a vítima de uma violência sexual evite uma gravidez indesejada após ser abusada sexualmente e em outros casos muito delicados. Mas é incrível como nossos jovens precisam ser educados sexualmente, um dos temas que considero alarmantes é sobr e o uso abusivo da pílula do dia seguinte que é ABORTIVA, uma reportagem apresentada no fantástico no mês passado sobre o uso da pípula do dia seguinte que mostra que nossas jovens tomam a pílula como quem toma um anticoncepcional, mas temos que lembrar o anticoncepcional impede a fecundação, já a pílula do dia seguinte intemrrompe o processo de uma fecundação que já possa ter ocorrido, sendo assim abortiva.

A pílula do dia seguinte apenas impede a implantação do óvulo no útero e não que ele seja fecundado, interrompendo a nova vida. Os números mostrados na reportagem são ao meu ver preocupantes desde 2005 a pílula é distribuída, gratuitamente, na rede pública de saúde em todo o Brasil. Neste ano, a previsão é repassar 380 mil cartelas. Mas os números mostram que é na farmácia que as jovens costumam buscar ajuda. Em 2005 foram vendidas mais de 2,9 milhões de cartelas. No ano passado, a procura aumentou. E muito: passou de 5,3 milhões de cartelas. As dúvidas e a dificuldade para conseguir informação levam muitas jovens a tomar a pílula do dia seguinte do jeito errado. Algumas mulheres usaram antes do ato sexual.

Outras muito tempo depois. E uma boa parte apelou para o medicamento inúmeras vezes. Um estudo feito em escolas públicas de São Paulo revela que 30% já recorreram ao método. Metade deles repetiu a dose uma ou mais vezes. O uso repetitivo desregula o ciclo menstrual. É tanto hormônio que pode acontecer justamente o que ela está querendo evitar: uma gravidez indesejada. Os depoimentos apresentados na reportagem indicam o quanto precisamos esclarecer nossos jovens sobre sexualidade e inclusive sobre a abordagem biológica, nem essa abordagem a escola e a sociedade tem dado conta de fazer com eficácia, porque precisamos além de fazer o jovem conhecer seu corpo, acima de tudo precisamos que eles entendam que precisam RESPEITAR o seu corpo, estou falando de ética, agora se nem de métodos anticoncepcionais eles sabem, quem dirá de ética.

E a questão aqui não é nem ser contra ou a favor do aborto não, a questão é a preocupação com a agressão que essas jovens fazem a si mesmas e a desorientação que elas notadamente apresentam ter. Vejam os depoimentos apresentados no fantático:

Daiana passou por isso. A segunda vez que apelou pra pílula, não funcionou.
Aos 19 anos já é mãe. O bebê tem um ano e três meses.

“Nós percebemos que a sexualidade da jovem, principalmente da menina, é um tabu. Então, a família não orienta com medo de incentivar o sexo. Ela tem a relação escondida, ou desinformada”, observa a pesquisadora da Secretaria de Saude de São Paulo Regina Figueiredo.

E por esses e outros dados ainda mais graves que a gente defende EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS já! Mas não basta pessoas de boa vontade e voluntarismo para tratar do assunto precisamos formar educadores sexuais. Informar sobre sexualidade num todo, numa abordagem bio-psico-social-afetiva.


Hoje li no Jornal que dentro de um mês estará no mercado dos Estados Unidos a pílula do três dias seguintes denominada Plan B one-step (desevolvida por pesquisadores israelenses e hungáros) que segundo os fabricantes não faz efeito caso o óvulo já tenha sido fecundado. Os fabricantes ainda não informaram os efeitos colaterais nem indicações, nem tem previsão de chegada no Brasil, enfim, criam-se métodos e métodos, enquanto deveríamos pensar em EDUCAÇÃO.

Governantes eu lhes pergunto:
Quando vamos nos preocupar em previnir ao invés de tentar remediar?


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Gênero, Identidade de Gênero e Orientação Sexual




Gênero é o que "determina" aquilo que culturalmente seriam características do ser “masculino” e do “feminino”: forma física, anatomia, maneira de se vestir, falar, gesticular, enfim as atitudes, comportamentos, valores e interesses de cada gênero (lembrando que essas características são designadas pela cultura, pela sociedade dominante). Essas diferenças são estabelecidas historicamente, de acordo com dada sociedade influenciados pela cultura. Portanto, são uma categoria histórica e não naturalmente determinadas. Sendo nessa perspectiva conceituado por Scott (1995, p. 14) como “[...] um elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é um primeiro modo de dar significado às relações de poder”.
Nesse sentido, não se pode abordar o  conceito de gênero sem lembrar de Butler (1998), que basilarmente, nos aponta  o gênero como culturalmente construído, diferenciando de sexo (biologicamente natural), essa compreensão é que abre as possibilidades de reflexão com vistas à superação do preconceito de gênero, da visão do ser feminino como frágil e submisso. Homens podem até ter maior força física, mas as mulheres podem também ter mais energia (o que seria uma diferenciação biológica), porém, a diferença não pode significar desigualdade. Homens e mulheres podem ser diferentes biologicamente, mas devem ter socialmente os mesmo direitos e deveres, pois ambos tem a mesma potencialidade intelectual e amorosa, que pode ou não ser desenvolvida, dependendo das oportunidades e possibilidades oferecidas pela família, pela sociedade, pela cultura. Assim, Butler (1998, p. 26) afirma que, “[...] não a biologia, mas a cultura se torna o destino”.





Identidade de gênero se refere à forma como alguém se sente, se identifica, se apresenta, para si próprio e aos que o rodeiam, bem como, relaciona-se à percepção de si como ser "masculino" ou "feminino", ou ambos, independe do sexo biológico ou de sua orientação sexual, ou seja, da sua maneira subjetiva de ser masculino ou feminino, de acordo com comportamentos ou papéis socialmente estabelecidos.
Cabe ainda, conceituarmos orientação sexual, entendemos que esta se refere ao sexo das pessoas pelas quais sentimos atração física, desejo e afeto. O que nos caracteriza dentro de um destes três tipos de orientação sexual: a heterossexualidade, a homossexualidade e a bissexualidade.
Concluímos que a sexualidade não se reduz a instintos, impulsos, genes, hormônios, genitálias, ato sexual, nem se resume somente à subjetividade ou às possibilidades corporais de vivenciar prazer e afeto. A forma como vivemos e entendemos nossa sexualidade é construída historicamente, através de um processo contínuo, através do qual construímos nossa identidade pessoal e sexual, que emerge nos desdobramentos históricos e culturais. O fato de nascermos com um determinado sexo biológico (masculino e/ou feminino), não é suficiente para determinar a maneira como iremos sentir, expressar e viver nossa sexualidade, ou construir nossa identidade de gênero, nossa orientação sexual não pode ser determinada pela visão hegemônica de heterossexualidade como único padrão “normal”.
Precisamos superar essa visão da heteronormatividade, e de que homens e mulheres têm que agir de maneira socialmente e subjetivamente distintas. É urgente enterdemos que a sexualidade deve ser vivida naturalmente não dentro de padrões normativos, mas de uma forma que nos torne mais humanos e mais felizes, porém conscientes de nossas responsabilidades éticas e afetivas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Educação: Michael Jackson - algumas reflexões

Eu não consegui ficar alheia ao maior assunto midiático do momento: a morte de Michael Jackson. Ontem assisti à celebração do tributo ao Rei do Pop, confesso que me emocionei, chorei desde a primeira música pra ser sincera, eu era fã, cresci ouvindo suas músicas, suas mudanças, suas polêmicas, sua morte me levou a algumas reflexões sobre as influências da família e das experiências que o ambiente que viemos vai construindo na formação de um ser, da sua identidade, da sua personalidade. Porque é nessas relações que a gente se constrói ou se destrói, enfim... Fiquei me perguntando o que de fato pode nos levar à felicidade, à construir relações afetivas, positivas, enriquecedoras. Se pensarmos no exemplo de vidas pessoais de pessoas famosas, consideradas ídolos, em minha juventude ou juventude atual vamos acabar vendo que pessoas tão cheias de fama e dinheiro, são pessoas muitas vezes tão carentes, tão imaturas de afeto.

A morte do ídolo mundial na música POP veio apenas nos trazer mais um exemplo real que muitas pessoas conseguem superar desafios profissionais, subir ao topo da fama, mas do alto só conseguem visualizar o abismo. Porque dentro de si não conseguiram superar conflitos. E ai chego ao ponto que quero no caso de Michel a sua sofrida infância, a forma como o pai o tratava, as exposições de uma criança psicologicamente imatura, sendo “obrigada” a se tornar adulto antes da hora, o levou a não ter maturidade na vida adulta. De um lado um profissional disciplinado, determinado, e na vida pessoal um homem que não cresceu, que queria viver coisas que lhe foram tiradas e que lhe levaram a caminhos dos quais ele não conseguiu regressar.

Há outros exemplos de famosos que ao chegarem no topo da fama estavam na decadência da vida, como o vocalista do The Doors: Jim Morrison, que morreu aos 28 anos, encontrado morto na banheira do apartamento, em Paris. E a possível causa da morte seria overdose de cocaína. Entre outros exemplos estão também Jimi Hendrix, um dos maiores guitarristas do mundo, morreu aos 27 anos, após uma overdose de LSD e vinho. Janes Joplin, a maior estrela feminina do lendário festival de Woodstock, morreu aos 27 anos, por overdose de heroína.

No Brasil também temos grandes perdas artísticas como Elis Regina, aos 37 anos, abuso do álcool e cocaína. E outros ídolos que não morreram por overdose, mas por viverem a vida de maneira abusiva, descontrolada, o que caracteriza um certo distúrbio emocional, enfim de uma busca sem fim, de um insatisfação pessoal, de um certo desequilíbrio em alguma instância de suas vidas. Cazuza um dos mais brilhantes ídolos, crítico, revolucionário, instigante, denunciando injustiças socais, preconceitos, tabus, mas que também não foi capaz de encontrar o equilíbrio pessoal, sendo vitimado pela Aids e Bob Marley, o fenômeno do reggae, não resistiu ao câncer depois de anos e anos fumando maconha sem nenhum controle.

Enfim, Cássia Eller, Bob Marley, Marylin Monroe... E tantos outros que nos fazem refletir sobre as contradições da vida, do que é ser humano, do que realmente seria importante nessa curta trajetória da vida terrena. Da importância da família em nossa formação, dos traumas que uma criança pode carregar pro resto da vida. Também nos mostra a possibilidade de realização dos nossos sonhos. É eu diria que a vida é esse mistério todo, vida e morte são mesmo dialéticas.

Mas, voltando ao Michael, que ele era um ser cheio de luz, que nasceu com uma estrela dentro de si, mas tb diria que ele foi vítima de sua própria vida, que era apenas um menino que não pode compreender o que era ser uma criança, quando criança. E depois foi vítima da mídia que injustamente, maldosamente cria polêmicas para ganhar audiência. Me diz é tão difícil assim entender o amor de alguém pelas crianças? Eu, como professora amo todos os pequeninos, com um amor tão especial, como o amor que tenho pelas minhas próprias filhas. Me diz, anormal seria não sentir amor por uma criança, não se apaixonar pelo ser mais puro e sincero nesse mundo. A maldade está nos olhos de quem a enxerga. Pais: atentem-se para seus filhos, não os faça ser adultos antes da hora, os amem como eles são, cultive neles valores essenciais, uma criança sabe e sente quando é amada.

Também podíamos estender esse assunto para a repressão sexual que todos vivemos, especialmente os grandes ídolos que ou reprimem, ocultam ou exacerbam suas orientações sexuais, mas que se frustram por não poder viver de maneira plena, como todo ser humano, suas vidas sejam sexuais ou pessoais. Quanto ao Rei do Pop (ou Pequeno Príncipe, ou Perer Pan) ele viverá para sempre em nós através da sua música e de alguns exemplos bons que ele deixou. É! Realmente o essencial é invisível aos olhos... Que esses sejam exemplos para refletirmos sobre o que queremos ser, viver, e alcançar em nossa passagem por aqui.

domingo, 5 de julho de 2009

Sexualidade - O que será? (À flor da pele) Chico Buarque

Retomando a temática da sexualidade hoje vou apenas indicar uma música reflexiva:
O que será (À flor da pele) (Chico Buarque / 1976) - Composta para a trilha sonora do filme nacional Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto, a letra pode exemplificar a visão da sexualidade como energia natural.
Quem é que nunca se sentiu à Flor da Pele?

O vídeo da música está no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=-fShSYpAgF0

Chico Buarque - O que será (à flor da pele)
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

sábado, 4 de julho de 2009

EDUCAÇÃO - PRODUTOS DE UMA SOCIEDADE DESUMANIZADA


Hoje parei para refletir sobre “Ser Humano”. Vivemos numa sociedade cada dia mais desumanizada. Basta andar alguns quarteirões ou ligar a TV e isso se confirma; são as notícias de corrupção política, infindáveis atos de violência, abandono, descaso... E me pergunto: como fica a “Educação” diante disto? A Educação a que me refiro é o ato de Educar em sua totalidade (Paidéia): educação familiar, escolar... Enfim, como vem sendo tratada a Educação, em tempos de globalização, tecnologia, competição exacerbada, individualismo, modernismos e tantos outros “ismos” presentes na sociedade capitalista, mercantilista?

Partindo do entendimento de que Educar pressupõe relação humana, diálogo, troca, valores e para que esta ocorra necessita-se de respeito, limites. Fico pensando, quais exemplos tem dado a família, a escola e a sociedade para as novas gerações. E não se trata de moralismo, mas de uma carência total de valores éticos que são imprescindíveis a todo ser humano. A relação atual entre pais e filhos é quase inexistente, cada um buscando seus próprios objetivos, a relação entre amigos é virtual, ou seja, a máquina ultrapassando os limites do contato humano.

Quantas horas temos dedicado para refletir sobre o que estamos nos tornando? Sobre o que a ideologia vigente, consegue fazer conosco? Até que ponto não estamos nos desumanizando e nos deixando inconscientemente desumanizar-se? Até que ponto não estamos nos tornando “animais” quando aceitamos, ainda que sem perceber, que sejamos domesticados pela classe dominante, pela mídia, pela tecnologia, pelas ondas da modernidade, da globalização? Não se trata de vivermos alheios a tudo isto, mas não deixar que nos tornem produtos e não produtores de nossas vidas. Não podemos perder nossa subjetividade, nossa capacidade de olhar o próximo, de entender que a vida humana necessita de cooperação, de interação, de calor humano, de que precisamos uns dos outros.

Fico pensando, que Educação é essa que nos torna cada dia mais alienados, materialistas e gananciosos por “status”, poder? É incrível como as pessoas não são capazes de dividir a possibilidade de todos sermos sujeitos e não meros objetos da história. Não podemos perder o que de belo temos nossa sensibilidade. Precisamos entender que Educar é ensinar a ver a vida com olhos humanos, a conhecer a si mesmo, ao universo, para tornamos nossa existência melhor, e o mundo mais humano e mais digno de se viver, ou continuaremos a ser produto social, eu me nego a ser produto, porque quero e tenho por direito produzir minha própria história, nego essa desumanização que impera.

É urgente uma educação pautada na humanização em tempos onde “Ser Humano” parece coisa de outro mundo. Se há algo que procuro cultivar em mim são algumas virtudes (Arete) essenciais como o amor, a humildade e sensibilidade porque se perdemos essas virtudes estaremos a um passo de ruminar.
Direitos autorais: Profa. Dra. Cláudia Bonfim

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Traumas sexuais advindos da sexualidade repressiva


Não é de hoje que a sexualidade se constitui como uma das principais neuroses sociais. Freud, como já apontamos anteriormente, um dos primeiros estudiosos sobre os distúrbios sexuais, trouxe contribuições significativas para o entendimento da sexualidade ao estudar as queixas de pacientes histéricas, grande parte de suas pacientes apresentavam perturbações que comprometiam a vida sexual delas. Porém, foi Reich quem aprofundou estes estudos, afirmando que a perturbação genital não seria um sintoma, conforme Freud apontou, e sim o que definia as neuroses.

(ATENÇÃO!!! A utilização, total ou parcial, das idéias e dos textos deste Blog, deverá indicar a minha autoria)

Podemos afirmar que a sexualidade ainda hoje se constituiu numa das maiores neuroses, sendo que cada vez mais aumenta a procura das pessoas pelos analistas, terapeutas, psicólogos, etc., na tentativa de aliviar suas culpas, medos, romper tabus, enfim de buscar compreender e melhor viver sua sexualidade, permitindo-se sentir prazer.

Em relação especificamente à sexualidade feminina sempre foi envolta de dogmas religiosos, repressivos e morais. A mulher não tinha socialmente o direito de viver plenamente sua sexualidade, de manifestar seus desejos e se permitir descobrir suas potencialidades. À mulher sempre se designou o papel de sexualidade reprodutiva, sem liberdade de obter satisfação e prazer. Fruto dessa sociedade patriarcal o homem sempre viveu sua sexualidade instintiva de forma mais libertária e socialmente mais aberta, porém à mulher sempre coube um papel de reprodutora da espécie, negando-lhe o direito igualitário na relação sexual.

Muitos foram os movimentos e lutas travadas para que a mulher pudesse ter direito de falar e viver mais abertamente sua sexualidade e não mais ser apenas objeto de satisfação sexual masculina. Porém, fruto da forma como foi educada sexualmente ou deseducada, dos tabus e preconceitos que ainda se inserem na sexualidade feminina, a maioria das mulheres não conseguem atingir o ápice do prazer: o orgasmo. Muitas mulheres jamais sentiram e outras equivocadamente acreditam sentir. Orgasmo é indescritível, mas poderíamos tentar definir como a experiência única da sensação plena de morte e vida, unificadas. Você pensa que vai morrer de tanto prazer e renasce plena de vida, de paz. Sentir prazer numa relação sexual, ou sentir muito prazer não caracteriza o orgasmo, que só pode ser atingido quando há uma entrega plena, total da mulher.

Quando uma mulher não despe apenas o seu corpo, mas também sua alma, libera todos os sentidos para viver de inteiramente aquele momento. A mulher é diferente do homem que vive sua sexualidade de forma mais instintiva necessita de envolvimento, de sentir segurança e confiança em relação ao parceiro para que essa entrega ocorra. O orgasmo não depende exclusivamente do homem como muitas visões equivocadas apontam, ela depende da mulher, da superação dos traumas, medos, culpas, tabus a que foi condicionada em sua sexualidade. Orgasmo é muito mais que prazer e só pode ser vivenciado quando a mulher se permite conhecer seu próprio corpo e viver e descobrir todas as potencialidades de prazer que ela pode sentir e proporcionar ao outro.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Paulo Freire uma lição de vida e cidadania


As injustiças sociais me instigam, me inquietam, me fazem sofrer, me inspiram a escrever, me movem, me conclamam lutar, ao mesmo tempo, que parecem destruir meus sonhos, me renovam forças... Escrevi este texto após a leitura de um dos mais emocionantes e convocatórios livros: “À Sombra Desta Mangueira” do Mestre Paulo Freire, leitura que deveria ser obrigatória a todos, especialmente aos educadores, e aos políticos para quem sabe despertar nestes a virtude da humanidade e da misericórdia.

Freire fala do exílio, do Brasil, do seu sonho de educador; nos faz sofrer e sonhar com ele, nos revigora as forças e esperanças e nutre nossas utopias. Já de início manifesta sua recusa a crítica cientificista que insinua falta de rigor no modo como discute os problemas e na linguagem demasiado afetiva que usa. Faço minhas, as palavras dele: “a paixão com que conheço, falo ou escrevo não diminuem o compromisso com que denuncio ou anuncio. Sou uma inteireza e não uma dicotomia. Não tenho uma parte esquemática, meticulosa, racionalista e outra desarticulada, imprecisa, querendo simplesmente bem ao mundo. Conheço meu corpo todo, sentimentos, paixão. Razão também.”

E continua: “Sou um ser no mundo, com o mundo e com os outros, um ser que faz coisas, sabe e ignora, fala, teme e se aventura, sonha e ama, tem raiva e se encanta. Um ser que se recusa a aceitar a condição de mero objeto; que não baixa a cabeça diante do indiscutível poder acumulado pela tecnologia...” Concordo Freire quando esclarece que um sistema econômico que não prioriza as necessidades humanas, produzindo políticas assistencialistas e continua a conviver indiferente com a fome de milhões, não é merecedor do respeito dos educadores nem de qualquer ser humano. E salienta que “não me digam que as coisas são assim porque não podem ser diferentes”.

Afirma que as coisas não mudam porque, se isto ocorresse, “feriria o interesse dos poderosos”, e nos convoca para a luta da transformação social nos alertando: “Não posso tornar-me fatalista para satisfazer os interesses dos poderosos. Nem inventar uma explicação “científica”para encobrir uma mentira... É preciso que a fraqueza dos fracos se torne uma força capaz de inaugurar a injustiça. Para isso, é necessária uma recusa definitiva do fatalismo. Somos seres da transformação e não da adaptação.” Temos que romper com o determinismo, com os espaços definidos pelos poderosos como o espaço de sobrevivência da classe dominada. E insiste em dizer que “a História é possibilidade e não determinismo. Somos seres condicionados, mas não determinados.” E que devemos entender a História como possibilidade, de ruptura, de transformação. Afirma que no exílio, o Brasil todo lhe fazia falta, e insistia em dizer “Sou brasileiro, sem arrogância; mas pleno de confiança, de identidade, de esperança em que, na luta, nos refaremos, tornando-nos uma sociedade, menos injusta.”

E que se recusava a aceitar que não há nada a se fazer, diante das conseqüências da globalização da Economia, que devemos nos recusar a curvar docilmente a cabeça. Como Freire nós educadores não podemos, jamais, aceitar que a prática educativa deva se ater-se tão somente à “leitura da palavra”, à “leitura do texto”, mas que tem necessariamente que ater-se também à “leitura do contexto”, à “leitura do mundo”. Devemos como Paulo Freire diz alimentar nosso “ otimismo crítico e nada ingênuo, na esperança que inexiste para os fatalistas.” Não poderia ainda deixar de citar meu grande mestre César Nunes que sempre nos convida e convoca a todos educadores e cidadãos para que continuemos a luta, e nos colocando que os obstáculos podem retardar nossa vitória, mas não suprimi-la.


Autora: Profa. Dra. Cláudia Bonfim - Artigo Publicado no Jornal Popular de Cornélio Procópio - PR

domingo, 28 de junho de 2009

EDUCAÇÃO PARA TRANSFORMAÇÃO

Educar implica em buscar a conscientização humana, para que o homem se assuma sujeito de sua própria história, não objeto dela. Ela não faz milagres, mas anuncia a possibilidade novos tempos, mudança, transformação. Lamentavelmente, muitas vezes assistimos a educação para a adaptação do homem na sociedade e não para que este a transforme. Paulo Freire afirma que “uma educação que pretendesse adaptar o homem estaria matando suas possibilidades de ação, transformando-o em abelha.

Quanto mais dirigidos são os homens pela propaganda ideológica ou comercial, tanto mais são objetos e massas”. Muitos educadores, como Paulo Freire foram rotulados pela falta de cientificismo em seus escritos, tão somente por neles, conter traços de humanização, esperança e fé, mas como bem colocava nosso mestre Paulo Freire “uma educação sem esperança não é educação. Quem não tem esperança na educação ... deverá procurar trabalho em noutro lugar.” A Educação pode não nos levar diretamente ao topo, mas ela inicia a caminhada, abre janelas, indica a porta, mostra o horizonte, dá asas, e ai cabe a cada um de nós, o primeiro passo, atravessar a porta, buscar o horizonte, alçar o vôo em direção aos nossos objetivos. Nós que objetivamos o tempo, temporalizamos a vida e fazemos a história.

Educar deve ser um processo de desinibição, de estímulo criador e não de repressão e restrição. Se não permitimos que o aluno se expresse e seja ele mesmo, que anuncie seus sonhos, estamos domesticando-o, e isso é negar sua existência enquanto sujeito. O que devemos é estimular o espírito crítico e conscientizar nossos jovens educandos a importância de conhecer e valorizar o passado, porque o “amanhã se cria no ontem, através de um hoje. De modo que nosso futuro baseia-se no passado e se corporifica no presente. Freire afirmava que "é importante professor e alunos se assumam epistemologicamente curiosos. O bom professor é o que consegue enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento de seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma "cantiga de ninar". Seus alunos cansam, mas não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento [...]"


Temos que despertar em nossos alunos a curiosidade, a descorberta, o penso crítico. Poque temos que saber o que somos e o que fomos, para saber o que seremos”, o que significa observar o passado, para poder projetar ações futuras capazes de transformar a sociedade fechada que vivemos, que se caracteriza pela manutenção do status quo, do privilégio das elites, que transformam o povo em massa, essa sociedade que se diz moderna, mas que no fundo não é tecnológica e sim servil, ao dicotomizar a trabalho manual e o intelectual. Onde se governa não para o povo, nem com o povo, mas sob o povo. Precisamos começar a olhar o mundo com olhos próprios, e adquirirmos consciência do nosso próprio existir, olhar para a realidade com critério pessoal, com autenticidade. Precisamos ter orgulho do que somos, e buscar a cada dia nos superarmos.

Buscando partir de nossas próprias possibilidades para sermos nós mesmos, deixarmos de sermos passivos. Não podemos continuar sendo ingênuos, acreditando que milagres advem espontaneamente do céu, eles até podem acontecer, mas se você reagir, agir e construir esse “milagre”. E a Educação nos abre perspectivas, e nos faz exigir vez, voto e voz ativa. Sair da posição ingênua e ocupar nosso espaço, participando das decisões e assumindo um compromisso consigo mesmo, de transformação e não de aceitação da realidade.

Artigo escrito por mim, Profa. Dra. Cláudia Bonfim - Publicado no Jornal Popular em 01/02/06

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pausa na Sexualidade para abordar Educação sobre a decisão do STF em relação a exigência do diploma de Jornalismo

ESTE É BRASIL QUE VALORIZA A EDUCAÇÃO?


Cláudia Ramos de Souza Bonfim
Professora, Doutora em História, Filosofia e Educação – UNICAMP


Ronei Aparecido Thezolin
Jornalista, Graduado em Comunicação Social - Jornalismo - PUC Campinas-SP
Pós-graduado em Comunicação Jornalística pela Faculdade Cásper Líbero-SP
Assessor de Imprensa


É revoltante. É por essas e outras que a gente confirma: a classe hegemônica que rege este país não está mesmo preocupada com a formação, é um verdadeiro descaso com a educação.
Ao deparar-nos com essa decisão do Superior Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, dia 17 de junho de 2009 de derrubar a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão de Jornalista nos vieram na mente outras decisões tão próximas de nós, tomada por algumas Secretarias de Educação no Brasil que através de portarias estabelecem critérios para privilégios docentes onde a formação do professor é praticamente desconsiderada, coladas em último plano. Então nos perguntamos: se é assim dentro do próprio Sistema de Educação que não valoriza o profissional que se dedica, que investe em si, que se empenha em melhorar a qualidade da sua práxis quem dirá que essa valorização ocorreria por meio da classe dominante que rege as leis desse país em benefício da perpetuação da sua classe no poder.

Não é questão de ser a favor ou contra o diploma. Quem está no mercado sabe: com diploma ou sem, não há lugar (por muito tempo) para quem não tem competência. Para quem não se dedica. Há espaço para todos, ninguém rouba o seu lugar se você dá o seu melhor no que faz. A questão é respeito. E depreciar qualquer profissional, seja ele cozinheiro, costureiro, professor ou Jornalista é no mínimo deselegante, para não dizer anti-ético, etc. Ainda mais para um jurista em posição pública, ou para uma secretaria de educação que não valoriza o critério de formação. Mas como questionar etiqueta e ética numa esfera em que formação deixou de ser pré-requisito para tornar-se qualidade?

Quem conhece um pouco de história sabe que o diploma não era necessário quando as receitas de bolo substituiam as notícias sobre a ditadura e as aulas eram massantes e os alunos eram desrespeitados, agredidos verbal e fisicamente através castigos desumanos. E a questão não era se estes alunos aprendiam (memorizavam ou não), aqui não é esse o mérito da questão. Mesmo assim, tinha gente que arriscava textos brilhantes em vez de bolos, e aulas brilhantes também, ainda que os inspetores os pudessem denunciar por abrir mentes e ousar dar uma aula diferente. E costurava os militares sem que eles nem notassem. Cerzimento invisível, especialidade de alguns costureiros. Parte desses não-diplomados notáveis participou e construiu redações históricas. Sem diploma. Só com brio, caráter, jornalismo no sangue. E trabalho, muito trabalho.

Coisa de fazer inveja a gerações como a nossa - que sonhávamos em dividir uma página, uma idéia ou um café com esses caras. Ou poder reger uma sala de aula e ser chamada de Professor(a). Apesar da posterior necessidade do canudo (não o de doce de leite, o das universidades), ainda chegava gente nas redações que mal sabia escrever. Ainda chegava docentes nas salas de aula também sem saber escrever e falar. Ainda chega. Lembramos que numa turma (de Jornalismo) tinha coleguinha escrevendo família com "LH", no segundo ano, há 12 anos. E tinha professores que terminando o curso de Letras cometiam absurdos gramaticais também. Vai saber onde parou essa gente. O duro é que muitas delas estão no mercado ou nas salas de aula, tentando ensinar Português.

Afinal o mercado de ensopados e afins e o Sistema Educacional que não privilegia a formação tem lugar para alguns deles. Outros, quem nem com a brecha vão conseguir escrever um parágrafo dessa sopa de letrinhas, ou nunca estarão numa sala de aula ainda têm uma saída: podem fazer uma faculdade de Direito e, com diploma embaixo do braço, tentar uma vaga no STF, para viver como os “grandes” e “exemplares magistrados” que cassaram o diploma de jornalistas, às vésperas de a corte lançar o edital de um concurso para contratar 14 profissionais da área, ou fazer um curso de Pedagogia e tentar alcançar um cargo de Secretaria da Educação de algum município deste imenso país que baixam portarias que desvalorizam quem procura ser melhor qualificado.

Não concordamos com a decisão do STF. Nem como decisões como de algumas Secretarias de Educação. Porque são retrocessos no Sistema Educacional Brasileiro. Será que os ministros pensaram que a população, mesmo com Ensino Superior, não consegue emprego? Será que pensaram que a população, sem acesso ao conhecimento, será alguém da e na vida? Será que os ministros pensaram que as pessoas que não tem Ensino Superior ganham Salário Mínimo? Será que é possível ter casa própria com esse dinheiro? Comer com esse dinheiro? Ter um carro com esse dinheiro? Ter lazer, cultura ou viajar com esse dinheiro? Ter uma vida digna e justa sem formação? A população mal tem acesso ao Ensino Básico, nem ao médio e imagina ao Superior e a um curso de Pós-Graduação Stricto-Sensu? Será que os ministros sabem o que é escola pública no Brasil?

Claro que não, pois seus filhos não estudam nela. Muitos nem estudam no Brasil. As crianças e jovens chegam ao Ensino Superior (quando chegam) e não sabem o que cairá no vestibular. Não sabem, porque o conteúdo não foi dado, não foi ensinado e não houve acesso ao conhecimento desde o início no Ensino Básico. Porque a escola tem se tornado um lugar de morte e não de vida, os alunos freqüentam as escolas porque são “privilegiados” com programas assistencialistas como Bolsa Escola, vale leite, etc. E não porque ali seja um espaço onde aprender é prazeroso e instigante. Afinal estamos pleno século XXI e a escola continua no início do século XX.

Fora a política do Proune que é uma forma oculta de ir privatizando o Ensino Superior, em doses homeopáticas, que em vez de ampliar e melhorar as universidades existentes, contratar mais professores, melhorar os salários, ampliar as vagas das Universidades Públicas, injetam dinheiro público no ensino privado.

E mais tem escola que não tem carteiras, nem cadeiras, nem lousas, nem material escolar, muito menos material didático, nem uma merenda decente, nem uniforme, não tem transporte e etc. Qual é o futuro desses alunos? Realmente, para que estudar e encontrar todos esses problemas durante a vida? Se seremos desrespeitados em nossa condição de profissional. Para que estudar se os privilégios de classe se perpetuam e se passam de geração para geração? Estou falando de educação, mas não estou falando de segurança pública, da saúde, da moradia, do transporte, das estradas e etc. Essas crianças e jovens (os alunos) terão emprego sim. Uns porque trabalharão com jeitinho de brasileiro e sobreviverão, sobreviverão, sobreviverão. Outros estarão por aí sem emprego, sem família, se educação, os foras da lei. Porque eles entendem outras leis e não a do sistema, não entendem das necessidades, das condições de vida da nossa população.

Por fim, será que os ministros pensaram que seus filhos viverão nesse mundo? Claro que pensaram. Eles viverão sim, porque eles serão os alunos exemplares e o futuro será assim: com emprego, serão éticos, terão conhecimento cultural e tecnológico, terão condutas intocáveis, emprego a escolher, terão casa, ou melhor, mais de uma, terão carro, ou melhor, mais de um, viajarão não só aqui mais pelo mundo. E o jornalista? O jornalista é mais um dos alunos tentando pegar o ônibus, tentando morar, tentando estudar, tentando comer, tentando viajar... Vai tentando, vai tentando. Quem sabe um dia você será um ministro do STF. E as Secretaria de Educação? Será que pensaram que se a educação continuar como está não vamos nunca conseguir criar possibilidades de superação das desigualdades sociais deste país?

Claro que tanto os “intelectuais” que regem a educação e os que regem as leis deste país pensaram nisto. Afinal eles jamais deixariam de pensar no interesse da classe a que pertencem. Não é à toa que se eles discursivamente dizem priorizar somente a Educação Básica nesse País, nem todo mundo consegue ler o pano de fundo. Eles pensaram muito bem em tudo isso sim, sim, porque eles querem apenas perpetuar o poder entre os seus, afinal para eles a classe desfavorecida precisa continuar sendo mão-de-obra barata para o mercado capitalista e mão-de-obra não precisa pensar, só executar e operar máquinas. Lamentável, esse é Brasil que diz tanto investir na educação e na formação do cidadão.

domingo, 21 de junho de 2009

Mercantilização e Banalização da Sexualidade - a importância da orientação familiar


No Brasil é cada dia maior número de gravidez na adolescência, de casos de pedofilia, de violência sexual em todas as faixas etárias. A sexualidade foi banalizada e mercantilizada, o corpo que sempre foi produto de mercantilização, desde a escravidão (que ainda se perpetua de alguma forma), pois o corpo continua sendo considerado mercadoria, força de trabalho (para produzir capital). Diante de uma sociedade capitalista em que a mídia, especialmente a TV e Internet induzem à erotização precoce, novos padrões de relacionamentos e comportamentos sexuais, não podemos mais ignorar a problemática que se desenvolve em torno da sexualidade. Entendemos que essa demanda da Educação Sexual deveria ser da família, mas muitos pais por medo de perder o respeito e a autoridade perante os filhos, ou mesmo condicionados por dogmas religiosos, ou por desconhecimento e sentirem-se constrangidos (ao qual foram condicionados em ter ou sentir) deixam de abordar o tema. Acreditamos que a formação dos valores inclusive relativos à sexualidade deveria ocorrer inicialmente no meio familiar. Porém, a família não tem proporcionado às crianças, adolescentes e jovens a formação, o discernimento sobre a sexualidade, sendo assim, consideramos que a escola não pode agir da mesma forma, ignorando tantos problemas sociais decorrentes da falta de uma Educação Sexual emancipatória e comprometida com o bem-estar do ser humano, pois a omissão apenas contribui para agravar o problema, gerar e aumentar preconceitos.
Torna-se cada dia mais precoce a erotização do corpo da criança e do adolescente. Os pais condicionados pelo mercado consumista e pela mídia, inconscientemente expõe seus filhos à violência sexual, através da erotização precoce que o corpo de seus filhos sofrem pela maneira com que os pai permitem ou vestem os filhos. A programação da TV, as imagens veiculadas na Internet, a exposição exacerbada no corpo (especialmente o feminino) pelos meios de comunicação induzem à precocidade de desejos sexuais, pois acreditamos que o corpo sente antes mesmo de racionalizar o pensamento. Portanto, uma criança exposta à imagens eróticas pode involuntariamente e precocemente sentir desejos, o que se consolida como uma dos maiores motivos que antecipa o início de uma vida sexual ativa de nossos adolescentes, sem que se tenha maturidade corporal ou psicológica, passando muitas vezes, a viver uma sexualidade instintiva, desassociada de afetividade, de responsabilidade, de respeito com o próprio corpo e o corpo do outro.
A descoberta do corpo erótico traz para o interior da escola situações como a masturbação em sala de aula, entre outros acontecimentos relacionados à sexualidade e que a escola não está preparada para orientar. Consideramos com Belisário (1999) que quando mais escondemos algo, mais contribuímos para criar fantasias em relação a isso. Diante dessa exposição das crianças e adolescentes sofrem um erotização inconsciente do próprio pensamento, precisamos salientar que nem sempre o anseio dos alunos por mais esclarecimentos sobre sexualidade se manifesta através de questionamentos, o que exige do professor sensibilidade para ler olhares, gestos, interpretar palavras e comportamentos e saber como direcioná-los da forma mais adequada. Orientamos que os alunos não devem ser chamados atenção na frente de outros, nunca trate de assuntos tão íntimos na frente de outros, sem expor a criança a humilhações; se não podemos controlar os pensamentos e desejos de uma pessoa, devemos orientá-los que há espaços adequados para vivermos nossos desejos, que há limites que devem ser respeitados. Os pais devem ser informados quando nos deparamos com a precocidade sexual de uma criança, para que estejam conscientes e também orientem seus filhos.
Orientamos aos pais que não deixem de dialogar com seus filhos sobre temas tão urgentes como valores, sexualidade, internet, drogas, entre outros, com receio de perder o respeito e autoridade deles. Sempre digo que o que os filhos tem que ter por nós é respeito, o que é muito diferente de ter medo; quando um filho tem medo dos pais na frente deles, o filho age como um anjo, faz tudo corretamente, porém basta que virarem costas e mudam totalmente o comportamento. Um filho que respeita os pais, age da mesma forma na frente ou longe deles. Nós pais, temos que ser os melhores amigos dos nossos filhos, ou estaremos, de certa forma, “permitindo” que eles se percam por caminhos pelos quais jamais deveriam trilhar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Erotização Precoce e Mídia


Sabemos que a mídia cria símbolos sexuais e significações que influenciam profundamente o comportamento social, especialmente crianças e adolescentes que ainda não possuem discernimento desses “modelos” estrategicamente idealizados de forma a induzir a venda de produtos ou modelos denominados “modernos” de comportamento. E consideramos que, se a escola não se posicionar, torna-se um, dentre os mais variados cenários, dessa legitimação dos discursos da mídia (sendo esta o aparelho que legitima o discurso que a sociedade capitalista considera ideal nos dias de hoje). Desde o vestuário à fala dos personagens, as relações sexuais passam a direcionar em grande número a construção da identidade sexual das crianças e jovens, condicionados a adaptarem seus valores a partir dos “modelos” criados pela mídia. O que muitas vezes ocorre no discurso do professor e mesmo familiar é uma visível contradição, pois dentro do espaço escolar e familiar, muitos pais e professores se posicionam de forma repressora e conservadora, no entanto, no espaço social, estes também se adaptam aos modelos construídos pela mídia, o que não se configura em exemplo prático, mas tão somente numa falácia discursiva.
Através das influências da mídia, crianças e adolescentes são condicionados a construírem sua identidade social e sexual. As telenovelas, os programas televisivos, os instrumentos publicitários, entre outros, modelam o comportamento dos jovens, influenciando profundamente sua maneira de ver e agir. Além de transformar a sexualidade num produto de consumo, a mídia ainda promove a construção de compreensões diversificadas das relações do gênero, funcionando como “modelos” de condutas sexuais. Os programas de cunho religioso, especialmente veiculam discursos dogmáticos, moralizantes e normatizantes. Por outro lado, há outros programas que discutem as questões de sexualidade, padronizando o diferente, impelindo a “quebra de tabus”, onde posturas e valores de universos distintos como a questão da virgindade é considerada costume “ultrapassado” e assim, abrem espaço para novos comportamentos a serem seguidos, como a aceitação natural do homoerotismo no mesmo nível e grau do sadomasoquismo, etc.
Ou seja, a sociedade capitalista tem contribuído cada dia mais para a erotização precoce das crianças, estimulando desejos e incitando-as a iniciarem precocemente sua vivência de uma forma de praticar a sexualidade. Na sociedade que virtualizou e mercantilizou o sexo e a sexualidade, pode-se dizer que estamos caminhando, para não afirmar que estamos vivendo, em tempos de uma sexualidade meramente instintiva, compensatória e desumanizada, sem levarmos em conta a dimensão ética. A sociedade capitalista vê o corpo como mera força de trabalho e com a mercantilização do sexo, o corpo produtor de bens, passa a ser “ele próprio” objeto, fonte de produção capital.
Daí, a urgente necessidade de se falar de ética, buscar desenvolver valores, capacidade de discernimento, espírito crítico, reflexões face às atitudes e comportamentos sexuais que imperam na sociedade, para que os adolescentes possam compreender os riscos e perceber as consequências que terão de enfrentar, ao iniciar uma vida sexual.
Consideramos que a família tenha um papel fundamental na construção de uma ética da sexualidade, pois é através dela que surgem as primeiras aquisições valorativas da vida e da própria sexualidade, os pais não podem delegar à escola o papel que lhes cabe, a educação sexual escolar vem complementar, enriquecer, levantar questionamentos e contribuir para a formação ética e estética da sexualidade humana, mas cabe à família um diálogo aberto sobre os valores éticos e estéticos da sexualidade.
Concordamos com Guimarães (1995), que a família é a base na qual os sujeitos deveriam receber as primeiras informações referentes à sexualidade, sendo esta a primeira referência para que a criança construa sua identidade sexual e sua concepção primária de sexualidade e de cultura, identidade mais cultural do que inata. No entanto, a família condicionada pela visão histórica da sociedade não tem, em sua maioria, contribuído para a educação sexual. Muitas famílias silenciam, ignoram ou preferem ocultar a sexualidade dentro da educação de seus filhos.
A outra instituição formadora, a escola, também vive um dilema: quando não mantém um silenciamento sobre a sexualidade, tem feito um discurso empirista e superficial, ou seja, tem contribuído para consolidar o discurso moral vigente ou para mistificar o hedonismo real. Ainda presenciamos, quando o assunto é sexualidade, especialmente em relação às questões de gênero, expressões preconceituosas, ou de “horror”, quando a escola se depara literalmente com fatos que obriguem os docentes a verem que as crianças não são assexuadas e a sexualidade está despontando nelas.
Não podemos também deixar de evidenciar que, muitas vezes, quando a escola tenta aprofundar o debate da sexualidade, esta sofre possíveis “represálias” por parte de muitos pais, ainda condicionados pela forma como foram educados e vivem sua sexualidade, consideram essas questões como “pornográficas” ou tratar dessa temática da escola incita os alunos a iniciarem uma vida sexual. Uma visão moralista e equivocada, pois a sexualidade está exposta nos mais diversos veículos de midiáticos, especialmente a internet que, lamentavelmente, traz desinformações e falsos valores, e a escola não pode ficar alheia aos problemas sociais, inclusive relacionados à sexualidade como a “gravidez precoce”, a disseminação da AIDS e demais DSTs, assim como não pode deixar de abordar a pedofilia, a violência sexual, a pornografia infantil que tem aumentado cada dia mais.
Mesmo diante de questões tão graves e urgentes como estas, sabemos que, quando o tema sexualidade é debatido na escola, muitas famílias ainda manifestam rejeição a essas informações, e a universidade ainda não inseriu nos cursos de formação de professores, disciplinas ou campos temáticos que preparem os docentes para debaterem sobre a sexualidade, buscando contribuir para a superação dessas problemáticas sociais. Sendo assim, os docentes reproduzem sua visão senso-comum sobre sexualidade, perpetuando valores, conceitos e preconceitos embutidos em sua formação, seja ela familiar ou escolar.
Nos dias de hoje, diante da velocidade de (des)informações veiculadas pela mídia, a escola torna-se inofensiva, quando, ao abordar a educação sexual, restringe a sexualidade humana apenas a um conteúdo anatômico fisiológico, como afirma Nunes (1987, s.p.):
Quando entendemos o sexo como a marca biológica, só podemos entender a sexualidade como a marca humana, e dela temos que buscar a significação existencial e social que construímos a partir e sobre a possibilidade biológica. Temos à frente crianças e adolescentes “ansiosos por saber de si”, por entender o sexo e sexualidade, de compreender suas potencialidades, de assumir-se como sujeito, capaz de amar... A afetividade é o que torna a sexualidade essencialmente humana.


A Sexualidade é fundamental e maravilhosa, mas como tudo na vida exige maturidade, responsabilidade e a hora certa para acontecer. Antecipar uma vivência sexual inclusive pode provocar traumas e frustrações que dificilmente conseguem ser superados.


Diga Não à erotização Infantil!

Amanhã continuaremos esse diálogo... enquanto isso reflitam sobre essas colocações!

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